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Política de galinheiro

por João Carvalho, em 22.02.10

Quando alguém se atreve a criticar o que o chefe diz ou faz, há um costume muito curioso: saltam logo as galinhas a cacarejar "ó-da-guarda", "aqui-d'el-rei". Trata-se daquilo a que muitos chamam "política de galinheiro". Eu prefiro chamar-lhe "política de aviário", que é onde as galinhas acabam por nunca ficar muito tempo.

Em Portugal é que esse costume não anda a atravessar os seus melhores dias. Talvez porque há cada vez mais pintos do que galinhas nos poleiros. É só a gente bater-lhes o pé que eles saltam logo para debaixo das asas do galo.


12 comentários

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De Pedro Correia a 22.02.2010 às 18:54

Não é só em Portugal, compadre. Em Itália passa-se o mesmo. Cada vez que alguém se atreve a criticar o Presidente do Conselho, logo o clube de fãs do Berlusconi se mobiliza, censurando quem se atreve a criticar Il Capo. Os argumentos são os mesmos: que venceu as eleições, que lidera as sondagens, que está a ser alvo de uma cabala, blablábláblá patati-patatá. Como se isso o tornasse imune às críticas.
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De João Carvalho a 22.02.2010 às 19:08

Cá como em Itália, é escusado: não aprendem.
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De Ana Gabriela A. S. Fernandes a 22.02.2010 às 19:46

João, voltou o seu lado mauzinho.
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De jose-catarino a 22.02.2010 às 23:12

Desculpe a correcção, mas parece-me que não percebe muito de galinhas nem de galinheiros: nunca um pinto se esconde debaixo das asas do galo, nem as galinhas chocas ou com pintos se empoleiram.
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De João Carvalho a 23.02.2010 às 00:03

Vejo que V. não vive em Portugal há muito...
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De jose-catarino a 23.02.2010 às 11:08

Pois saiba que vivo no Portugal rural onde se criam (eu crio) galinhas. A minha discordância não tem a ver com as críticas que faz ao poder, e que eu subscrevo; tem sim a ver com o rigor das metáforas. Como sabe, basta uma pequena incorrecção numa argumentação para a fragilizar. É tão somente isso. Não se zangue com as críticas, especialmente com as dos seus leitores atentos.
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De João Carvalho a 23.02.2010 às 11:12

Seria muito difícil ver-me zangado, meu caro. Ambos sabíamos do que eu estava a falar. Por isso, o emprego da(s) metáfora(s) em causa não prejudica, no caso vertente: é tudo tão absurdo que nada tem de bater certo. Mas critique à sua vontade, que é sempre bem-vindo.
Acredite que me agrada saber que vive no meio rural e que se dedica às galinhas.
Um abraço.
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De jose-catarino a 23.02.2010 às 11:45

Bem me parecia que facilmente nos poríamos de acordo, apesar das minhas discordâncias quanto à aparente falta de rigor da linguagem do post; afinal, o surrealismo é propositado, como o é certamente na frase "que se dedica às galinhas". Também me não zango, embora sinta necessidade de esclarecer que "crio galinhas", não me dedico às ditas cujas. Dedico-me à minha família, à minha profissão, à escrita. Conforme o dicionário da Porto Editora, dedicar-se: 1. afeiçoar-se extremosamente; 2. aplicar-se; 3. consagrar-se;
Cumprimentos.
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De João Carvalho a 23.02.2010 às 12:55

Não, José-Catarino, a observação sobre as galinhas não era irónica. Sou o mais urbano possível por natureza, mas já faz tempo que aprendi que as nossas cidades (as que têm dimensão de cidade) não oferecem qualidade de vida. Por isso, chego a ter inveja de quem está ou passou a estar no campo, acredite.
Abraços.
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De Ricardo Sardo a 22.02.2010 às 23:18

Sem dúvida! Mas olhe que o inverso também se passa. Quem se atreve a defender, os outros galinheiros também entram em polvorosa. Infelizmente, vivemos um estado em que não há direito a meio termo e todos olham para nós com um "ou estás connosco ou contra nós".
Abraço.
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De João Carvalho a 23.02.2010 às 00:05

São tempos de extremismos, meu caro. Infelizmente. Porque as posições extremadas geram sempre o sinal contrário.

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