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A palavra "dissidente"

por Pedro Correia, em 01.03.10

 

 

Escuto e leio diversas vezes a palavra “dissidente” referindo-se a opositores do regime de Pequim como Hu Jia. Ou a opositores da ditadura castrista em Cuba, como Guillermo Fariñas. Palavra errada, que não deve ser utilizada em jornalismo. O termo foi cunhado na antiga União Soviética para designar todos quantos se afastavam da “normalidade” política e social, insinuando uma espécie de doença psíquica. Se a ditadura comunista dizia representar todo o povo, quem não se sentisse representado por ela só poderia ser “dissidente”. Louco, portanto.

Dois pesos, duas medidas. Ninguém chamaria “dissidente” a um opositor da antiga ditadura chilena de Augusto Pinochet. E muito bem.

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36 comentários

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De João Carvalho a 01.03.2010 às 13:08

«Ninguém chamaria “dissidente” a um opositor da antiga ditadura chilena de Augusto Pinochet. E muito bem» mesmo. Tal como ninguém chama “dissidente” a um opositor do nosso actual governo. Ou chama?
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De Pedro Correia a 01.03.2010 às 19:52

Um opositor político é um opositor político. Não é um "dissidente". "Dissidência" faz pressupor um desvio da linha justa. Nenhuma ditadura pode equivaler a uma linha justa. Nenhuma ditadura é "normal", nenhum regime totalitário é "normal".
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De zeparafuso a 01.03.2010 às 13:57

Tal como "dissidente" só pode ser alguém que não concorde com regimes totalitários. Alguém chamou dissidente aos anti-salazaristas? Quando mudavam de país chamavam-se refugiados. Quando não mudavam, estavam presos. Dissidentes? Nunca. Esta palavra é moderna e não é sinónimo de loucura.
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De João Carvalho a 01.03.2010 às 14:09

É que não é mesmo. E nem é verdadeiramente «alguém que não concorde com regimes totalitários». Como escreveu o Pedro Correia, é uma «palavra errada» que apenas deu jeito ao regime soviético. Digamos que a palavra certa é "opositor".
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De julio reis a 01.03.2010 às 14:17

Vc. chama de "opositores" aos bascos?
Como chamaria Vc. aos Porto Riquenhos que nunca aceitaram a anexação forçada feita pelos Estados Unidos e contra todas as regras da vivência humana?
Os dissidentes que nos são ideologicamente proximos , serao "opositores". Aos outros chamamos "terroristas", não será assim?
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De João Carvalho a 01.03.2010 às 15:27

Chame-lhes o que quiser, mas sugiro-lhe que não chame dissidentes aos opositores a um regime.
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De julio reis a 01.03.2010 às 14:21

O que é um "regime totalitário"?
Não conheço mais totalitário do que o regime americano, e a uma escala diminuta, o regime do Vaticano.
Será que, para si, um regime totalitário é aquele que os Estados Unidos não conseguem controlar?
Dê 3 exemplos dos regimes totalitário que conhece.
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De João Carvalho a 01.03.2010 às 18:21

China, Coreia do Norte e Cuba. Acha que chegam?
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De julio reis a 01.03.2010 às 18:41

Esses são países que os americanos não controlam. repare que os bascos são "terroristas" os talibãs são "insurgentes". Porquê?
Porque os americanos incapazes do os vencer, acham que o melhor é fazer as pazes. Meu amigo, Vc deixa-se levar pela argumentação parola dos Estados Unidos. Ideias próprias? Precisam-se.
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De João Carvalho a 01.03.2010 às 18:56

Vá então escolher sozinho em África, para eu não fazer mais figura de parolo. E deixe de copiar as ideias dos outros.
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De Pedro Correia a 01.03.2010 às 19:50

O Júlio Reis, felizmente, nunca viu nenhum familiar morto ou gravemente ferido pelas balas "libertadoras" da ETA. Se tivesse, talvez não sentisse tanta repugnância em chamar terroristas a esse bando de assassinos.
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De julio reis a 02.03.2010 às 11:06

