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Vícios de antena enchem pneus

por João Carvalho, em 18.03.10

Os vícios da moda na linguagem são muitos e têm dois aspectos comuns: são todos lançados por políticos e são todos insuportáveis. Mas embirro solenemente com um, que é a ocupação de tempos de antena através de truques básicos que apenas alongam as intervenções do forma inútil. Chama-se "pingo a pingo enche o político o espaço". Por vezes, acontece que o truque é usado porque se põem a falar sem saber bem o que vão dizer e menos ainda como irão acabar a frase.

Um desses truques é utilizado com altíssima frequência por Sócrates. Funciona assim (para os distraídos, marcarei a negro as palavras a mais): «nós queremos que o nosso sistema de impostos seja um sistema de impostos mais justo», ou «esta nova escola é uma nova escola que passa a integrar a rede blá-blá-blá-blá».

Como Sócrates usa e abusa desta forma básica, não falta quem a tenha adoptado. Teixeira dos Santos, por exemplo: «esta crise é uma crise que atingiu blá-blá-blá-blá», ou «estamos a passar um momento que tem sido um momento que requer blá-blá-blá-blá». E assim por diante. Não faltam seguidores dispostos a fazer parte do grupo dos que falam sem dizer nada. É moda e serve para encher pneus.


24 comentários

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De mrvadaz a 18.03.2010 às 11:20

Esta foi boa! Já tinha reparado, pensei comigo, se calhar é por estar neste debate, o gajo está a "reforçar" a sua ideia para ganhar alguns votos. Afinal era a moda!
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De João Carvalho a 18.03.2010 às 11:30

Pode ser. Mas atenção ao tratamento. Afinal, ele ainda é primeiro-ministro, quer a gente queira, quer não. Certo?
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De mrvadaz a 18.03.2010 às 21:11

Concordo plenamente! Não era a minha intenção desrespeitá-lo ou dar um tratamento inferior a que ele merece, apenas confessei um pensamento. Da próxima terei mais cuidado!

Abraço,
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De João Carvalho a 18.03.2010 às 22:11

Ok.
Um abraço.
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De naxpereira@hotmail.com a 18.03.2010 às 11:35

O chefe dá o mote e os discípulos seguem o rasto! São estratégias definidas para ao repetir-se deixar vincado o estado actual do país e a sua preocupação Resulta na maioria da camada da população portuguesa.
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De João Carvalho a 18.03.2010 às 11:45

Quem sabe...
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De lili a 18.03.2010 às 21:16

''A mim ninguém me chama chefe'', Sócrates dixit.
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De João Carvalho a 18.03.2010 às 22:12

Ah, é verdade.
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De zeparafuso a 18.03.2010 às 11:40

Eu disse uma vez, neste sítio, que se aprendia muito. Referia-me a aprender alguma coisa com escreve aqui.
Mas dei por mim a aprender a repetir-me, tal como o nosso PM . Será que é doença? Pelo menos para mim foi contagioso! Estou a ficar seriamente preocupado!!
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De João Carvalho a 18.03.2010 às 11:45

Se é assim, até eu fico preocupado consigo...
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De Luís Lavoura a 18.03.2010 às 11:41

Acho isto deveras engraçado porque contraria a teoria comum dos sound bytes. Essa teoria afirma que nos modernos mídia, nomeadamente na televisão, os políticos (e não só) dispõem de muito pouco tempo para emitir a sua opinião, pelo que têm que encurtar as suas frases limitando-se a emitir uma ou duas ideias muito simples e resumidas. Ora, o que se constata neste post é que políticos (e não só) tendem a, pelo contrário, alongar as suas frases com material inútil, como se dispusessem de muito tempo para falar mas poucas ideias para transmitir.
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De João Carvalho a 18.03.2010 às 11:48

Sem dúvida que tem graça, porque tal teoria está a anos-luz da nossa realidade. Em Portugal, os tempos de antena estão saturados de políticos e dirigentes desportivos e são precisamente estes dois grupos que deviam ser julgados como responsáveis pelos tratos de polé de que sofre a língua portuguesa.
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De lili a 18.03.2010 às 21:18

'nomeadamente'' e 'constata'' são palavras que eu poria na 'rubrica do Pedro Correia'' 100 palavras com que embrirro.
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De João Carvalho a 18.03.2010 às 22:17

"Designadamente" e "verifica"?
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De Pedro Correia a 18.03.2010 às 12:26

Sócrates tem aprendido com as exposições do Rui Santos, esse imbatível enche-antena da TV portuguesa. Falta-lhe aparecer com o cabelo empasteladinho e pôr gravatinha roxa por cima de camisa preta.
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De João Carvalho a 18.03.2010 às 13:27

Será que Sócrates também tem a capacidade de ver um golaço do Benfica mesmo quando o Benfica nem sequer entra em campo?
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De Pedro Correia a 18.03.2010 às 14:16

Isso não sei. Mas em matéria de encher pneus lá no Benfica há um grande especialista. Consta que a fortuna dele foi feita com pneus.
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De Ana Vidal a 18.03.2010 às 17:57

Claro que tem, João! Isso é "peanuts", ao pé do que ele já faz: ver um país rico onde quase já nem sequer existe um país...
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De 100anos a 18.03.2010 às 20:30

É a linguagem do Valentão: não se lembram de o ouvir dizer uns mimos no género "eu quero, e desejo, e pretendo que...".
É uma forma básica de salientar uma ideia, com a vantagem de poder pensar com calma o que é que vai dizer a seguir enquanto se repete.
Coisa importante, quando se tem pouco a transmitir mas é preciso dizer alguma coisa para encher o olho à populaça.
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De João Carvalho a 18.03.2010 às 22:16

Exactamente. É como dizer: «vou esperar com toda a serenidade e toda a tranquilidade».
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De 100anos a 19.03.2010 às 01:40

Yes.
É sempre curioso ouvir um tipo corrupto até à medula declarar que está "de consciência tranquila", sendo certo que tem uma "inabalável confiança na justiça".
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De João Carvalho a 19.03.2010 às 02:07

É próprio de um país de fraca justiça e de gente inconsciente.
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De lili a 18.03.2010 às 21:19

Pois...
Falta o ''sendo que bla, bla, ...''
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De João Carvalho a 18.03.2010 às 22:17

Não me parece essencial, sendo que é importante...

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