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Comentário ao André

por Ana Margarida Craveiro, em 06.01.10

Fiquei um bocadinho perplexa com este teu post, André. O problema deve ser meu: eu também não imagino como é que se vive com 450 euros por mês. Não sei como se paga uma casa, comida, transportes e tudo o mais com um ordenado desses. Para não pensar em filhos e escolas, doenças e apoio a idosos. E mais: acho vergonhoso que haja ordenados de 450 euros numa das economias mais desenvolvidas do mundo, pertencente a um clube muito especial de países. Houve qualquer coisa aqui que falhou; falhou, e continua a falhar, à medida que cada vez mais portugueses têm de tentar viver com 450 euros por mês. Isto não tem nada que ver com esquerda ou direita; felizmente, a indignação com a injustiça ainda é uma referência moral bem acima desse eixo tão redutor.

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16 comentários

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De Luna a 06.01.2010 às 21:09

Creio que a indignação vem do facto de uma pessoa que não se imagina a viver com 450€ mensais ter sido contra o aumento do salário mínimo, que permitiria que pessoas que vivem com os 450€ mensais com os quais não se imagina a viver pudessem viver com um bocadinho mais.
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De André Couto a 07.01.2010 às 00:07

Um dos pontos.
Devia ter concretizado mais.
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De Anónimo a 06.01.2010 às 21:40

Eu sobrevivo com 250 euros ao mês (não estou a brincar). Gostava de enforcar 101% dos políticos e dos comentaristas de política neste país e em outros. Política? Isto é para gente que não tem de estar desesperado pensando quando será a próxima refeição. Gente como este Francisco Van Zeller me dá mais ânsia de vômitos do que a fome.
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De João Cardiga a 06.01.2010 às 23:15

Caro Anónimo,

Julgo que tocou num ponto muito importante:

- "Política? Isto é para gente que não tem de estar desesperado pensando quando será a próxima refeição."

É que a questão dos 450,00 Eur (no seu caso bem menos) não é apenas o que se pode fazer com esse salário, é também, e muito importante o que não se pode fazer. Isto é das escolhas que não se tem e que condicionam de sobremaneira a vida de uma pessoa, sem que o próprio possa fazer algo para mudar essa situação.

Gostava só de referir outra coisa sobre o que disse. Eu entrei no mundo politico. Sei que nesse aspecto sou um priveligiado (e infelizmente é mesmo algo só ao alcance de alguns), mas julgo profundamente injusto a percentagem que utiliza para definir os politicos e comentaristas, e que a meu ver apenas ajuda os que são exactamente da forma como você os imagina...
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De Anónimo a 07.01.2010 às 00:07

Pois eu acho que tenho o direito de ter também uma opinião. E, com a sua licença, o que não acho justo é o senhor vir falar a mim de injustiças. Tu te sentes injustiçado nos teus privilégios? Sinto muito. A percentagem é esta. É exatamente esta. Não duvido que o senhor até seja uma pessoa muito melhor do que as outras. Mas, honestamente, não preciso que digam-me o que não se pode fazer com 250 euros. Acredite, sei perfeitamente do que não sou capaz com 250 euros ao mês. Agradecido.
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De João Cardiga a 07.01.2010 às 01:12

Caro Anónimo,

"Pois eu acho que tenho o direito de ter também uma opinião"

Nunca disse o contrário. Aliás apenas salientei algo com que não concordo e honestamente julgo que está errado. Certamente concordará que eu tenho também o direito a uma opinião?

"...o que não acho justo é o senhor vir falar a mim de injustiças."

Porquê? Aliás foi injusto por exemplo para os politicos que defendem o aumento do Salário Minimo Nacional. Ou também queres enforcar esses politicos? Depois julgo que a actitude de generalizar é profundamente errada qualquer que seja o tema.

"Tu te sentes injustiçado nos teus privilégios?"
Não. O que eu sinto é que preferia viver numa sociedade onde aquilo que eu reconheço como privilégio fosse algo acessível a qualquer cidadão, ou seja não seja um privilégio.

"Não duvido que o senhor até seja uma pessoa muito melhor do que as outras"
Obrigado pelas palavras. Espero ser melhor que algumas, igual a outras, no entanto isso serão os outros a avaliar...

"Mas, honestamente, não preciso que digam-me o que não se pode fazer com 250 euros. Acredite, sei perfeitamente do que não sou capaz com 250 euros ao mês."

Peço desculpa se o meu comentário transpareceu isso pois nem me passou pela cabeça. Sobre as tuas dificuldades só mesmo tu é que sabes. O meu conhecimento (e as minhas palavras) deriva da minha experiência pessoal, nada mais. Algo que aprendi e não esqueci...

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De André Couto a 07.01.2010 às 00:08

Concordo com o João.
Na política há gente boa como há gente má...
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De Miguel a 06.01.2010 às 22:37

Não tem nada a ver com a esquerda e com a direita?

É a típica frase para ficar bem.

Ou quem nos tem governado nestes últimos anos não foi a direita? E mesmo assumindo o PS como um partido de esquerda (!) já viram algum governo PSD preocupado com o salário mínimo nacional, em garantir e proteger os direitos dos trabalhadores ou a tomar uma decisão no sentido de os proteger socialmente?

Deixem-se de rodeios.
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De Adolfo Mesquita Nunes a 06.01.2010 às 23:04

Se o salário mínimo nacional fosse receita certa para um rendimento mínimo de todos os portugueses, não só o mesmo já tinha sido aumentado como não havia empresas a fechar.

Quer isto dizer que o aumento do salário mínimo não pode ser visto no plano do "podem as pessoas viver com mais ou com menos do que isto" mas no plano económico.

