Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




"Ataque atroz" à classe média

por Pedro Correia, em 10.03.10

 

A limitação das deduções fiscais é um "ataque atroz" à classe média. Assim disparou José Sócrates, num célebre frente-a-frente de campanha em Setembro contra Francisco Louçã, que lhe mereceu elogios quase unânimes dos comentadores políticos. "Mérito televisivo de Sócrates"; "Sócrates conseguiu pôr Louçã à defesa"; "Ataque [de Louçã] à classe média". Estes foram alguns dos inflamados títulos de então.

Apetece perguntar: o que diria o Sócrates de Setembro do Sócrates de Março, que anuncia aos portugueses limitações das deduções fiscais na saúde e educação?

E o que dirão hoje alguns dos seus mais ferrenhos adeptos que então se insurgiram contra o líder do Bloco de Esquerda por defender algo muito semelhante? Basta vir aqui para lembrar os mimos com que Louçã foi mimoseado: "impensável", "demagogia confrangedora", "momentus horribilis", "proposta suicida"...

Alega agora o primeiro-ministro, esquecendo esse seu fugaz momento de glória televisiva de Setembro, que a limitação das deduções fiscais na saúde e na educação já constava do programa eleitoral do PS.

Vale a pena recordar o que refere o citado programa eleitoral nesta matéria: "Reformar o IRS, mantendo a estabilidade da receita fiscal, tendo nomeadamente como objectivo redistribuir as deduções e benefícios fiscais, num modelo progressivo em favor das classes médias."

Sublinhe-se: em favor das classes médias. Precisamente ao contrário do que se anuncia agora.


9 comentários

Imagem de perfil

De João Carvalho a 10.03.2010 às 13:10

Decididamente, a criatividade não é uma característica dos governos de Sócrates. A classe média vai definhando, definhando até ser uma faixa estreita e esmagada. Da qual em breve já nada sairá que possa contribuir para continuar a alimentar os desvarios de quem governa sem imaginação e sem trabalho.
Sem imagem de perfil

De Elvira M. de Vasconcellos a 10.03.2010 às 14:23

As aldrabices de feira continuam.
Até quando vamos suportar o aldrabão-mór?
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 10.03.2010 às 14:49

Pois, mas o problema é definir exatamente o que são as "classes médias"...

Tal como se viu recentemente numa discussão blogosférica entre Fernanda Câncio e Luís Aguiar-Conraria, o conceito de "classe média" é muito fluido... e toda a gente gosta de pretender pertencer à classe média.
Sem imagem de perfil

De Berbigão a 10.03.2010 às 15:36

"toda a gente gosta de pretender pertencer"

São insondáveis os mistérios de um pensamento com tal profundidade.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 10.03.2010 às 14:49

Todos governos da republica devem ser responsabilizados; a divida pública foi contrato por políticos incompetentes nos últimos 25 anos! Incitar os português a contratar vários créditos "carros novos (normas europeias), habitações, consumos diversas) foi o crime! - Resultado já não há poupança das famílias, as empresas não aguenta mais, o estado o pior exemplo... Quem pago os erros do nossos eleitos? a classe media! - 1º ministro é o pior mentiroso "não há + imposto!", não posso admitir que os nossos governantes pensem que o povo é estúpido, não percebe...
Não podemos jogar os ricos quando somos pobres!
Sem imagem de perfil

De Fernando Penim Redondo a 10.03.2010 às 14:57

A solução do PEC está em TROCOS: acrónimo para "Taxa Repressora de Operações com Off Shores".
Impõe-se a criação de um novo imposto que cobraria 5% do valor de todos os negócios em que pelo menos um dos contratantes fosse uma off-shore. É uma medida justa, para o Estado arrecadar alguma coisa, já que os off-shores só existem para ocultar matéria colectável ao fisco. Exemplos:
- o apartamento que, segundo os jornais, Sócrates comprou por 250.000 euros a uma off-shore renderia ao PEC cerca de 12.500 euros
- os 350.000 euros pagos pela TAGUSPARK a uma off-shore do Figo sempre deixariam por cá 17.500 euros, em vez de se esfumarem no espaço como o gato da Alice (também ela no país das maravilhas).
Sem imagem de perfil

De Luís Reis Figueira a 10.03.2010 às 15:47

É por estas e por outras, que cada vez mais me sinto tentado a dar razão àquele empresário que há dias dizia numa entrevista a um jornal: "sempre que ouço um político falar, parto do princípio que está a mentir".
Infelizmente, temos de reconhecer que tem toda a razão e Sócrates tem feito aumentar de uma forma exponencial a desconfiança que cada vez mais temos que ter acerca do que dizem os políticos.
Sem imagem de perfil

De Carlos Dias Ferreira a 10.03.2010 às 16:13

Pedro:

Excelente "post".
Ocorre-me perguntar de que estamos à espera para alterarmos tudo isto ou seremos sempre submissos a certos senhores e iluminados da treta como os actuais governantes?
Este presidente do conselho de ministros mente desde 2005 (ou até antes) e nunca é responsabilizado por nada?
Triste país que tem de aturar "gentinha" desta mas que continua adormecido sem dar um grito de revolta.
Sem imagem de perfil

De Amêijoa Fresca a 10.03.2010 às 16:24

Com tanta "frouxidão" fica tudo f*****! Ou, escrito de outra forma:

Da frouxidão imaginativa
de um programa mal amanhado
brada a ruína efectiva
do nosso regime definhado.

A aventura nacional
nestes anos entorpecidos
é um desvairo descomunal
que nos deixa esvanecidos.

As palmas de satisfação,
desta gente tão rosada,
é pura manifestação
de natura enfezada.

Dá vontade de gritar
de forma bem audível,
vincando o protestar
de asserção credível.

Comentar post



O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D