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Delito de Opinião

O PS chegou a isto

Pedro Correia, 08.01.10

Em Outubro de 2008, José Sócrates impôs disciplina de voto ao seu grupo parlamentar para chumbar as alterações ao Código Civil que permitiriam o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Para o efeito, o primeiro-ministro utilizou o seguinte argumento: "O casamento de homossexuais não está na agenda política nem do Governo nem do Partido Socialista." A bancada socialista, obediente, cumpriu a ordem, votando contra. Manuel Alegre foi a excepção.

Volvidos 15 meses, José Sócrates voltou a impor disciplina de voto ao seu grupo parlamentar desta vez em sentido contrário, determinando a aprovação das alterações ao Código Civil que permitem o casamento entre pessoas do mesmo sexo mas excluindo a possibilidade de adopção que constava dos projectos do BE e do PEV. A bancada socialista, obediente, cumpriu a ordem, votando simultaneamente a favor (do casamento) e contra (a adopção). Com Manuel Alegre já fora do Parlamento, ninguém ousou contrariar o primeiro-ministro, apesar do protesto digno de Maria Antónia Almeida Santos, voz solitária num colectivo temente ao líder que condiciona a vontade dos deputados em função das suas "agendas políticas" de ocasião. A isto chegou o PS de Mário Soares e Salgado Zenha: uma massa informe, submetida ao chefe, incapaz do mínimo gesto de rebeldia em nome da firmeza de convicções.

 

ADENDA, com correcção: três deputados do PS - João Soares, Jamila Madeira e Catarina Marcelino - desafiaram a "disciplina", votando os projectos do BE e do PEV. Merecem a minha homenagem. Por contrariarem a tendência dominante que manda violar a consciência individual em nome do pragmatismo político, como se os deputados não tivessem vontade própria.

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