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Um manual de mau gosto

por João Carvalho, em 19.10.09

Há dois ou três livros cuja leitura considero ser essencial para a vida: a Bíblia e O Capital (deixo o terceiro ao juízo dos leitores) são obras indispensáveis, goste-se ou não do conteúdo e concorde-se ou não com a ideologia, para entendermos o nosso mundo.

Não é preciso ser-se crente para se perceber uma obra que encerra valores que a própria Humanidade consagra, mesmo que alguns não sejam do nosso tempo por estarem hoje consagradas normas social e genericamente dadas por adquiridas. Por isto e por todas as razões, dizer que «a Bíblia é um manual de maus costumes» e ainda acrescentar que é «um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana» é bem mais do que uma ligeireza irresponsável. Saramago é um manual de mau gosto e não é de agora.

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85 comentários

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De l.rodrigues a 19.10.2009 às 12:24

Não percebo este ultrage. O homem faz a sua leitura selectiva da Biblia, como toda a gente.
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De João Carvalho a 19.10.2009 às 12:30

Não percebe? É só ler de novo o primeiro período do segundo parágrafo do 'post', que resume o meu fundamento. Se ainda assim não resultar, diga-me qual é a palavra que não percebe.
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De l.rodrigues a 19.10.2009 às 12:38

Perceberia se visse o mesmo ultrage quando alguém afirma que a Biblia é o mais belo livro de sempre e que por ela guia toda a sua vida. É o simétrico na selectividade da leitura e igualmente questionável.

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De João Carvalho a 19.10.2009 às 13:04

Por acaso, é engraçada essa sua 'simetria'. Embora não venha a propósito, é mesmo engraçada. Quando «alguém afirma que a Biblia é o mais belo livro de sempre e que por ela guia toda a sua vida» corre o risco de ferir os sentimentos de alguém?

Dizer o que Saramago disse corre seguramente o risco de ferir outros, que é exactamento o contrário do que se espera de uma pessoa civilizada e esclarecida. O modo gratuito com que se violenta quem crê é próprio de quem se está nas tintas para os outros, porque ninguém precisa disso para expor os seus pontos de vista.
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De Paulo Quintela a 19.10.2009 às 14:30

Se o critério é não ferir os sentimentos ou, acrescentaria, os interesses de outrem, então o caminho é o silêncio e a perpetuação das tradições milenares. Vejo-o contra toda a nudez ou será que não? Vejo-o a favor da escravatura ou será contra? Como lê o livro? À luz da História ou literalmente?
A bíblia é um livro colectivo de texto seleccionado, não é um texto de autor, é um livro censurado, é um manual empresarial e não consta que deus ou os seus directores gerais recorram ao RSI para sobreviver.
A bíblia e o 'Capital' são os seus livros de cabeceira? Faz bem, está no seu pleno direito. Não retire é a outros a opção de ter livros de cabeceira diferentes e de criticar a bíblia com o mesmo vigor e independência critica com que outros criticam o Capital.

Já sei que o meu comentário nada tem que se relacione com o seu artigo, sei também que está pejado de incorrecções e incoerências, pois é assim que tem por hábito responder aos que aqui, legitimamente , se lhe opõem.
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De João Carvalho a 19.10.2009 às 15:14

Legitimidade que é óbvia, quando corresponde ao enunciado. Por sinal, muito mal colocado, como já esperava. Se pensa que sou um purista, esqueça: não me conhece.

A substituição de «sentimentos» por "interesses" é sua e é abusiva. O critério é não ferir sentimentos, sim: os seus e os de seja quem for. Pode chamar-lhe compreensão, aceitação, tolerância ou simplesmente educação. Nada mais a acrescentar.
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De Paulo Quintela a 19.10.2009 às 15:46

Enquanto ateu (ainda sem sentença do Santo Ofício) agradeço a forma compreensiva, de aceitação, tolerante, simplesmente educada e plena de humildade cristã como acolheu o meu comentário.
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De l.rodrigues a 19.10.2009 às 14:31