O que equivale a dizer que ser contra o aumento do salário mínimo não significa que se é contra a que as pessoas vivam melhor. Mas tão só que, em termos económicos, o mesmo pode efeitos perversos.
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De Anónimo a 07.01.2010 às 00:18

Efeitos perversos, pá. E as causas perversas, ó meu patrão? Sabes onde elas estão? Não, tu não sabes. Tu não imaginas as responsabilidades que tem (que sempre teve) nesta Disneylândia. Tu deves ser de pano e ter o nariz feito de botão como todos os outros. Eu ergo paredes e ponho telhados nas coisas que faço todos os dias. Para quê? Para gente assim como tu ficar confortavelmente instalada a pensar nas perversidades que podem custar dar a mim mais 50 euros ao mês.

(Troquei os alhos por bugalhos. Espero que assim o comentário seja aceito.)
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De Adolfo Mesquita Nunes a 07.01.2010 às 00:41

E trocados os alhos por bugalhos, não havia por que não aceitar o comentário.

A questão, caro anónimo, não está em cada um de nós merecer ou não, em termos mínimos pelo seu trabalho, mais do que aquilo que efectivamente recebe.

A questão está em saber, com o aumento da carga fiscal sobre pessoas e empresas, com a deflacção em curso, com a quebra na economia e na produção, se o aumento do salário mínimo pago pelas empresas não poderá, por exemplo, ter como efeito perverso, atrasar a sua recuperação e contribuir para o desemprego.

É que o salário mínimo é uma marca legal, que pode ter pouca eficácia se não puder ser atingida pelas empresas. É por isso que muitos países, que vivem bem melhor do que nós, dele prescindem. Como entender que o salário médio dos finlandeses é muito superior ao nosso se eles nem salário mínimo têm? Talvez a questão tenha que ver com a situação da economia e não com a fixação do salário mínimo.

Um abraço,
a.
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De Anónimo a 07.01.2010 às 01:02

"A questão, caro anónimo, não está em cada um de nós merecer ou não, em termos mínimos pelo seu trabalho, mais do que aquilo que efectivamente recebe."

A questão só não é está por que não é o senhor que tem uma renda de 250 euros mensais.

Não quero que aumentem a carga tributária. Ao contrário. Uma maneira de fazer "avançar" (valorizar) meus 250 euros é justamente obrigando os impostos recuarem.

Pois eu sugiro que parem de pensar em como dividir a riqueza e passem a dividir a pobreza.
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De Adolfo Mesquita Nunes a 07.01.2010 às 01:16

Meu caro,

O que quis dizer foi que aqueles que duvidam das virtualidades do aumento do salário mínimo o não fazem por considerar que cada um de nós merece apenas, em termos mínimos pelo seu trabalho, o actual valor do salário mínimo.

É por isso que antes de louvarmos a fácil medida de subir artificialmente o salário mínimo deveríamos pensar se essa medida efectivamente vai fazer subir o nível de vida das pessoas, ou se é apenas poeira que serve para esconder o desemprego e os impostos e a carga estadual a atrapalhar a economia.

Mais importante, digo eu que não ganho efectivamente 250 euros, do que fazer uma lei subir o salário mínimo é criar os mecanismos para que o trabalho seja mais valorizado e possa ser melhor pago. No fim de contas, acho que o trabalhador prefere medidas eficazes a medidas artificiais que têm como consequência maior desemprego.

E aqui entra a discordância, assim o suponho, da Ana Margarida. Não se é bom ou justo por se dizer que o salário mínimo deve ser aumentado mas sim por se criarem condições para que o valor do trabalho seja mais justo. E enquanto este Governo continuar a levar a carga fiscal para lá dos limites do suportável, e a contribuir para o despesimos que nos enterra, duvido que possamos olhar para as suas políticas e classificá-las como boas e justas. Mesmo que, no meio delas, conste o aumento artificial do salário mínimo.
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De Miguel a 07.01.2010 às 17:27

Excelente resposta caro anónimo!
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De André Couto a 07.01.2010 às 00:06

Ana Margarida,
(respondo-te aqui para não andarmos de post em post)

As minhas palavras advêm de vários factos:
(1) FvZ não se imagina a viver com 450€ por mês mas é contra o aumento do salário mínimo;
(2) para além de ser contra esse aumento, na entrevista solta frases de uma total insensibilidade social (associação entre violência e competitividade, maldade no relacionamento com os trabalhadores, etc), frases que não devem ser proferidas por quem não sente no dia a dia o veneno resultante das letras que conjuga, isto por uma questão de coluna vertebral;
(3) porque quem tem poder deve sentir sobre as suas costas um peso especial, o peso da responsabilidade de cuidar tão bem quanto possível daqueles que em última análise serão destinatários directos da sua acção. Poder não deve ser o conforto de uma cadeira e a gestão de orçamentos e influências;
(4) porque rejeito o império dos ditames económicos sobre os sociais, defendendo um meio termo;
(5) porque em inglês ou português a liberdade que releva neste assunto é a que é coarctada a quem recebe tão pouco, na medida em que isso é amiúde limitação da autodeterminação.

Por fim dizer-te que na minha opinião isto é uma questão de esquerda e direita, sim. Não seria a primeira vez que ouvia a associação entre esquerda e direita, boas e más pessoas mas não vou tão longe. Acho no entanto que isso em alguns casos é verdade. Em alguns casos.
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De Anónimo a 07.01.2010 às 01:30

Gostava imenso de continuar a debater com os senhores. Mas tenho 4 horas para dormir. Alguém precisa trabalhar neste país.

Agradecido (de verdade) por conversarem comigo.

Forte abraço.

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