Pedro Correia:
Para Vc ser coerente, terá de chamar terroristas aos Bascos e a D. João IV. Não fizeram ambos a mesma coisa?
Ou, para si há terroristas bons e terroristas maus?
E bombas atómicas? Também há as boas e as más?
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De João Carvalho a 02.03.2010 às 11:20

O Júlio Reis faz uma enorme confusão. Ser basco não é necessariamente ser terrorista. Há terroristas bascos como há terroristas iraquianos ou de outras nacionalidades.
Por outro lado, lembre-se de que há dissidentes de regimes totalitários e há opositores a regimes totalitários. Os primeiros passaram de apoiantes a opositores.
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De julio reis a 02.03.2010 às 12:33

Tenho acompanhado a história do povo basco.
Sei que a maioria dos bascos se inclinaria para uma autonomia, tipo Catalunha.
Mas para isso seria necessário a reunificação do país (pelo menos a parte espanhola da nação), seria preciso criar um clima de confiança e de respeito, que não é compatível com o envio de mercenários espanhóis para a região.
E teriam de deixar de lhes chamar "terroristas". O nome de "grupo beligerante" seria mais adequado. O terrorismo está do lado do Poder Central. Há muita gente em Espanha para quem o terrorismo interessa.
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De João Carvalho a 02.03.2010 às 12:36

«Teriam de deixar de lhes chamar "terroristas"»? A quem? Aos bascos? E quem é que chama terroristas aos bascos? Que eu saiba, só se chama terroristas aos terroristas...
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De zeparafuso a 01.03.2010 às 20:33

Como estou com um problema na net, não sei se consegui responder ao Sr. Julio Reis. Mas aqui vai:
-Totalitarismo é um regime baseado na extensão do poder a todos os níveis e aspectos da socidade.
Quanto aos três regimes totalitários, acrescento aos do João carvalho : Mianmar, Camboja, Sudão e se calhar um inesperado, Venuzuela(?).( dou o beneficio da dúvida).
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De João Carvalho a 01.03.2010 às 22:03

Lembrei-me da Venezuela... mas não quis ser mauzinho.
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De julio reis a 02.03.2010 às 11:02

Já reparou que todos esses países estão fora do controle dos Estados Unidos? Que as suas ideias são importadas?
Para resolução do problema começariamos por definir o que é que quer dizer "democrático". É que Hitler também foi eleito democràticamente.
O que eu acho estranho é não ver por aqui, enquanto regimes não democráticos, países como Kweit, Arábia Saudita, Haiti, Israel, etc. Porquê? Palpita-me que sejam países que alinham com os americanos, logo merem-vos um estatuto especial. Quanto à democracia dos estados unidos, recordo-lhe que nas penúltimas eleiçoes o povo escolheu Al Gore, mas foi Bush que foi eleito. Além disso há Guantanamo, prisões clandestinas um pouco por todo o mundo, o Ku Klux Klan continua activo. América é um país democrático? E respeita os direitos humanos? Não.Agora já ninguem fala de Rússia, da Líbia, etc. Deu-se conta disso?
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De Pedro Correia a 01.03.2010 às 19:54

Ao dizer que não conhece regime mais totalitário do que o americano, o Júlio Reis confirma aquilo que eu já presumia: é um ignorante.
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De julio reis a 02.03.2010 às 15:20

Pedro Correia
Já viu a domocracia americana? No Iraque, no Afeganistão, em Guantanamo, só para citar uns exemplos.
N ão me vendo. Nem vendo os olhos, nem tento tapar os olhos de outrem.
Vocês fazem-me lembrar uns gramofones antigos "A Voz do Dono". Aquilo que os americanos disserem é que está bem. Nunca ouvi os americanos chamarem de terrorista a Jonas Savimbi. O Mugabe só foi ditador quando deixou de fazer aquilo que os vossos donos diziam. Mas Vc só vê para um lado. Para o lado que lhe convém.
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De zeparafuso a 02.03.2010 às 20:55

