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Delito de Opinião

Com dedicatória

Teresa Ribeiro, 01.12.09

Por instinto conduziu-o pelo braço. Olhos em frente, a furar médicos e enfermeiros naquele vaivém por entre aflitos, o que ela queria era segurá-lo pelo braço, porque a mão, aquela mão dele, estava ao contrário.  Se ele imaginasse como lhe era insuportável segurá-lo pela mão, teria percebido porque teve ela de ser tão desembaraçada em tudo, para poder negar àqueles espectros de bata branca o espectáculo banal do seu pavor.

Depois, quando o chamaram e começaram a fazer-lhe perguntas ela recuou ao tempo em que era ele que as fazia. O que diz o teorema do valor intermédio de Bolzano? Ao tempo em que a sua preguiça o exasperava: Burra! E ela, rancorosa, a amaldiçoar aqueles jogos florais, o desafiava: Detesto matemática! (Se calhar o Freud - claro que o Freud - somaria dois mais dois).

Quando os espectros de bata branca, indiferentes ao passado que os fundia, lhe perguntaram: Quantos são 16 + 3? e ele respondeu 18, ela só por pudor não fez o pino, a ver se a realidade a seguia nesse movimento rotativo e se repunha. Para poderem os dois escapar dali incólumes. Ela de franja e de soquetes e ele, grande e forte, a levá-la dali pra fora. Pela mão.

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