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Continuando com assuntos desagradáveis

por Ana Margarida Craveiro, em 17.02.10

 A semana passada, ficámos a saber que 87% das mulheres que abortam não usam meios contraceptivos. Pura e simplesmente, para 1425 mulheres, a interrupção voluntária da gravidez é um meio de planeamento familiar. Acrescente-se que, para 468 mulheres, o procedimento não era novidade. Os números são ainda mais graves se considerarmos a idade destas mulheres. Estamos a falar de mulheres dos 21 aos 29 anos, na maior parte dos casos, sendo a faixa dos 30 a que se lhe segue. A falta de informação não pode servir de desculpa eterna. 

Estes números, estas estatísticas, são sinais evidentes de que falhámos, enquanto sociedade. E isso deveria envergonhar-nos.


28 comentários

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De rosa a 17.02.2010 às 23:47

não era destas coisas que se deveria falar?E dos velhos que morrem de frio, mal arrefece um pouco?e de como ajudar os desempregados?etc.etc? em vez disso discute-se o que Mário Crespo ouve nos restaurante...
Declaração de intereses: o eng.º Socrates (que nunca vi + gordo) não me deu nada em troca deste comentário
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De N Martins a 18.02.2010 às 14:05

Pequena correcção: não é o que o sr. Mário Crespo ouve nos restaurantes. É o que ele diz que alguém lhe disse que tinha ouvido.

E eu também não recebi nada do sr Sócrates. Bem pelo contrário...
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De rosa a 19.02.2010 às 21:52

Credo!uma pessoa perde-se nesse diz-que-disse!Eu, perco-me!obrigada pela correção
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De Pedro Morgado a 18.02.2010 às 00:30

Concordo que o aborto não deve servir como contraceptivo e que esses números devem fazer repensar a política de educação sexual nas escolas que, como esses dados demonstram, tem fracassado. Infelizmente, as pressões de alguns sectores da sociedade não nos têm permitido avançar mais neste capítulo e continuam a deixar ao critério dos pais a educação (ou deseducação) nesta matéria.

Por outro lado, não sabemos o número de mulheres que abortavam antes da realização do aborto em condições de salubridade para todas, incluindo aquelas com menos recursos económicos. Este facto impossibilidade qualquer análise comparativa.

Só mais um acrescento que não é irrelevante: não é correcto dizer que «87% das mulheres que abortam não usam meios contraceptivos». Os números referem-se apenas à MAC e não podem extrapolar-se directamente para o resto do país.

Beijinho,
PM
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De lucklucky a 18.02.2010 às 00:56

Falhar como Civilização é ter uma lei contra a Vida que aceita a morte de indefesos sem um razão de equivalente importância do outro lado. Basta ter vontade de não ter chatices para matar. Há de chegar aos velhos.
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De Pedro Morgado a 18.02.2010 às 01:01

Caro anónimo,
Respeito a sua opinião. Contudo é apenas uma perspectiva sobre um assunto que é polémico e sobre o qual não há certezas absolutas. Se as tem, elas não passam das suas certezas absolutas.
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De lucklucky a 18.02.2010 às 01:00

"números devem fazer repensar a política de educação sexual nas escolas que, como esses dados demonstram, tem fracassado. "

Esta é uma piada certamente. Primeiro a Educação Sexual nas escolas é um projecto político de extrema esquerda, não é apenas informação que toda a gente tem acesso. Segundo, ninguém está contra o ensino da Matemática ou Português mas vê-se o fracasso da maior fraude em Portugal: A Escola Publica.
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De Pedro Morgado a 18.02.2010 às 01:18

Qualquer discussão fica minada quando atiram com o fantasma da extrema esquerda. Quero lá saber da esquerda ou da direita...
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De Ana Matos Pires a 18.02.2010 às 04:19

Tens a estranha mania de quereres saber das mulheres, não é Pedro? Que coisa patusca...
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De Ana Vidal a 18.02.2010 às 01:13

Caro Pedro,

Trabalhei na MAC dois anos como voluntária e posso garantir-lhe que as mulheres que ali vão parar vêm de todo o país, por isso não é abusivo fazer dela um espelho nacional.
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De Pedro Morgado a 18.02.2010 às 01:16