Não se costuma dizer que ofende quem pode e não quem quer? Porque é que os crentes haviam de ficar ofendidos com o que diz Saramago? Que tipo de cuidado especifico deve este ter, por seu lado, com os sentimentos daqueles?
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De João Carvalho a 19.10.2009 às 15:15

O critério é não ferir os sentimentos seja quem for. Pode chamar-lhe compreensão, aceitação, tolerância ou simplesmente educação.
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De l.rodrigues a 19.10.2009 às 16:11

Há alguma ironia em ver este blogue condenar Saramago por aquilo que é claramente um Delito de Opinião.
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De João Carvalho a 19.10.2009 às 16:43

Não é por um delito, L.Rodrigues: é por um insulto gratuito que ele devia ter exposto como ponto de vista legítimo e não quis.
E não é condená-lo: é criticá-lo. E não é o DO: sou eu. E não seja abusivo na sua imaginação: seja mais rigoroso.
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De l.rodrigues a 19.10.2009 às 17:27

Se não abusar na imaginação, abuso aonde?
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De João Carvalho a 19.10.2009 às 18:16

Olhe, L.Rodrigues, faça como nós. Reunimos sensibilidades diferentes, não nos tratamos mal e respeitamos as diversas sensibilidades de quem nos lê e de quem aqui nos honra com os seus comentários. Crentes e não-crentes incluídos, como é óbvio.

Aproveito para assinalar um contraste importante que é de toda a justiça reconhecer: V., L.Rodrigues, tal como o Paulo Quintela, o ZA, etc., correram aqui em 'defesa' das palavras de Saramago e, no entanto, não precisaram de ser incorrectos com quem possa discordar. É simples, portanto. Simples, legítimo e a merecer toda a consideração.
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De Paulo Quintela a 19.10.2009 às 18:51

Pela minha parte não corri e muito menos em defesa fosse de quem fosse, até porque o homem nem precisa. Vim aqui expressar simples e livremente a minha opinião mas aproveito para assinalar o elegante desdém e o alegre clima de superioridade com que brinda habitualmente os que aqui se lhe opõem. Não que tal coisa me incomode, se isso ocorresse há muito que o teria deixado de comentar. Cada um adopta o tom que mais lhe convém sujeitando-se à apreciação livre de quem nos lê.
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De Daniela Major a 19.10.2009 às 19:02

Precisamente. Uma coisa é fazer críticas à maneira como os Homens lidaram com a religião, outra é críticar a própria religião. A ideia que dá é que Saramago tem dificuldade em aceitar a noção de que as pessoas têm todo o Direito de acreditar no que querem.
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De João Carvalho a 19.10.2009 às 19:55

Ora aí está, Daniela.
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De macarvalho a 25.10.2009 às 21:21

Na mouche .... nem Soares diria melhor!
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De A pau a 19.10.2009 às 14:38

ultraje e não "ultrage"
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De l.rodrigues a 19.10.2009 às 15:59

Claro. Obrigado.
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De Pedro Correia a 19.10.2009 às 12:27

Aguardo ansiosamente as opiniões de Saramago sobre o Alcorão.
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De l.rodrigues a 19.10.2009 às 12:28

No artigo referenciado ele também o menciona.
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De João Carvalho a 19.10.2009 às 12:28

Senta-te, compadre...
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De Pedro Correia a 19.10.2009 às 12:43

Vou mesmo esperar sentado. Com um longo bocejo. O que aconteceu ao Rushdie deve fazer pensar muitas vezes a desassombrada voz de Lanzarote.
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De za a 19.10.2009 às 12:32

Diz você.
Como Saramago penso da Biblia exactamente o mesmo. Como você também acho a Bíblia e o Corão obras histórica/ literárias fundamentais mas subscrevo inteiramente o que Saramago pensa delas. Pensa diferente? Ok! Mas felizmente existem mais opiniões
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De João Carvalho a 19.10.2009 às 14:23

Está enganado. Não penso nem deixo de pensar, que é coisa que não vem ao caso. O que vem ao caso, como parece que V. não percebeu, é o insulto gratuito. O que eu penso e (espero eu) o que V. pensa não tem de ser exposto publicamente em termos insultuosos para com aqueles que pensam de outro modo.

