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por Luís Naves, em 05.02.20

Tornou-se moda dizer que isto ou aquilo equivale a fascismo ou nazismo. Aplica-se a acusação a presidentes e deputados escolhidos em eleições livres, dirigentes partidários menores, comentadores de tuítes, enfim, a quem não tiver sólidas credenciais para se proclamar moralmente superior a tudo o resto. As pessoas que se dedicam a este exercício de ignorância estão na realidade a negar a história e a desculpar as ditaduras. Julgam prevenir o mal, mas banalizam o horror. Se o CDS é nazi, então o nazismo não pode ter sido assim tão mau; se Donald Trump, Salvini ou Bolsonaro são fascistas, Mussolini está desculpado. Acima de tudo, isto impede-nos de discutir as questões do nosso tempo. A relativização do antissemitismo ou do Holocausto, as comparações absurdas com épocas diferentes da nossa, a equivalência racional entre ideias banais e ideias genocidas ou ainda a crença não democrática de que os eleitores podem e devem ser ignorados, tudo isto vai além da tese estúpida para entrar nos territórios do perigosamente estúpido.


12 comentários

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De WTF a 05.02.2020 às 15:50

Muito bom. O post com maior sentido de oportunidade aqui escrito.
Cheguei à conclusão que estas comparações vêm de pessoas que apesar de se acharem muito eruditas, revelam uma tremenda ignorância histórica e social.
Comparar trump, bolsonaro, ventura, ou le pen a um mussolini, ou hitler, é demonstrar que não se tem qualquer conhecimento do passado. São pessoas que falam porque ouviram dizer, são pessoas que têm preguiça até, de ler os manifestos e programas destes políticos, de forma a conhecerem-nos melhor.
E com isto, de facto, descredibilizam a história, desrespeitam milhões de pessoas que sofreram nas mãos dessas personagens.
Estamos numa sociedade em se fala para se ficar bem, para aparecer, para ter protagonismo. É só ver a quantidade de entendidos que à 20 anos se recusavam a entrar pelos caminhos de esquerda e agora parecem papagaios das joacines, das Mortáguas, ou dos louçãs.
E são-no porque perceberam que só o sendo é que mantêm os lugares nos programas de televisão e as colunas nos jornais. Aderiram ao sistema de censura encapotada e influência de massas, para garantir mais uns euros ao fim do mês. Isto está de tal maneira que em programas de debate e de informação, com 3 ou 4 comentadores, todos vestem a mesma camisola. Privam o espetador de um conhecimento das causas, abrangendo os diferentes prismas, diferentes opiniões, ou diferentes pontos de vista. Desse modo influenciam o espetador a comer aquilo que se lhes dá. E ele lá fica na ignorância, até ter oportunidade de ir às redes sociais informar-se sobre outras opiniões.
Tudo o que é direita é fascismo, tudo o que é esquerda é humano. Uns são bons, outros são maus. Deve andar o Adolf a dar voltas no túmulo, por o compararem ao donald, ou ao Jair.
Em Portugal é impossível discutir opiniões. Quem as tem diferentes é logo rotulado de ignorante, analfabeto, escumalha e medíocre. Chega-se ao ponto de o comum cidadão até recear dar a sua opinião sincera, pois será injuriado do pior.
Nos EUA aconteceu isto mesmo. E fizeram-se sondagens que resultaram em erros enormes. Porquê? Porque os questionados nem coragem tinham de dar a sua opinião sincera, sob pena de total exclusão e marginalização. Acabaram por dar a sua opinião sincera no sigilo da mesa de voto... e lá ganhou o Donald, para surpresa geral.
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De Anónimo a 06.02.2020 às 01:35

Ainda bem que sabe do que está a falar, devia ter lido em algures ou contaram-lhe, a não ser que tenha 90 anos. Mas pelo 'espetador' não parece.
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De WTF a 06.02.2020 às 15:48

Bem, se um dia quiser fazer carreira como detetive, esqueça. Não tem jeito nenhum para isso.
Não tenho 90 anos, tenho metade, por acaso.
E há 20 anos já tinha acabado o curso à 3 e trabalhava à 8.
É o que dá fazer pela vida, em vez de andar a chular os papás e a bater recordes de matrículas na faculdade, e mais preocupados em ir fumar umas ganzas na festa do avante.
Por isso há 20 anos lia algo mais que o blitz e via algo mais que o big brother.
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De jo a 05.02.2020 às 15:54

De repente lembrei-me de uma rábula do Gato Fedorento em que eles diziam.

