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Cartas do Japão - 8

por Teresa Ribeiro, em 08.04.10

7º dia - Está de chuva, raios! Eu queria ver Quioto nas melhores condições e como uma desgraça nunca vem só, é impossível visitar o Palácio Imperial porque fecha aos domingos e é domingo. Saio do hotel mal humorada. Pensamento do dia: Está-se mesmo a ver que não vai haver cherry blossoms pr'a ninguém!

Começamos o tour pelo castelo Nijo, de que gostei muito. A guia de hoje chama-se Youmi. É muito simpática e tem uma voz agradável. Para variar não parece uma menina pequenina a falar, como acontece com quase todas. Youmi chama-nos a atenção para o som que faz o chão do castelo ao passarmos, um som agradável que se destinava, no tempo dos senhores feudais e dos ninjas, a alertar os donos da casa para a presença de intrusos. Daqui passámos a um santuário xintoísta, o Kitano Tenmangu, também muito bonito. Seguiu-se o Pavilhão Dourado.

Salto no tempo: estou a descrever este tour por Quioto no comboio bala, já a caminho de Hiroshima. Enquanto vejo esta cidade encantada desaparecer no horizonte pergunto-me: Será que nunca mais te vejo? Quero voltar aqui. Não gosto de repetir destinos quando sei que tenho tanto para descobrir, mas Quioto é uma das coisas mais lindas que já vi (tem razão, Nanbanjin, seria imperdoável excluí-la do meu roteiro). 

Embora não goste de circuitos, tenho de reconhecer que esta foi a melhor experiência que tive do género. Os japoneses são extremamente organizados, sabem gerir o tempo muito bem, não nos obrigam a andar a toque de caixa. Em geral dispomos de um tempo aceitável para desfrutar as coisas. Acresce que revelam particular sensibilidade para cuidar de pormenores, como o da apresentação em crescendo das suas jóias. Em geral, o monumento que vemos a seguir supera o anterior.

Retorno ao registo em que comecei esta carta: quando entro nos jardins do pavilhão dourado identifico facilmente as árvores que, segundo nos disseram, há dias ainda estavam em flor. Praguejo muito. Se as cerejeiras tivessem orelhas ficariam com elas a arder. Ainda por cima, sem Sol à vista, o pavilhão dourado não tem, como se pode imaginar, tanto impacto. Obrigadíssima, ó gordo! (o gordo era o Buda). Irritada lá fui tirando umas fotos. Estou com fome. À saída dos jardins vejo uma máquina do Hagen Dasz. Reparo que tem um gelado de chá verde, variante para o mercado oriental. Mas tiro um de chocolate, agora não me apetece japonices.

Ao almoço outro buffet. Gosto da solução porque permite experimentar muitas coisas, mas desta vez dá-me mais para pôr defeitos em tudo. Estes comedores-de-peixe-ao-pequeno-almoço sabem lá o que são sobremesas! De facto, do que provei o mais decepcionante tem sido os doces.

À tarde tudo mudou. O sol apareceu e recomeçámos o tour  pelo santuário Heian, com os seus deslumbrantes jardins. A nossa simpática guia já nos tinha dito, ao almoço, que aqueles eram os seus jardins favoritos e que estava certa de que eu iria adorar, até porque ali ainda havia muitas cerejeiras em flor (há espécies que florescem mais tarde, era o caso). Fiquei, de facto, maravilhada. Perdi a conta às fotos que tirei e esqueci-me de continuar mal disposta. A neura ficou para trás.

 

Na foto: jardins do santuário Heian

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