O direito à opinião não deve confundir-se com direito ao insulto, que são coisas que Saramago confunde vulgarmente. Se há algo que a Igreja prega hoje em dia (e pratica por todo o mundo na sua intervenção junto dos mais diversos povos e dos mais frágeis) é a compreensão e tolerância.
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De za a 19.10.2009 às 19:33

desculpe, onde você vê insulto eu vejo uma opinião. não será na sua cabeça que o insulto se forma? 'a igreja católica faz coisas positivas' concerteza que sim mas o que é que isso tem com as opiniões de saramago? os judeus, hindus , muçulmanos e outras religiões também o fazem e não é por isso que eu/você omito opiniões às vezes bem duras sobre elas. nada nem ninguém é infalível .
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De Leonor Barros a 19.10.2009 às 12:34

Vou já comprá-lo. Estou curiosa.
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De Leonor Barros a 19.10.2009 às 12:36

O Caim naturalmente.
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De ariel a 19.10.2009 às 12:36

Como diz o outro, não havia necessidade . Pareceu-me acabadote . Ele também fala no Alcorão, distribuiu o mal pelas aldeias.
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De Pedro Correia a 19.10.2009 às 12:44

Gostaria que a próxima personagem do próximo romance dele fosse o profeta Maomé. Para equilibrar ainda mais.
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De l.rodrigues a 19.10.2009 às 12:49

Essa é uma crítica que me parece um bocado injusta. Parece-me claro que Saramago dificilmente escreverá um romance sobre o Corão e por muitas outras razões que não, necessariamente, a falta de coragem.
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De Daniela Major a 19.10.2009 às 19:29

L. Rodrigues, talvez não. Mas não me vai dizer que há diferenças ENORMES entre escrever um livro a críticar o Deus Católico e um livro a críticar Alá e os muçulmanos.
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De l.rodrigues a 20.10.2009 às 00:47

Há diferenças, mas o Saramago não tem culpa delas, nem isso invalida o que ele tinha a dizer sobre a Biblia, além de neste caso, os comentadores insistirem em ignorar que ele meteu o Corão no mesmo saco. Muito poucas das criticas que aqui vi me pareceram honestas.
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De ariel a 19.10.2009 às 14:41

Pedro, apesar do grande alvoroço do evangelho segundo Jesus Cristo, considero que é uma das obras menos conseguidas do Saramago. Não é fácil escrever dentro daquele universo, é necessário um talento e uma sensibilidade que lhe faltou. Para mim que não sou critica literária, o livro perde fulgor a partir do meio. Li-o quando saiu, já lá vão uns anos largos, e lembro-me da sensação de desencanto, e de pensar que ele não teve mão para tamanha obra. Em todo o caso o livro está longe de ser ofensivo.
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De Pedro Correia a 20.10.2009 às 22:58

Só ofende quem pode e não quem quer, Ariel. Pela minha parte, também o considero um dos livros mais fracos de Saramago.
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De Carlos Barbosa de Oliveira a 19.10.2009 às 14:14

Como a Leonor, também estou ansioso por ler o livro.
Quanto às opiniões de Saramago sobre a Bíblia, embora não as subscreva, encaro com a mesma indiferença com que assisti à reacção às caricaturas de Maomé ou às críticas de Rushdie ao Corão. São apenas opiniões.
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De Leonor Barros a 19.10.2009 às 14:27

Faz parte da imagem pública do escritor estar do contra e fazer declarações bombásticas, Carlos. A Lobo Antunes não lhe dá na religião mas também usa desta prorrogativa do seu estatuto de rebeldia. Nada de novo. Leiamos o livro então :)
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De Crítico literário a 19.10.2009 às 14:43

"Leiamos o livro então :)"

Isso é que nunca! Era só o que faltava. Por mim, fico-me pelas badanas (na livraria).
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De Leonor Barros a 20.10.2009 às 09:04

Se fosse a si fugia até das badanas.
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De João Carvalho a 20.10.2009 às 10:02

A menos que seja sopa de badanas de tubarão. Hehe...
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De patti a 19.10.2009 às 14:54

Tenho cá para mim, que o Saramago ficou enciumado de tanta polémica com a Maitê e andou a ver como poderia dar que falar e, quem sabe, também ter direito a telejornais nacionais.
E a religião cristã, será sempre uma boa alternativa.