Não querendo desvalorizar o seu trabalho como voluntária, mantenho que é abusivo generalizar. Quando se estuda uma amostra é necessário demonstrar que ela é representativa da população em estudo para se poderem efectuar extrapolações. Como sabe, existem vários centros que realizam IVGs em Portugal. É possível que os números não
sejam muito diferentes mas é incorrecto generalizar.
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De Ana Vidal a 18.02.2010 às 01:40

Não desvaloriza nada nem é isso que interessa aqui, apenas referi o meu papel de voluntária por uma questão de rigor: não sou médica nem enfermeira e quis deixar isso bem claro. Concordo na essência consigo quanto ao perigo das extrapolações, o que quis dizer foi que a MAC é um espelho muito significativo do país, não sendo, naturalmente, o universo inteiro nesta matéria.
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De Ana Matos Pires a 18.02.2010 às 04:21

Mas não permite extrapolações. Que quererá dizer com "espelho"?
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De Ana Vidal a 18.02.2010 às 11:45

Quero dizer o que é óbvio: que me parece ser a MAC uma amostragem significativa, neste caso. Ou seja, que a estatística verificada na MAC não será muito diferente, creio, do que acontece nos outros locais onde se fazem IVGs. Mas não tenho números que o confirmem, como também não conheço números que o desmintam. Só isso.
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De Ana Matos Pires a 19.02.2010 às 06:12

Pois, Ana, acontece que existem diferenças substanciais entre a actividade geral da MAC e a consulta de IVG, daí ter perguntado. Os números existem - não os tenho comigo mas estão, obrigatoriamente, na DGSaúde.

Já agora uma informação que me parece importante averiguar (ainda não o fiz, soube disto ontem) e perceber é a referida num comunicado da APF "A APF sabe que os 87% referidos pelo DN se referem, não ao não uso de contracepção, mas a mulheres que no último ano não foram a uma consulta de planeamento familiar. O que é completamente diferente de estar ou não a fazer contracepção. Muitas mulheres fazem contracepção sem irem regularmente a consultas.".
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De Ana Vidal a 18.02.2010 às 01:16

Também li esta notícia e fiquei impressionada com os números. Como dizes muito bem, a falta de informação não pode ser uma desculpa eterna, sobretudo nas gerações mais novas.
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De Teresa Ribeiro a 18.02.2010 às 08:24

Mais do que falta de informação, o que está em causa é a falta de educação. Delas e - convém não esquecer - deles. Porque se há coisa que me causa engulhos é o ónus destas práticas cair sempre e só em cima das mulheres. É importante lembrar que em muitos casos os homens pressionam as suas parceiras sexuais para não usar preservativo.
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De Pedro Morgado a 18.02.2010 às 08:45

Este ponto é crucial. São traços de uma sociedade profundamente machista.
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De Luís Lavoura a 18.02.2010 às 09:28

Não vejo nada de surpreendente na notícia de que 87% das mulheres que abortam não usam contraceção. Porque, como é evidente, quem usa contraceção não precisa (salvo ocasionais ineficiências da contraceção) de abortar! Portanto, é normal que só quem não a usa vá abortar.

O que considero surpreendente é que se façam relativamente poucos abortos em Portugal, o que demonstra que em Portugal se usa muito mais contraceção do que noutros países europeus. Ou seja, Portugal estará melhor, e não pior, do que outros. A nossa sociedade não falhou, ao contrário doq ue se diz no post.
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De Ana Vidal a 18.02.2010 às 11:54

Explique-me uma coisa, Luís Lavoura: o seu espírito de contradição leva sempre a melhor ao seu raciocínio lógico? É que não vejo outra explicação para a leitura que faz desta notícia. O que se lamenta é que a IVG seja usada como "único meio de contracepção/planeamento familiar" por muitas mulheres portuguesas, ainda por cima jovens. Não percebeu?
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De Luís Lavoura a 18.02.2010 às 12:23

Ana,

por favor discuta cordatamente comigo.

O aborto é utilizado como método contracetivo principal por milhões de mulheres pela Europa fora. Portugal não é exceção nesta matéria. Podemos achar tal atitude repugnante, mas neste ponto as mulheres portuguesas não se distinguem das francesas, italianas, suecas, alemãs e tutti quanti. Em todos esses países há milhões de mulheres que abortam porque não utilizam meio contracetivo. Não se iluda quanto a esse ponto - Portugal não é nada original nesse aspeto.

