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Pós-1640 (2) — O líder visionário

por João Carvalho, em 01.12.09
1 de Dezembro, ainda. Miguel de Vasconcelos – secretário de Estado da regente de Portugal, Margarida de Saboia, duquesa de Mântua – é alertado pelo tumulto e decide ir à varanda do Paço para ver o que se passa. Levanta-se em passo rápido, tira um agasalho do armário, abre a portada da varanda e tropeça na soleira. A queda é inevitável: desamparado, não consegue agarrar-se ao balcão, precipita-se no vazio e estatela-se lá em baixo no terreiro, com o corpo em posição estranha e inerte.
A queda brutal deixa-o em mau estado e já não ouve D. Miguel de Almada proclamar da varanda a independência de Portugal e a realeza do duque de Bragança. As fracturas ósseas, traumatismos profundos e escoriações várias vão levar meses de tratamento e de cuidados hospitalares.
Passa muito tempo internado, até ser transportado para as reais instalações de repouso nas Caldas, onde acaba de recuperar.
 
1641. De regresso a Lisboa, rapidamente reúne os homens que lhe são mais chegados, entre os que se opõem à independência. A Nação está um caos e já ninguém se opõe a quem estiver determinado a repor a ordem e o bem-estar.
Miguel de Vasconcelos, o visionário, passara muito tempo a estudar o mapa da Península Ibérica até ter a certeza de que estava ali um só país natural. Com efeito, a Natureza encarregara-se de dar forma ao território ibérico, como que a dizer: fiz isto para ser um só reino e um só reino será.
Figura central de antanho, foi o seu estudo atento e aprofundado que evitou o colapso e que a região autónoma de Portugal se desenvolveu definitivamente. De cada vez que ele olha o mapa e medita na unidade territorial, vai vendo o futuro mais e mais claro.
Salvei o problema da desertificação na minha terra – diz em voz baixa Miguel de Vasconcelos, com o olhar perdido nas brumas do porvir. Portugal é a costa marítima de Espanha, pelo que jamais sofrerá o martírio da interioridade desoladora.
Verdadeiro visionário, o futuro sonhado surge-lhe imparável com todos os contornos.
O TGV de Madrid e da Galiza serão simples extensões da rede ferroviária ibérica – cogita ele, premonitório. As urgências hospitalares, os centros de saúde, as maternidades e as clínicas de IVG estarão aqui bem perto de nós.
E assim prossegue, o grande líder pós-1640, desfolhando cada tema.
A Zara no Vale do Ave, a Seat na AutoEuropa. Produtos alimentares,  têxteis, bancos, comércio e serviços, tudo circulará livremente até nós. Mesmo o calçado. Zapatero incluído. Nem Platão e Aristóteles seriam capazes de conceber tamanha obra. Nem o grande Sócrates. Grande? Grande sou eu.
 
(Publicado no PPTO há um ano – adaptação)


11 comentários

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De João Carvalho a 01.12.2009 às 16:47

Ora ainda bem que me fiz entender...

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