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O pecado de ter um carro

por José Gomes André, em 22.01.10

Há cinco anos pedi à EMEL um dístico de estacionamento. Não tendo garagem, e não existindo estacionamento gratuito num raio de três quilómetros, sou forçado a deixar o meu carro em lugar pago. Recebi o dístico gratuitamente, por um período de três anos.

O ano passado, António Costa decidiu instituir novas regras: dísticos válidos por apenas um ano e pagos: 6 euros para os cofres públicos. Pedindo por estes dias a renovação venho a descobrir que tivemos um aumento de 100% em 2010: agora, o dístico custa 12 euros.
 
Esta situação é inaceitável. A imposição de uma taxa apenas se justifica quando o utente tem uma alternativa. É assim que sucede nas auto-estradas, por exemplo. Quem quer andar mais rápido e confortavelmente, paga por isso. Quem não quer, opta por outras vias, gratuitas. O que está aqui em causa é um abuso puro e simples, dado que não me resta alternativa senão pagar a referida taxa. O que é taxado não é o meu luxo de estacionar em lugar pago na minha rua, mas sim o facto de eu existir e ter um carro próprio, algo que, pelos vistos, a Câmara Municipal de Lisboa considera ser uma violação do bem público, de tal modo que exige uma punição oficial.
 
Resta-me perguntar: e se, no futuro, Costa decidir aumentar o dístico para 500 euros por ano? Ou 2000? O que devo fazer? Encontrar forma de suspender o meu carro sobre a via pública? Levá-lo no elevador para a minha despensa? Ou quiçá explodir o dito veículo nos Paços do Concelho? Se calhar ainda me saía mais barato e sempre deixava a Câmara tranquila, tendo eliminado um desses bandidos que se atreve a comprar um automóvel.

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27 comentários

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De toulixado a 22.01.2010 às 02:17

Um euro por mês? Vai lá vai! Ainda te vou ver pedir à porta de alguma igreja...
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De Luís Serpa a 22.01.2010 às 11:36

Para enquadrar, caro José Gomes André, deixe-me começar por dizer que só lamento é que as taxas não sejam, como assustado pergunta, de 500 euros. Ou lá perto: o que quero dizer é que os custos de ter automóvel deviam ser muito maiores.

E os dísticos que refere muito mais caros: 1 euro por mês parece-me um preço ridículo. Por essa lógica, os passes para os transportes público deveriam ser - para quem não tem alternativa - de quanto? 1 euro por ano?

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De Ana Margarida Craveiro a 22.01.2010 às 15:59

é essa lógica, esse falso pensamento sobre transportes numa cidade, que leva a que os centros das cidades estejam abandonados e maltratados. é preciso menos carros nas nossas cidades? evidentemente que sim. deve isso fazer-se à custa dos moradores? evidentemente que não.
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De José Gomes André a 22.01.2010 às 20:51

Naturalmente...
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De Anónimo a 23.01.2010 às 02:49

Ai é? E eu a pensar que era porque as casas são caras e há inúmeros prédios degradados que ficam por um balúrdio recuperar. Afinal é por causa dos transportes!! ...
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De José Gomes André a 22.01.2010 às 20:48

Acho que o Luís não está a perceber bem o que é um dístico de morador. Isto não é um livre-trânsito para a Galp nem uma garantia de motorista pago pela EMEL. O dístico atesta apenas o meu direito de possuir um carro e pouco mais.
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De Luís Serpa a 22.01.2010 às 21:35

Caro José Gomes Anfré,

Como não tenho automóvel não posso, obviamnte, perceber o que é um dístico de morador. Eu aceito essa inultrapassável limitação (desculpe o vocabulário automobilístico).

Eu pensava, na santa ignorãncia que é apanágio de ciclistas (e peões) no que a automóveis se refere, que um dístico de morador é uma coisa, um objecto, imagino, que dá direito a estacionar livremente na zona de residência. Não sabia que era uma coisa, ou objecto, que dava direito a ter um automóvel.

Repere que 12 euros por ano para estacionar livremente numa determinada zona é, como lhe disse, de borla, na minha humilde e ciclista opinião. Agora para ter um automóvel - bolas, é mais barato do que alugar uma bicicleta. Não vejo realmente porque se escandaliza.

