Que memória tão grata, Pedro. Foi no Monumental que fui pela primeira vez ao teatro pela mão do meu pai. A peça era o Pinóquio e ainda me lembro vagamente.
Também foi no Monumental que fui pela primeira vez ao cinema em Lisboa, Leonor. Já escrevi uma vez sobre essa memória de infância. Tinha sete anos e nunca mais esqueci.
O Cine-Teatro Monumental não me aquece nem arrefece. Mas julgo que a estátua de um FdP de um marquês devia ser substituída pela de Eça de Queiroz, um dos melhores escritores de todos os tempos a nível mundial.
Eça, por acaso, até tem uma das mais bonitas estátuas de Lisboa. O que lhe falta é ter uma avenida larga e bem rasgada, como era a prosa dele. Hoje tem apenas uma rua discretíssima, o que é lamentável. E a Rua Coelho da Rocha, em Campo de Ourique, bem podia chamar-se Fernando Pessoa, que lá morou muitos anos. A propósito: alguém sabe quem foi o tal Coelho da Rocha?
Quem quiser matar saudades do Monumental é vir a Ponta Delgada -Ilha de S.Miguel e visitar o seu congénere - o Teatro Micaelense - construído , se não me engano, ao mesmo tempo - 1946 - 1951 - projectado pelo mesmo arquitecto - Raul Rodrigues Lima - o Micaelense foi inaugurado a 31 de Março de 1951 e o Monumental em Novembro do mesmo ano - eram muito semelhantes. Lembro-me bem do Monumental - a casa dos meus pais ficava lá perto - a grande diferença neste momento é que o Micaelense existe e está em grande actividade depois das obras de restauro e actualização técnica e o Monumental, com grande polémica na altura, foi demolido - quando Nuno Abecassis era Presidente da CML.
A Maria está cheia de razão. O Teatro Micaelense teve um excelente restauro e é uma bela peça arquitectónica 'art déco'. A condizer com a velha cervejaria que lhe fica em frente.