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Há festa em África.

por Luís M. Jorge, em 21.10.09

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Na Costa Rica, Gana e Mali as multidões celebram os excelentes resultados obtidos no relatório sobre liberdade de imprensa dos Repórteres sem Fronteiras. O Ministro dos Assuntos Parlamentares, Dr. Hawa Mukeila Issaké, regozijava-se ontem por o jornalismo do seu país ser agora tão livre como o de nações prósperas, com governos reformistas e democracias sem mácula, mencionando a título de exemplo o caso português.

 

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Durante a manhã, esta delegação de um jornal de referência sediado em Acra ultimava os preparativos da sua deslocação a Lisboa. O director do Daily Pasquin manifestou-se optimista com a anunciada troca de experiências, num ambiente de sã convivialidade, que irá decorrer no Hotel Altis a partir do dia 9. Todos temos a ganhar com esta partilha mútua de saberes e visões, obviamente complementares, e sempre marcadas pela excelência de conteúdos que distingue o trabalho dos nossos repórteres na Europa e em África, concluiu.


22 comentários

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De Luís Lavoura a 21.10.2009 às 11:14

Gracinhas foleiras, a sugerir que um país pobre não pode ter uma imprensa livre, e que nós deveríamos seguramente ser melhores que os africanos em todos os aspetos.
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De Luís M. Jorge a 21.10.2009 às 11:20

Foleiro, se calhar, é eu reparar que você não se manifesta quanto ao fundo da questão: Portugal desceu 14 lugares naquele ranking. Não me diga que também fez voto de silêncio a esse respeito.
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De Luís Lavoura a 21.10.2009 às 11:30

Não sei com que bases esse ranking é feito, por isso não sei que valor lhe atribua.

A minha impressão é que efetivamente a imprensa portuguesa é muito má - eu não compro nenhum jornal porque os acho todos imprestáveis. É má porque está enfeudada a interesses económicos e políticos pouco confessáveis. E porque está muito concentrada nas mãos de poucos grupos.

Neste sentido, sim, será uma imprensa pouco "livre".

Mas tenho a impressão de que o mesmo se passa em boa parte dos países ocidentais. Eu vivi no princípio dos anos 90 na Alemanha e lia ocasionalmente jornais, o suficiente para me ser evidente que a imprensa alemã também estava muito enfeudada a interesses políticos. Embora de melhor qualidade do que a portuguesa atual, em matéria de independência também deixava muito a desejar.

Eu acho o seu post de muito maus gosto (isto é, foleiro). Os países africanos terão com alguma probabilidade uma imprensa mais livre do que a ocidental, porque talvez não estaja tão enfeudada a grandes grupos económicos com interesses e ramificações políticos. Para si, pelo contrário, parece que tudo o que vem de África deve ser, a priori, mau.
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De Luís M. Jorge a 21.10.2009 às 11:38

Reparo que ainda não se referiu ao cerne da notícia: o importante não é saber se o "jornalismo é mau", o importante é saber porque desceu 14 lugares num ranking internacionial de liberdade de imprensa.

"Liberdade" não é "independência" nem "qualidade".

A sua distracção já me está a parecer um pouco sistemática demais para um comentador tão "independente".
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De Luís Lavoura a 21.10.2009 às 11:51

Não se enerve.

Sobre a "liberdade" da imprensa portuguesa, não sei o que possa dizer, e suspeito que pouca gente possa. Não sei de que vale esse ranking, pois não sei de que forma ele foi feito. Não sei se ele foi feito com base em factos objetivos ou apenas em suspeitas ou perceções. Por exemplo, o ranking internacional de países corruptos baseia-se apenas em perceções: pergunta-se às pessoas de cada país se acham que o país é muito ou pouco corrupto. Um ranking feito dessa forma tem um valor muito limitado, porque as perceções das pessoas podem não corresponder à realidade.

Um exemplo oposto são os relatórios da Amnistia Internacional sobre violações dos direitos humanos. Esses relatórios são objetivos, falam de factos concretos e mais que comprovados, e não de perceções subjetivas. E não fazem rankings.

A minha perceção pessoal é de que a imprensa portuguesa não é muito livre, no sentido de que os jornais estão enfeudados a interesses económicos e políticos. Só isso. Mas não passa de uma opinião pessoal. Não tenho factos em que a sustentar.
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De Luís M. Jorge a 21.10.2009 às 12:08

Meu caro, estou ainda muito, muito longe de me enervar.

