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Sessenta anos sem Aleixo

por Pedro Correia, em 16.11.09

 

António Aleixo, o mais célebre dos nossos poetas populares, morreu faz hoje 60 anos. Em homenagem ao seu talento aqui deixo quatro das suas quadras. Tão actuais hoje como no dia em que as escreveu:

 

Sem que discurso eu pedisse,

ele falou e eu escutei.

Gostei do que ele não disse;

do que disse não gostei.

 

P'ra mentira ser segura

e atingir profundidade

tem de trazer à mistura

qualquer coisa de verdade.

 

Mentiu com habilidade,

fez quantas mentiras quis,

agora fala verdade,

ninguém crê no que ele diz.

 

Julgando um dever cumprir,

sem descer no meu critério,

digo verdades a rir

aos que me mentem a sério!

 

Imagem: estátua de António Aleixo em Loulé


21 comentários

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De ariel a 16.11.2009 às 18:42

" Uma mosca sem valor,
pousa co'a mesma alegria,
na careca de um doutor,
como em qualquer porcaria... "

São imperdíveis, as quadras do Aleixo, Pedro. Esta e a da mentira citada no post, são as minhas preferidas :)))
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De mdsol a 16.11.2009 às 21:51

Completamente de acordo, Ariel.
Mas, no mesmo rol, também incluo esta:

Sei que pareço um ladrão
Mas há muitos que eu conheço
Que não parecendo o que são
São aquilo que eu pareço.

Não sei porquê, mas cheira a actualidade que até dói...

:))))
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De ariel a 16.11.2009 às 22:08

É verdade Maria do Sol, tinha-me escapado essa, sempre actual sim senhora.

:)))
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De Pedro Correia a 16.11.2009 às 23:04

São quadras que ainda reflectem bem o Portugal contemporâneo, espantosamente 60 anos após a morte do poeta.
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De Carlos Pimentel a 16.11.2009 às 18:44

Eheheh... O Bom velho Aleixo é uma "escola" que vale a sempre a pena.
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De GJ a 16.11.2009 às 19:18

Obrigada, por nos ter recordado um poeta que se mantem vivo, apesar de não ter passado o estatuto de erudito.
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De Pedro Correia a 16.11.2009 às 23:06

Não era erudito, mas as quadras dele ainda andam de boca em boca, o que é a melhor prova de validade da da obra que nos deixou.
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De mdsol a 16.11.2009 às 19:38

A quadra tem pouco espaço
Mas eu fico satisfeito
Quando numa quadra faço
Alguma coisa de jeito.

Boa evocação, Pedro Correia

:))
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De Pedro Correia a 16.11.2009 às 23:16

Aleixo - e os nossos poetas populares, em geral - bem merece ser evocado, Maria do Sol. Ainda bem que gostou.
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De mdsol a 16.11.2009 às 23:24

Eu gostei da evocação
Que tem muito gabarito
Digo-o do coração
A si, PC do Delito ...

:))

Nota: PC são as iniciais de Pedro Correia, antes que comecem a tresler.
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De Luís Reis Figueira a 16.11.2009 às 21:09

Este Aleixo é na verdade um grande poeta popular que não teve nenhum outro à sua altura, pelo menos durante as últimas décadas.
Para a nossa classe política, aqui vão mais duas, uma com algum pessimismo, outra com uma mensagem de esperança:

"Descreio dos que me apontem
uma sociedade sã:
isto é hoje o que foi ontem
e o que há-de ser amanhã."

"Depois de tanta desordem,
depois de tão dura prova,
deve vir a nova ordem,
se vier a ordem nova."

Um Abraço.
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De Pedro Correia a 16.11.2009 às 23:17

Bem as conheço, Luís. E qualquer delas continua actual, tudo dependendo do nosso ponto de vista.
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De Anónimo a 16.11.2009 às 21:25

A escultura é de Lagoa Henriques. Bem melhor que a de Camões, do mesmo autor, junto à Brasileira do Chiado. O que se compreende: a de Aleixo é posterior e o mestre estava "treinado"...
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De Pedro Correia a 16.11.2009 às 23:18

É, de facto, uma excelente estátua. Loulé ganhou com ela.
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De Daniel João Santos a 16.11.2009 às 21:29

Muito bem Pedro, muito bem.
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De Amêijoa Fresca a 16.11.2009 às 21:49

Caro Pedro Correia,

Excelente evocação! Aqui fica a minha contribuição com o respectivo "link", claro.

Um poeta popular
de enorme humildade,
uma obra exemplar
analisando a sociedade.

Distante da elite cultural
e dos palcos majestosos,
de uma erudição natural
atestada em versos ditosos.
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De Pedro Correia a 16.11.2009 às 23:18

Meu caro, vislumbro alguma coisa de Aleixo em si.
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De Carlos Barbosa de Oliveira a 16.11.2009 às 22:51

Lembrança oportuna, Pedro. Já agora, aqui fica outra quadra
É fácil a qualquer cão
Tirar cordeiros da relva
Tirar a presa ao leão
É difícil nesta selva
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De Pedro Correia a 16.11.2009 às 23:19

Muito boa, também essa.
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De Ana Vidal a 18.11.2009 às 14:06

Gosto imenso das quadras do Aleixo, são de uma acutilância impressionante. Que importa não ter sido um erudito, se as suas palavras chegaram a toda a gente e ainda hoje são actuais? Brilhante, é o que ele era.

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