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Delito de Opinião

Adeus Copenhaga, olá México!

Carlos Barbosa de Oliveira, 21.12.09

Ao contrário do que já vi escrito, Copenhaga não foi decepcionante para todos. Houve quem saísse de lá  clamando vitória, com um sorriso nos lábios.

Em primeiro lugar, os ambientalistas cépticos radicais, que encaram as questões ambientais como uma moda ou uma religião. Há sempre quem esteja disposto a negar as provas científicas, desde que isso sirva para lhe aliviar a consciência mas, encarar  um problema discutido no mundo inteiro desde 1964 e sempre presente nos grandes debates sobre o futuro do Planeta, desde 1972, como um “modismo”, é uma forma no mínimo “sui generis” de analisar as questões ambientais.

Também não se trata de uma questão de crença. As questões ambientais não se reduzem ao campo das hipóteses ou da Fé. Não se resolvem com meia dúzia de orações e missas ao domingo!

Diariamente, há exemplos da degradação ambiental, quer a nível da biodiversidade, quer na destruição dos recursos naturais. Todos os dias se extinguem espécies, pondo em risco o equilíbrio ecológico. Um dia, inevitavelmente, será a vez da espécie humana. Levará ainda muitos anos até que isso aconteça? É possível, mas essa forma de pensar e encarar a questão leva-nos ao terreno do outro grande vencedor da cimeira de Copenhaga: o egoísmo.
Só o egoísmo justifica que as pessoas não se preocupem com o futuro dos seus descendentes e foi esse mesmo egoísmo que impediu os líderes mundiais de concretizarem um acordo vinculativo, que assegurasse desde já a continuidade do protocolo de Quioto.
É certo que nada está perdido, porque o protocolo de Quioto está em vigor até 2012 e, já em 2010, no México, os grandes líderes mundiais terão uma nova oportunidade para um acordo.
Mas nem só de acordos, vitórias e derrotas se fez a cimeira de Copenhaga.  Dela emergiu, surpreendentemente, a África do Sul, enquanto países como a China e a Índia abandonaram as suas posições rígidas e manifestaram o seu empenho em contribuir para uma solução justa e equitativa. Obama,  condicionado pelo Senado, mostrou-se irredutível e foi uma das grandes decepções, a par do Canadá. Enigmático foi o silêncio da Rússia, um dos últimos países a assinar o protocolo de Quioto. Decepcionante foi a posição da UE, incapaz de sustentar  e fazer valer perante os restantes parceiros a sua ambiciosa proposta.
Finalmente, esta proposta de Arnold Schwarzenneger- de que pouco se falou por cá, mas foi muito discutida nos bastidores -  merece ser encarada com alguma pertinência. Inverter a pirâmide das decisões pode ser um verdadeiro ovo de Colombo.

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