O que aparentemente distingue as mulheres portuguesas é, de facto, que elas abortam menos do que as outras. ou seja, há muito mens abortos por mulher em Portugal do que na generalidade dos países europeus. O que implica que em Portugal há muito menos mulheres a utilizar o aborto como meio contracetivo do que no resto da Europa. O que é, penso eu, positivo na opinião da Ana.
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De Ana Vidal a 18.02.2010 às 12:55

Reli a minha resposta e acredite que não vejo em que é que fui pouco cordata consigo, Luís. De qualquer forma, não era nem é nunca minha intenção sê-lo, seja com quem for. Acontece que o seu espírito de contradição já é praticamente histórico neste blogue...
Quanto ao assunto em discussão: o facto de não estarmos sozinhos neste e noutros problemas sociais não faz com que eles sejam menos graves entre nós, ou menos lamentáveis. O aparente desinteresse das mulheres (incluindo as mais jovens) pelas soluções de planeamento familiar a montante do aborto é um sintoma preocupante numa sociedade que se pretende civilizada e evoluída. Sejam quais forem os números, mas os que temos em Portugal não são insignificantes.
Só uma nota: não usei a palavra repugnante, nem ela ilustra o que sinto sobre esta atitude. Se quiser adjectivos, dou-lhe alguns: preocupante, inquietante, lamentável. Mas não repugnante.
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De CNS a 18.02.2010 às 16:37

A questão que penso que se deva colocar aqui é o que leva 87% das mulheres ( ou seja da amostra) não usar qualquer tipo de contraceptivo. Quais as razões que impedem alteração de comportamentos? Mais do que juízos de valor, penso que nos devíamos debruçar sobre o tipo de sociedade que temos, que sempre tivemos e que corremos o risco de continuar a ter se não fizermos este exercício
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De lili a 19.02.2010 às 03:11

1425 mulheres entre os 21 e os 29 anos, gostaria de saber em que contexto engravidaram, mesmo para as que já eram segundas gravidezes, quem são os maridos destas mulheres, que responsabilidade têm na tomada de decisão da mulher abortar, qual o meio sócio-económico, que número de filhos já têm, se são mães solteiras, se há alguma(s) vítima(s) de violação, etc.
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De mike a 18.02.2010 às 21:21

Bang!
(clap clap clap)
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De MMB a 05.03.2010 às 17:02

