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Engraçada teoria (2)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 08.10.09

O PS tem insistido, a propósito da governabilidade, na ideia de que o povo português ofereceu ao PS a legitimidade para governar, chumbando as propostas da oposição, pelo que tem de ser a oposição, e não o PS, a ceder nos seus programas eleitorais. Afinal de contas, diz-se pelo PS, o programa do PS foi o que recolheu mais votos.

Engraçada esta teoria socialista que trata os portugueses como uma massa colectiva, cuja vontade se traduziu no resultado eleitoral e que parece esquecer-se que cada voto é um voto e que a maioria dos votos quis penalizar a governação socialista. Se o PS quer governar o país de acordo com a vontade dos portugueses, não pode valorizar mais os votos da minoria de eleitores que votou no PS, como se essa minoria valesse mais do que a maioria dos que votou por uma mudança de política.

Engraçada esta teoria socialista que parece esquecer que a maioria dos portugueses não quis o programa do PS e que, mais do que isso, pretendeu que este chegasse a compromissos vários com as oposições. Se o eleitorado quisesse que fossem as oposições a ceder perante o PS e não o contrário, teria dado maioria aos socialistas.

Seria por isso preferível que o PS, respeitando os resultados eleitorais e a vontade expressa pelo povo, se preparasse para ceder no seu programa eleitoral em vez de fazer-se de virgem ofendida de cada vez que alguém profere a palavra compromisso. É que, desta vez, e muito enganado posso eu estar, o ónus da governabilidade recai sobre o governo e não sobre qualquer um dos partidos da oposição. A isto voltarei.


2 comentários

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De Clara França Martins a 08.10.2009 às 15:52

Desculpe, mas o ónus da governabilidade, no caso de maioria relativa, recai sobre todos os psrtidos, seja o do governo sejam as oposiç~es. Ninguém vai governar com o programa dos outros, como os outros não vão "opor-se" com o programa do governo. Terá de haver entendimentos, cedências, compromissos de parte a parte, isso parece-me óbvio, caso contrário o país não é governável e terá de haver novamente eleições. Mas quem eu tenho ouvido dizer que não fazem qualquer cedência são os partidos da oposição. Mas, como estamos em campanha eleitoral, essas afirmações são compreensíveis. Acabada a campanha, vamos então ver quem sabe como funciona uma democracia e quem não sabe. Ou será que preferem, afinal, uma maioria absoluta?
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De Adolfo Mesquita Nunes a 08.10.2009 às 16:07

Clara, talvez eu não tenha sido muito claro com o que quis dizer. O ónus de governabilidade recai evidentemente sobre todos.

O que quis dizer foi o seguinte:

Há sempre quem assuma as culpas políticas pela falta de governabilidade. Se normalmente costumam ser os partidos que, na oposição, rejeitam o consenso com o governo, a arcar com essas culpas, penso que o actual ambiente político sugere que as culpas, em caso de falta de consenso, ficarão com o governo.

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