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Reflexões pré-matrimoniais

por Teresa Ribeiro, em 16.12.09

 

É redutor usar o argumento de que uma criança precisa, acima de tudo, de ser amada para defender a adopção de crianças por casais homossexuais. Por esta ordem de ideias poderíamos franquear o acesso à adopção a todas as pessoas que pudessem fazer prova da sua capacidade e desejo de amar uma criança. Mas, como se sabe, há que preencher muitos outros requisitos, como capacidade financeira, idade e saúde adequadas, para que esse amor que se tem para dar seja reconhecido como um bem seguro.

Apesar de considerar importante que  uma criança cresça com um pai e uma mãe, ou seja com um modelo masculino e feminino por referência, não considero essa impossibilidade eliminatória no caso das adopções por casais gays. As famílias monoparentais, cada vez em maior número, provam que há vida para além do modelo familiar tradicional.

O que me causa engulhos é saber que até entre homossexuais a questão da adopção de crianças por casais do mesmo sexo não é pacífica. Há quem não saia do armário sobretudo para proteger os seus filhos naturais do estigma que sabem também ser extensivo à família.

Em tempos uma lésbica activista dos direitos dos gays disse-me: Acha que se eu pudesse escolher teria decidido ser lésbica? Alguém o faria sabendo os problemas que teria de enfrentar na família, no local de trabalho, enfim, em todo o lado? É muito mais fácil viver sendo heterossexual. Se fosse possível optar, ninguém escolheria o caminho mais complicado. Tratava-se de uma pessoa afirmativa, desafiadora, mas já com a cabeça muito arrumada. Certamente por isso pôde ser tão honesta a falar comigo.

Ser diferente é sempre difícil, mas quando é de sexo que se fala, a estigmatização tem especificidades. As minorias sexuais são particularmente enxovalhadas, alvo constante de piadas. E essa segregação reflecte-se nos familiares próximos. Não é fácil ser pai de um "paneleiro". Mais difícil ainda deverá ser crescer a ouvir bocas sobre a orientação sexual dos pais. Não me venham dizer que não traumatiza. Só pode traumatizar.

A sociedade é o que é. Demora. Resiste à mudança. Que o digam as mulheres, por exemplo, que no ocidente já "saíram do armário" há décadas e ainda são discriminadas. Com tanta pedra que ainda têm para partir, os homossexuais, que sabem bem quanto custa ser diferente, deveriam ser os primeiros a querer poupar às crianças as humilhações de que ainda são vítimas todos os dias.

Não duvido da sua competência para educá-las e amá-las, mas nesta discussão para mim não é isso que está em causa. Se fosse, seria muito mais fácil para pessoas que pensam como eu afirmarem-se contra a adopção  de crianças por casais do mesmo sexo.

Quanto ao casamento gay, coisa de crescidos, nada a opor. Que sejam felizes para sempre é o pior que lhes desejo.


85 comentários

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De J.M. Coutinho Ribeiro a 17.12.2009 às 00:04

De acordo contigo, Teresa, quanto à adopção. Quanto ao casamento, ainda não cheguei lá. Que lhe chamem qualquer outra coisa. sff.
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De Teresa Ribeiro a 17.12.2009 às 00:45

Joaquim, para mim casamento é a união entre duas pessoas, devidamente reconhecida pela sociedade. Se os casais homossexuais desejam replicar a cerimónia que até agora era exclusivo dos heterossexuais não me incomoda nada.
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De J.M. Coutinho Ribeiro a 17.12.2009 às 00:46

Incomoda-me, Teresa, na medida em que estamos a abrir a porta para valer tudo. Até para a adopção. É, apenas, uma questão de tempo.
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De Teresa Ribeiro a 17.12.2009 às 00:48

Mas uma coisa não tem que implicar a outra, Joaquim. Separar as águas legalmente é desejável, possível e quanto a mim uma questão de bom senso.
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De J.M. Coutinho Ribeiro a 17.12.2009 às 01:27

Pois, não implica. Mas abre as portas. A tudo, Teresa. Dizia-me uma mulher um destes dias que cada vez mais os homens estão parecidos com as mulheres (eu diria que cada vez mais as mulheres também estão cada vez mais parecidas com os homens). Olha, minha querida, posso morrer antes que a confusão seja total?
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De c. a 03.05.2012 às 16:51

