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Eles não receiam o regresso da Censura

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 15.02.10

Afinal, parece que há por aí muito boa gente, incluindo grandes jornalistas e cronistas críticos de Sócrates, que não está nada preocupada com o eventual regresso da Censura. Este fim de semana, a imprensa revelou alguns:


Oito passos em direcção ao fim

“… a liberdade de imprensa não está em perigo em Portugal. Obviamente. Quem o diz, quem organiza petições on line  e manifs, nunca antes, quando o perigo real existiu, se fez ouvir. Não há um único grande jornalista português que ande por aí aos gritos em defesa da liberdade pretensamente ameaçada. Não conheço ninguém que não diga e não escreva o que quer e que não tenha uma tribuna para ser escutado.(…)
Convém, pois, não confundir liberdade  com irresponsabilidade,não confundir vaidades individuais , desejos de protagonismo e aproveitamentos políticos com a situação real, como um todo”
(Miguel Sousa Tavares, Expresso)

 

Sobre a liberdade de imprensa e algumas coisas mais

“Quem diz que não há liberdade de Imprensa em Portugal ou é mentalmente indigente ou está a ser o serventuário de uma estratégia política repugnante. Os nossos problemas são outros e muitíssimo mais graves…”

(Baptista Bastos, Jornal de Negócios)

 

Sócrates no bunker

“…Escutar o telefone do próximo, por muito necessário que seja, é uma ideia que me repugna. E publicar a seguir o que se ouviu, ou foi ouvido, não me parece admirável, mesmo para defesa da democracia ou da limpeza pública”
( Vasco Pulido Valente, Público)

 

A caixa de Pandora da República

“…Uma coisa são pressões, manobras, lutas de influência, disputas localizadas, outra construir uma imponente teoria de um "crime contra o Estado de Direito", com vista ao controlo da Comunicação Social na sua globalidade. Esta ideia é paradoxal. As mesmas forças que desencadeiam a poderosa campanha de opinião em curso consideram que já não existe liberdade de expressão. Num sistema mediático em que predominam a direita e o centro-direita, as forças dominantes dizem-se "asfixiadas". A suposta "asfixia" exprime-se em uníssono num coro (quase) sem dissonâncias(…)"
( Mário Mesquita, JN)

 

Brancura virtuosa
“…É sempre bonito ver alguém vestir-se de branco (pois, em atestado de pureza de intenções, elas irão vestidas de branco e eles vestidos de almirante como no poema de Cesariny) para gritar "pelo direito fundamental à liberdade de expressão".
E pode ser um começo e que, um dia, vejamos a mesma gente manifestar-se também por outros direitos fundamentais, como o direito ao trabalho, à segurança no emprego e a uma retribuição condigna ou o direito de todos (a Constituição diz todos) de constituir família e contrair casamento e não ser privado desse direito em razão da sua orientação sexual.(…)”
( Manuel António Pina, JN)


A “bufaria”

“Hoje não se pode estar à vontade num restaurante, porque ao lado pode estar um "bufo" a ouvir a conversa para a ir relatar ao seu tablóide preferido. Até a factura da refeição pode ser útil para o mesmo fim. A privacidade deixou de ter qualquer respeito ou protecção.”
( Marinho Pinto JN)

 

O sol, o polvo e a conversa de chacha

“…Ontem, comprei o Sol. Li as quatro páginas sobre as escutas que me prometiam relatar o polvo governamental sobre jornais e televisão. Mas não estava lá nada sobre o assunto. Não quero dizer que Sócrates não quis dominar a Imprensa. Não digo que o Governo não coma microfones ao pequeno-almoço. Digo é isto: naquela edição do Sol não estava lá nada sobre o assunto. Então, do que falamos?”
(Ferreira Fernandes, DN)

 

O jornalismo não é para meninas
“Dizer que a liberdade de expressão está em causa  em Portugal, é um insulto para milhares de pessoas que, durante quarenta anos, pagaram com a falta de liberdade as suas opiniões. E é uma contradição: é por não haver falta de liberdade de expressão que se conhecem todas as conspirações, possíveis e imaginárias que o actual poder concebeu(…)”
( Nicolau Santos, Expresso)

 

Portugal Amordaçado

“A nossa história recente está cheia de exemplos de tentativas de controlo de órgãos de comunicação social. Existirão sempre enquanto a diferença entre a sobrevivência económica de uma estação de televisão, de rádio ou dum jornal estiver na mão de quem detém conjunturalmente o poder executivo, seja directamente, seja através de empresas públicas (ou aparentadas, por exemplo, as em que o Estado tem golden shares, como no caso da PT) ou de empresas privadas que dependem do Estado para a sua actividade (a grande maioria das empresas portuguesas). Enquanto assim for, independentemente de quem esteja no Governo, andaremos sempre a falar da mesma coisa. Estaremos sempre dependentes da capacidade de um líder conviver melhor ou pior com a inevitável diferença de opiniões e da sua capacidade de controlar os comissários políticos que, tão certo como o destino, ocuparão a máquina estatal e as empresas que efectivamente o Estado controla.”

( Pedro Marques Lopes, DN)

 

Poderia acrescentar mais, mas creio que estas ilustram bem como é manifestamente exagerado o medo do regresso da Censura. Porque a isenção não me tolda o raciocínio, também sou crítico de outras manifs de sinal contrário, igualmente com resquícios de Estado Novo.


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