Claro que podíamos voltar ao tema do preço do tal dístico que eu pensava servir para uma coisa e afinal serve para outra. O estacionamento tem custos - custos esses que são na sua esmagadora parte pagos pelos impostos de todos, quer moremos na sua rua quer não. Como diz o Luís Lavoura ali em baixo, se achar caro os 12 euros por ano sugiro-lhe que opte por uma garagem privada. Não sei onde mora, mas na minha zona estão a cerca de 100 euros por mês.

Eu creio que é compreensível, de um ponto de vista economicista, que a Câmara cobre uma fatia maior desses custos a quem os usa e menor a quem não - libertando assim dinheiro para dilapidar noutras coisas, como compensações a empreiteiros por atrasos nas obras de túneis, restaurar jardins e ampliar terminais de contentores (enfim, os custos deste são do Governo, eu sei. Mas a CML tb teria alguns).

É por isso que eu, (que pago, mas reconheço que é irrelevante para a discussão, 30 euros por mês para guardar uma bicicleta numa garagem privada) penso que 1 euro por mês para ocupar um espaço público é pouco. Muito pouco. Demasiado pouco.

Isto de um ponto de vista economicista. Há outros. O político, por exemplo. É possível viver no centro de uma cidade sem automóvel? É. Mas não é esse infelizmente o verbo correcto. Deve naturalmente ser possível, mas devia, sobretudo, ser desejável. Devia ser uma decisão cara - já é, repare, mas os custos estão divididos por todos os contribuintes. Devia ser uma decisão cara para quem tem automóvel. Muito mais do que 12 euros por ano. Um passe de autocarro custa mais do que isso por mês.

Quanto à desertificação dos centros das cidades devido à dificuldade que o o pagamento de 12 euros por ano representa que uma simpática comentadora mencionou - honestamente, preferia se não se importa um argumento mais... como dizer? Racional? Consequente? Ou menos - emotivo? De má-fé?
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De João Carvalho a 23.01.2010 às 14:33

Boa piada. Ainda há-de chegar a vereador.
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De Luís Serpa a 23.01.2010 às 16:04

Caro João Carvalho,

antes de mais nada: obrigado pelo cumprimento e pelo encorajamento. Eu gosto de saber as minhas capacidade piadistica e ambição política reconhecidas por quem tem mérito e saber e capacidade de análise e argumentos para defender os seus pontos de vista e isso tudo de que, no seu curto e incisivo mas profundo comentário, o João dá provas.
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De João Carvalho a 24.01.2010 às 01:43

Eu sei que sim, Luís. Afinal, já praticamente me conhece e é-lhe fácil chegar a essa conclusão, não é?
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De Luís Serpa a 23.01.2010 às 21:43

Oooops, e lá me esqueci outra vez da corrida de aviões, outra poderosíssima razão para explicar o aumento de 6 - seis - euros por ano para 12 - doze - euros por ano pelo direito de estacionar na rua.

Em Genebra, cidade que não tem corridas de aviões, indemnizações a empreiteiros, portos de contentores e assim, eu passava todas as noitas meia-hora à procura de um lugar num raio de 15 minutos a pé de casa. E quando o encontrava dava graças - e lembrava-me de que tinha de o tirar antes das oito da manhã, porque senão seria multado.

Uns selvagens.

Depois, quando apareceram os "dísticos para moradores" o seu (deles) custo baseou-se na tarifa do parking durante o dia - isto é, quem quer ter o privilégio de estacionar o carro perto de casa paga esse direito - não o de ter carro, repare, mas o de estacionar perto de casa.

Se não quer pagar, pode procurar noutros locais. Não é proibido, e é se calhar mais barato - se bem tenha que andar um bocadinho.

Só que não custa um euro por mês. Custa muito mais. Porque estacionar à porta de casa é um privilégio que tem custos; e esses custos devem ser absorvidos pelos beneficiários.

Ah, já agora: não, o centro de Genève não está a morrer.
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De João Carvalho a 22.01.2010 às 15:18

Não é o preço para estacionares na tua rua, José. É o preço do abuso municipal. E os abusos estão pela hora da morte.
Obviamente, é uma pouca vergonha, abusiva e intolerável.
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De José Gomes André a 22.01.2010 às 20:49

Grazie, João :)
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De meunikaki a 22.01.2010 às 15:34

Quando o preço é baixo, qualquer aumento é grande.!

