Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Delito de Opinião

O currículo não é tudo na política

Pedro Correia, 05.04.10

 

Fala-se hoje muito na necessidade de experiência, ao nível do Governo, para um político assumir funções de liderança num determinado partido. À luz deste critério, nem pensar em ascender à chefia do Executivo se esse político não tiver um longo tirocínio governativo – ouço dizer cada vez com mais insistência.
Às pessoas que produzem semelhantes análises gostaria de recordar os percursos de três chefes de governo portugueses sob a vigência do actual quadro constitucional: Mário Soares, Francisco Sá Carneiro e Aníbal Cavaco Silva.
Soares, enquanto secretário-geral do Partido Socialista, ascendeu ao posto máximo do Executivo a 23 de Julho de 1976, liderando o I Governo Constitucional. Tinha então 51 anos. E qual fora a sua experiência anterior em matéria governativa? Quinze meses incompletos como ministro dos Negócios Estrangeiros dos primeiros quartos governos provisórios – entre 15 de Maio de 1974 e 8 de Agosto de 1975.

Francisco Sá Carneiro, enquanto presidente do PPD/PSD, iniciou funções como primeiro-ministro a 3 de Janeiro de 1980, aos 45 anos. A sua experiência governativa era ainda mais escassa do que a de Mário Soares: apenas 63 dias, entre 15 de Maio e 17 de Julho de 1974, como ministro sem pasta do primeiro-ministro Adelino da Palma Carlos, o primeiro chefe do Executivo após o 25 de Abril. Nada mais que isso.

Cavaco Silva tomou posse como primeiro-ministro aos 46 anos, a 6 de Novembro de 1985, na sequência da sua eleição como presidente do PSD. Experiência governativa anterior: 373 dias como ministro das Finanças, entre 3 de Janeiro de 1980 e 9 de Janeiro de 1981. Experiência curta, sem dúvida. Mas foi quanto lhe bastou para formar um Executivo ainda hoje lembrado como um dos melhores que Portugal já teve.
O que leva a concluir o seguinte: ter um longo currículo como ministro ou secretário de Estado não é garantia antecipada de que se possa transitar com mais facilidade para o posto máximo no Governo. Se o critério decisivo fosse esse, Soares, Cavaco e Sá Carneiro nunca teriam sido primeiros-ministros.

 

Também publicado aqui.

4 comentários

  • Imagem de perfil

    Pedro Correia 05.04.2010

    O Tric anda com problemas no cérebro. Dinamite em excesso.
  • Sem imagem de perfil

    tric 05.04.2010

    "Fala-se hoje muito na necessidade de experiência, ao nível do Governo, para um político assumir funções de liderança num determinado partido."

    Pedro Correia, eu não sei quem é que disse esta barbaridade! depois da experiencia que tem sido a governação de Socrates...tendo ele tido experiencia governativa anterior...

    a condição necessaria para se ser lider de um partido, nos proximos tempos, é ter sido jotita...são estes as novas vedetas do Portugal do ano de 2010, da nossa adorada e mui estimada comunicação social...eu oferecia!!! a PT ao Belmiro e em troca ele tinha que deixar o filho governar Portugal durante 4 anos!! bastavam quatro anos... ( ou negocios analogos com gente desta estirpe ) Pedro Passos Coelho!!??António José Seguros!!!?? é apenas a vulgaridade a manter-se na Cadeira de Primeiro-Ministro de Portugal... e não trazem nada de novo, só vai mudar o bla bla bla...Portugal necessita, como de pão para a boca, de produzir riqueza...e a cabeça destes jotitas nunca foi formatada para tal objectivo, apenas foi, e está formatada para serem carreiristas politicos, o mesmo é dizer, boys...tal como o Socrates!
  • Imagem de perfil

    Pedro Correia 05.04.2010

    Como o Paulo Azevedo, tanto quanto sei, não tenciona candidatar-se a um cargo político, e como o Paulo Portas também foi "jotinha", quem resta então? Na sua opinião, ao que deduzo, os melhores líderes partidários são então Louçã e Jerónimo de Sousa, que nunca passaram pelas "jotas". Pensa mesmo isto?
  • Comentar:

    Mais

    Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

    Este blog tem comentários moderados.