Quanto à credibilidade dos rankings noto apenas que existe uma tendência muito forte na blogosfera próxima do poder para os celebrar quando nos promovem e para os desvalorizar quando são prejudiciais à imagem de uma potestada qualquer.

Os repórteres sem fronteiras tinham, até agora, toda a credibilidade do mundo. De um dia para o outro parece que a perderam.

Os critérios de análise são hoje, em parte, explicitados no Público.

Também me parece interessante que os trÊs primeiros lugares são ocupados pela Dinamarca, Finl^ndia e Irlanda, o que parece afastar a sua teoria da falta de credibilidade das "percepções". Se isto fosse tudo tão pouco fiável haveria certamente uma angola ou uma venezuela lá pelo meio não acha?

De qualquer modo volto a marcar a minha posição, que você parece ter dificuldade em entender: o importante é o sentido desta classificação: onde estávamos antes, onde estamos agora e por que será.
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De Luís Lavoura a 21.10.2009 às 12:23

Da notícia no Público retiro o seguinte:

"Este ranking, divulgado anualmente, é elaborado com base em questionários a centenas de jornalistas e especialistas dos media."

Eu não considero muito credível um ranking baseado em opiniões e perceções pessoais.

Sobre a queda de Portugal no ranking, eu diria que a sua causa é óbvia. No último ano, com o ciclo eleitoral, os jornais e televisões extremaram as suas posições políticas. Tornou-se pois mais manifesta a falta de independência e de liberdade dos mídia. Tornou-se mais claro que em cada jornal um jornalista publica ou não publica a sua reportagem largamente em função da sua côr política. Houve também o empolamento mediático de certos casos, como o do talk show da Manuela Moura Guedes, que conduziram certos observadores da oposição a questionar a liberdade dos mídia. Esses pontos de vista ficaram refletidos no ranking, o qual é, precisamente, elaborado com base em pontos de vista e não em factos comprovados.

Entretanto, e voltando a substância do seu post, que é o que me interessa, repito que ele é foleiro, pelo desprezo com que trata África e os africanos. E sobre isso, você ainda não disse uma palavra.
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De Luís M. Jorge a 21.10.2009 às 13:04

Refiro-me ao editorial de hoje, que arrola alguns critérios bem pertinentes de avaliação. Não concordo com a sua avaliação das causas desta descida: repito que a avialiação da independÊncia nada tem que ver com a avaliação da liberdade. Pode haver, e há, imprensa comprometida mas livre, tal como há imprensa teoricamente independente e pouco livre.

Não tenho qualquer desprezo pelos africanos, isso é uma acusação demagógica: apenas constato que existem em África alguns dos regimes mais corruptos do mundo, onde a imprensa é esmagada pelo poder político. Faz-me impressão que seja exactamente aí que se procurem os nossos "parceiros" num ranking que em tudo se relaciona com a qualidade da democracia.

No meio de todas as desculpas e "explicações evidentes", noto que você se está bem a borrifar para esse assunto.

E por favor não me venha outra vez misturar acusações de falta de independência com a avaliação da liberdade, porque isso já parece conversa de comissário político.
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De Luís Lavoura a 21.10.2009 às 13:10

1) Não lhe admito que me chame "comissãrio político". Se quer discutir comigo, faça o favor de me respeitar, como eu o respeito a si.

2) Em África existem de facto alguns dos piores regimes do mundo, mas isso não quer dizer que tudo aquilo que existe em África é mau. Pode perfeitamente acontecer que a imprensa em alguns países africanos seja muito livre. Os seus comentários sobre África são foleiros, na medida em que procuram desqualificar por conjunto tudo aquilo que se faz em África.

Sobre os restantes assuntos não tenho mais nada a acrescentar ou modificar àquilo que já escrevi.
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De Luís M. Jorge a 21.10.2009 às 14:14

Não se enerve.
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De Luís Lavoura a 21.10.2009 às 11:56

Já agora, há um ponto em que, manifestamente, a imprensa portuguesa é muito pouco livre: os artigos de opinião.

Se uma pessoa qualquer enviar a um jornal um artigo de opinião, ele quase de certeza não é publicado. Mesmo que o artigo esteja fundamentado e diga coisas inteligentes. A opinião nos jornais portugueses não é livre.

