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Delito de Opinião

Não há vacina contra o desperdício

Pedro Correia, 06.01.10

A Direcção-Geral da Saúde andou a esconder a vacina contra a gripe A dos portugueses, racionando-a e doseando-a de acordo com critérios extremamente discutíveis, numa altura em que alguns órgãos de informação se encarregavam de espalhar gritos de alarme contra a nova pandemia, que ameaçava semear o País de mortos e estropiados. Nessa fase, segundo os doutos critérios definidos pela drª Ana Jorge (a menos que o director-geral, Francisco George, os tenha definido à revelia da ministra, o que aliás não me espantaria excessivamente), entre os grupos 'de risco', a quem a vacina deveria dar-se com carácter prioritário, incluia-se o dos políticos, acrescidos dos funcionários partidários, designadamente os que prestam funções no Parlamento. Houve alguns protestos dignos, mas quase toda a classe política foi conivente nesta manobra destinada a inverter o clássico exemplo do comandante do navio, que costuma ser o último a abandoná-lo. Afinal a campanha de vacinação foi um monumental fiasco: os portugueses ignoraram-na e o Ministério não tardou a "convocar" quem não figurava na restrita lista inicial de 'grupos de risco' (que incluía grávidas e deputados), já quando milhares de ampolas estavam à beira de ultrapassar o prazo de validade, apesar de terem custado a módica quantia de 90 milhões de euros ao Estado português - isto é, ao contribuinte. Resultado desta brilhante gestão sanitária: o Governo adquiriu seis milhões de vacinas, muito acima das nossas necessidades, e agora existe em armazém um largo excedente a que ninguém sabe dar destino.

Pena não haver uma vacina contra o desperdício. Nem contra a manifesta falta de bom senso. Seria um sucesso garantido.

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