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De tombo em tombo

por Pedro Correia, em 25.06.19

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Aumenta a convicção, apoiada pelas mais recentes sondagens, de que o PSD terá em Outubro o pior resultado alguma vez obtido numas eleições legislativas. Enquanto Rui Rio - há um ano e meio em funções na presidência do partido - transmite a crescente sensação de ser um actor sempre à procura do seu papel: remete-se ao silêncio quando devia falar, insiste em abrir a boca quando devia calar-se. 

Em poucos dias, somou mais uma série de erros e disparates.

 

Lembrou-se, por exemplo, de reduzir o número efectivo de deputados pela contabilização de votos brancos e nulos, que originariam cadeiras vazias no hemiciclo de São Bento - proposta de tal modo estapafúrdia que acabou por afogar-se à nascença.

Apressou-se a sair em defesa de António Costa na controversa decisão de nacionalizar o sistema integrado de redes de emergência e segurança quando ainda nada se sabe sobre os contornos deste negócio.

Apresta-se a transformar o PSD num pneu sobressalente do Governo após o fracassado acordo à esquerda em torno da Lei de Bases da Saúde, a três meses das legislativas, aparentemente esquecido de que o PS, pela voz autorizada de Pedro Nuno Santos, garantira em Janeiro de 2017 que «nunca mais precisará da direita para governar» .

Critica a anunciada medida do Executivo relativa à dispensa dos trabalhadores da função pública no acompanhamento do primeiro dia de aulas dos filhos sem sequer a ter lido: faz alusão a «um dia de folga» quando o diploma aponta para um máximo de três horas de falta justificada.

Deixa ao CDS terreno livre para reivindicar uma medida mais que justa: o alargamento do acesso à ADSE a todos os trabalhadores do sector privado, pondo fim a uma discriminação que não faz hoje o menor sentido.

 

Silencia o descalabro nas urgências externas das maternidades, decorrente da falta de especialistas em ginecologia e obstetrícia - tema em que urgia ouvir a voz do PSD enquanto maior partido da oposição, tanto mais que a situação «ultrapassa os limites do aceitável», segundo o bastonário da Ordem dos Médicos, e os próprios directores clínicos denunciam a «situação caótica» reinante em diversas unidades hospitalares.

Neste contexto, agravado pelas cativações do ministro das Finanças, escuta-se o Presidente da República, exigindo que tudo seja «devidamente esclarecido e explicado», e Marques Mendes acusa o ministro das Finanças de ser o «coveiro do Serviço Nacional de Saúde». Mas Rio prefere calar-se.

 

Está talvez mais preocupado em «escorraçar os desleais» das próximas listas eleitorais do seu partido: a única luta política que parece animá-lo é o combate ao adversário interno.

Pode ficar tranquilo: ao ritmo a que o PSD vai tombando nas intenções de voto, só lhe restará mesmo um pequeno núcleo de fiéis para alojar.


34 comentários

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De jpt a 25.06.2019 às 08:08

Rio cairá na noite eleitoral - ainda que, pela amostra, seja quase certo que irá tentar alijar responsabilidades pelo que vai acontecer. E na sequência o actual maior partido português ficará na oposição com uma representação parlamentar não só reduzida mas composta por gente alheada (mesmo contando com a volubilidade de muitos políticos) da direcção seguinte. Com um PS destes a governar isto é inacreditável, que legislatura que aí virá ...
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De Pedro Correia a 25.06.2019 às 15:23

Já vimos este filme em 2009. Faz agora dez anos.
Quando o PSD, nos meses que precederam as legislativas, moveu guerra aberta aos adversários internos - escorraçando Passos Coelho das listas eleitorais, por exemplo - e contribuiu, deste modo, para a vitória de Sócrates nas urnas. Que, liderando um partido coeso e compacto, conduziu o País à iminente bancarrota ano e meio mais tarde.
Ferreira Leite em 2009 e Rio em 2019 têm alguns ideólogos de cabeceira comuns. Bem ensinava Marx: a história repete-se como farsa.
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De Vorph Valknut a 25.06.2019 às 08:41

Quem nasce lagartixa não chega a jacaré. Rio não vai além dos Distritais. Falta-lhe um bom pé direito para subir ao Nacional. Uma chatice porque pela primeira vez temo não saber onde deva votar.

Post Scriptum: Não há no PPD-PSD ninguém com carisma de lider para ser um putativo candidato a PM (as qualidades técnicas-académicas não bastam; Pedro Duarte, Moreira da Silva não são artistas de feira. Dão bons ministros, mas não primeiros ministros). O fim do partido?
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De Luís Lavoura a 25.06.2019 às 12:00

pela primeira vez temo não saber onde deva votar

O Pedro Vorph costuma votar PSD?

Coitado...
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De Vorph Valknut a 25.06.2019 às 13:21

O meu voto é um bocado vadio. Já votei em todos excepto, PSD e PC. Mas, em abono da verdade, sou também um bocado badalhoco.
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De Pedro Correia a 25.06.2019 às 15:24

É impressão minha ou você foi separado à nascença do actual presidente russo, Vorph?
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De Pedro Correia a 25.06.2019 às 21:39

Este seu novo avatar ainda se arrisca a figurar nas "Belles toujours"...
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De Pedro Correia a 25.06.2019 às 22:58

Se não é indiscrição: é familiar do Pedro Vorph?
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De Antonio Maria Lamas a 25.06.2019 às 09:08