Desculpem lá intrometer-me neste bate-papo, como dizem os brasileiros, mas quanto a Mugabe , não sei o que o Pedro Correia pensa, não acredito que pense que Mugabe é democrata, que seja sequer pessoa (isto é exclusivamente meu, duvidar que Mugabe seja pessoa) também não me passou nenhuma procuração para o defender, porque isso ele sabe fazer até melhor que eu. Agora o Júlio sabe o que é viver num regime como o do Mugabe ? Não! Não sabe! Porque se fizesse a mais pequena ideia que fosse nem o trazia para esta .........troca de palavras!!!!! E não pense, porque parece-me que é a única pessoa a pensar que os americanos nunca erram. Sabe porquê? Porque até agora foi a única pessoa que falou neles! Por isso não pense! cada vez que pensa.........lá vai asneira.
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De julio reis a 03.03.2010 às 12:30


Zé Parafuso:
Vc não me percebeu.
Mugabe nunca foi democrata.
Foram os ingleses que o puderam no poder. Mas os americanos só passaram a chamar lhe totalitário e ditador quando deixou de servir os interesses colonialistas.
Claro que Mugabe é um exemplo acabado daquilo que são os títeres americanos.
Mas também não concordo com os boicotes da chamada "comunidade internacional". Há crianças, inocentes e indefesas que morrem por falta de vacinas.
Os americanos e deus dependentes acabam por ser mais terroristas que o Mugabe.
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De zeparafuso a 03.03.2010 às 20:51

Eu percebi, Júlio Vc também me percebeu! Começa a falar de americanos e já vai nos ingleses, não me admira que mais comentário, menos comentário , o culpado do Mundo ser assim seja MEU, que por acaso vivi num país ao lado e fui algumas vezes clandestinamente ao Zimbabwe. Porque legalmente tinha que dizer que era branco. Sabe o que é isso? Quanto aos americanos......deixe-os em paz! Não lhes ligue, mas também não os culpe de tudo! Quanto aos ingleses, cada um tem a opinião que acha que deve ter. E, olhe, tente divertir-se e ao mesmo tempo aprender alguma coisa neste sítio. Já agora eu explico-lhe porque chamo sítio e não "site". Não gosto de inglesar as coisas, mas isso é um problema meu e como vê não incomoda ninguém.
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De A. João Soares a 01.03.2010 às 18:15

As palavras têm uma vida com crescimento deformações e morte. terrorista, opositor, etc, pode virar-se para patriota, libertador, etc, depois de «pequenas» mudanças no sistema.
Países com poder autoritário, totalitário e coisa semelhante pode haver em todos os graus de desenvolvimento mas predominam naqueles que têm aspirações a dominar o mundo ou a sua região e noutros que apenas querem dominar a sua população com punho de ferro. O povo menos culto tem mais apetência a aceitar tais autocratas. Por isso nem todos os governos apoiam o ensino da forma mais evoluída.

Abraços
João
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De Pedro Correia a 01.03.2010 às 23:31

Claro que as palavras ganham vida própria, dinâmica própria. Falo do conceito jornalístico. Não faz sentido chamar sistematicamente «dissidente» a todos os opositores das ditaduras comunistas sem aplicar o mesmo critério aos opositores de todas as outras ditaduras. Não pode nem deve haver dois pesos e duas medidas, desde logo no domínio da semântica.
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De Rui Bebiano a 01.03.2010 às 19:55