1/2
Fiz uma IVG. Tenho 23 anos, sou estudante de Design, não sou de classes sociais baixas, nem sou pouco informada, nem tão pouco os meus pais são analfabetos. Engravidei por pura irresponsabilidade, como por pura irresponsabilidade tenho lidado com a minha vida e o meu curso. O pensamento só acontece aos outros, e o “bolas esqueci-me de tomar a pílula durante três dias…bem coito interrompido e não há-de ser nada” foi o que me bastou para agora ter que carregar com esse peso o resto da vida. Tenho namorado há quase dois anos, e desde dos 18 que tomo a pílula. Tomei somente a pílula do dia seguinte duas vezes na minha vida. A consciência que a descarga hormonal da pílula do dia seguinte é enorme esta bem estruturada na minha cabeça.
Não me orgulho de o ter feito mas também não me envergonho. Foi uma decisão de consciência e dolorosa, como desconfio que seja para quase todas as mulheres que o façam. É duro por termo a vida de algo que cresce dentro de nós, que começa a crescer um amor estranho vindo não se sabe de onde e nem se sabe pelo que, já que nada é visível ainda e nos põe a sorrir sem queremos como as pessoas que estão apaixonadas. Na eco grafia que tem que se ter não tive a melhor assistência para uma IVG, a médica fez questão de virar o monitor para mim e dizer: “esta a ver o embriãozinho ?”, creio que não devam fazer isto. Uma mulher que faz uma IVG, não é um monstro e não precisa que os profissionais de saúde se armem em Deus para as querer castigar. O castigo já vai ser suficientemente grande para o resto da vida. Mas eu vi, vi o que poderia ser o meu primeiro filho. E doeu! Como disse muitas vezes e volto a dizer, é bem feito passar por aquilo que passei e passo, as coisas são como são, fui irresponsável e agora arco com as consequências, já mais me vitimizei neste processo todo, nem seria capaz de o fazer. Quando fui a primeira consulta para a IVG, olhei a minha volta e vi meninas e mulheres, meninas sozinhas sem parceiro ou amigas para as acompanhar e vi mulheres já feitas e crescidas sem companhia também. Havia só mais um casal como eu na sala, mas vi a menina era tão novinha…e com um ar bastante assustado. Quem olhou para mim de fora e me julgou achou que me estava perfeitamente nas tintas para o que estava a fazer, ria-me e brincava com o meu companheiro. É a minha maneira de ser, para não chorar, riu.
A segunda consulta não foi a mais dolorosa, o mais doloroso foi ver o embrião na primeira eco grafia. Vi o mesmo casal que tinha visto na primeira consulta, e vi as mesmas mulheres e meninas sozinhas, sem ninguém para as apoiar. E isso talvez fosse o que me custasse mais nessa consulta, onde estavam os pais das crianças? Porque deixavam meninas sozinhas sem apoio? Sabia que o sofrimento físico seria intenso e vi estas meninas sozinhas. E quando começam-se as dores quem cuidaria delas? Não é justo, nem tão pouco respeitoso deixar uma mulher que passa por este sofrimento sozinha. Infelizmente a minha IVG não correu bem, e passado quatro dias tive que ir de urgência para o hospital porque as dores eram de tal maneiras insuportáveis que achava que ia morrer, nem percebi o que se passava supostamente já poderei retomar a minha vida normal nesse dia. Quando fui para a sala de triagem fui bastante mal recebida pela enfermeira, bastou ouvir “fiz uma IVG” para a descriminação estar estampada no rosto dela, senti que estar-lhe a gritar “por favor ajudo-me estou cheia de dores”, o meu chorar era a mesma coisa que lhe dizer: “olhe querida estou com uma ligeira dor de cabeça mas estou óptima”. Ela respondia-me muito secamente que era normal do tratamento que estava a fazer, sabia que não era normal porque a medica que me fez aplicação disse que se as dores não passassem com os medicamentos teria que ir para o hospital. E eu entre gemidos de dores respondia-lhe que não era normal. Lembro-me da lentidão a fazer tudo, da falta de atenção que teve por mim, da moleza com que fez tudo. Supostamente era para ser posta a soro, então a Sra. Enfermeira foi fazer a cama á maca para poder-me deitar, via de longe novamente mole e sem interesse no meu estado e para o cumulo a falar ao telemóvel como se não tivesse uma pessoa ali com dores, mas sim um drogado qualquer com uma enorme “moca”.
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De MMB a 05.03.2010 às 17:03

