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Postal natalício

por Pedro Correia, em 24.12.09

Avenida de Roma, Lisboa. Véspera de Natal, à hora do almoço. Oito pessoas agrupam-se em fila, com caixas e sacos, à frente de uma caixa multibanco. Uma senhora, no topo da fila, desdobra-se em pagamentos, o que vai enervando os outros. Começam a ouvir-se desabafos de irritação, gera-se celeuma, protesta-se contra a mulher, esta protesta contra quem protesta.

A escassos 50 metros, há outra caixa multibanco. Sem ninguém. Dirijo-me para lá, levanto o dinheiro e olho para o lado. A fila anterior mantém-se, a confusão também. Pergunto-me se custará assim tanto sermos um pouco mais atentos, um pouco mais precavidos e um pouco mais organizados nos mais elementares actos do nosso quotidiano. Facilitaríamos a vida de toda a gente - a nossa e a dos outros.

Feliz Natal.


22 comentários

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De José Manuel Faria a 24.12.2009 às 14:11

O extraordinário da "coisa", é que as pessoas procuram o aglomerado em detrimento do isolado. Deverá ser uma tendência portuguesa!
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De Pedro Correia a 24.12.2009 às 14:17

Não sei se é só portuguesa, meu caro. Mas é portuguesa, com certeza. Um abraço. Boas Festas.
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De mdsol a 24.12.2009 às 14:31

Boas Festas, Pedro Correia. Com dias [em série ;)] muito bons, cheios de cor e aconchegos mil.

:)
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De Pedro Correia a 24.12.2009 às 16:39

Obrigado, Maria do Sol. Desejo-lhe um Natal com as prendas de que mais gosta.
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De Leonor Barros a 24.12.2009 às 14:32

Isso dá muito trabalho e reclamar sempre desopila o fígado. Feliz natal, Pedro
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De Pedro Correia a 24.12.2009 às 16:38

Pois é, Leonor. As pessoas adoram inventar chatices, como se não bastassem já as que não podem ser evitadas.
Um beijinho. Natal feliz.
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De Paulo Quintela a 24.12.2009 às 14:37

Quem sai do BM na Av de Roma devia ter um multibanco só para si ...(não só na Av de Roma pois o desrespeito pelos outros concidadãos é geral neste país de gente muito ocupada, com pressa para produzir riqueza...mas muito pouco habituada a observar em redor). A solução seria, neste Natal, recorrer a um MB num bairro popular, têm menos fila.

Bom Natal.
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De Pedro Correia a 24.12.2009 às 16:37

Há sempre um multibanco às moscas que espera por nós nesta época em que as agências bancárias se multiplicam como cogumelos.
Agradeço e retribuo os votos de bom Natal. Sem stresse.
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De Aforista a 24.12.2009 às 14:59

Essa senhora pertence certamente ao grupo de portugas que, para levantarem dinheiro no Multibanco, fazem pelo menos três operações, a saber:
a) consulta do saldo
b) levantamento
c) consulta de movimentos
Pelo meio, ainda costumam "enganar-se" duas vezes no código. E só não se "enganam" mais porque, à terceira, ficam sem o cartão.
Entretanto, os que estão atrás que se lixem.
Este país é mesmo um colosso!
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De Pedro Correia a 24.12.2009 às 16:36

Conheço bem o género. O que não percebi foi o motivo por que os outros não deram meia dúzia de passos para rumar ao multibanco que não tinha ninguém. Preferiram ficar ali a enervar-se. Vá lá a gente entender isto.
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De Maria a 24.12.2009 às 15:41

São, também, esses episódios do quoditiano de Lisboa que me fazem pensar quanto é bom viver aqui, nos Açores. Não é que não haja gente impaciente, intolerante, mas, o que não há é, talvez, tanta pressa a transtornar-nos:))
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De Pedro Correia a 24.12.2009 às 16:34

Que saudável inveja que me provocou, Maria. Espero e desejo que tenha um Natal tranquilo e quentinho.
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De Alexandre Damasceno Poço a 24.12.2009 às 18:40

Caro Pedro, desejo-lhe a si e a todos os autores do Delito, um Feliz Natal!

Um Abraço
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De Pedro Correia a 24.12.2009 às 19:08

Obrigado, Alexandre. Votos retribuídos. Um grande abraço.
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De Ana Vidal a 24.12.2009 às 19:04

É sabido, os portugueses adoram uma boa fila (eu digo sempre "bicha" mas aqui caía mal, de facto). E adoram ainda mais um bom motivo para se queixarem. Aposto que, no fundo, estavam todos contentes. Só assim se explica que a outra caixa multibanco estivesse às moscas.
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De Pedro Correia a 24.12.2009 às 19:09

Talvez, talvez. É verdade que os portugueses adoram uma boa fila. Quanto à bicha, a doutrina divide-se.
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De Chloé a 26.12.2009 às 06:27

Como eu me ri com este seu flash que não pode ser, é mesmo, um recorte fiel do quotidiano português :-) Nem imagina as vezes que eu trago à baila cenas semelhantes, sempre a acontecer. Aqui há dias sucedeu-me em Coimbra B: ia cheia de pressa trocar um bilhete comprado via internet e ia stressando quando vi uma fila descomunal na bilheteira. Meti-me nela a espumar e enquanto olhava para os dísticos (sempre a mudar), vejo noutro guichet um tranquilo funcionário a apanhar moscas. "Alfa, IC", rezava a tabuleta. Li uma vez, duas, três, duvidando se era eu a maluquinha do sítio, ou antes todos os outros. Mas como para grandes males, grandes remédios, saí temerariamente da fila e plantei-me à frente do ocioso, disparando o pedido à espera do pior (uma daquelas respostas abstrusas que podem acontecer em Portugal, tipo "pois, mas falta o amanhã no dístico. Sim, é alfa- intercidades, mas só para o dia seguinte. Hoje é ali naquela fila..." Mas qual quê, receios infundados. Era ali, sim, dizia candidamente o homem. Também podia trocar, sim senhora.
E pronto! Troca feita em 3 tempos, e eu a sair diligente porta fora, sentindo dois ou três olhares inquietos cravados nas minhas costas.
Eheh, tipicamente português, esta atracção fatal pelo sofrimento :-)

PS- um bom Natal para todos os DO
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De Pedro Correia a 26.12.2009 às 14:00

Simplesmente deliciosa, a sua história, Chloé. Sinto-me outra vez miúdo, a trocar colecções de cromos...
Continuação de boas festas!
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De Fatima a 27.12.2009 às 18:14

Olhar à volta dói muito, Pedro.

Boas Festas
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De Pedro Correia a 27.12.2009 às 20:19

É verdade, Fátima. Muitas vezes o que surge escancarado à frente dos nossos olhos é a última coisa que queremos ver.
Agradeço e retribuo os votos de Boas Festas.

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