Caro Pedro Correia,
Não é que tenha grande importância, mas não é bem assim. A palavra vem do latim 'dissidentia', que significa 'oposição'. Aplica-se pois, principalmente, a quem diverge dos regimes submetidos a formas de pensamento único. No caso dos dissidentes soviéticos foi ao contrário: a palavra é que se apropriou da condição...
Uma busca rápida. Já agora, eis a definição de dissidência que surge no dicionário online da Porto Editora:
1. divergência de interesses ou de opiniões
2. desacordo; discordância
3. (matéria religiosa ou política) separação; cisão
4. RELIGIÃO cisma
E no Houaiss:
1 desavença, conflito
2 acto de separar-se (uma parcela de um grupo, agremiação, partido etc.) em virtude de divergência de opiniões; cisma, cisão
3 Derivação: por metonímia.
a parte que se separa do grupo
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De Rui Bebiano a 01.03.2010 às 20:08

Pequena correcção: queria dizer "a condição é que se apropriou da palavra" e escrevi o contrário.
Um abraço.
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De Rui Bebiano a 01.03.2010 às 20:23

Só mais isto: tanto quanto sei, a palavra foi cunhada no ocidente, para referir os... dissidentes soviéticos. Não foi o inverso.
Sou capaz de aproveitar o pretexto para um pequeno post...
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De Rui Bebiano a 01.03.2010 às 21:44

Fica então aqui: http://aterceiranoite.org/2010/03/01/o-direito-a-dissidir/
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De Pedro Correia a 01.03.2010 às 23:49

Já li, Rui. Com o interesse habitual. Um abraço.
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De lili a 01.03.2010 às 21:44

Primeiro o conceito depois a linguagem :)
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De Pedro Correia a 01.03.2010 às 23:41

É isso mesmo, Rui: a parte que se separa do todo. Implica que antes fez parte desse todo. Ora há que reconhecer o direito à oposição mesmo àqueles que nunca fizeram parte do todo.

O meu ponto de vista é essencialmente jornalístico. Não aceito o artifício de linguagem, tão usual no discurso jornalístico corrente, que transforma em «dissidente» cada opositor às ditaduras comunistas. Nenhum opositor às restantes ditaduras é denominado desta forma.

No salazarismo, por exemplo, «dissidentes» terão sido, por exemplo, Henrique Galvão e Humberto Delgado, que inicialmente fizeram parte dos quadros do regime ditatorial. Ninguém chamaria «dissidente» a um militante do PCP na clandestinidade ou ao dr. Mário Soares.

O conceito de dissidente, tal como o entendo e os dicionários confirmam, implica uma etapa anterior de concordância e até de cumplicidade com o regime. Mas muitos opositores merecem ser intitulados apenas desta forma pois nunca tiveram envolvimento de qualquer espécie com ditaduras, incluindo as comunistas. Não são dissidentes.
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De lili a 01.03.2010 às 21:43

''O termo é aplicado particularmente às dissidências ocorridas em regimes autoritários e totalitários, como o da União Soviética sob os governos de Stalin e Brejnev.'' Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Dissid%C3%AAncia

Esses são regimes totalitários, por isso não creio que esteja errado.
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De Pedro Correia a 01.03.2010 às 23:45

Dissidente implica um grau de contemporização ou mesmo de envolvimento anterior com a ditadura. Repare-se no caso português. Humberto Delgado, que chegou a ser comandante da Legião Portuguesa, foi dissidente do salazarismo. Álvaro Cunhal jamais foi dissidente. Era um opositor ao salazarismo. Um preso político, um resistente. Não era um dissidente.
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De lili a 01.03.2010 às 23:56

No dicionário Aurélio, a bíblia dos dicionários diz assim: ''Dissidente
adj. Não conforme, que diverge. / &151; s.m. e s.f. Política - Aquele que diverge da opinião do seu partido.''

''Dissidencia
s.f. Discordância, divergência de opiniões. / Separação, cisma, cisão dos membros de uma corporação, de uma seita, de um partido.''
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De lili a 02.03.2010 às 00:03

Pena que, depois de ter ido para a Rússia, não tenha sido um ''dissidente'' :DD

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