Em compensação, cada jornal tem uma coleção de colunáveis que escrevem nesse jornal todos os disparates que bem lhes apeteça. Desde a Fernada Câncio passando pela Maria Filomena Mónica e pelo Miguel SOusa Tavares até ao Alberto Gonçalves, há uma série de indivíduos, cada qual no seu jornal, que pode debitar as burradas que quiser a seu bel-prazer, que tem sempre coluna aberta. Isto para mim é um sinal de manifesta falta de liberdade e pluralismo.
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De Luís M. Jorge a 21.10.2009 às 13:06

Ó homem, lá está você a confundir tudo: um nornal podia ser escrito apenas por uma pessoa e mesmo assim poderiamos ter uma imprensa livre: livre do poder, que é isso que interessa. Faz-lhe assim tanta impressão analisar os efeitos da pressão política sobre os jornais?
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De Luís M. Jorge a 21.10.2009 às 13:06

"jornal" em vez de "nornal".
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De Luís Lavoura a 21.10.2009 às 13:14

"livre do poder, que é isso que interessa"

Eu acho que não interessa apenas isso. Para mim imprensa livre deve ser também aquela em que livremente se publica e se reflete sobre a sociedade.

"a pressão política sobre os jornais"

Qual pressão? Onde é que você tem provas de que tal pressão existe?

Eu a única prova confessa que coheço é a do sr Paulo Azevedo, que diz claramente que o seu jornal Público tem uma orientação política.
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De Luís M. Jorge a 21.10.2009 às 13:27

"Qual pressão? Onde é que você tem provas de que tal pressão existe?"

Meu caro, pelo modo como encara os relatórios independentes internacionais, julgo que você seria incapaz de reconhecer uma "prova", mesmo que ela fizesse o pino à sua frente e lhe chamasse papá.

Quanto a esta la palissada:

"Para mim imprensa livre deve ser também aquela em que livremente se publica e se reflete sobre a sociedade."

Acho que devia ir ensinar aos repórteres sem fronteiras como se faz o trabalho deles. estamos conversados
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De Luís M. Jorge a 21.10.2009 às 13:30

Reparo que se deve ter dado por satisfeito quanto à magna questão do "desrespeito pelos africanos". Foi se calhar uma tempestade num copo de água.

Até porque, desconfio, o que o perturba é o "desrespeito" por alguns governantes portugueses, não é?
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De A. Pais de Almeida a 21.10.2009 às 14:20

Caro Luís M. Jorge, V., pelos vistos, não conhece o seu interlocutor (daqui da blogosfera, claro)... De outro modo, teria dedicado o seu tempo a algo de útil, não?
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De Luís M. Jorge a 21.10.2009 às 17:05

De facto tem razão: não conheço.
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De Pedro Correia a 21.10.2009 às 14:06

1. Repórteres sem Fronteiras é uma das mais prestigiadas organizações internacionais, sempre na primeira linha da defesa dos direitos humanos em geral e da liberdade de informação em particular.

2. A queda de 14 posições de Portugal no último ano é uma péssima notícia para os jornalistas portugueses, mas também para a sociedade portuguesa em geral.

3. No ano passado, em matéria de liberdade de imprensa, estávamos ao nível da Holanda e da República Checa. Este ano estamos ao nível do Mali e do Gana. Isto devia fazer-nos reflectir: cada vez mais distantes da Europa, cada vez mais perto de África.

4. Pode haver imprensa sem democracia, mas nunca haverá democracia sem imprensa.
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De Luís M. Jorge a 21.10.2009 às 14:13

"1. Repórteres sem Fronteiras é uma das mais prestigiadas organizações internacionais, sempre na primeira linha da defesa dos direitos humanos em geral e da liberdade de informação em particular."

Ainda ouviremos dizer que são apoiantes da Ferreira Leite.
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De sergio_alj a 21.10.2009 às 18:57

"3. No ano passado, em matéria de liberdade de imprensa, estávamos ao nível da Holanda e da República Checa. Este ano estamos ao nível do Mali e do Gana. Isto devia fazer-nos reflectir: cada vez mais distantes da Europa, cada vez mais perto de África."


Foi das frases mais brilhantes que já ouvi!! Então e a França (43º), a Espanha (44º) e a Itália (49º) estão mais perto de que CONTINENTE?
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De Pedro Correia a 21.10.2009 às 22:34

A Dinamarca vem em primeiro lugar. Que eu saiba, é um país europeu. Ou no seu Atlas privativo está em África?

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