Acho que nem deve lá chegar...
O que há de estranho no casamento homossexual? É que, de um modo mais ou menos consciente, ainda subsiste - ainda que vagamente - a noção de que o instituto do matrimónio serve, apesar de todas as modificações, a ideia de defesa e de transmissão de um património (genético e de bens materiais e imateriais).
É com o desejo primordial de perpetuação, afinal da eternidade, que as leis do matrimónio ( tão evidentemente ligadas às da sucessão) lidam.
Ora, no matrimónio de dois homossexuais não há qualquer continuidade possível.
Quanto ao amor (os afectos, como se diria hoje) já se sabia há séculos que coincidiam pouco com o casamento - que ainda há pouco tempo era considerado, estruralmente repressor, principalmente por aqueles que agora aparecem a defender o casamento homossexual...
Há muitos modos de defender e proteger dignamente uma relação homossexual estável, sem esta triste cópia de algo que apenas faz sentido para um casal.
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De Grifo a 17.12.2009 às 00:24

As crianças gozam umas com as outras devido a tudo... Devido ás orelhas maiores, a altura, o peso, a roupa, a forma de andar e etc...

Não vejo o porquê de esta ser mais traumatizante...
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De Teresa Ribeiro a 17.12.2009 às 00:38

Meu caro, em resposta ao seu comentário o adágio aplica-se: "O pior cego é aquele que não quer ver"
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De Grifo a 17.12.2009 às 20:05

Eu considero que o mesmo se aplica ao seu texto...
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De João Carvalho a 17.12.2009 às 00:42

No que respeita à adopção, subscrevo inteiramente. Um 'gay' consciente e responsável devia pensar assim.
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De fc a 17.12.2009 às 02:38

Teresa,
E viver a infancia e a adolescência numa instituição não causa traumas? E viver numa família disfuncional não causa traumas? E os filhos dos primeiros pais divorciados não tiveram traumas?
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De Teresa Ribeiro a 17.12.2009 às 10:26

É claro que todos estamos sujeitos a situações potencialmente traumáticas. Mas se não as podemos prever é uma coisa, outra bem diferente é permitir por lei que aconteçam.
O argumento das crianças institucionalizadas não me convence. Até parece que é do acesso dos casais homossexuais à adopção que vai depender o seu resgate massivo das instituições. Estamos a falar de uma minoria que, pelas razões descritas no post, é problemática. Uma minoria cuja homossexualidade não a vai levar a reger-se por critários diferentes da esmagadora maioria dos casais adoptantes que só querem bebés, saudáveis, de preferência brancos e do sexo feminino. É por não corresponderem a este perfil que existem e existirão sempre muitas crianças institucionalizadas.
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De Luís Lavoura a 17.12.2009 às 10:42

A resposta da Teresa falha o alvo. É claro que as instituições de acolhimento a crianças não vão ficar vazias se a adoção por casais homossexuais fôr permitida - mas não é isso que está em causa. O que está em causa é saber se, para uma determinada criança individual, é melhor estar numa instituição ou estar adoptada por um casal homossexual. Ou seja, o que interessa, pegando no comentário de fc, é saber se uma determinada criança institucionalizada que, supostamente, é candidata a ser adoptada por um casal homossexual, sofrerá mais discriminação quando fôr adoptada por esse casal do que atualmente sofre por estar numa instituicão.
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De Teresa Ribeiro a 17.12.2009 às 10:54

Luís Lavoura: Vamos então abrir a caixa de pandora e considerar todos os casos que a lei discrimina para fazer essa avaliação particular. O que lhe parece?
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De Luís Lavoura a 17.12.2009 às 11:02

Parece-me bem, Teresa. Toda a proibição legal deve ter uma justificação. Portanto toda a proibição legal deve ser objeto de escrutínio, para ver se verdadeiramente se justifica.
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De Teresa Ribeiro a 17.12.2009 às 11:28

"Toda a proibição legal deve ser objecto de escrutínio" - Acha, Luís? É que se assim fosse não se faria outra coisa.
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De c. a 03.05.2012 às 16:29

