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Leandro

por Leonor Barros, em 03.03.10

Depois de tirar a roupa, atirou-se ao rio e pôs termo à vida, apesar das tentativas dos colegas em impedi-lo. Vítima de bullying, a única saída possível foi a morte. Chamava-se Leandro, frequentava o sexto ano de escolaridade e tinha doze anos. E onde estavam todos? Onde andavam todos enquanto esta criança foi repetidamente agredida pelos colegas? Onde andavam pais, professores, a Escola?


34 comentários

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De João Carvalho a 03.03.2010 às 15:45

Ainda há dias assisti a uma reportagem sobre a (des)proporção que o 'bullying' está a tomar. Fiquei siderado pelo modo como até um director de escola (a par de algumas autoridades) lavava as mãos perante a escalada de um caso que lhe corria há que tempos debaixo do nariz.
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De julio reis a 03.03.2010 às 15:51

Não admito.
O bulling é uma actividade criminosa. O conselho Directivo da Escola é cumplice.
Devia alertar as autoridades.
Ao que parece, nem sequer informou os pais da criança.
Porquê, nem sequer era filho de professores.
A culpa, aqui, vai morrer solteira, aposto.
São estas crianças, hoje agressores, amanhã bandidos, que vão tomar conta de Portugal na próxima geração.
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De Leonor Barros a 03.03.2010 às 15:59

Para alguns é normal as crianças andarem à chapada de vez em quando, sem conseguir ver que hoje em dia já não se anda 'apenas' aos estalos uns aos outros e que a violência assume proporções assustadoras, inclusivamente no namoro. Enquanto não se consciencializarem disto não há nada a fazer. E é claro que se a Escola não actuou, como noticiaram hoje, é cúmplice.
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De cns a 03.03.2010 às 15:53

Como é que permanecemos passivos perante estes casos de agressividade? Como é que se confunde o comum (infelizmente) com a norma?
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De Leonor Barros a 03.03.2010 às 16:01

Também não entendo.
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De Leonor Barros a 03.03.2010 às 16:00

É como digo no comentário abaixo, João. Para muitos, são coisas de miúdos...
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De Margarida a 03.03.2010 às 16:08

Boa tarde, Leonor.

Permita-me que não concorde consigo. Acho de facto lastimável algo desse género acontecer mas atribuir culpas seja aos educadores, seja à escola seja o que for não é necessário nem tem cabimento. Sempre existiram esse conflitos e ameaças entre crianças, eu já sofri isso na pele e os meus filhos também irão sofrer. Há quem aguente mais e há quem aguente menos (eu aguentei menos), no entanto e por mais que um pai/mãe seja observador, é muito difícil captar os sentimentos de uma criança dessa idade. Especialmente se for um de muitos. Sejamos realistas, essas brigas e conflitos não acontecem na sala de aula, normalmente (e se as coisas se mantiverem como há anos atràs), há de ser num canto, bem escondido do olhar dos superiores. É lamentável? é sim. Há culpas? nem sempre, Leonor... nem sempre.
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De João Carvalho a 03.03.2010 às 16:42

Desculpe, mas captam-se sempre. Nenhum jovem sai de casa de bom grado para apanhar pancada.
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De João Campos a 03.03.2010 às 17:03

Diria que nem sempre, João. E mesmo que se note que alguma coisa está errada, por norma é muito difícil fazer as crianças falar destas situações. Talvez por medo de represálias, talvez por vergonha, talvez por outro motivo qualquer. A verdade é que mesmo que um miúdo vítima de bullying fale, o que acontece hoje em dia ao agressor?
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De Leonor Barros a 03.03.2010 às 18:15

A Direcção da Escola ao ter conhecimento do caso tem de actuar e instaurar um processo disciplinar. Como professora, acho impossível que nada se tivesse notado no comportamento desta criança. É fácil ver alterações no comportamento dos alunos, podemos não saber porquê, mas é fácil ver que algo se passa.
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De Leonor Barros a 03.03.2010 às 18:01

Permita-me que discorde também, Margarida. O que acontecia antes não tem comparação com o que acontece agora nas escolas e entre os jovens. Não é preciso ir muito longe mas de há meia dúzia de anos para cá houve uma mudança no comportamento dos adolescentes.Como já disse anteriormente o bullying não passa por um desentendimento apenas. É muito mais grave e, embora seja muito crítica em relação a tendências contemporâneas de depressões e outros males que surgem como cogumelos, o bullying é uma realidade à qual não podemos fechar os olhos. Nunca. Nem sequer 'desdramatizar'. À mínima suspeita há que denunciar e tomar as devidas providências. Continuo sem conseguir perceber como ninguém fez nada. É claro que nem todas as crianças chegam a casa e contam o que se passa, mas é igualmente válido que um professor atento consegue entender que algo se passa, mesmo sem saber exactamente o quê. Os garotos acabam sempre por mostrar que alguma coisa não está bem e, se não forem os próprios, há sempre colegas que falam e deixar escapar conversas. Há que estar atento. Uma criança que é permanentemente agredida não é uma criança feliz e isso notar-se-á. E culpas há sempre. Quem levou o Leandro ao suicídio é culpado e devia ser punido.
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De Margarida a 03.03.2010 às 18:37