Salvaguardando os direitos adquiridos, como seja o arrendamento de garagens para todo o tipo de comércio, pelo menos dever-se-iam declarar nulos todos os novos arrendamentos ou trespasses de arrendamentos vigentes para outro fim que não fosse parqueamento, pelo menos, mais uma vez, em prédios cujos R/C e caves foram inicialmente destinados a garagem....
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De José Gomes André a 22.01.2010 às 20:49

Sugere o quê? Que eu pague parquímetro mesmo quando tenho o carro parado à porta de casa?
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De Luís Lavoura a 22.01.2010 às 16:24

Discordo, absolutamente, deste post.

O espaço de parqueamento nas ruas é público e é escasso. O José Gomes André (e eu, já agora), ao estacionar o seu carro, está a ocupar um espaço que não é seu. É justo que tenha que pagar por esse serviço. Repare que há muitas outras pessoas que moram na sua zona e não têm carro (ou então têm uma garagem, a qual lhes custou dinheiro), não ocupam o espaço público. É justo que, quem usa o espaço público, o pague. E isto é tanto mais verdade quando esse espaço público é escasso, ou seja, quando há falta de lugares de estacionamento.

Reare o José Gomes André que a EMEL lhe presta um serviço muito relevante - mantem os forasteiros longe dos lugares de estacionamento na sua rua. Se não fosse a EMEL, a sua rua estaria provavelmente cheia de carros de não-moradores, e o José não encontraria lugar para estacionar, ou então só muito longe de casa (era o que me acontecia a mim antes de terem parquimetrado a minha rua). A EMEL presta um serviço ao José, e é justo que o José lho pague.
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De Portuguese Guinness a 22.01.2010 às 16:52

Desde há muito que, em minha opinião, V., Lavoura, merece o prémio da mente mais retorcida da blogosfera portuguesa - e quiçá mundial.
Parabéns!
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De João Carvalho a 22.01.2010 às 17:45

Decidi concordar consigo, Luís Lavoura. Uma vez sem exemplo, para não se habituar mal.
Acho que o Luís (como eu próprio e toda a gente), sendo (como creio) um homem privado, também deve pagar alguma coisita de cada vez que sai de casa e ocupa o espaço público (se for gordo, está bom de ver que deve pagar mais).
Defendo que sejam isentadas apenas as prostitutas, porque essas não são privadas - são públicas...
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De José Gomes André a 22.01.2010 às 20:52

"É justo que, quem usa o espaço público, o pague." Na minha modesta opinião, uma das frases do ano.

"a EMEL lhe presta um serviço muito relevante - mantem os forasteiros longe dos lugares de estacionamento na sua rua.". Deve ser por isso que o meu carro foi assaltado três vezes nos últimos seis meses, na minha rua.
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De Katu a 22.01.2010 às 16:41

Eu vivo em Almada, também não tenho alternativa e pago portagem para vir para Lisboa.
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De João Carvalho a 22.01.2010 às 17:46

Se não tem alternativa, tem o direito ao protesto.
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De Maria a 22.01.2010 às 16:48

Vamos fazer alguma coisa? Abaixo assinado? Chamar uma Televisão e denunciar? O que sugerem?
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De João Carvalho a 22.01.2010 às 17:47

Sugiro a denúncia e respectivo protesto num blogue à maneira. Hehe...
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De Pedro Correia a 22.01.2010 às 21:46

Nao indo ao ponto de me fazer porta-voz (ou posta-voz) da EMEL, como o estimado leitor Lavoura, entendo os motivos do aumento. Costa bem precisa do cacau para pagar aquela coisa do Red Bull que custa os olhos da cara. Sem a guita, aquilo acaba por voar baixinho.
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De João Carvalho a 23.01.2010 às 00:13

Cheira-me que vai ser um voo rasante.
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De Anónimo a 23.01.2010 às 02:48

Estou com o comentador Luís Serpa. Este post é absurdo... 12€? 1e por ano?! A alternativa? e que tal andar de transportes públicos? quer ter a comodidade de um carro, pague os custos a ele inerentes...

Os comentários do João Carvalho são sempre tão pseudo-intelectuais e snobs que se tornam mais do que ridículos. Não ligam com este blog. É pena.
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De João Carvalho a 23.01.2010 às 14:38

Em lugar de lhe explicar que estacionar carro próprio à porta de casa está por provar que possa ser um "custo inerente", vou explicar-lhe uma coisa que há-de ser-lhe muito mais útil: o que não liga com este blogue são os anónimos.
Capice?

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