A opção não é entre estar numa instituição e adopção por um par homossexual. Tal situação é uma falsa opção que, aliás, as estatísticas desmentem: em todo o mundo há milhares de casais à espera da possibilidade de adoptarem.
As crianças precisam não tanto de um pai ou/e de uma mãe, mas, mais do que isso, precisam de pais, precisam se ser criadas e de crescerem na observação e sob a influência do modelo da única relação humana que produz vida, de onde pode sair o novo.
De qualquer modo, o fito da adopção é que se estabeleça entre adoptante e adoptados uma filiação em tudo idêntica à natural, o que é uma impossibilidade manifesta no caso de pares homossexuais. E o interesse em ter em causa é o da criança..
A entrega de crianças a pares homossexuais é, para mim, um crime comparável à Lebensborn nazi.
Não está em causa a qualidade dos adoptantes, apenas os limites do construtivismo social.
Usei o termos par e casal no seu significado.
Um casal é constituído por dois seres de sexo diferente.
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De maria do mar a 17.12.2009 às 12:26

Adorei o seu post pois ilustra muito bem a sua posição sobre este tema. Mas discordo de si quando diz, em primeiro lugar, que a adopção por casais homosexuais não vai resolver o problema destas crianças, pois acredito que por algum lado tem de se começar. E acredito piamente que, apesar de lhe poder trazer desconforto no futuro, existe a séria possibilidade de vir a ser bem amis feliz com uma família, memso que fora do convencional. Discordo também, redondamente quando diz que o elevado número de crianças institucionalizadas, se deve a critérios exigentes dos pais que apenas gostam dele perfeitinhos e de olhos azuis. O problema é muito mais complexo e prende-se, segundo sei, com a quantidade de critérios absurdos a que um posssível pai adoptivo tem de responder: não pode ser solteiro nem divorciado, se tiver outros filhos é bom que tenha um quarto só para o adoptivo para lhe proporcionar tdo o conforto, o pai/ mãe adoptivo não pode ter menos de 25 ou mais de 38 anos, não pode, não pode, não pode. é uma tristeza que se vejam aumentar os números desta forma e que cada vez se dificulte mais a adopção em Portugal. Acrescento que eu própria não me sinto a favor da adopção por casais do mesmo sexo, mas vejo as coisas de forma diferente, talvez.
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De Teresa Ribeiro a 17.12.2009 às 12:51

Obrigada, Maria do Mar, pelo seu comentário. Eu sei que o processo de adopção é moroso e talvez demasiado exigente. Já foi agilizado há relativamente poucos anos, mas precisa ainda de muitas reformas. Mas tal não invalida que as esmagadora maioria dos casais que pretendem adoptar tenham o tipo de exigências que referi. Qualquer técnica que trabalhe na área poderá confirmá-lo.
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De Jorge Soares a 17.12.2009 às 12:58

Na verdade Teresa, está enganada, eu sou também candidato à adopção, e sou owner de um grupo de mail onde participam pais e candidatos, e esses dados não são reais.

Sou candidato a uma criança até aos 7 anos, sem discriminação de raça e aceito alguns problemas de saúde que não afectem o desenvolvimento. Estou `*A espera há um ano e meio e dizem-me na segurança social que terei que esperar mais dois ou 3 anos pelo menos.

Conheço muitos outros candidatos que estão na mesma situação que eu e mais ou menos com as mesmas características para as crianças, incluindo alguns que aceitam irmãos.

Não sei a que se refere com a esmagadora maioria, mas não é a realidade das pessoas que conheço. É fácil deitar o ónus da culpa para os candidatos, quando na verdade é a ineficiência da segurança social que causa os problemas. Não acredite em tudo o que lê e ouve.

Jorge Soares
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De maria do mar a 17.12.2009 às 19:28

Tem razão, compreendo que exista muita gente com exigências inacreditáveis mas conheci muitos casais que apenas queriam ter filhos, nada mais e a quem sempre foi vedada a possibilidade. Parece-me além disso, absurdo que sejam feitas exigências materialistas e quase futeis a casais para que possam fazer o favor de lhes entregar uma criança para dar amor. Eu sempre vivi no quarto com os meus irmãos e com roupa dada e há centenas de crianças com muito menos que eu, mas que foram criados em segurança, com higiene, com amor e como todo o carinho. No entanto a minha prima, que foi entregue pela mãe biológica, à minha tia, à porta do Pedro Nunes, tinha 6 irmãos biológicos a viver sem quaisquer condições teve um processo de adopção que demorou quase oito anos. Começou a vir passar um dia, uma noite, duas noites, com apenas 4 meses. A mãe dela que sabia não ter condições, entregou-a sem problemas. Até que começou a perceber que a minha tia já estava afeiçoada ao bebé e começou a fazer chantagens baratas. Apesar de não ter lá quaisquer condições e em casa da minha tia ter todas a CPCJ continuou em averiguações durante anos para garantir que ela tinha uma quarto só para ela, um espaço para isto, um espaço para aquilo, mais um monte de condições que não tinha nem pensar em casa da mae biológica. Claro que o processo seguiu e já se passaram vários anos, mas a minha questão é a seguinte: Não seria mais inteligente focarem-se no superior interesse da criança que é o amor, a segurança, o equilíbrio e a higiene e tornar os processos mais céleres e menos dolorosos?
um abraço
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De Teresa Ribeiro a 19.12.2009 às 09:59