Pior é impossível.
Custa a acreditar que o maior partido português esteja reduzido a uma pequena maioria, não sulista e elitista, mas nortenha e canhestra.
Às vezes penso se esta tática do RR não faz parte de uma bem orquestrada conspiração para acabar com o regime actual.
Criar um caos de tal envergadura que faça cair a terceira República e daí, emergir uma nova ordem.
Não acredito que RR fique indiferente ao que se passa na saúde, nos transportes, e na função pública em geral, e não dê saltos na cadeira quando vê e ouve o Centeno a bolçar mentiras na conferência de imprensa de ontem.
Por muito que seja mau, RR não pode ser tão mau assim.
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De Pedro Correia a 25.06.2019 às 21:40

Não acredite que «pior é impossível».
Em política, é sempre possível haver pior.
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De Manuel Sousa a 25.06.2019 às 09:47

a nova Torre do Tombo.
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De Pedro Correia a 25.06.2019 às 15:25

Uma torre que não evitará o xeque ao Rio.
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De Luís Lavoura a 25.06.2019 às 10:08

uma medida mais que justa: o alargamento do acesso à ADSE a todos os trabalhadores do sector privado

Essa medida "justa" é na verdade disparatada e impossível de pôr em prática.

Qualquer patrão ou grupo de patrões (ou sindicatos) privados pode fazer uma ADSE (um seguro coletivo de saúde) para os seus trabalhadores. Não é preciso ser a ADSE dos funcionários públicos. É ridículo pedir-se ao Estado que faça ele aquilo que a sociedade civil pode muito bem fazer.

A ADSE dos funcionários públicos já hoje está em stresse financeiro. Se a ela se acrescentassem milhares de trabalhadores do privado com baixos salários, ia à falência num ápice.
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De Anónimo a 25.06.2019 às 11:47

Ah ah ah ah, um gajo depois de ler uma coisa destas até fica incontinente de tanto rir. Ah ah ah ah, vou ter que usar uma fralda do cota!

Sm
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De Luís Lavoura a 25.06.2019 às 12:01

Muito riso, pouco siso.
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De Anónimo a 25.06.2019 às 12:59

É verdade, pois é nestes momentos que a dúvida me assalta:

- o Rui Rio lê os seus comentários e inspira-se neles;

- o caríssimo Lavoura é assessor de Rio.

Sm
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De António a 25.06.2019 às 20:42

Eu também acho que é ridículo pedir-se ao Estado que faça aquilo que a sociedade civil pode muito bem fazer.
Não lhe conhecia a veia ultra-liberal, caro Lavoura.
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De Anónimo a 25.06.2019 às 10:37

Sem uma garantia assinada pelo Sr. A. Costa, preto no branco, que votar PS não é também votar BE, ou mesmo PCP ... não.
Uma geringonça é o abdicar, posterior à votação, do previamente apregoado projecto eleitoral de um partido.

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De Anónimo a 25.06.2019 às 12:55

Daria tudo para ainda acreditar que existe diferença, para o meu bem estar bem assim para o do meu país, entre ganhar um ou outro partido, nestas eleições legislativas.
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De Pedro Correia a 25.06.2019 às 21:41

As diferenças vão-se esbatendo, de "pacto em pacto".
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De Anónimo a 25.06.2019 às 14:25

A ESTES COMENTEIROS NUNCA SE SABE SE O TIRO LHES SAI PELA CULATRA.
RUI RIO JÁ TRANSFORMOU MINORIAS EM MAIORIAS.
NO FINAL DO JOGO, VEREMOS.
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De Pedro Correia a 25.06.2019 às 15:12

Para a próxima escreve em minúsculas, se não te importas, anonimozinho.
Detesto que me berrem aos ouvidos. Ou no teclado.
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De Anónimo a 25.06.2019 às 19:41

Lamento mas eu dei os meus dados, como sempre o fiz..
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De Pedro Correia a 25.06.2019 às 21:41

OK, tudo bem.
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De jo a 25.06.2019 às 17:00

O PSD está completamente perdido no seu labirinto.
Quem ler estes post e comentários fica convencido que Rio foi nomeado por decreto do primeiro ministro ou ocupa um cargo hereditário.

Se bem me lembro Rio foi eleito pelos seus pares, que sendo exímios em queimar quem elegeram, sofrem de um défice de coragem, ou excesso de calculismo, para se chegarem à frente.

Já sabemos o que não querem, o que não gostam e o que não fariam se estivessem no lugar de Rio. Resta saber o que querem, gostariam e fariam no lugar dele. E aí é que porca torce o rabo.
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De Pedro Correia a 25.06.2019 às 21:33

Se quem ler o que escrevi «ficar convencido que Rio foi nomeado por decreto do primeiro-ministro», é iliterado ou imbecil.
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De jo a 27.06.2019 às 16:31

Anda-lhe a fugir muito o pé para a chinela.
Tem de tomar um cházinho que isto de chamar imbecil a torto e a direito não é maneira de discutir.
Fica a pergunta: Se não gostam do homem porque é que o puseram lá?
Querem governar um país e não sabem como funciona uma eleição.
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De Pedro Correia a 27.06.2019 às 17:57

Dois dias depois, a conversa está encerrada.
Há outras coisas para debater.
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De Anónimo a 25.06.2019 às 17:19

"Lembrou-se, por exemplo, de reduzir o número efectivo de deputados pela contabilização de votos brancos e nulos, que originariam cadeiras vazias no hemiciclo de São Bento - proposta de tal modo estapafúrdia que acabou por afogar-se à nascença."

Excelente proposta deveria também incluir a abstenção.
Reconhecer o presente Totalitarismo da Política é o primeiro passo para o Ocidente recuperar a criatividade do passado e não acabarmos como a União Soviética

lucklucky

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De Pedro Correia a 25.06.2019 às 21:42

Temos enfim aqui um entusiasta de Rio. Batendo-lhe palminhas mais rápido do que a própria sombra.

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