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Nada como um espirro dos antigos

por João Carvalho, em 28.10.09

As autoridades de Saúde norte-americanas – ao que dizem – rejeitaram a vacina anti-gripe A que Portugal encomendou e está a aplicar. A Alemanha parece que está a fazer o mesmo que os EUA.

No hemisfério Sul, onde já é Primavera, a gripe A não teve maiores efeitos do que as gripes sazonais comuns. A OMS, porém, insiste na ideia de pandemia e corre por aí o aviso de que a gripe A pode afectar um-terço da população europeia. Talvez algo como a ainda recente "gripe das aves", que ia varrer um-quarto da população mundial?

Em Portugal, as nossas autoridades de Saúde andam a esclarecer que quaisquer eventuais efeitos provocados pela vacina são sempre preferíveis à gripe A, sem que esclareçam de facto que efeitos podem ser esses.

♦ ♦ ♦

Tal como há uns meses se adivinhava, a pior epidemia é a da informação e contra-informação em torno de tudo isto, é a da "guerra" entre os laboratórios multinacionais, é a da primazia das grandes distribuidoras farmacêuticas, é a dos interesses obscuros envolvidos. Isto, sim: é epidemia e gera alarme.

Há necessariamente muita coisa escondida por baixo do que vem à superfície. Nada melhor do que darmos um belo espirro dos antigos, colectivo e com a boca destapada, para ver sair da toca quem se esconde.

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5 comentários

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De Joao Andre a 28.10.2009 às 22:23

Uma nota rapida para algo que nem sempre me parece esclarecido. Neste momento existe, de facto, uma pandemia desta gripe. Ela esta provada de forma clarissima e de forma objectiva. Para isso bastou que tivesse sido detectada em todos os continentes em formas de contagio primarias e secundarias.

Ja quanto ao perigo da mesma, creio que nunca nenhuma autoridade de saude disse de forma clara que esta gripe era sem duvida perigosa e com um potencial de mortalidade elevado. O que foi dito e repetido e que, dadas as suas caracteristicas, o virus poderia mutar-se de forma a tornar-se altamente perigoso. Esta situacao nao mudou. Tambem foi dito que o periodo potencialmente mais perigoso seria o do Inverno no Hemisferio Norte, devido ao facto de ser mais populoso e ter tambem zonas de enorme densidade populacional. Isto associado a ser no hemisferio norte que exisitiram os alertas anteriores (ha um medo obvio que este virus obtenha genes do virus da gripe das aves).

Nada disto mudou.

Ha razoes para ter preocupacoes? Sim, ha. Ha razoes para barulho? Nao. Muito do problema surge de jornalistas cuja cultura cientifica e zero e qu se agarram aquilo que fizer mais barulho. Por outro lado ha uma cultura enraizada de desconfianca dos motivos das empresas farmaceuticas (que sao obvios: o lucro) e um habito enorme de ouvir apenas as asneiras propaladas por tipos que nao fazem ideia do que dizem (como as historias que dizem que a vacina provoca danos neurologicos).

Vamos com calma. Oucam-se os especialistas e depois cada um que decida. Se nao quiserem levar a vacina, tudo bem. Mas isso e uma escolha pessoal. Nao venham e depois dizer que nao foram avisados caso contraiam a doenca numa forma mais mortal.

Peco desculpa pela falta de acentos e cedilhas, mas naos os tenho disponiveis neste teclado de onde escrevo.

PS - tambem recusam dar as vacinas da poliomielite, tuberculose, etc, aos vossos filhos? Nao? Pois.
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De João Carvalho a 28.10.2009 às 23:13

Já cá faltava ao tema o João André. Pois bem: acho que consigo manter o que escrevi e receber com agrado o seu comentário. Excepto no que respeita aos jornalistas, que são os culpados do costume. O mau jornalismo que aqui e ali se faz não tem inibido as autoridades - internacionais, designadamente - de lançar grande alarme ciclicamente. Um-terço dos europeus afectados? Pode ser, mas não gosto de adivinhos metidos a cientistas. Julguei que a 'gripe das aves' já lhes teria ensinado alguns princípios relacionados com o senso comum. E também não me agrada ver a OMS muito perto das farmacêuticas multinacionais.
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De Francisco a 29.10.2009 às 08:14

Caro João, a gripe das aves foi tudo o que os especialistas disseram que era. E precisa da atenção e mobilização global que foi pedida. Só ainda não foi foi tudo de mal que se lhe associava como potencial - mais uma vez não foi uma catástrofe de soltar homossexuais escondidos - mas os jornalistas (e/ou editores, vá!) foram os únicos a anunciar isso.
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De João Carvalho a 29.10.2009 às 09:14

Não, Francisco, a 'gripe das aves' não foi nada do que as autoridades anunciaram. Não limpou um-terço da população mundial. E os jornalistas não anunciam coisas destas: por muito que possam explorá-las, apenas transmitem, não anunciam.
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De Francisco a 29.10.2009 às 11:12

Depois de uma transcrição, um título e mais umas quantas transcrições onde é que acha que podem parar as seguintes afirmações sobre a gripe aviária?
"pode afectar um terço da população mundial"
"tem uma taxa de mortalidade de mais de 50%"

Deixo-lhe um exemplo fresquinho que atesta a frequência, facilidade, generalidade e negligencia com que isto acontece. O exemplo é de ontem sobre um assunto que entrou à poucos dias no ideário nacional:
"Ganância pelo dinheiro acaba por dar cabo das pessoas"
Padre Fernando Guerra já celebrou ontem missa. Em Gralhas, terra natal, não goza de grande simpatia
http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1403499&seccao=Norte

A diferença entre o implícito e o explicito é enjoativa. É procurada com negligencia menorizando as consequências e as reacções que provoca entre aqueles não lêem o resto da notícia com bloco de apontamentos. E isso, caro João, é ditado pela folha de salários em prejuízo da ética deontológica da profissão professada.

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