Maria do Mar, quanto a estas questões de que falou, estamos completamente de acordo. Não vale a pena complicar ainda mais o que já é complexoi. Agilizem-se esses processos, facilitem o acesso aos casais que querem adoptar, defendam-nos de posteriores exigências da família biológica, evitem que as crianças sejam um joguete nas mãos de adultos. Mas esse é outro assunto e matéria consensual. Concentremo-nos nela, porque ainda há muito por fazer.
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De Grifo a 17.12.2009 às 20:11

Eu penso que se está é a proteger a si própria... desprezando os argumentos contra a sua opinião... Um gozo que uma criança leva na escola por ter pais homossexuais, uma gozo igual ao que levaria por ter orelhas grandes ou outra coisa qualquer... Não se compara ao traumas e potenciais perigos de viver numa instituição.

Não vão ficar instituições vazias, mas vão ser menos essas crianças a viverem lá e a terem 2 pessoas que a amam, em vez de 1 pessoa que ama 50...
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De Teresa Ribeiro a 19.12.2009 às 10:07

Acha mesmo comparável esse exemplo das orelhas grandes com o que estamos a discutir? Ora, ora, Grifo... Quanto ao estar-me a proteger (dos meus próprios preconceitos, presumo) é um argumento falacioso. Por que será que quando alguém se pronuncia contra os direitos reivindicados pelas minorias é logo rotulado de preconceituoso. Se é de raças que falamos, corremos o risco de ser classificados de racistas. Se é sobre estrangeiros que se fala, somos xenófobos, e assim por diante. Serão os homossexuais que não se assumem homofóbicos? Se calhar são...
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De Teresa Ribeiro a 19.12.2009 às 10:11

E os homossexuais que são contra a adopção de crianças? Sim, também há! Serão eles homofóbicos também?
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De Sandra Cunha a 19.12.2009 às 15:40

Teresa,

Se considera abusiva ou inadequada a comparação do Grifo, relativa à discriminação que sofreriam as crianças filhas de homossexuais e as crianças com orelhas grandes, lembro-a de que há uns 20 ou 30 anos atrás, era uma grande «vergonha» e as crianças eram alvo de chacota e apontadas a dedo quando os pais se divorciavam. Hoje, a família monoparental é algo normal. A mudança ocorre sempre a custo. Mas se não for assim, não ocorre mudança. E há pessoas que têm, de facto, muita resistência há mudança. A Teresa será uma delas?

Devo também dizer que em Espanha, após a legalização do casamento homossexual e da possibilidade de adopção por homossexuais se verificou uma corrida ao pedidos de audiências para efeitos de adopção plena. Por parte de quem? De casais homossexuais pois está-se bem a ver. E o que é que os serviços e autoridades verificaram? Que a esmagadora maioria destas adopções plenas se tratava, com efeito e apenas, da regularização de situações já existentes, muitas com miúdos já bem crescidos, filhos biológicos de um dos parceiros ou filhos adoptados por um dos parceiros. E o que é que os serviços e autoridades verificaram também? Que estes miúdos e miúdas, estavam perfeitamente integrados, viviam com «pais» homossexuais há anos, apresentavam um desenvolvimento cognitivo e afectivo em tudo normal e semelhante ao das outras crianças das suas idades inseridas em famílias «normais» (como lhes gostam de chamar como se as outras fossem anormais).

Isto foi o que aconteceu em Espanha. E em alguns estados Americanos verificou-se o mesmo. E já há estudos que comprovam que as crianças não ficam traumatizadas por serem gozadas na escola. São apontadas várias razões para esta capacidade de resiliência dos miúdos mas uma delas é que são crianças educadas com um modelo educativo mais aberto, mais participativo, mais capacitante e que crescem com armas para se defenderem de ataques homofóbicos e discriminadores .