"O Sr. árbitro foi extremamente incorreto. Ai pois foi!"

E ainda dizem que o politicamente correto é uma coisa de esquerda.
A direita também tem palavras tabu, e razões farsolas para não as usar.
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De Anónimo a 05.02.2020 às 16:08

Nas últimas décadas instalou-se no poder e no proveito uma mentalidade muito cor de rosa, radicalmente amiga dos animais, do ambiente e do clima, aniquiladora dos valores e dos princípios ancestrais e promotora do relativismo absoluto, cúmplice e beneficiária da corrupção generalizada.
Trata todos aqueles que reagem a tal situação com maior intolerância que a de qualquer dos ismos que arremessam.
É gente muito perigosa, porque imbuída do espírito proselitista de velhos cruzados.
Comportam-se como missionários de uma nova religião.
E queimam qualquer um na inqusição do politicamente correto.

João de Brito
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De Cristina Torrão a 05.02.2020 às 19:40

Estou de acordo, no essencial, mas sinceramente acho que não devíamos subestimar Trump ou Bolsonaro. Se lhes dessem rédea solta, eles podiam mesmo tornar-se perigosos. Esperemos que o sistema democrático aguente...

Verdadeiramente aberrante achei eu, por exemplo, a comparação de Merkel com Hitler, nos tempos da crise. Isso, sim, foi uma falta de respeito pelas vítimas do nazismo. Além disso, penso que hoje, armar-se em vítima de censura é uma falta de respeito por todos aqueles que sofreram com a PIDE.

«A relativização do antissemitismo ou do Holocausto» - sim, muito, muito grave.
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De Anónimo a 05.02.2020 às 21:26

E a relativização de Hroshima e Nagasaki e Dresden... não é grave?
Não nos devemos esquecer nunca que a História é sempre escrita pelos vencedores.

João de Brito
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De Cristina Torrão a 06.02.2020 às 12:49

Claro que é grave. O facto de dizer que algo é grave, não significa que outras coisas não o sejam.

Seria difícil fazer uma lista de todas as relativizações graves que existem, ou que eu conheça.

A História é sempre escrita pelos vencedores - para grande pena minha.
«Não há História verdadeira sem a versão dos vencidos. Que a História também dos fracos reze!»
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De Anónimo a 06.02.2020 às 15:59

Não costumo entrar em diálogo, porque entendo que um blogue não é um chat.
Abro uma exceção, porque, neste caso, as ideias fluem claras e distintas, como diria Descartes.
Para dizer que o problema está no facto evidente de que as relativizações que habitualmente circulam por todo o lado são sempre do mesmo lado (a repetição é consciente).
Desculpe a insistência.
E tenha uma boa tarde!

João de Brito
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De Anónimo a 05.02.2020 às 22:06

Boa noite , cara Cristina Torrão , estou um pouco desapontada consigo , gosto de ler o que escreve .
Mas o que escreve sobre Trump e Bolsonaro não parece correcto , José Mendonça escreveu um post sobre Trump no Blog Corta Fitas , aconselho a ler , já sobre Bolsonaro , num ano conseguiu reduzir em +— 25% o numero de homicídios no Brasil, além de conseguir que a economia tenha voltado crescer com alguma consistência .

Luís Almeida
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De Psicogata a 06.02.2020 às 12:22

Totalmente de acordo, Trump ou Bolsonaro são perigosos, o Nazismo e o Fascismo não ganharam força de um dia para o outro.

Comparar Merkel com Hitler é ignorância pura.
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De Anónimo a 06.02.2020 às 14:37

Hilariante, quem é que quer controlar, corporativizar em raças, sexos, a vida dos outros ?
Quem quer acabar com a prova na lei?
Quem quer acabar com a presunção de inocência?
Quem quer acabar com a liberdade de expressão?
Quem se arroga de poder controlar o clima?

São vocês que se gostam de apresentar como moderados, mas na verdade extremistas. Podemos dizer Extremistas do Centro.

E sim podemos começar com a Merkel, depois podemos ir à Comissária Europeia mais uma radical extremista do centro.

Ao pé destes Trump e Bolsonaro não nos chateiam.


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