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O PSD, Chicago e Betty Grable

por Pedro Correia, em 27.10.09

 

O PSD entrou já num acelerado processo eleitoral – mais um. E lá assistimos novamente ao desfile de notáveis que procuram por todos os meios condicionar a vontade dos militantes, em jeito de ‘asfixia democrática’. São sempre os mesmos, que há largos anos têm contribuído alegremente para a perda de influência social e política do partido. Mas nem assim desistem. É vê-los dia a dia, num enorme frenesim, em claras manobras destinadas a perpetuar a influência que lhes vai restando, tentando evitar a todo o custo uma real renovação do partido. Há quem continue a dar-lhes palco esquecendo que muitos destes treinadores de bancada são grandes coleccionadores de derrotas, a vários títulos. Ei-los aí, novamente, com o ímpeto de sempre, procurando passar atestados de pureza ideológica e de bom comportamento político a todo e qualquer companheiro de partido que possa protagonizar o corte com o passado. Fazem-me lembrar aquele soldado norte-americano ultra-zeloso que durante a ofensiva alemã nas Ardenas, em Dezembro de 1944, procurava travar o passo ao general Omar Bradley, em visita à frente de guerra, suspeitando que se trataria de um infiltrado nazi com uniforme dos EUA. Recordou mais tarde o general – um dos heróis americanos da II Guerra Mundial: “Da primeira vez tive que identificar Springfield como capital do Illinois (o meu interlocutor sustentava que era Chicago); da segunda vez, tive que indicar o jogador entre o médio e o centro da linha de scrimmage de um desafio de futebol americano; da terceira vez, fui interrogado sobre o então marido de certa loura chamada Betty Grable; a Grable deixou-me pendurado, mas a sentinela, não. O homem, satisfeito por me ter feito tropeçar, autorizou-me a seguir por diante."

No PSD continua a haver demasiada gente a impedir o avanço de novos líderes. Confundindo Springfield com Chicago e perdendo tempo com irrelevâncias equivalentes ao nome do marido ocasional de Betty Grable.

Já agora, convém lembrar que Bradley venceu a Batalha das Ardenas.


17 comentários

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De Pedro Oliveira a 27.10.2009 às 13:46

Não se percebe este compasso de espera que não seja limitar candidaturas e tentar promover outras. Concordo com o Marco António " é preciso dar voz ás novas gerações dentro do PSD", já estamos cansados de barões e baronetes, o resultado está à vista de todos, ou será que não?...
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De Pedro Oliveira a 27.10.2009 às 15:37

E baronesas claro ;)
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De CPrice a 27.10.2009 às 14:28

e o "devil is in details" Pedro :)
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De l.rodrigues a 27.10.2009 às 15:45

Ah, mas se Bradley era um agente duplo isso explicaria a vitória não?
(Tenho que admitir que a paranóia pode ser um exercício divertido)
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De Francisco a 27.10.2009 às 16:15

A JSD não é uma das forças do PSD; a maior força do PSD está fora, com os apoiantes.
Tudo o que sejam mudanças que não impliquem uma maior transparência, democracia interna e uma grande entrada de novos militantes pagantes de quotas será um continuar da decadência.
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De Blondewithaphd a 27.10.2009 às 18:33

No meio disto tudo só conheço Chicago e, estupida e ignorantemente e mesmo tendo estado lá, achava que era mesmo a capital do Illinois. PSD? Qu'é isso?
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De Carlos Pimentel a 27.10.2009 às 19:31

Er... Sem recorrer a cábulas, eu diria que foi Patton, arrancando de norte, que venceu a dita, mais os valentes rapazes da 101ª aerotransportada que, cercados, resistiram em Bastogne perante forças muito superiores em número e armamento. A propósito, ficou-me na memória a magnífica resposta do comandante americano em Bastogne, ao comandante alemão que o intimava a render-se:

«Nuts»
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De João Carvalho a 27.10.2009 às 20:52

Boa memória. Esse comandante americano ainda hoje costuma dizer: 'Há um português que ainda deve lembrar-se da resposta que dei ao comandante alemão'...
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De Carlos Pimentel a 28.10.2009 às 01:33

Deveras? Julgava que já teria morrido. Enfim, lapso meu.
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De Pedro Correia a 28.10.2009 às 10:38

Ironia do João. O general Bradley já morreu. Mas era ainda vivo quando foi interpretado pelo actor Karl Malden no filme 'Patton', Óscar de 1970. Foi um dos últimos generais da II Guerra Mundial a falecer, já muito idoso.
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De João Carvalho a 28.10.2009 às 11:35

Foi a brincar, Carlos.
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De Carlos Pimentel a 28.10.2009 às 12:46

Ehehehe...
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De Carlos Pimentel a 28.10.2009 às 12:53

da wiki:

... Eisenhower, realizing the Allies could destroy German forces much more easily when they were out in the open and on the offensive than if they were on the defensive, told the generals, "The present situation is to be regarded as one of opportunity for us and not of disaster. There will be only cheerful faces at this table." Patton, realizing what Eisenhower implied, responded, “Hell, let’s have the guts to let the bastards go all the way to Paris. Then, we’ll really cut ’em off and chew ’em up.” Eisenhower, after saying he was not that optimistic, asked Patton how long it would take to turn his Third Army (located in northeastern France) north to counterattack. He said he could attack with two divisions within 48 hours, to the disbelief of the other generals present. Before he had gone to the meeting, however, Patton had ordered his staff to prepare three contingency plans for a northward turn in at least corps strength. By the time Eisenhower asked him how long it would take, the movement was already underway. ....
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De Daniel João Santos a 27.10.2009 às 21:35

Os tubarões continuam em grande.
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De Nuno Costa a 30.10.2009 às 00:20

dizer que Bradley ganhou a batalha das Ardenas equivale a dizer que quem ganhou o último campeonato para o Sporting foi o grego Nalitzis e não o Jardel. Bradley foi completamente apanhado de surpresa pela ofensiva através das Ardenas e foi tal a sua vitória que, para combater e derrotar a ofensiva alemã, lhe retirou o comando de várias tropas e as entregou a Patton no sul e a Montgomery no Norte. O golpe de misericórdia na ofensiva alemã foi dado por Patton e foi este general que acabou por ganhar a batalha e não Bradley.
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De Pedro Correia a 30.10.2009 às 00:22

Pois claro. Bradley era alemão.

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