É certo que também houve estudos que avançavam que as crianças filhas de homossexuais sofreriam de distúrbios específicos, mas esses estudos, na sua maioria, estudos da área da psicologia, usavam como objecto de estudo, pacientes das clínicas e consultórios de psicologia e sem grupos de controle, que era o mesmo que eu ir fazer um estudo sobre a incidência do cancro do útero, por exemplo, junto dos pacientes do IPO!

Por último, informo que se quiser saber mais sobre estas coisas poderá pesquisar, relativamente a Espanha, o que diz o Prof. Jesús Palácios sobre o assunto. Este senhor que é um grande estudioso especialista da área e consultor do governo em várias matérias, confessou que era uma das pessoas, em Espanha que pensava de forma algo semelhante à sua e que achava também que a sociedade Espanhola não estava ainda preparada para esse passo e quem sofreria seriam as crianças. Esse senhor deu a mão à palmatória e perante auditórios repletos de pessoas, afirma frequentemente que levou uma grande bofetada (com a constatação de que as situações já existiam e que as crianças e jovens não sofriam de qualquer problema causado especificamente pelo facto dos pais serem homossexuais) e que essa bofetada foi inteiramente merecida.

Cumps ,
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De Grifo a 23.12.2009 às 16:16

Sim acho comparável sim...

Se os homossexuais são homofóbicos ou não... não fosso a mínima ideia...

Acho essa opinião baseada em falsas protecções... Uma criança é sujeita a muitos traumas quando está em instituições... As crianças gozam com tudo o que seja diferente, e gozam de igual forma coisas diferentes... O gozo por estar numa instituição não será também de igual forma traumatizante?
Quando são mais velhas, o adolescente já tem capacidade para ouvir uns comentários mais maldosos por parte de uns quantos desconhecidos mais acriançados... Isso não vai implicar um isolamento, visto que os gays adolescentes não são isolados também...

Eu próprio sou um pouco homofóbico... Não sei se se considera bem isso... Visto que mulheres que falam á tia também me enervam...

Tenho mais uma ataque de nervos com aqueles jeitinhos todos e daquela forma de falar... Mas tento controlar isso...
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De CPrice a 17.12.2009 às 09:11

fantástica reflexão Teresa: e é tal e qual diz; enquanto não se mudarem meia duzia de posturas aplaudidas com o inerente alargamento da narrow mentalidade que nos caracteriza não poderemos almejar a uma sociedade em que cada um cumpra o seu papel, tenha os seus direitos assegurados por consequentemente cumprimento de deveres e possa viver a sua vida PESSOAL em paz e sossego.

:) Gostei.
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De Teresa Ribeiro a 17.12.2009 às 10:47

Obrigada, Catarina. Pois, ainda há um longo caminho a percorrer. É prematuro e abusivo envolver as crianças nisto.
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De Luís Lavoura a 17.12.2009 às 09:50

Do título do post depreendo que a Teresa se vai casar, pelo que lhe desejo felicidades.

Quanto ao corpo do post, não vejo o que ele tenha a ver com a lei que proíbe a adoção por casais homossexuais (mas que não proíbe a adoção por um sujeito homossexual que, por acaso, mais tarde até venha a decidir viver em comunhão com um parceiro, de tal forma que a sua homossexualidade se torna evidente). Ou seja, a Teresa pretende demonstrar que a adoção por casais homossexuais é má, mas não consegue demonstrar porque motivo ela deve ser proibida por lei. E a Teresa faz isto, ainda por cima, de uma forma estranhíssima: diz que a sociedade é discriminatória e que por isso também nós devemos aceitar e praticar essa discriminação. Acho esse argumento pavoroso, Teresa.

