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Dois retratos.

por Luís M. Jorge, em 30.12.09

 

 

No Público de hoje menciona-se seriamente (como o assunto merece) a possibilidade de demolir alguns estádios do Euro 2004. Numa outra página revela-se que o Alentejo obteve em 2009 os melhores resultados turísticos de sempre.

 

Não é difícil compreender o que se passou para chegarmos até aqui. De um lado houve um Governo de incapazes, que alinhou com alacridade numa estratégia de grandes eventos sem a integrar em qualquer visão do país. Do outro lado tivemos o trabalho sério de algumas câmaras que valorizaram os vinhos, a gastronomia, o ordenamento das cidades e até (como no caso de Montemor) a cultura, para criarem um produto de qualidade que agora (e agora é o momento) irão promover internacionalmente.

 

No Alentejo teremos uma nova Toscânia, em Portugal um atamancado Brasil. Uma coisa é certa: a implosão dos estádios será um belo símbolo do regime.

 

Nota posteriorno meu blog pessoal um comentador pergunta: "Não acha que as duas situações podem estar ligadas, sem que uma exclua necessariamente a outra? Ou seja, grandes eventos que elevam o perfil do país na arena internacional, e que depois favorecem o turismo noutras regiões?" A minha resposta: "não, porque nesse caso seriam as regiões com estádios de futebol as mais favorecidas."

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7 comentários

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De l. rodrigues a 30.12.2009 às 17:07

Sem subscrever a interpelação do comentador, a sua resposta também me parece pouco satisfatória. O evento serviria para elevar o perfil do país enquanto destino, e depois a oferta turistica concreta é que faz a canalização dos turistas para os destinos preferidos.

De qualquer modo, li noutro contexto que o Alentejo teria beneficiado da crise, sendo uma escolha relativamente económica e até ecológica, face a ofertas como a do Algarve, Brasil, e outros favoritos tradicionais.
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De Luís M. Jorge a 30.12.2009 às 19:15

"O evento serviria para elevar o perfil do país enquanto destino"

Há-de explicar-me duas coisas:
- como é que dez estádios de futebol elevam o perfil de um conjunto de montes com boas pomadas em que os estádios nem sequer se localizam.
- como é que pode justificar a racionalidade de uma estratégia que exige a construção de infraestruturas a preço de ouro num país pobre e a sua implosão cinco anos depois.
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De l.rodrigues a 31.12.2009 às 09:44

Não me vai ver defender a construção do estádio de Aveiro e do Algarve, por exemplo. Mas considerar que a organização de um EVENTO que concentra a atenção de boa parte do mundo durante um mês é irrelevante para o País é um bocado estranho.

Muito mais gente ouviu falar de Portugal do que é costume.
Alguns depois terão pensado que seria uma boa ideia vir cá, e depois decidiram pelo Algarve, por Lisboa, e quiçá pelo Alentejo. De certeza que não vieram ver estádios.

E pode nenhum ter feito a escolha de ir a Montezinho. POrque Algarve Alentejo e Lisboa têm perfis turisticos maiores e melhores acessibilidades.

Ou seja, diga mal, que há bem por onde, mas tenho a certeza de que nem os mais acérrimos defensores do evento defendiam uma causalidade directa entre construir "estádios" e por gringos a beber Borba. A coisa a funcionar, não funciona assim.
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De Luís M. Jorge a 31.12.2009 às 16:33

Eu não sugeri que o "EVENTO" era irrelevante, disse que era um desperdício escandaloso de recursos preciosos. Quanto a isto:

"Ou seja, diga mal, que há bem por onde, mas tenho a certeza de que nem os mais acérrimos defensores do evento defendiam uma causalidade directa entre construir "estádios" e por gringos a beber Borba. A coisa a funcionar, não funciona assim."

Tem toda a razão: não havia causalidade. Os turistas vinham para cá ver jogos de futebol e a conversa ficava por aí.

Portanto esqueceu-se da resposta a esta pergunta:

"- como é que pode justificar a racionalidade de uma estratégia que exige a construção de infraestruturas a preço de ouro num país pobre e a sua implosão cinco anos depois. "

Que é, simplesmente, a questão mais importante do post.
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De Tiago Moniz a 30.12.2009 às 18:38

País de mitómanos:
-dantes era Portugal e a Irlanda;
-agora é o Alentejo e a Toscânia.
Amanhã será o Panteão Nacional e o Vale dos Reis...
De gargalhada.
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De Luís M. Jorge a 30.12.2009 às 19:13

Quando lhe venderam um país a viver do futebol você, pelos vistos, não se riu.
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De Tiago Moniz a 30.12.2009 às 23:45

Engana-se.
Rio desde 1985.
E por sinal há muito que não vivo em Portugal. Felizmente.

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