Estranha, esta perseguição a uma ideologia, vinda de quem bebeu toda a vida de uma outra.
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De patti a 19.10.2009 às 15:14

Adenda: religião cristã e judaica.
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De João Carvalho a 19.10.2009 às 15:17

Realmente, o que mais tem é estranheza. Concordo.
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De maloud a 19.10.2009 às 15:24

As religiões são ideologias?! Estou sempre a aprender:)))
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De João Carvalho a 19.10.2009 às 16:36

Espero que esteja sempre aberta e ainda a tempo.
Ideologia = conjunto de ideias, pensamentos, doutrinas e visões de mundo de um indivíduo ou de um grupo.
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De maloud a 19.10.2009 às 16:59

Eu estou é com uma grande dor de dentes. Amanhã procurarei restar aberta, se ainda for a tempo.
Religião=1. culto prestado a uma divindade; crença na existência de um ente supremo como causa, fim ou lei universal 2. conjunto de dogmas e práticas próprias de uma confissão religiosa 3. a manifestação desse tipo de crença por meio de doutrinas e rituais próprios. 4. crença, devoção, piedade 5. reverência às coisas sagradas
Do Houaiss
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De João Carvalho a 19.10.2009 às 17:09

Certo. O que não invalida a definição que coloquei antes. De qualquer modo, o termo 'religião' não encontra correspondência em outras línguas, parece-me. Assim, visto por analogia, parte das definições que aqui nos trouxe podem andar na linha das ideologias. O que nem sequer acredito que seja chocante.

Entretanto, as sua melhoras rápidas. Isso é um padecimento horrível.
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De mdsol a 19.10.2009 às 17:06

Dizem as más línguas que é muito notório que os últimos livros* assentam demasiado num determinado pilar...

* Dizer últimos livros é pouco exacto, mas...



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De ariel a 19.10.2009 às 17:56

Não é um mero pilar, é uma trave mestra...
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De João Carvalho a 19.10.2009 às 18:19

Por falar nisso: que será feito da Ana Mestre, que há tantos dias não aparece por cá?

(Desculpe aproveitar o seu comentário para isto, Ariel.)
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De ariel a 19.10.2009 às 18:45

Por quem é João, aproveite os meus comentários sempre que desejar, confio que será sempre para uma boa causa :)))
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De João Carvalho a 19.10.2009 às 19:58

Sempre, Ariel.
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De mdsol a 19.10.2009 às 21:04

Ou isso, Ariel. Ou isso.

:)))
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De Ana Vidal a 19.10.2009 às 18:29

Recuso-me a alimentar a polémica, que é exactamente o que quer Saramago. Ele adora estar no centro das atenções e ainda para mais agora, que tem um livro para vender... ou acham que o momento destas declarações é casual?

Por outro lado, eu ouvi parte da entrevista - que achei de um pretensiosismo insuportável, já agora - e ele diz às tantas, depois dessa bomba que referes: "Estamos lá todos" (na Bíblia). E com esta simples admissão está a restituir à Bíblia toda a importância histórica e sociológica que ela tem. Engraçado, não?
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De João Carvalho a 19.10.2009 às 20:01

Tens toda a razão, na primeira parte. E tens toda a razão, na segunda parte, em que ele julga que é irónico e é 'vítima' da própria ironia. Engraçado.
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De macarvalho a 25.10.2009 às 21:31

Dos comentários mais certos que li aqui.
Saramago é polémico, gosta de provocar e de chocar. Pretensioso e com uma total falta de bom senso, que nem a idade curou.
E, óviamente, tem um livro para vender.

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