Gostaria de referir à Teresa que há também casos de pais brancos que adoptam crianças pretas, o que, nalguns desses casos, dá azo a "bocas" e discriminação, como sria de esperar. No entanto, a lei não proíbe. E muito bem - a lei não tem que incorporar em si os eventuais preconceitos sociais. Por que motivo deverá então a lei prever uma eventual discriminação de que alguns casais homossexuais que adoptem poderão ser alvo (mas também poderão não ser)?
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De Teresa Ribeiro a 17.12.2009 às 10:40

Luís Lavoura: Já ouviu falar "no superior interesse da criança"? É essencialmente disso que falo aqui, não sei se percebeu.
É claro que há homossexuais que adoptam crianças. As leis podem sempre contornar-se, mas não é por isso que devemos considerar que já que é assim o melhor mesmo é abdicar da sua função reguladora e dos critérios que as inspiram.
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De Luís Lavoura a 17.12.2009 às 11:09

Sim, Teresa, percebo que estamos a falar do superior interesse da criança. E precisamente não vejo por que é que a lei deva proibir uma adoção por receio (que nunca passa de um receio) de que a criança adotada vá eventualmente sofrer alguma discriminação.

Eu compreendo que para um determinado casal homossexual concreto esse receio seja fundamentado, e que os técnicos de segurança social que medeiam a adoção o devem ter em conta. Não aceito é que a lei seja desnecessariamente restritiva, uma vez que esse receio nem sempre será fundamentado.

Há muitos outros casos de discriminação que a lei permite. As crianças institucionalizada podem ser discriminadas, as crianças adotadas por pais de raça diferente também podem sê-lo, as crianças filhas de pais separados são-no certamente, etc. E no entanto a lei permite tudo isso. Não vejo por que motivo no caso de casais homossexuais a lei deva ser especialmente picuinhas na proteção do interesse da criança - sobretudo quando se sabe que a alternativa à adoção é a criança permanecer institucionalizada.
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De Jorge Soares a 17.12.2009 às 12:03

Teresa, sou pai adoptivo e biológico, gostaria de lhe colocar duas questões, primeiro, defina "Superior interesse da criança"

Segundo, não acha que o seu raciocínio se poderia aplicar a muitos outros casos? por exemplo, eu adoptei uma criança de cor, sendo que ambos somos brancos e a minha filha biológica é branca, não acha que o meu filho está sujeito ao mesmo tipo de discriminação? Pelo seu raciocínio, deveríamos também impedir as adopções de crianças de outras etnias? Eu não deveria ter adoptado o meu filho porque ele efectivamente por vezes sofre com os comentários dos colegas?

Eu confio na minha capacidade de ajudar o meu filho a superar a discriminação, que existe por ele ser negro e por ainda por cima ter pais brancos, a solução não é impedir a adopção, é educar a nossa sociedade para que estas discriminações aconteçam.

Só mais um comentário, quando fala em contornar a lei, está enganada, não há nada na lei actual que impeça que qualquer homossexual adopte, aliás, há muitos que adoptam, o que existe é uma lei que impede que as pessoas se casem.

Jorge Soares
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De Luís Lavoura a 17.12.2009 às 12:37

Não posso deixar de felicitar o Jorge Soares pelo seu comentário e sobretudo por ter adoptada uma criança negra, o que segundo os autores deste blogue será pernicioso por estar a expôr o seu filho a uma horrível discriminação - certamente que prefeririam que o Jorge o deixasse estar numa instituição, onde evidentemente jamais seria discriminado!
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De Teresa Ribeiro a 17.12.2009 às 12:37

Quando falo em contornar a lei o que quero dizer, naturalmente, é que há casais de homossexuais que adoptam não enquanto casais, mas em nome de um dos seus elementos. Não há nada na lei actual que o impeça, porque tal não é viável, como é óbvio.
Esta opção terá sempre que ficar à consciência dos homossexuais que em nome individual decidirem dar esse passo.
Mas só porque, infelizmente, é possível fazê-lo a lei não tem que o consagrar dando acesso formal à adopção por casais do mesmo sexo.
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De Jorge Soares a 17.12.2009 às 12:52

Sim Teresa, mas não respondeu às minhas questões, gostaria que explicasse o que é para si "Superior interesse da crianças" e porque é que a discriminação que o meu filho sofre por ser adoptado por mim, é diferente da discriminação que qualquer criança sofreria por ser adoptada por um homossexual..... dado que o seu raciocínio é com base na discriminação.

