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TGV: o cheiro da verdade

por João Carvalho, em 08.12.09

Bem me cheirou. Sempre que coloquei reservas ao(s) projecto(s) relacionado(s) com o TGV, entre vários outros considerandos, defendi aqui, aqui, aqui, aqui e aqui  que a ferrovia de mercadorias deve merecer todo a apoio e que a alta velocidade exclusivamente para passageiros não passa de uma fantasia de políticos interessados em ir jantar a Madrid e voltar a casa, decisores da desgraça nacional que se estão nas tintas para qualquer suposta ligação ferroviária à Europa (e Madrid não fica exactamente no caminho).

 

Nessas ocasiões, fui sempre alvo de comentadores a dizer que o TGV engloba o transporte de mercadorias e que essa é até a grande vantagem da rede de alta velocidade. Também respondi sempre que concordava com tal vantagem, mas fui insistindo que me cheirava não estarem contempladas as mercadorias, que deviam constituir a nossa máxima prioridade. Na verdade, nunca eu tinha ouvido qualquer declaração clara nesse sentido, uma só declaração afirmativa e dita com as palavras todas. Nunca.

 

Dito e feito. Cheirava-me e com razão. O que agora o País ficou a saber, com clareza e com as palavras todas, é que o projecto do TGV não prevê o transporte ferroviário de mercadorias. E mais: que essa falta é um erro grave. Pudera. É obviamente «um erro histórico», um conjunto de «projectos tacanhos», como acabou de afirmar Manuel Moura, o primeiro presidente da RAVE nomeado por Jorge Coelho no tempo de António Guterres.

 

No fundo, como se adivinhava, o elevado custo que se sabe vai ser mais um desastre para a nossa desgraçada economia. Entretanto, os defensores do projecto apenas têm andado a pensar no que me cheirava: ir a Madrid encher o bandulho e regressar a Lisboa para dormir com o papo cheio. O País que espere, que eles têm de jantar primeiro.

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32 comentários

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De d.a.i a 08.12.2009 às 21:51

Não podia estar mais de acordo com os comentários. Sou uma ferrenha defensora "anti-tgv". Para além do gravíssimo problema económico que acarreta o não-transporte de mercadorias, nunca teremos linhas ferroviárias que "aguentem" a altíssima velocidade, visto que nem a alta velocidade do Alfa foi alguma vez conseguida!
Esses senhores que querem ir jantar a Madrid e vir, que o façam através da Ryan Air - é mais barato e mais rápido!
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De João Carvalho a 08.12.2009 às 22:33

A Ryan Air estraga-lhes a digestão.
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De fernando antolin a 08.12.2009 às 22:01

Mas há TGV destinado a mercadorias, nalgum dos países que o têem ? O ano passado no Thalys, de Bruxelas para Paris, não dei por carregamento de mercadorias. Posso não ter reparado bem.
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De João Carvalho a 08.12.2009 às 22:53

Creio que há, Fernando, mas admito que sejam composições distintas das que servem passageiros. Porém, mais importante ainda é que parece que o TGV tem os dias contados, a favor da boa velocidade idêntica ao nosso Alfa Pendular.

Pode encontrar isso nos 'links' que coloquei no 'post' (e respectivos comentários) e encontrará mais nos blogues Caminhos de Ferro Vale da Fumaça (na nossa barra lateral) e Cantinho dos Comboios (http://luis363.blogspot.com/).
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De Jorge a 08.12.2009 às 22:18

Nem para as mercadorias. De um texto antigo (http://fliscorno.blogspot.com/2009/09/sombra-do-desenvolvimento.html):

(...)
Da ligação a Madrid, dizem-nos que é a ligação à Europa. Será? Quero ver quantos eurodeputados irão de TGV para Bruxelas.
(...)
TGV para mercadorias? Brincadeira, claro. Os bens não perecíveis não se estragam por o seu transporte durar mais 3 horas. Quanto aos outros, uma viagem de 3 horas (mais o tempo necessário para carga) não dispensa o uso de câmaras frigoríficas. O que torna indiferente se o transporte demora 3, 5 ou 6 horas.
(...)
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De João Carvalho a 08.12.2009 às 22:57

Apesar de tudo, temos de admitir que "tempo é dinheiro". O que não é dinheiro, mas apenas prejuízo, é ter as mercadorias a circular por estrada em enormes camiões: mais combustível, mais poluição, mais acidentes, mais estradas, mais manutenção do piso rodoviário, etc.
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De Jorge a 08.12.2009 às 23:03

Certíssimo. Por isso temos o transporte ferroviário de mercadorias. Quanto ao TGV de mercadorias e porque tempo é dinheiro, há que atender a quanto custaria o serviço se este estivesse disponível.
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De João Carvalho a 08.12.2009 às 23:13

O investimento que tenho defendido é na renovação e rapidez do transporte de mercadorias por caminho-de-ferro, posto que a rede actual é praticamente a do século XIX, resultado da falta de visão, de investimento e de competência.
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De M.Coelho a 08.12.2009 às 22:21

E só por uma opinião acredita ?
Quais as motivações dessa opinião ?
Acredita mesmo ?
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De João Carvalho a 08.12.2009 às 23:09

Olhe, M., o que eu não acredito é que esbarro consigo e quase invariavelmente leio o que julgava impossível ler.

Se eu acredito numa só opinião? V. leu mesmo o que escrevi? Vou resumir para si; pode ser que leia mais facilmente. O que eu escrevi é que as nossas autoridades políticas nunca falaram em TGV para mercadorias, que isso sempre me deixou desconfiado e que agora veio alguém que sabe dizer que não há nenhum projecto de alta velocidade para mercadorias. Posto isto, onde é que está a opinião a que V. alude e quem é que a emitiu?

