Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




O maior patíbulo do planeta

por Pedro Correia, em 30.12.09

 

O tráfico de heroína é um dos crimes mais repugnantes no mundo contemporâneo. Mas é um crime que jamais deverá ser pago com uma execução 'legal', como a que acaba de vitimar um cidadão britânico chamado Akmal Shaikh, o mais recente alvo do sistema penal chinês, responsável por cerca de três quartos da aplicação da pena capital a nível planetário. Esta execução levantou um imediato clamor internacional, plenamente justificado. O regime 'socialista' de Pequim, que tanto gosta de exibir uma faceta modernaça, comporta-se nesta matéria como o mais primitivo dos regimes à face da Terra - de tal maneira que é hoje "o maior patíbulo do mundo", na exacta definição do jornal El País. Só em 2008 foram ali executadas 1718 pessoas - mais de 140 por mês, segundo as estimativas cautelosas da Amnistia Internacional. O número exacto, porém, não é conhecido: esta matéria, como tantas outras, constitui segredo de estado na República Popular da China. Há quem fale em seis mil execuções anuais.

A pena capital está prevista para um total de 68 crimes previstos no código penal chinês - crimes como contrabando, proxenetismo, suborno, corrupção, desfalque e fraude fiscal. Com a agravante de o sistema judicial da República Popular da China não ser independente do poder político - antes pelo contrário, é um braço do Partido Comunista, que na economia se comporta como o mais predador dos capitalistas e em tudo o resto se mantém fiel aos ditames de Lenine, estendendo os tentáculos sobre os mais ínfimos aspectos da sociedade chinesa.

Um porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros vem agora dizer que "ninguém tem o direito de comentar a soberania judicial chinesa", o que diz tudo sobre o peculiar conceito dos dirigentes de Pequim quanto a democracia e direitos humanos. Se não nos revoltamos contra isto, perdemos a capacidade de nos indignarmos contra o que quer que seja.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:


18 comentários

Imagem de perfil

De ariel a 30.12.2009 às 15:27

Subscrevo totalmente Pedro. Trata-se de uma desconformidade desalmada, um horror.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 03.01.2010 às 20:07

A palavra é essa, Ariel: horror.
Sem imagem de perfil

De Alberto Nogueira a 30.12.2009 às 16:34

Não aos dirigentes Chineses mas aos autores deste magnífico blogue, desejo um excelente 2010 na continuidade deste bom trabalho.
E, como a leitura é de borla, só tenho que agradecer.
Obrigado.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 03.01.2010 às 20:07

Obrigado, Alberto. Um bom 2010 também para si.
Sem imagem de perfil

De cr a 30.12.2009 às 16:52

Isto é simplesmente repugnante.

Vivemos cercados destes ditadores que se julgam deuses, para julgar os homens á sua boa maneira.

Que 2010 acabe com, ou comece a apertar o " nó " que rodeia os pescoços destes seres infernais que infelizmente coabitam connosco neste planeta.

Para si Pedro que está sempre atento a estas atrocidades, desejo-lhe mais um ano de, denúncias e longe da Gripe que receio ter acabado de apanhar. (mas não se preocupe julgo tratar-se da versão mais antiga)
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 03.01.2010 às 20:09

Obrigado pelas palavras amigas, CR. E registo com agrado a sintonia contra os repugnantes regimes ditatoriais, tenham o sinal ideológico que tiverem.
Sem imagem de perfil

De Sérgio de Almeida Correia a 30.12.2009 às 17:13

Ainda bem que estás atento e já o escreveste, Pedro. A execução de Akmal Shaikh foi a forma que Pequim encontrou para saudar Londres e manifestar a sua satisfação pela forma como decorreram os Jogos Olímpicos. É mais uma pedrada na Civilização. Em matéria de direitos humanos não há, nem nunca poderá haver, homicídios legais.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 03.01.2010 às 20:10

Plenamente de acordo, Sérgio. Também tenho a convicção muito firme de que qualquer homicídio legal é ínaceitável.
Sem imagem de perfil

De Luísa a 30.12.2009 às 17:21

Pedro, mas sempre soubemos isso e, ainda assim, demos-lhes os Jogos Olímpicos. E continuamos a fechar os olhos quando convém. A justa indignação do nosso «Ocidente» foi desde há muito derrotada pela sua própria hipocrisia de interesses. E não só já não inspira a menor autoridade a ninguém, como ainda leva com este desprezo dos chineses.
P.S.: Isto não significa que, pessoalmente, não partilhe inteiramente da sua revolta, Pedro.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 03.01.2010 às 20:11

Concordo consigo. Os Jogos Olímpicos de 2008 foram uma inaceitável caução do mundo livre á ditadura chinesa, Luísa.
Sem imagem de perfil

De mdsol a 30.12.2009 às 18:02

Faço minhas as palavras da Ariel (mais uma vez)

:)
Imagem de perfil

De Ana Vidal a 30.12.2009 às 18:29

Horrível, tudo isto. E concordo com a Luísa: fechamos os olhos, quando nos convém, a estas "pequenas diferenças" quanto ao conceito de direitos humanos. E vamos perdendo o direito à indignação, com atitudes assim.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 03.01.2010 às 20:12

É lamentável, Ana. Por mim, de qualquer modo, continuarei a indignar-me com situações como esta.
Imagem de perfil

De Leonor Barros a 30.12.2009 às 23:29

É incompreensível que 60 anos de Declaração dos Direitos Humanos não tenham consigo erradicar este abuso. Lamentável.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 03.01.2010 às 20:13

A China é responsável por 3/4 das execuções 'legais' no planeta e ao mesmo tempo torna-se a maior fornecedora de crédito bancário aos EUA. Uma mistura verdadeiramente explosiva.
Sem imagem de perfil

De mia a 31.12.2009 às 00:55

Infelizmente o abuso da pena de morte passa da Malásia aos USA... Façamos votos para um 2010 menos violento. Até porque no caso da China uma boa parte dos executados entra num negocio florescente de órgãos em que um dos clientes mais assíduos entre muitos é Israel. Repugnante e indigno de nós todos.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 03.01.2010 às 20:14

Devemos combater a aplicação da pena de morte, seja onde for. E com tanto maior vigor quanto maior for o número das execuções.
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 31.12.2009 às 16:45

"O tráfico de heroína é um dos crimes mais repugnantes no mundo contemporâneo."

Porquê?

A heroína é uma substância que tem consumidores que a querem consumir e que estão dispostos a pagar por ela. Os "traficantes" são apenas pessoas que transportam esse produto, dos produtores aos consumidores. São, basicamente, comerciantes.

O consumo, produção e comércio de heroína deveriam ser legais, tal e qual o são o consumo, produção e comércio de bebidas alcoólicas.

Não é um crime, muito menos um crime "repugnante".

Comentar post



O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2018
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2017
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2016
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2015
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2014
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2013
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2012
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2011
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2010
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2009
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D