Jorge Soares

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De Teresa Ribeiro a 17.12.2009 às 13:10

"Superior interesse da criança" é uma expressão que se usa quando se quer dizer que os seus interesses têm primazia sobre todos os outros. Neste caso sobre os dos casais homossexuais que pretendem conquistar os mesmos direitos dos casais heterossexuais quanto à adopção de crianças. Essa pretensão pode ser muito compreensível, mas neste momento, na minha opinião, só serve os interesses dos homossexuais e não o das crianças que estão para adopção.
Quanto ao segundo ponto, já lhe respondi. Pois se até entre filhos naturais há diferenças de tom de pele, porquê levantar objecções em relação às crianças adoptadas? Acresce que a discriminação racial é determinada fundamentalmente pelo tom de pele independentemente deste ser mais ou menos semelhante ao dos seus pais. Admito que o contraste problematize mais a questão, mas não é o factor fundamental, como saberá por experiência.
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De Teresa Ribeiro a 17.12.2009 às 13:12

Jorge: Perdoe-me o português, pois isto foi escrito muito a correr.
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De Jorge Soares a 17.12.2009 às 21:53

Teresa, este blog chama-se delito de opinião, gostaria de saber qual foi o delito da minha opinião que fez com que o meu ultimo comentário aqui não tenha sido aprovado.

Jorge Soares
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De Teresa Ribeiro a 19.12.2009 às 10:15

Jorge, não sei a que comentário se refere, mas lhe garanto que não apaguei nenhum. Neste blog os comentários são sujeitos à aprovação dos seus elementos, mas só em casos extremos em que pontifica o insulto é que os reprovamos. Não acredito que tenha sido esse o seu caso, portanto algo correu mal, mas do ponto de vista informático.
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De Ana Margarida Craveiro a 17.12.2009 às 10:29

Inquieta-me, sobretudo, a possibilidade de crianças serem usadas numa guerra pela igualdade e reconhecimento a que não têm de pertencer.
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De Teresa Ribeiro a 17.12.2009 às 10:42

Ora aí está outro ponto fundamental e que também me inquieta a mim, Margarida.
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De Luís Lavoura a 17.12.2009 às 11:40

É claro que as crianças são usadas numa guerra que não lhes pertence, mas não é por causa disso que devemos proibir a adoção por casais so mesmo sexo. Toda e qualquer proibição imposta pela lei deve ser justificada, deve ser explicada. Não vamos proibir a adoção por casais homossexuais só porque os homossexuais a usam numa guerra deles. Temos que ter uma justificação para proibir a adoção que se refira ao interesse da criança.
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De Teresa Ribeiro a 17.12.2009 às 12:11

Ora aí está, essa guerra não lhes pertence. Deixem-nas sossegadas, porque crescer já é uma tarefa suficientemente difícil, não vale a pena acrescentar-lhe o sofrimento que está sempre inerente à discriminação, seja ela de que tipo for.
É esta a justificação, Luís.
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De Luís Lavoura a 17.12.2009 às 12:32

Mas elas são sempre discriminadas, Teresa. As crianças a ser adoptadas estão atualmente numa instituição e quando vão à escola são discriminadas pelos colegas como sendo os meninos que vêem da instituição e que não têm pais. Portanto essas crianças já hoje são discriminadas e já hoje sofrem. A questão a saber é se o facto de serem adotadas por um casal homossexual piorará ou melhorará a sua situação. Eu acho que é óbvio que melhorará, embora aceite que poderia ser melhor ainda se fossem adotadas por um casal heterossexual.
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De João Carvalho a 17.12.2009 às 12:12

Ó Luís, é a terceira vez nesta caixa de comentários que o vejo a falar de proibição e de fundamentação da proibição. Está enganado. Não invente nem complique mais.

A Teresa já disse e bem que há ainda um longo caminho a percorrer. Não se comece, pois, por arriscar distribuir estigmas a quem não tem defesas nem capacidade de escolha, porque isso é que ainda precisa de fundamentação.

Inversamente, não permitir a adopção de crianças por casais homossexuais não é proibir. É apenas isso mesmo: não permitir. Porque falta percorrer o tal caminho e muita reflexão. E proibir é inibir o que existe, o que não corresponde ao caso.
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De Jorge Soares a 17.12.2009 às 12:10

Ana, mas não é isso que está a acontecer?, as pessoas que estão contra a alteração da lei não estão a utilizar a adopção como arma de arremesso?, ainda por cima quando não existe nada na lei actual da adopção que impeça a adopção por homossexuais.

Isto não é já utilizar a adopção e as crianças numa guerra para a qual não deveriam ser chamadas?