Se, pelo contrário, V. acredita que há um projecto de alta velocidade para mercadorias, diga-me porquê e em que é que fundamente a sua opinião (repito: opinião). Mas aviso-o já, caso não tenha dado por isso, que as nossas autoridades políticas, confrontadas com o facto tornado público, usaram a habitual ginástica verbal para arredondar o discurso, mas o que disseram traduz-se assim: é verdade que não há projecto para alta velocidade para mercadorias.

Satisfeito? Ou tem alguma opinião?
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De M.Coelho a 08.12.2009 às 23:20

Tenho e não é necessário amofinar-se.
Sabe que eu também leio jornais e outras coisas mais próprias para um cidadão bem informado, assim como também escuto muita gente e muitas opiniões.
Como o João Carvalho faz um post com base nas declarações de uma só pessoa por isso lhe perguntei se acredita nela.
Se acredita, tudo bem, forma a sua opinião. Eu posso ter a minha que não está aqui em discussão, mas sim o seu post .
E quanto ao esbarrar comigo, tem sorte porque eu sou um verdadeiro democrata que aceito a publicitação de todas as opiniões. Olhe que há por aí gente que não é assim...
Quanto aos avisos, guarde-os para as autoridades competentes já que eu como independente só me sigo a mim e àquilo que penso.
As habituais saudações.
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De João Carvalho a 08.12.2009 às 23:35

O que me espanta é V. encontrar opiniões onde não as há. Só pode ser por teimosia. Mas eu não mereço isso: a minha opinião sobre o TGV está mais do que exposta; hoje, o que está em causa é um facto noticioso que foi divulgado e confirmado, o qual coincide com o que eu já adivinhava. Só isso.
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De M.Coelho a 08.12.2009 às 23:45

Um facto noticioso....e V, acredita ?
Confirmado por quem ?
E V. acredita ?
Olhe João, o post é seu e o blog é seu, e o que está a ser escrutinado é o que V. escreve não o que eu escrevo.
Se me quiser escrutinar vá ao meu blog e argumente ou pergunte que eu, escrutinado , respondo.
Com as habituais saudações.
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De João Carvalho a 09.12.2009 às 00:14

Opiniões... Pfff...
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De Pedro Correia a 08.12.2009 às 23:02

Tens toda a razão - e, como bem sublinhas, não é só de agora.
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De João Carvalho a 08.12.2009 às 23:10

Isto é uma escandaleira pegada, compadre.
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De PALAVROSSAVRVS REX a 09.12.2009 às 01:13

Bravo, João. Bem marcado.

Entregues às manigâncias de visionários apenas do próprio umbigo, nada de verdadeiro há a esperar de empreendedores de prejuízos. Casa-se tudo com uma citação do General Gomes da Costa, ontem no PdP: «Vergada sob a acção de uma minoria devassa e tirânica, a nação, envergonhada, sente-se morrer. Eu, por mim, revolto-me abertamente.» Muitos pressentem por aí um grande estoiro porque se persiste em não se falar a verdade, como assinalas!
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De João Carvalho a 09.12.2009 às 02:07

Isto começa a precisar urgentemente de um grito, Joshua.
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De João Pereira a 09.12.2009 às 02:06

Muito bem!!

Agora, será que o país vai a tempo de esperar? qualquer dia temos de ser "adoptados" por outro país ou postos à venda como esteve a islândia aqui a pouco tempo...

Ora bem... assim este país até parece aquelas pessoas que andam a comer sardinha enlatada todos os dias dentro de um pão com 1 semana para gastar dinheiro em roupa de marca e carros a preços brutos...

É um país que reconhece a crise, mas que primeiro tem de acompanhar o ritmo da união europeia. Ora, a união europeia neste momento desceu a velocidade para os 40 para suportar a crise, mas portugal não... é meter a fundo para parecer que até em tempo de crise mundial andamos a alta velocidade em transportes que nem têm tempo de chegar a velocidade maxima...

abraço!
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De João Carvalho a 09.12.2009 às 02:10

Como eu disse acima, meu caro, isto está mesmo a precisar de um grito. Que lhes entre pelas orelhas até doer.
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De Ana Cristina Leonardo a 09.12.2009 às 02:46

João, é um prazer concordar consigo apesar do desprazer do assunto
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De João Carvalho a 09.12.2009 às 09:42

É pena que as coisas tenham de ser assim, Ana. Por muito que a gente já saiba, nunca se habitua verdadeiramente. Há sempre a esperança de que, para a próxima... Qual quê!
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De Luís Lavoura a 09.12.2009 às 09:44

"O que agora o País ficou a saber, com clareza e com as palavras todas"

Ficou a saber como? Onde está essa informação?
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De João Carvalho a 09.12.2009 às 09:54

Tem de procurar, por exemplo, nas notícias das 20h de ontem na TVI. E no debate da noite de ontem na TVI-24. Mas creio que o assunto também foi enchendo toda a tarde ontem.

Encontrará a notícia da declaração e crítica, por um lado, e da explicação e confirmação do governo, por outro.
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De Paulo Sousa a 09.12.2009 às 14:13

Tem de ser divulgado. Aguardo reacções dos defensores do TGV. Linkei o post.
http://vilaforte.blogs.sapo.pt/353748.html
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De João Carvalho a 09.12.2009 às 15:29

Grato pelo destaque, Paulo.

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