Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




A segunda pior economia da Europa

por Pedro Correia, em 14.02.09

  

 

Dados do Instituto Nacional de Estatística: no último trimestre de 2008, o produto interno bruto português recuou dois pontos percentuais, o que nos atira para os piores números desde 1984, ano em que Portugal era (des)governado pelo bloco central e tinha os 'cobradores de fraque' do Fundo Monetário Internacional à perna. Isto contraria as previsões do Governo contidas no Orçamento de Estado suplementar para 2009, que apontava para uma contracção do défice só na ordem dos 0,8%. Os dados macroeconómicos são trágicos: o desemprego dispara para 8,8%, a dívida pública mantém-se, a queda do PIB é a segunda maior da União Europeia, logo após a Alemanha (onde a economia se contraiu em 2,1%).

Há quatro anos, quando apresentou as suas bases programáticas aos eleitores nas legislativas de 2005, José Sócrates afirmou-se disposto a "devolver a confiança aos portugueses". E fez duas promessas categóricas num só parágrafo, logo no capítulo inicial: "A agenda económica do PS tem como objectivo aumentar, de forma sustentada, o crescimento potencial da nossa economia para 3%, durante a próxima legislatura. Só com o crescimento da economia poderemos resolver o problema do desemprego e combater as desigualdades sociais. Portugal deve ter como objectivo recuperar, nos próximos quatro anos, os cerca de 150.000 postos de trabalho perdidos na última legislatura."

É mais fácil prometer do que concretizar: o desemprego galopa, a recessão ultrapassa todas as previsões. Nos blogues que apoiam o Governo com uma devoção ilimitada, nada disto se debate: a economia real é uma tremenda maçada, o desemprego diz respeito ao povo. E a esquerda fracturante, que adora subir o Chiado, detesta 'descer' ao povo.

Mas os números não enganam: temos hoje a segunda pior economia da Europa, logo após a Alemanha. Sem termos, nem de longe, uma protecção social equivalente à dos alemães. As coisas são o que são. Péssimas.

Autoria e outros dados (tags, etc)


26 comentários

Imagem de perfil

De João Carvalho a 14.02.2009 às 00:29

Finalmente, por uma vez leio que o PIB «recuou». Estou farto de ouvir falar em «crescimento negativo»...
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 14.02.2009 às 00:35

Também eu, compadre. Cheira-me logo a paleio propagandístico dos papagaios do Governo.
Imagem de perfil

De João Carvalho a 14.02.2009 às 00:36

Só um reparo: aquela foto, assim de frente, não dá para perceber bem; de lado talvez se visse melhor, mas não é o Pinócrates?
Sem imagem de perfil

De LUIS REIS FIGUEIRA a 16.02.2009 às 13:21

Claro que é ele, pá, na assinatura do ... "Fiasco de Lisboa". Porreiro, pá, porreiro!...
Imagem de perfil

De João Carvalho a 16.02.2009 às 13:26

Ah! Porreiro, pá!
Sem imagem de perfil

De Sara a 14.02.2009 às 02:07

A Oeste nada de novo...
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 14.02.2009 às 02:13

Por outras palavras, Sara: estamos cada vez mais a Leste da prosperidade...
Sem imagem de perfil

De Anti a 14.02.2009 às 10:47

São 4 anos deitados ao lixo. Quatro anos de mentira e aldrabice mal camuflada . Num primeiro momento foi decretado o fim da crise, depois estávamos preparados melhor que nunca para resistir à crise, daí a uma cínica declaração sobre uma crise que só acontece uma vez na vida foi um instante. Foi essa mesma crise única , que serviu como álibi para esconder a incompetência descarada e pouco séria de um dos mais sinistros governos de sempre em Portugal. Só que agora, estes últimos resultados vêm borrar ainda mais e totalmente a pintura em tons que vão para além do razoável. Muito mais do que alguns sabiam e previam, colocando os propagandistas deste governo de ESQUERDA em alerta máxima. Preparem-se, vem aí mais bombas de fumo. Demagogia e populismo puro e duro. Para alguns seres pensantes, passou a ser Marketing Político. Siga o circo!