Não estou - de modo nenhum - a aligeirar a situação. Acho mesmo trágico uma criança decidir acabar com a sua vida por causa de agressões, sem duvida, mas se queremos culpabilizar, vamos fazê-lo correctamente e acusar a sociedade actual; os jogos playstation agressivos que são jogados porque os pais chegam tarde a casa porque estão a trabalhar e deus sabe o quanto é dificil manter um emprego hoje. A net que é permitida sem restrições, as companhias que aguçam a agressividade. Caramba, os pais podem não ser os culpados, podem ter dado amor e carinho e atenção e mesmo assim não ter sido suficiente. Os professores também podem ter sido atentos mas os alunos são muitos e barulhentos e a malta é só humana e não consegue prestar a atenção a todos. Os colegas são agressivos porque podem sofrer de abusos em casa e desabafam na escola procurando sempre um ser mais fraco para descarregar o que sofre em casa e tantas e tantas coisas que poderia aqui mencionar e não vale a pena. Eu conheço os Açores, conheço a escola do miudo, conheço o ambiente (ou a mistura deles) e sinceramente, tudo esmiuçado (e é com vergonha que o escrevo) a culpa é da sociedade de hoje. Vamos processá-la?
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De Leonor Barros a 03.03.2010 às 19:05

É claro que somos humanos, Margarida, é claro que a decisão de acabar com a vida cabe sempre ao próprio, é claro que os tempos não estão fáceis, mas ninguém actuou? A ideia de uma criança de 12 anos pegar em si, despir-se e atirar-se a um rio para morrer doi-me demasiado. Ninguém me tira da cabeça que entre pais, professores e escola algo poderia ter sido feito.
Só outra coisa, este caso foi em Mirandela e não nos Açores.
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De teresinha a 03.03.2010 às 22:57

Desculpe intormeter-me na discussão, mas depois de ler o seu comentário pergunto: não há vigilantes nos recreios? Não há auxiliares cujas funções são exactamente acompanhar as crianças nos intervalos? Não foi publicada uma lei que impõe igual vigilância aos docentes das turmas do 1º ciclo?

Ou eu ando mal informada ou desculpar a escola de actos que acontecem no recinto da mesma é a pior desculpa que já ouvi até hoje.

As crianças são menores e dentro do horário escolar estão confiadas a uma instituição que é responsável por TUDO o que lhes acontece lá dentro. Defender o contrário é pactuar com a irresponsabilidade que se vive em algumas escolas, designadamente naquela a que o João Carvalho se refere e que eu também vi. É confrangedor assistir à passividade e respostas dadas por um director quanto a uma situação de repetidas agressões a uma aluna.
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De julio reis a 04.03.2010 às 11:13

Cara Margarida:
A criança já esteve, em tempos hospitalizada. O assunto não estava tão escondido assim. Simplesmente ninguém fez nada. A própria criança aperceben-se que iria indefinidamente ser alvo de agressões e nun acto de desespero, suicidou-se. Eu diria "suicidaram-na".
Vemos, ouvimos e lemos... não podemos ignorar
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De Carlos Azevedo a 03.03.2010 às 16:47

Evidentemente, isto muitas vezes escapará aos professores e restante pessoal das escolas, bem como aos pais, mas assobiar e olhar para o lado nada resolve. Não sou especialista - nem coisa que se pareça - em educação/psicologia infantil, mas certamente haverá um trabalho de prevenção que poderá ser levado a cabo por todos. Uma coisa é certa: a violência, quando chega a este ponto, apenas gera mais violência - e ao Leandro já ninguém vale.
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De Leonor Barros a 03.03.2010 às 18:03

Concordo que há um longo caminho de prevenção a percorrer mas como disse anteriormente devemos estar atentos.
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De Carlos Azevedo a 03.03.2010 às 18:15

E eu não disse o contrário, Leonor Barros. Constatei, apenas, que nem sempre será possível identificar os casos de "bullying".
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De Leonor Barros a 03.03.2010 às 18:54

Eu também não digo que é fácil, mas tem de ser possível. É nossa obrigação estarmos atentos.
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De Pedro Correia a 03.03.2010 às 16:49

Excelentes perguntas, Leonor. Que devem ser repetidas, uma vez e outra, enquanto não houver respostas.
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De Leonor Barros a 03.03.2010 às 18:04