Jorge Soares
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De Teresa Ribeiro a 17.12.2009 às 12:25

Eu não estou contra a lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo, Jorge Soares. Eu e muita gente.
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De Jorge Soares a 17.12.2009 às 13:07

Teresa, eu não me estava a referir a si, estava só a constatar um facto.

Jorge Soares
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De Sérgio de Almeida Correia a 17.12.2009 às 11:56

De acordo, Teresa. E nada a dizer quanto à adopção. Agora essa coisa de haver quem fale em "pais brancos" e "crianças pretas" e de meter no mesmo saco os filhos de pais divorciados/separados é que me parece um tanto ou quanto descabida. Ou estarei a ver mal a questão?
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De Teresa Ribeiro a 17.12.2009 às 12:05

Claro que são coisas distintas, Sérgio, nem eu em momento algum afirmei o contrário. Muito pelo contrário.
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De Jorge Soares a 17.12.2009 às 12:07

São coisas distintas porquê, o seu raciocínio não é com base na discriminação que as crianças poderiam sentir?

Jorge Soares
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De Teresa Ribeiro a 17.12.2009 às 12:23

Jorge Soares: Como expliquei acima, há situações, como a do divórcio dos pais, que não se podem prever, portanto não tem cabimento fazer comparações entre a discriminação que pode sofrer um filho de pais separados com aquela a que está sujeita uma criança adoptada por homossexuais. Também a diferença de raças entre pais e filhos não é, a meu ver, comparável, pois esse contraste no tom de pele pode existir até entre filhos naturais, como toda a gente sabe.
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De Pedro M. Correia a 17.12.2009 às 19:51

Teresa, desculpe, mas creio não ter percebido bem este seu argumento. Defende a Teresa que as adopções inter-raciais não são comparáveis às adopções por casais homossexuais (ou será por homossexuais tout cour?) devido a factores biológicos, uma vez que uma criança pode ter um tom de pele diferente da dos progenitores. Está a esquecer ou a negar que homossexuais podem ter (têm!) filhos biológicos?

E olhando para a questão em termos práticos: entre uma criança negra e uma criança adoptada por um casal homossexual, qual das duas estará sujeita a mais manifestações preconceituosas e discriminatórias?
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De Teresa Ribeiro a 18.12.2009 às 00:05

A diferença, Pedro M.Correia é que no caso da adopção essa discriminação pode ser facilmente evitada.
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De mike a 17.12.2009 às 12:58

Que chatice, Teresa... não sou capaz de discordar consigo, em número e género. Para além disso acresce o facto de ter gostado muito de ler esta reflexão materializada num belíssimo texto. Uma chatice, portanto... ;)
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De Teresa Ribeiro a 17.12.2009 às 13:16

Obrigada, Mike. Portanto nesta matéria podemos dizer que surfamos a mesma onde :D
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De Ana Vidal a 17.12.2009 às 13:52

Completamente de acordo no que respeita ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, mesmo chamando-lhe "casamento". O problema da palavra é quase sempre emocional, pela confusão entre o casamento civil (um mero direito de todos os cidadãos, para mim) e o casamento religioso, que é outra coisa, completamente diferente.

Quanto à adopção de crianças por casais homosexuais tenho as minhas reservas e, por isso, não posso dizer que tenha uma opinião formada sobre ela. Mas esta discussão que aqui trouxeste é muito útil para dissipar dúvidas e ponderar sobre este assunto. Questões destas não podem ser decididas à pressa, sem MUITA discussão prévia e argumentação de ambos os lados. Trata-se, para já, de minorar um mal quase garantido (a discriminação e o preconceito que ainda existem) com o objectivo de que esse mal vá perdendo força e deixe de abater-se sobre as crianças nessa situação, um dia. Ora isto é suficientemente complexo e grave para que não haja precipitações na decisão.
Obrigada pelo post com a tua opinião, que lançou aqui uma discussão importante.
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De Teresa Ribeiro a 17.12.2009 às 14:22

Ana, adoptar crianças na presunção de que a discriminação acabará por perder força à medida que o hábito se banalizar é, na minha opinião, instrumentalizá-las de forma abusiva.
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De Ana Vidal a 17.12.2009 às 16:27

Eu sei, Teresa, por isso não tenho certezas. Mas também sei que só a banalização anula o preconceito e a discriminação, e as vítimas são sempre os primeiros...

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