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Olh'ó Robot!

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 09.03.10

O caso da criança de Mirandela tem enchido páginas na imprensa  e ocupado  longos minutos de telejornais. Os portugueses aprenderam a palavra “bullying” e comprazem-se a dizer mal dela.
A verdade é que  o “bullying” existe desde que existem escolas. A diferença é que até há dias os portugueses lhe chamavam  violência e não lhe davam tanta importância.
Fenómeno similar aconteceu com  a expressão “car jacking”. Roubos de automóveis, precedidos de ameaças e/ou violência exercida sobre o condutor, não são um fenómeno novo, apenas  adquiriu novas cores com a mediatização da  expressão inglesa.
Também o assédio sexual  é uma “doença social”  de longa data que  hoje em dia veste novas roupagens, mas poderá ganhar mais relevância mediática no dia em que alguém decidir passar a utilizar a expressão inglesa  (Sexual bullying, ou harassment). O mesmo se diga do assédio moral no trabalho, um tipo de violência que, apesar de  já ser alvo de legislação específica, parece não preocupar muito a opinião pública. Talvez no dia em que alguém lhe chame Mobbing, ou se comece a ouvir falar do Síndrome de Burnout, esta questão seja alvo da discussão pública que evidentemente merece.
Comportamo-nos como robots programados para reagir apenas às expressões inglesas que caracterizam  situações com que convivemos há muito, mas a que não damos grande importância. Quando recebemos o input dos media, parece que despertamos de um sono profundo e começamos todos a ditar sentenças sobre o assunto.
Ora, como é sabido, a maioria das pessoas não está programada para começar a raciocinar direito quando acorda estremunhada. Dai que se leiam e oiçam os maiores dislates, quando a comunicação social nos desperta para assuntos sobre os quais já devíamos estar a reflectir há muito tempo, mas que estranhamente permanecem adormecidos num recôndito lugar dos nossos cérebros, tão ocupados com os problemas comezinhos de um  quotidiano grávido de futilidades.
O relevo dado pela comunicação social ao  caso de Mirandela teve o condão de despertar a opinião pública para a questão da violência (física e psicológica) nas escolas portuguesas.
Estremunhados, os portugueses reagiram como se viu. Resta agora esperar que, mais despertos, reflictam sobre as suas  causas e encontrem soluções .
Não podemos é continuar a pensar que os problemas da escola seresolvem com medidas destas.


2 comentários

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De R.L. a 10.03.2010 às 01:19

Estamos em sintonia... Veja o que escrevi sobre o tema:

http://asinhasdefrango.blogspot.com/2010/03/e-favor-ler.html

P.S. Abraço ao André Couto, da camarada.
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De Jorge Gabriel a 10.03.2010 às 09:39

Violência nas escolas já é uma coisa antiga.
Quem não se lembra de ter levado nas trombas quando andava na escola?
Quando entrei para a escola,era o mais pequeno,enfardava todos os dias. Mas tive que me desenrascar e arranjar métodos de retaliação.Lembro que uma vez parti uma lousa,na mocha de um camelo que me acertou o passo.
Escusado será dizer que quando cheguei a casa enfardei por ter partido material escolar numa escaramuça.
Acho que o tipo de educação que os pais ministram aos filhos hoje está longe de produzir os efeitos desejados, não generalizando obviamente. Sei que no meu tempo de criança, tudo era diferente. Havia muitos exageros logicamente e a disciplina muitas das vezes não surtia efeito, mas a realidade é que apesar da tendência nata para a brutidade das crianças havia menos delinquência, menos desobediência e menos faltas de respeito. Hoje os pais passam muito pouco tempo de qualidade com os filhos e em contrapartida mimam as crianças com coisas sem sentido e supérfluas. Hoje praticamente não se pode dar umas palmadas nas partes mais almofadadas do corpo porque isso pode ser considerado violência infantil (passe o exagero).
Em resultado disso vem a tal disciplina mal administrada por alguns pais, que não podem bater nos meninos e colocam-nos de castigo quando eles se portam mal. Só que muitas vezes é precisamente isso que eles querem. Muitos pais colocam os filhos de castigo no quarto (uma maneira de não os aturarem algum tempo) quando eles fazem alguma asneira. Só que muitas vezes isso não é castigo; é recompensa.
Porque os pais presenteiam os meninos com tudo o que eles não precisam, telemóveis de ultima geração, consola de jogos, computador apetrechado de jogos e tudo o que não é preciso para a educação dos miúdos e como é lógico ir para o quarto sem jantar é tudo menos castigo. E quando falo nisto afirmo-o com convicção porque aprecio o que se passa com a maior parte dos meus amigos. Não cabe na cabeça de ninguém que uma criança de 6 (seis) anos tenha um telemóvel, leitor de Mp3 e Mp4 para levar para a Escola. E o resultado é o desrespeito constante pela autoridade na Escola, evidente pelos vídeos que frequentemente aparecem no Youtube com episódios rocambolescos gravados em plena sala de aulas. E quando vejo situações destas só me apetece mesmo dizer uma coisa que agora não escrevo porque sou homem de respeito…
Só num mundo de loucos, num mundo onde se perdeu claramente a noção do que é sensato. É neste campo que a maioria dos pais erram claramente, mais especificamente na transmissão de valores.
Os pais deveriam exercer uma enorme influência sobre os filhos. Os filhos crescem fazendo o que seus pais fazem,ao invés do que eles dizem. Não podemos esperar padrões altos de nossos filhos se nós não os tivermos.
Porque na realidade hoje os pais andam sem se aperceberem a criar pequenos monstros, pequenos delinquentes que em casa parecem uns anjinhos, mas na rua e especialmente nas Escolas são potenciais delinquentes. Tratam mal os professores e os auxiliares de educação, se bem que neste campo existem muitas vezes culpas repartidas, e ninguém pode tocar nos meninos porque eles podem ir dizer aos pais(a versão deles claro) e como os pais são fracos está o caldo entornado.Sim porque os filhos nunca cheiram mal aos pais...
Este é o resultado da mudança que ocorreu o longo dos tempos, que eu considero ter sido um retrocesso. Até nas brincadeiras entre os miúdos existe diferença. As brincadeiras eram puras diversões, aleijávamo-nos mas estava sempre tudo bem. Hoje existe mais maldade entre as crianças, mais egoísmo. As crianças são mais invejosas, melhoraram na qualidade dos brinquedos mas pioraram no mimo e mau feitio. Os nossos brinquedos quase sempre eram feitos por nós e eram simples, qualquer coisa servia para dar azo à imaginação.Fazíamos carrinhos de rolamentos, fazíamos cabanas nas árvores e no meio do mato. Agora mudaram os tempos e ao mesmo tempo mudaram também as vontades.
O que trará o mundo de amanhã? Ninguém sabe, talvez eu seja demasiado pessimista, céptico, mas a realidade actual até neste campo não augura um futuro promissor. A evidência do futuro, a realidade ainda não observada está escondida nas Escolas e nas casas.

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