Sempre, Pedro, mas há respostas, tem de haver respostas.
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De Luís Reis Figueira a 03.03.2010 às 16:56

É verdadeiramente lamentável esta triste notícia que hoje nos chega, ainda por cima com aquela entrevista a um dos dirigentes da associação de pais da escola visada, garantindo a pés juntos que "nunca ninguém se apercebeu de nada, nunca foi comunicada à escola qualquer ocorrência anómala com este jovem", sendo certo porém, que o mesmo já havia sido assistido no hospital da terra há cerca de um ano, por alegadas acções de bullying de que teria sido vítima. E isto é tanto mais grave quanto é certo que se passa numa comunidade relativamente pequena, onde as coisa são muito mais facilmente controláveis e detectáveis, do que numa grande cidade. É caso para perguntar, onde pára a polícia, a escola e a família desta criança?
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De Leonor Barros a 03.03.2010 às 18:07

Exactamente, Luís, daí também a minha revolta.
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De ariel a 03.03.2010 às 18:45

Subscrevo inteiramente as suas palavras, como uma ligeira alteração. "E caso para perguntar onde param a família , a escola e a polícia que devem proteger esta criança".
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De mike a 03.03.2010 às 20:05

É grave. Respeito os comentários de todos, mas na minha opinião, quando o que é relatado acontece somos todos culpados. Uns com mais culpas que outros, mas somos todos, sem excepção. Movemo-nos por tantas causas (a matança das focas, o ambiente, a temperatura da Terra, etc), aderimos a tantos movimentos... ninguém me demove: somos culpados.
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De Leonor Barros a 03.03.2010 às 21:31

Às vezes, esquecemo-nos de olhar para o nosso lado. Basta tomar atenção.
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De Ana Paula Fitas a 03.03.2010 às 20:11

Cara Leonor,
Fiz link. Obrigado.
Um abraço.
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De Leonor Barros a 03.03.2010 às 21:31

Obrigada, Ana Paula.
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De mdsol a 03.03.2010 às 21:27

Leonor
As suas perguntas são oportuníssimas. O que revolta mais é o descaso, não é? Não fora o descaso, a tragédia poderia evitar-se.
Leonor, denunciando o caso com tanta veemência, faz pedagogia e afasta-se da cumplicidade dos que pactuam com os descasos.

Muito bem, Leonor.

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De Leonor Barros a 03.03.2010 às 21:39

Não posso compactuar com coisas destas. Também por ser professora, situações assim revoltam-me. É nosso dever não parar, Maria do Sol.
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De Carlos S. Campos a 03.03.2010 às 21:35

Apareceu na tv um "responsável" da escola a dizer que não sabia de nada.
Entretanto, os amigos do Leandro afirmam que este era seviciado há mais de um ano por colegas que toda a gente na escola sabe quem são.
Será que "irresponsável" em causa vai continuar em funções? Não lhe acontece nada? Não é, como devia, pura e simplesmente irradiado do ensino?
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De Leonor Barros a 03.03.2010 às 21:46

Não vi nenhum responsável da Escola falar, duvido muito que o façam, vi um elemento da Associação de Pais. Não faço ideia do que poderá acontecer caso seja apurada negligência por parte da Escola. E se forem os pais também responsáveis, irradiamo-los? Em última análise, e uma vez que a criança esteve hospitalizada em 2008 em sequência de agressões (a fazer fé no que ouvi na Sic), não deveria ter sido sinalizada imediatamente pelos profissionais de saúde? E se as agressões eram repetidas, por que não foi feita uma queixa na polícia também?
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De Alexandre Monteiro a 05.03.2010 às 16:19

Como era de prever já anda por aí a ladainha da «culpa da sociedade».

A culpa neste caso é concreta:

Em primeiro lugar dos sádicos que durante tanto tempo torturaram o rapaz e que obviamente ficarão impunes por serem menores. Até já têm apoio psicológico.

Em segundo lugar da escola e da inútil associação de pais que como é hábito nestes casos, assobia para o lado sem grande vontade de actuar.

E em terceiro lugar, da praga que tomou conta do nosso ensino, os tais «cientistas da educação» com o seu relativismo e a desresponsabilização individual com os resultados que se observam.
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De Leonor Barros a 05.03.2010 às 19:19

Tendo em conta que todos os que refere fazem parte da sociedade, a sociedade também pode ser responsabilizada. O meu post não tem como objectivo encontrar culpados como já disse algures em cima, é claro que os agressores são culpados e se tiverem dezasseis anos podem sê-lo na justiça, não os tendo podem ser alvo de um processo disciplinar, manifestamente pouco para a atrocidade que cometeram. O que me incomoda verdadeiramente é como é que niguém deu conta e ninguém ajudou esta criança. Se isso é a 'ladaínha da culpa da sociedade', que seja. Tudo é insignificante perante uma tragédia destas.

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