Nota final: É impressionante como um tipo concorre a 1º ministro com tantos "rabos de palha".
Duas Hipóteses:

1º- Está completamente acima de qualquer suspeita e não tem nada que se lhe aponte e tudo não passa de uma terrível campanha.

2º- Ou então, sente-se muito bem amparado pelos "escudeiros do regime", com capacidade para impedir danos, venham eles donde vierem ou sejam de que gravidade forem.
Sem imagem de perfil

De isento a 16.02.2009 às 02:49


Se for a 2a opção já explicou que está cá para atirar pedras.
E se for a 1a?

Pois é....
Sem imagem de perfil

De Anti a 16.02.2009 às 17:45

Caro isento:
Não quero cá dúvidas, sou mesmo contra Sócrates. Tudo é superficial, tudo é postiço, do político ao homem.
Quanto às hipóteses, meu caro no estado em que nós estamos, tomara que não houvesse dúvidas acerca da idoneidade do 1º ministro. Mesmo que a tenha, não é esta a justiça que me fará descansar o espírito!
Sem imagem de perfil

De Ricardo S a 14.02.2009 às 12:47

Pedro, há que separar duas questões, que o Pedro mistura: o estado actual da economia (e das finanças) e o que está a ser feito ou deveria ser feito pelo governo para melhorar a situação, por um lado, e as promessas e previsoes do governo em 2005, por outro.
Começando pela segunda, há que ter em conta que, em 2005, toda este cenário (internacional) era totalmente impossíel de imaginar e teremos de comparar essas promessas com os resultados e a situação do país no final de 2007, altura em que a crise começou a provocar os efeitos qeu se sabem. Essa análise, sim, é justa, ja que os resultados nao tinham qualquer interferencia da crise internacional. Depois disso, é o que se sabe, foi sempre a piorar. Mas, por exemplo, tinham sido criados praticamente 100 mil empregos liquidos, o defice tinha sido reduzido, as exportaçoes sofreram um ligeiro aumento (em media) e o poder de compra estabilizou, ao contrario dos anos anteriores, com governos anteriores.
Quanto à primeira questão e a mais importante, a analise deverá incidir sobre as medidas actuais de combate a esta crise e as alternativas possiveis, que - diga-se - nao sao muitas. Apesar de nao estar convencido das medidas nem satisfeito com as constantes correcçoes orçamentais, prefiro esperar para ver no que isto irá dar, já que - reconheçamos - os restantes países europeus estao a tomar muitas das mesmas medidas. Os EUA é que têm um plano bem diferente, mas tal nao é de estranhar, já que o sistema deles é bem diferente.
De qualquer das formas, ainda nao vi ninguem defender uma politica comum (comunitaria) para recuperar a economia da UE (pelo menos nao me recordo). Penso que a recuperaçao dos paises da zona euro deveria adoptar algumas linhas comuns.
Abraço e bom fds.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 14.02.2009 às 12:58

Caro Ricardo, em matéria económica e financeira, reconheço apenas dois méritos neste governo:
1. Reduziu o défice, que mesmo assim permanece muito elevado (cerca de 4%)
2. Fez um esforço sério e com resultados palpáveis no combate à fraude fiscal (esforço que, há que reconhecer, havia sido iniciado anteriormente embora com menos resultados).
Tudo o resto só pode desiludir a esmagadora maioria dos portugueses que votaram PS em 2005. As previsões económicas falharam em toda a linha, o que não pode ser imputado por inteiro à crise internacional. O ministro Pinho andou a semear ilusões ao anunciar o fim da crise em 2006 enquanto o ministro Lino se multiplicava em anúncios de projectos megalómanos. O Orçamento inicial para 2009, concluído quando a crise internacional já se tornara realidade, era uma pura peça de ficção, cheia de cenários macroeconómicos desajustados da realidade que têm vindo a ser completamente revistos. A crise é internacional, de facto. Mas isso não justifica que Portugal seja neste momento a segunda pior economia da UE. Nem que o PM tenha tentado durante tanto tempo camuflar a recessão quando ela era já mais que evidente.
É sempre um prazer debater consigo.
Abraço e bom fim de semana.
Sem imagem de perfil

