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Nada como um espirro dos antigos

por João Carvalho, em 28.10.09

As autoridades de Saúde norte-americanas – ao que dizem – rejeitaram a vacina anti-gripe A que Portugal encomendou e está a aplicar. A Alemanha parece que está a fazer o mesmo que os EUA.

No hemisfério Sul, onde já é Primavera, a gripe A não teve maiores efeitos do que as gripes sazonais comuns. A OMS, porém, insiste na ideia de pandemia e corre por aí o aviso de que a gripe A pode afectar um-terço da população europeia. Talvez algo como a ainda recente "gripe das aves", que ia varrer um-quarto da população mundial?

Em Portugal, as nossas autoridades de Saúde andam a esclarecer que quaisquer eventuais efeitos provocados pela vacina são sempre preferíveis à gripe A, sem que esclareçam de facto que efeitos podem ser esses.

♦ ♦ ♦

Tal como há uns meses se adivinhava, a pior epidemia é a da informação e contra-informação em torno de tudo isto, é a da "guerra" entre os laboratórios multinacionais, é a da primazia das grandes distribuidoras farmacêuticas, é a dos interesses obscuros envolvidos. Isto, sim: é epidemia e gera alarme.

Há necessariamente muita coisa escondida por baixo do que vem à superfície. Nada melhor do que darmos um belo espirro dos antigos, colectivo e com a boca destapada, para ver sair da toca quem se esconde.

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38 comentários

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De Francisco a 29.10.2009 às 08:14

Caro João, a gripe das aves foi tudo o que os especialistas disseram que era. E precisa da atenção e mobilização global que foi pedida. Só ainda não foi foi tudo de mal que se lhe associava como potencial - mais uma vez não foi uma catástrofe de soltar homossexuais escondidos - mas os jornalistas (e/ou editores, vá!) foram os únicos a anunciar isso.
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De João Carvalho a 29.10.2009 às 09:14

Não, Francisco, a 'gripe das aves' não foi nada do que as autoridades anunciaram. Não limpou um-terço da população mundial. E os jornalistas não anunciam coisas destas: por muito que possam explorá-las, apenas transmitem, não anunciam.
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De Francisco a 29.10.2009 às 11:12

Depois de uma transcrição, um título e mais umas quantas transcrições onde é que acha que podem parar as seguintes afirmações sobre a gripe aviária?
"pode afectar um terço da população mundial"
"tem uma taxa de mortalidade de mais de 50%"

Deixo-lhe um exemplo fresquinho que atesta a frequência, facilidade, generalidade e negligencia com que isto acontece. O exemplo é de ontem sobre um assunto que entrou à poucos dias no ideário nacional:
"Ganância pelo dinheiro acaba por dar cabo das pessoas"
Padre Fernando Guerra já celebrou ontem missa. Em Gralhas, terra natal, não goza de grande simpatia
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1403499&seccao=Norte

A diferença entre o implícito e o explicito é enjoativa. É procurada com negligencia menorizando as consequências e as reacções que provoca entre aqueles não lêem o resto da notícia com bloco de apontamentos. E isso, caro João, é ditado pela folha de salários em prejuízo da ética deontológica da profissão professada.
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De Francisco a 29.10.2009 às 11:26

há.. com h!

E concordo na proximidade da OMS das corporações farmacêuticas. Há muito que defendo que os médicos deviam ter mais apoios para investigação para obter curas em vez de tratamentos... mais suporte, mais tempo e menos liberalismos para enriquecerem sem limite. Em Portugal há anos que se põe a hipótese de fazer uma fábrica de vacinas da gripe mas há quem acuse nisso excesso de estatismo. A lógica do lucro não funciona sempre.
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De João Carvalho a 29.10.2009 às 11:56

Estamos de acordo no essencial, Francisco. O que não retira o que escrevi no 'post', certo?

Quanto ao exemplo de jornalismo que cita, tamb~em estamos de acordo e eu já o tinha dito: há mau jornalismo e tem estado a piorar; as generalizações é que me afligem por injustas. Além disso, no caso em apreço, nenhum jornalista anuncia os males das epidemias: apenas transmitem o que as autoridades anunciam, com as parangonas do que lhes parece mais forte, como é natural.
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De Francisco a 29.10.2009 às 13:59

Estamos de acordo no essencial, sim! Não retira nada ao 'post'.
Discordamos é na aceitação de que os jornalistas anunciem com as parangonas o que lhes parece mais forte de entre o que lhes foi anunciado. Eu não acho isso natural, acho negligente.
Exemplo: hoje joguei no totoloto que esta semana tem jackpot de 7 mihões, acho abusivo que se diga que tenho mão em 7 milhões.
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De João Carvalho a 29.10.2009 às 15:39

Não discordamos profundamente. Mas faz parte das regras elementares iniciar uma notícia pelo mais importante, que determina o 'lead' e do qual, por sua vez, resulta o título.

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