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Quando S. Valentim estragou um conto de Fadas!

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 13.02.09

Era uma vez uma jovem que via muitas telenovelas, lia a “Maria” e sonhava casar com um homem rico. Um dia encontrou uma Fada que lhe disse:
- Posso satisfazer-te esse desejo, com uma condição: terás de ir trabalhar  numa casa de alterne.
- Quanto tempo?- perguntou a jovem
- Não muito. O suficiente para eu fazer o meu feitiço.
Ao fim de alguns meses, numa manhã de nevoeiro, a Fada voltou a aparecer e disse-lhe :
- Prepara-te. É hoje que vais encontrar o teu futuro marido.
A jovem passou o dia em sobressalto. Foi ao cabeleireiro, pediu dinheiro emprestado para comprar um vestido novo e à noite sentou-se na sua mesa habitual à espera do homem que lhe iria mudar a vida.
Ao bater das 12 badaladas da meia-noite, viu entrar um homem que conhecia das capas de revista e não teve dúvidas que era aquele o marido que a Fada lhe destinara. Não era bonito, era já um pouco velho, mas a conta bancária colmatava esses pequenos defeitos. Pensou que a  Fada podia ter sido mais generosa,  mas  se era aquele que ela escolhera, devia saber o que estava a fazer.
Confortada com esta ideia, não hesitou. Passados alguns dias estava a viver com o homem que a Fada lhe destinara. Foram muito felizes durante dois anos. Ela começou a aparecer nas capas de revistas, exibindo roupas luxuosas e sorrisos de plástico, evidenciando o desafogo em que vivia. O problema é que o companheiro não queria nada de casamento  e ela começava a desesperar.
Um dia, numa visita a Lisboa, encontrou a Fada no Jamaica e atirou-lhe:
- Enganaste-me, Fada! Afinal ele não quer casar comigo…
- Não tenhas pressa. Ele não te dá tudo o que desejas?
- Sim, mas é velho, um dia bate a bota e eu fico sem nada…
- Eu fiz o que tinha a fazer. Agora é a ti que compete fazer o resto.
A jovem era um bocado lerda, por isso não entendeu as palavras da Fada e decidiu agir de acordo com  a sua ambição. Começou  a roubar o companheiro.
Quando percebeu que estava a ser vigarizado, o candidato a marido decidiu pô-la na rua.
Despeitada, jurou vingança e resolveu escrever um livro contando algumas malandrices do seu companheiro. Como a imaginação era demasiado fértil, carregou nas cores da paleta, inventou umas mentiras que um casal de Lisboa lhe soprou ao ouvido e tornou-se escritora de ficção.
O livro foi um sucesso de vendas e despertou a curiosidade de um realizador de cinema, que pretendeu transformá-lo em filme. A jovem já pensava ser a protagonista, mas teve de contentar-se com o argumento. Para a compensar, o realizador ofereceu-lhe uns fins de semana em Lisboa e disse-lhe que havia uma senhora que estava disposta a ajudá-la, desde que ela contasse umas histórias em Tribunal.
A jovem aceitou de imediato. Dando asas à imaginação inventou umas histórias, garantiu em Tribunal que tinha assistido a umas cenas com fruta que puseram em delírio a imprensa desportiva, o Correio da Manhã e os adeptos do Benfica. Passou a ter segurança privada, espatifou um jeep durante a madrugada, em condições que a imprensa escondeu, refugiou-se no Alentejo em casa de um novo namorado, mas acabou outra vez mal, como podem ver aqui e aqui
Mas um azar nunca vem só! Os juízes descobriram que era tudo mentira e decidiram proceder criminalmente contra ela pelo crime de “testemunho falso, agravado”.
Quanto à senhora que a considerava testemunha credível, percebeu o logro em que caiu, assobiou para o ar e começou a dar entrevistas ao Mário Crespo na SIC, para falar de outros assuntos mais mediáticos.
É por estas e por outras que podemos estar descansados com a Justiça em Portugal.
Ao fim e ao cabo, foi só uma história de amor que acabou mal, em véspera de S. Valentim. Tal como o clima, também as histórias de amor e os contos de Fadas já não são como eram dantes. A culpa é da fruta, que afinal estava estragada!

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6 comentários

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De Bluevelvet a 13.02.2009 às 14:14

Tadinha da dos Fellatios....
Veludinhos azuis
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De paulofski a 13.02.2009 às 14:46

Brilhante! Como fui ao longo do conto sendo enredado por uma salada de frutas, que de tão cristalizadas já nem adoçam mais o apetite verborreico de uma certa imprensa mediática. Repito, brilhante.

Forte abraço

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De Gi a 13.02.2009 às 16:04

Era fruta a mais!
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De Sun Iou Miou a 13.02.2009 às 16:21

Deixe-se se ficar pelo Guincho, com este sol, Carlos, sobre tudo se dá para escrever contos destes que até parecem reais. (`_^)
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De PreDatado a 13.02.2009 às 16:52

Sabe Carlos B. Oliveira, na verdade eu acho que as coisas não foram exactamente assim. Mas isso sou eu que sou adepto do Benfica. Sabe o que me entristece nesta história, realmente? É o preconceito. Uma "prostituta" (não sei, talvez só alternadeira, não estou a ver o Sr. Jorge Nuno apresentar a amante, ainda mais prostituta a Sua Santidade o Papa João Paulo II), mas dizia uma prostituta (ou alternadeira)não é credível. Como se tem visto em outras situações da nossa justiça, mais douradas ou menos douradas. Um velhote meu amigo, lá no bairro onde morei muitos anos, costumava dizer que "quando o mar bate na rocha, quem se lixa é o mexilhão". Um abraço de um lampião para um respeitável tripeiro.
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De ACCB a 13.02.2009 às 20:18

Ai , ai.....pois pois.

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