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Jingle Bells (10)

por Leonor Barros, em 22.12.09
Não há como escapar ao Natal. A época que se diz de solidariedade, paz e harmonia espera-nos nos mais pequenos gestos do dia-a-dia. Sair de casa ou ficar nela é o necessário para a expressão exterior da época de paz e amor fazer aparições sucessivas, esperadas ou inesperadas, dependendo do grau de comprometimento e entrega à época feliz. O simples rádio pela manhã, as notícias matinais, a publicidade na caixa de correio, a televisão, programas ou publicidade, ou as ruas ornamentadas a caminho seja de onde for e como for não deixam margem para dúvida: ele está aí, ele chegou e há que saber viver com a época dos sorrisos, desejos de Festas Felizes, virtuais ou em sms e a quantidade de inutilidades que engravidam a casa dias após a data propriamente dita.
Entro na loja à procura do presente desejado, sem grande pressa, a paciência porém a raiar o limiar de extinção como uma característica a constar na lista de atributos a serem protegidos do extermínio iminente. Umas voltas depois decido o que quero. O que me falta em paciência sobra-me, no dia em causa, em poder de decisão rápida e dirijo-me à caixa sem mais demoras ou delongas inúteis. Um casal com crianças faz-se notar pela sonoridade aguda do rebento, quem sabe um concerto natalício antecipado no mais agudo e espalhafatoso dos tons, uma mulher algures entre os quarenta e cinquenta anos, baixa, de cabelo alourado e crespo, dirige-se ao balcão e, trocando palavras com a empregada, deixa soltar um lamento Um stresse. O Natal é um stresse. Não gosto nada do Natal. A empregada sorri complacente, não se deve jamais contrariar um cliente de cartão em riste, muito menos em época de decretada e declarada crise económica ou financeira ou economico-financeira. A empregada retribui É muito cansativo. A mulher sorri assentindo É só stresse. A empregada continua colocando o presente no saco de papel. Sorri tranquila. A sensação clara e evidente de que o argumento teria sido repetido ad nauseam por louras altas, louras baixas, morenas altas, morenas baixas, morenas e louras nem muito altas nem muito baixas, a declaração usada como uma bandeira gasta e puída. A mulher prepara-se para sair, as palavras sempre presentes, a possibilidade de sairem mais uma vez entre talões e sacos Não gosto nada do Natal e a empregada de sorriso pendurado obedecendo às mais elementares regras de simpatia e polimento É muito cansativo.
À semelhança de outras situações na vida há que saber dizer não, romper com a tradição se elas não nos servir, trilhar caminhos livres sem a obrigação dos presentes, o dever dos festejos, a imposição de felicidade oca e balofa, a grilheta às ocasiões de circunstância ausentes de carinho e de afecto. Dizer não. Dizer não sempre. Ao Natal, naturalmente, se nos estrangula a espontaneidade e sufoca a possibilidade de dias felizes. Dizer Não.


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