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O tráfico de heroína é um dos crimes mais repugnantes no mundo contemporâneo. Mas é um crime que jamais deverá ser pago com uma execução 'legal', como a que acaba de vitimar um cidadão britânico chamado Akmal Shaikh, o mais recente alvo do sistema penal chinês, responsável por cerca de três quartos da aplicação da pena capital a nível planetário. Esta execução levantou um imediato clamor internacional, plenamente justificado. O regime 'socialista' de Pequim, que tanto gosta de exibir uma faceta modernaça, comporta-se nesta matéria como o mais primitivo dos regimes à face da Terra - de tal maneira que é hoje "o maior patíbulo do mundo", na exacta definição do jornal El País. Só em 2008 foram ali executadas 1718 pessoas - mais de 140 por mês, segundo as estimativas cautelosas da Amnistia Internacional. O número exacto, porém, não é conhecido: esta matéria, como tantas outras, constitui segredo de estado na República Popular da China. Há quem fale em seis mil execuções anuais.
A pena capital está prevista para um total de 68 crimes previstos no código penal chinês - crimes como contrabando, proxenetismo, suborno, corrupção, desfalque e fraude fiscal. Com a agravante de o sistema judicial da República Popular da China não ser independente do poder político - antes pelo contrário, é um braço do Partido Comunista, que na economia se comporta como o mais predador dos capitalistas e em tudo o resto se mantém fiel aos ditames de Lenine, estendendo os tentáculos sobre os mais ínfimos aspectos da sociedade chinesa.
Um porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros vem agora dizer que "ninguém tem o direito de comentar a soberania judicial chinesa", o que diz tudo sobre o peculiar conceito dos dirigentes de Pequim quanto a democracia e direitos humanos. Se não nos revoltamos contra isto, perdemos a capacidade de nos indignarmos contra o que quer que seja.