Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]




De tombo em tombo

por Pedro Correia, em 25.06.19

image_content_1975356_20190116194131.jpg

 

Aumenta a convicção, apoiada pelas mais recentes sondagens, de que o PSD terá em Outubro o pior resultado alguma vez obtido numas eleições legislativas. Enquanto Rui Rio - há um ano e meio em funções na presidência do partido - transmite a crescente sensação de ser um actor sempre à procura do seu papel: remete-se ao silêncio quando devia falar, insiste em abrir a boca quando devia calar-se. 

Em poucos dias, somou mais uma série de erros e disparates.

 

Lembrou-se, por exemplo, de reduzir o número efectivo de deputados pela contabilização de votos brancos e nulos, que originariam cadeiras vazias no hemiciclo de São Bento - proposta de tal modo estapafúrdia que acabou por afogar-se à nascença.

Apressou-se a sair em defesa de António Costa na controversa decisão de nacionalizar o sistema integrado de redes de emergência e segurança quando ainda nada se sabe sobre os contornos deste negócio.

Apresta-se a transformar o PSD num pneu sobressalente do Governo após o fracassado acordo à esquerda em torno da Lei de Bases da Saúde, a três meses das legislativas, aparentemente esquecido de que o PS, pela voz autorizada de Pedro Nuno Santos, garantira em Janeiro de 2017 que «nunca mais precisará da direita para governar» .

Critica a anunciada medida do Executivo relativa à dispensa dos trabalhadores da função pública no acompanhamento do primeiro dia de aulas dos filhos sem sequer a ter lido: faz alusão a «um dia de folga» quando o diploma aponta para um máximo de três horas de falta justificada.

Deixa ao CDS terreno livre para reivindicar uma medida mais que justa: o alargamento do acesso à ADSE a todos os trabalhadores do sector privado, pondo fim a uma discriminação que não faz hoje o menor sentido.

 

Silencia o descalabro nas urgências externas das maternidades, decorrente da falta de especialistas em ginecologia e obstetrícia - tema em que urgia ouvir a voz do PSD enquanto maior partido da oposição, tanto mais que a situação «ultrapassa os limites do aceitável», segundo o bastonário da Ordem dos Médicos, e os próprios directores clínicos denunciam a «situação caótica» reinante em diversas unidades hospitalares.

Neste contexto, agravado pelas cativações do ministro das Finanças, escuta-se o Presidente da República, exigindo que tudo seja «devidamente esclarecido e explicado», e Marques Mendes acusa o ministro das Finanças de ser o «coveiro do Serviço Nacional de Saúde». Mas Rio prefere calar-se.

 

Está talvez mais preocupado em «escorraçar os desleais» das próximas listas eleitorais do seu partido: a única luta política que parece animá-lo é o combate ao adversário interno.

Pode ficar tranquilo: ao ritmo a que o PSD vai tombando nas intenções de voto, só lhe restará mesmo um pequeno núcleo de fiéis para alojar.


3 comentários

Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 25.06.2019 às 10:08

uma medida mais que justa: o alargamento do acesso à ADSE a todos os trabalhadores do sector privado

Essa medida "justa" é na verdade disparatada e impossível de pôr em prática.

Qualquer patrão ou grupo de patrões (ou sindicatos) privados pode fazer uma ADSE (um seguro coletivo de saúde) para os seus trabalhadores. Não é preciso ser a ADSE dos funcionários públicos. É ridículo pedir-se ao Estado que faça ele aquilo que a sociedade civil pode muito bem fazer.

A ADSE dos funcionários públicos já hoje está em stresse financeiro. Se a ela se acrescentassem milhares de trabalhadores do privado com baixos salários, ia à falência num ápice.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 25.06.2019 às 11:47

Ah ah ah ah, um gajo depois de ler uma coisa destas até fica incontinente de tanto rir. Ah ah ah ah, vou ter que usar uma fralda do cota!

Sm
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 25.06.2019 às 12:01

Muito riso, pouco siso.

Comentar:

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.



O nosso livro






Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2019
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2018
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2017
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2016
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2015
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2014
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2013
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2012
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2011
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2010
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2009
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D