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Pós-1640 (1) — Os conjurados

por João Carvalho, em 01.12.09
1640. Está a chegar ao fim uma das primeiras experiências de governação autónoma à escala mundial. Uma experiência precoce, ainda incipiente, mas bem sucedida.
Em Madrid, Filipe II não impusera medidas drásticas: um governo autónomo em Lisboa, Portugal governado por portugueses nos quais Castela confiava, uma capacidade legislativa ampla e respeito pela cultura e tradições.
Filipe III dera continuidade ao modo de gerir a região autónoma de Portugal que recebera. Sem muitos sobressaltos, o segundo monarca da União Ibérica mantivera a autonomia portuguesa em diversas áreas da governação e conservara o direito aos usos e costumes lusitanos.
Até que subira ao trono Filipe IV. Depressa se tinham percebido os seus excessos. Autoritário a reinar, começara a reformar as leis no sentido da integração pura e dura de Portugal. Em pouco tempo, já se sentia a perda sucessiva da autonomia, o governo de Lisboa tinha cada vez menos peso, muitos espanhóis passaram a integrar as instituições portuguesas, a obediência a Madrid era total e o passado cultural da antiga nacionalidade tendia a esfumar-se.
A revolta já vinha de trás e ganhara novo fôlego no encontro de Évora, com a adesão de figuras de topo da nobreza, do clero, de várias manchas da população insatisfeita e do quadro de militares.
 
1 de Dezembro. A iniciativa de um punhado de homens arrojados surpreende Lisboa. Em poucas horas, o golpe vitorioso abre caminho à recuperação da independência. Por trás dos revoltosos, o herdeiro da Casa de Bragança já se manifestara disponível para encabeçar os destinos da Nação.
D. João IV precisa de muita coragem: Portugal não tem orçamento e não tem exército, não tem relações externas e não tem escoamento do que produz, quase não tem frota marítima e quase não tem contactos comerciais com outros países. A única coisa que tem é inimigos entre os países que mantêm relações com Espanha, restando um ou outro amigo entre os inimigos (nem sempre poderosos e muitas vezes receosos) dos castelhanos.
O Rei vai enfrentar tempos muito difíceis e tem o bom-senso de se apoiar em duas figuras que hão-de ser determinantes perante a complexidade da situação: o seu secretário de Estado e conselheiro Francisco de Lucena (homem de grande verticalidade que acabará condenado à morte, vítima da intriga) e o seu eloquente inspirador e mentor espiritual, o padre António Vieira, SJ. Com eles, há-de ser consolidada a restauração da independência de Portugal.
Fora do processo ficam os portugueses que se opõem à independência: uns por receio de que a vitória não esteja assegurada, outros para não perderem benefícios, outros ainda por medo, evitando associar-se a qualquer das partes antes de saber de que lado poderiam chegar-lhes represálias.
Fora do processo está também um visionário fadado para ser líder...


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