O orçamento de Davos
O congelamento dos salários da função pública era uma medida esperada e que até se compreende. Não tanto em função da crise, mas mais pela tendência dos governos (iniciada com Manuela Ferreira Leite, é sempre bom não esquecer…) em transformar os funcionários públicos em bombos da festa. Parece-me, porém, inadmissível, a antecipação para 2010 das regras sobre a reforma que deveriam aplicar-se apenas a partir de 2015. O governo fez tábua rasa do acordo que estabelecera com os sindicatos e mandou-os às malvas…
Esta é apenas uma das situações que demonstra o desprezo pelas pessoas que ressalta do OE. Nada de surpreendente, já que o único primeiro-ministro que em Portugal se preocupou com as pessoas, nos últimos 25 anos, foi António Guterres. Custa , porém, ver um governo que se autoproclama socialista, seguir uma política que privilegia o mercado e escarnece das pessoas.
O OE reflecte, afinal, o triunfo de Davos, no confronto com Porto Alegre.