2/3
Uma das minhas melhores amigas é enfermeira, e sei que poderia ter levado logo uma injecção para atenuar as dores, que as coisas podiam ter sido tratadas com muito mais eficácia. O que se passou ali, foi uma pessoa que se julgou Deus ou quem quer que fosse, se achou-se no direito de castigar uma mulher por ter feito um aborto. Será que estas pessoas não percebem que nós teremos o maior castigo de todos? Fomos nós próprias e as nossas escolhas que nos castigaram. Felizmente a medica chegou rápido e a raspagem foi feita rapidamente, mesmo sem anestesia, mas foi tudo tão rápido que nem me importo de não ter levado anestesia, porque mesmo com essa parte adormecida continuaria a ter dores e o processo em vez de ter demorado menos de 5mintutos demoraria mais de dez. Fiquei logo bem. A outra enfermeira ou auxiliar que estava presente também me fez sentir o quão desumana era com o seu tratamento delicado. Ainda meio desorientada e confusa perguntei pelo penso que tinha ideia que no inicio ela tinha me dado ou posto em algum lado e claro que ouvi respostas brutas e frias do género: “vá levante-se dai, a médica já lhe disse para levantar. Já lhe dei o penso, não sabe dele?”. O que mais me espantou foi o facto de a primeira enfermeira ser negra e esta ser de um país de leste. Conhecendo a mentalidade deste nosso país, provavelmente também elas em alguma altura da vida foram descriminadas, como era possível fazer o mesmo a uma mulher numa altura tão difícil? Não é humano. Se não concordam com a IVG, tudo bem nada contra, mas no local de trabalho e tendo a profissão que tem não podem ter este tipo de comportamentos. E surgem-me na cabeça mais uma interrogação, será que estes profissionais de saúde têm algum tipo de formação para lidar com estes casos? Até compreendo que lhes seja difícil pessoalmente entender o porque de uma mulher aparentemente saudável, de 23 anos ter feito um aborto, mas isso é a nível pessoal não podem trazes convicções pessoais e castigar mulheres só porque não concordam com as escolhas delas. Um dos maiores dramas das consultas de IVG, são as reincidentes mulheres e meninas que já fizeram um, dois, três ou mais abortos, que deixaram de usar métodos contraceptivos. Essas são altamente julgadas e criticadas, na minha opinião uma mulher que se sujeita o corpo e alma tantas vezes a este choque, são mulheres que não estão bem. Deveriam ter este filho? Provavelmente seriam crianças rejeitadas, que não receberiam atenção nem amor, mulheres que tem filhos como que tem animais. Se fossem meninas muito provavelmente seguiriam as pisadas da mãe, se fossem meninos muito provavelmente seriam homens que fugiriam as responsabilidades quando aparecesse uma namorada grávida. Não se preocupem a critica-las, o maior dor e para elas, talvez porque chegará uma altura em que queiram ter realmente filhos e já não possam, talvez porque a vida nos esta sempre a dar lições e um dia elas vão sofrer mais que qualquer pessoa. Preocupem-se a prevenir e investir o tempo a informar jovens sobre a sexualidade.
Nestes últimos dias tenho procurado pela internet historias e fóruns sobre esta situação, encontrei as mais variadíssimas opiniões. O que me chocou mais foi ver desabafos de mulheres que passaram por isto e ver comentários de pessoas a chamarem-lhes vadias e todos os géneros de ofensas. Acredito que para uma mulher que perdeu o filho pela mãe natureza seja difícil aceitar outra mulher que o tenha feito por livre vontade. Mas quem lhe garante que as condições da primeira eram iguais às da segunda? Quem são as pessoas para julgarem quem quer que seja? A minha mãe votou sim no referendo, mas disse sempre que nunca o faria mas cada mulher pode escolher. O feto que matei ainda não tinha cérebro, embora já tivesse batimento cardíaco. Dizem que ninguém tem o direito de tirar a vida a outro ser, mas será que temos o direito pelo erro nosso trazer ao mundo uma criança em que o futuro não se sabe? O mundo está cheio de meninos abandonados, está cheio de mães e pais frustrados que descarregam em cima dos filhos essas mesmas frustrações, não estarão também a mata-los aos poucos? Não quero olhar para um filho e sentir que ele era a consequência da minha irresponsabilidade e por isso não realizei os meus sonhos.
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De MMB a 05.03.2010 às 17:04

3/3
Seria mais uma no leque de mães histéricas e egoístas que descarregam nos filhos as próprias frustrações? Pelo o que me conheço, seria. Os filhos que um dia terei serão educados num lar com amor, respeito e de pessoas bem com elas próprias, para que um dia sejam homens e mulheres equilibrados e íntegros. Não sou má pessoa por ter feito um aborto. Apenas sou uma mulher que escolheu ter primeiro uma vida e depois dar a vida a outro ser.
Às mulheres e meninas que passaram por isto muita força e não fiquem a culpabilizar-se para sempre, sigam em frente. Ás meninas e as mulheres que nunca passaram por isto e tem tendência a esquecer-se dos meios contraceptivos como a pílula, informem-se nos centros de saúde, centros de saúdes como o do Lumiar tem uma óptima assistência da consulta de planeamento familiar. Uma equipa de medicas e enfermeiras que nos fazem sentir que não somos apenas um número mas uma pessoa. Informem-se sobre o implante subcutâneo tem a duração de 3 anos e é super eficaz é distribuído e aplicado gratuitamente no planeamento familiar. Aos homens nunca deixem uma mulher sozinha nesta situação, lembrem-se que é vossa companheira mas provavelmente tem mãe, irmãs e filhas e não gostariam que elas passassem por isto sozinhas.
Os melhores comprimentos

desculpem o tamanho do comentário.

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