De Ricardo S a 14.02.2009 às 18:39

O problema é queo mau trabalho de Manuel Pinho foi sempre estando camuflado pelo bom trabalho de Teixeira dos Santos, já que (tal como eu escrevi no comentario anterior) os grandes feitos deste governo na area economica foram pela mao do Ministro das Finanças e nao do da Economia. Agora que as finanças sofreram um enorme reves com a crise econmica, e os numeros sao negativos, todos nos viramos para o Ministerio da Economia à espera de medidas e propostas para melhorar a situaçao, por muito dependentes (sobretudo de espanha) que sejamos. E o que vem de là? Nada. O vazio do costume.
Por isso, como ja aqui defendi, a partir de Outubro espero sinceramente que tenhamos la outro no seu lugar, porque este, na pratica, continua vazio, ja que um boneco que nada faz nao serve nem para fazer de conta que se faz alguma coisa...
Abraço.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 14.02.2009 às 21:59

Só posso concordar desta vez, Ricardo. Abraço
Sem imagem de perfil

De Amêijoa Fresca a 14.02.2009 às 13:10

O miserável resultado económico,
ontem anunciado,
adensa o atraso crónico
de um país adiado.

Mais lixado ficará o mexilhão
com esta política falhada,
até o próprio berbigão
vê a sua vida farfalhada!
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 14.02.2009 às 22:00

Está fresca, está...
Sem imagem de perfil

De Friedman a 16.02.2009 às 02:54

"Mas os números não enganam: temos hoje a segunda pior economia da Europa, logo após a Alemanha."

Você percebe menos de economia que eu de jardinagem.
Então a Alemanha é a pior economia da EU..?.loool
E escreve isso assim, sem vergonha...
Imagem de perfil

De João Carvalho a 16.02.2009 às 02:58

Gostei sobretudo do expressivo «loool». Sempre acrescenta crédito a um comentário já em si profundo.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 16.02.2009 às 03:03

Você, que percebe tanto de economia, esqueceu-se de dizer qual é a pior. Se não é a Alemanha, admiro-me que a Qimonda alemã, aqui há uns meses tão elogiada pelo seu amigo Manuel Pinho, tenha decretado falência. Deve ser porque a economia alemã está super-próspera... Ou acha que Portugal já conseguiu ultrapassá-la e merece já o título de pior economia europeia? Pense nisso mais os seus amigos do Rato e quando tiver chegado a uma conclusão mande um postalinho, tá?
looool para si também
Sem imagem de perfil

De A. Moura Pinto a 16.02.2009 às 13:48

Bom, isto só não é delito de opinião, porque não se deve penalizar o humor, sobretudo nos tempos que passam.
E fica provado que o humor, muitas vezes, resulta mesmo da opinião emitida sobre o que se não percebe. Nem me atrevo a dizer que não se quer perceber, que isso já cairia na arte da adivinhação.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 16.02.2009 às 14:06

Você é a pessoa mais indicada para falar de humor. Fui agora ao seu blogue, que não conhecia, e vi as imagens de uns porcos muito sujos a servir para ilustrar uma prosa difamatória contra uma jornalista do 'Público' que se atreveu a escrever qualquer coisa contra o PS ou o Sacrossanto Primeiro-Ministro. Bastou isso para perceber a 'qualidade' do que você escreve. Não me apeteceu ver mais nada. Passe bem.
Sem imagem de perfil

De A. Moura Pinto a 16.02.2009 às 14:38

Prosa difamatória é isto, Pedro Correia: "A verdade é que se indicia aqui um inconfessado desejo de incriminação de J.S . Para bem da credibilidade do PÚBLICO e da seriedade do seu tratamento de tema tão sensível (que no próximo domingo merecerá nova abordagem do Provedor), era bom não existir tal intenção."
Leia então a crónica do Provedor do Público de ontem e leia a que ele anuncia, no próximo domingo, sobre o caso Freeport e a que tb se refere a jornalista Clara Viana.
E, se quer ter opinião sobre o texto da jornalista que comentei, leia-o para que não tenha que repetir que o humor por vezes resulta do que se não sabe ou não se conhece.
Os porcos da foto que afixei estão "muito sujos"? A mim, não me preocupa, nem surpreende. Diria que é da sua natureza. Mas se tal o incomoda, porque não lhes dá banho?
Você tem graça, de facto. É que escreve, por exemplo, que "a recessão ultrapassa todas as previsões", tendo antes referido as promessas eleitorais do PS onde não consigo identificar qual o objectivo fixado para a recessão. E, deste modo, não consigo avaliar o grau de incumprimento desta promessa - sobre a recessão - do PS. Por isso me divirto. E se você se diverte comigo... ainda bem.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 17.02.2009 às 02:07

