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Francesinhas: 40 anos de resistência

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 15.11.09

 

 

Hoje em dia não precisamos de ir à Argentina para comer um “bife de chorizo”, a Espanha para comer uma boa “paella” , a Marrocos para comer “couscous” nem ao Japão para comer “sushi”. A globalização – para além dessa péssima criação que é a “cozinha de fusão” - permitiu que a gastronomia típica de cada país se internacionalizasse e se tornasse acessível em todo o mundo ocidental.
É verdade que a cozinha portuguesa, talvez fruto das suas características, não tem sido dada a muitas experiências internacionais. De qualquer modo, já é possível encontrar, em vários países, deficientes imitações  do “bife à portuguesa”, do “bacalhau à Lisbonense” ou dos pastéis de nata.
Há, no entanto, um prato que resiste a qualquer internacionalização: a “francesinha”.
Criada nos anos 60 por um cozinheiro que tinha sido emigrante em França, esta iguaria permaneceu, durante quatro décadas, confinada à cidade do Porto - onde teve origem.
Nos últimos anos a sua popularidade propagou-se a outras zonas do país mas, garante-vos um apreciador deste delicioso manjar, que não existe em nenhum outro local uma única réplica que mereça os louvores dessa criação do restaurante “A Regaleira”, na Rua do Bonjardim.
Fiz várias tentativas, em vários restaurantes do país, mas  quase todas se revelaram decepcionantes. Não só ao nível dos ingredientes, mas também no que concerne ao ponto de cozedura do pão e à textura do molho, nenhuma se compara às que se podem comer em alguns locais do Porto (mas aviso desde já que também no Porto se vende muita “francesinha” que não respeita os cânones idealizados pelo seu criador). 
Registo com apreço a resistência à globalização desta iguaria ímpar nascida à beira do Douro, mas  hoje apetecia-me uma “francesinha” para me aliviar a tristeza deste dia plúmbeo que me aviva a memória de um país de cinzentões. Vã é a minha esperança. Em Lisboa, só encontro “francesinhas” de contrafacção.


6 comentários

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De Cordeiro a 15.11.2009 às 19:27

Recomendo o Bufete Fase:

http://questiuncas.blogspot.com/2008/09/francesinha-do-bufete-fase-maravilha.html
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De Carlos Barbosa de Oliveira a 15.11.2009 às 21:59

Nunca tinha ouvido falar desse, mas obrigado pela informação.
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De Cordeiro a 15.11.2009 às 23:27

O Bufete Fase foi o primeiro classificado no concurso para eleger a melhor Francesinha da Cidade do Porto do JN. Se for até lá poderá ver esses recortes de jornal em quadros na parede. É um local muito pequeno apenas com 4/5 mesas, onde só se come francesinhas, feitas à vista de toda a gente. Diria que é um lugar secreto dos apreciadores desta iguaria. Recomendo-lhe uma visita:

Rua de Santa Catarina 1143 - Porto
4049-050 PORTO
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De Lúcia a 16.11.2009 às 10:18

Não vou perder esse da St~ª Catarina.
As da Regaleira são boas, mas têm o molho... puxadote. ;)
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De Carlos Barbosa de Oliveira a 16.11.2009 às 11:57

Mas é o molho puxadote ( desde que não seja resultante de uma utilização excesssiva de pimenta ou piri-piri) que lhe dá mais encanto, Lúcia!
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De Lúcia a 16.11.2009 às 11:58

Puxadote demais, Carlos! Fico a ferver! preciso de 2 ou 3 finos para empurrar a coisa!

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