Uma coisa é debater ideias, outra é achincalhar deliberadamente, como você fez. Acharia bem que eu ou a Clara ou qualquer outra pessoa ilustrássemos um texto que contestava uma posição sua, qualquer que fosse, com uns porcos num chiqueiro? Deixo isto à sua reflexão, considerações políticas à parte. Cada um é livre de pensar o que quiser e, tanto quanto sei, criticar Sócrates ou ser mesmo frontalmente contra Sócrates não é delito de lesa-majestade.
Sem imagem de perfil

De A. Moura Pinto a 17.02.2009 às 11:54

Pedro Correia
Assumi, de forma clara - não gosto de subentendidos ou de insinuações - que aquela peça de Clara Viana estava ao nível da chafurdice mas não do jornalismo.
Para mim está, e explico lá por que está. Porque tem um título, muito conveniente, que nada tem a ver com o resto, porque nenhuma das pessoas indicadas está sob investigação. Se reparar, a Cândida Almeida é lá metida com o magno argumento de ter integrado a comissão de honra da candidatura da candidatura de Mário Soares.
Como lhe referi, o provedor do leitor do Público escreve o que escreve, espero que, para si, por fundamentadas razões.
Querer reduzir isto a poder-se ou não escrever, ou a ser contra ou a favor de Sócrates, é fugir à questão. A menos que para isso valha tudo, seja quando se é a favor, seja quando se é contra.
Claro que interessa debater ideias. Mas não me tome por tonto ao ponto de não saber que há formas só aparentemente subtis de achincalhar, coisa de que pretende estar afastado.
À pergunta que faz respondo assim: a ilustração deve ser adequada ao texto. Se tiverem que ser porcos, paciência. E isto vale para todos, pelo que tb eu posso levar com coisas assim.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 17.02.2009 às 12:01

Uma vez mais, totalmente em desacordo. É salutar pensarmos de maneira diferente e é salutar que a expressão das discordâncias seja feita de forma clara e aberta. Isso é uma coisa. Outra é denegrirmos quem exprime pontos de vista contrários, equiparando essa pessoa ao nível de um animal. Num debate civilizado é fundamental respeitarmos quem pensa de forma diferente. Sobretudo quando estamos de facto convencidos que a razão está do nosso lado.
Sem imagem de perfil

De A. Moura Pinto a 17.02.2009 às 12:16

Bom... ainda não entendeu.
A mim pouco me importa quem seja o autor do texto que comentei. Você insisti em ligar os porcos à Clara Viana, eu usei-os para ilustrar um exemplo de jornalismo de chafurdice.
Porque para mim a questão é saber se aquilo é jornalismo ou chafurdice. Porque, deverá saber, também por vezes se usa a expressão "jornalismo da sarjeta". Quando é necessário. Mas parece que depois a ilustração deveria ser uma pomba - branca - a bater asas.
E naquele texto não tem um ideia a discutir, mas apenas a informação de perfis profissionais ou políticos das pessoas citadas. Não tem lá uma ideia. Mas o título sim, é significativo. Porque tem os termos investigadores e investigados e, quanto a investigados, nenhum daqueles o é no caso Freeport. Investigadores serão 2, no máximo- Que pretende então Clara Viana? Queira ou não, para mim é chafurdar.
E fico por aqui. Porque argumentos de superioridade moral como os que utiliza - não sei se os pratica - não vão comigo para lado algum.
Costumo mesmo dizer que sou pessoa de moral duvidosa, porque DUVIDO da moral dos outros.

Comentar post



O nosso livro





Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2017
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2016
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2015
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2014
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2013
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2012
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2011
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2010
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2009
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D