Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Sócrates já nem pestaneja

por João Carvalho, em 03.10.09

Para José Sócrates, é «uma grande notícia» que os irlandeses tenham maioritariamente dito 'sim' ao tratado pró-constitucional europeu, o chamado Tratado de Lisboa, nesta insistência do segundo referendo lançado por Dublin para o efeito. Sócrates declarou sem pestanejar que foi uma resposta «clara e livre». Se pestanejou, foi por se lembrar de que nos prometera também um referendo sobre o tratado e faltou à promessa. Os portugueses não puderam igualmente pronunciar-se de forma "clara e livre", por ele ter sonegado a oportunidade. Se pestanejou, foi por isso. Mas acho que não pestanejou: faltar a promessas tornou-se corriqueiro com o tempo.


26 comentários

Sem imagem de perfil

De Ana Cleto a 03.10.2009 às 20:51

Pestanejar revela vergonha na cara.
Impossível, no caso.
Imagem de perfil

De João Carvalho a 03.10.2009 às 22:10

Tudo indica que sim.
Sem imagem de perfil

De james a 03.10.2009 às 22:32

Se não nos tivesse sido sonegada a oportunidade talvez, como alternativa, nos virássemos, exclusivamente, para a África subsariana, Cabo Verde e Arquipélago dos Bijagós...
Imagem de perfil

De João Carvalho a 04.10.2009 às 00:20

Referendar os tratados europeus e aproveitá-los para discutirmos a Europa a que pertencemos, para si, é o mesmo que divergir e ir pescar alternativas africanas? Acho extraordinário e tenho a certeza, pelo que já tenho lido do que escreve, de que este aparente radicalismo foi só um desabafo apressado e ligeiro. Certo? Ou discutir o traçado de uma avenida é igual a sair do quarteirão e enveredar pelo beco que fica ali mais adiante?
Sem imagem de perfil

De james a 04.10.2009 às 00:53

João Carvalho: nós estávamos na avenida desde 1986. Entretanto, fizeram-se obras ...
Tal como o J. Sá Fernandes devíamos propugnar pelo embargo da obra como no túnel do Marquês?
Qual era o efeito útil? Mais outra derrapagem?

(é óbvio que nada me move contra o referendo de tratados, mas também tem que chamar à colação mais partidos políticos e outros órgãos de soberania).
Imagem de perfil

De João Carvalho a 04.10.2009 às 01:04

Desculpe lá, a rpimeira parte, metafórica ou não, não serve para pugnar (pugnar) pelo tema do tratado.

Quanto à parte final - entre parêntesis incompreensivelmente, porque do tema se trata - posso realmente proceder a um monte de chamadas. Mas, se não se importa, desta vez preferi chamar só um. Foi o que fiz: chamei aquele que me prometeu fazer um referendo ao tratado (que, para mim, era uma bela ocasião para aprofundar entre nós a realidade europeia) e que me enganou ao dar o dito por não-dito.
Sem imagem de perfil

De Anónimo a 04.10.2009 às 01:31

Compreendo o seu ponto de vista e está no direito de chamar quem o enganou.
Em minha opinião, e COM A COMPLACÊNCIA DE OUTROS ÓRGÃOS DE SOBERANIA, quis-se tão somente aligeirar o processo, ainda que se tenha dado o dito por não dito e reconheço que não foi explicada convenientemente esta alteração. Mais. Dou de barato que até teria sido fácil explicar a mudança operada...
Sem imagem de perfil

De james a 04.10.2009 às 01:39

Sou eu o autor do comentário.
james
Imagem de perfil

De João Carvalho a 04.10.2009 às 01:44

Eu percebi, James.
Imagem de perfil

De João Carvalho a 04.10.2009 às 01:40

Não, não compreendeu o meu ponto de vista. Por defeito meu, naturalmente. É que eu estou menos interessado na explicação da mudança operada (que até conheço) e muito mais interessado em ver discutida a Europa entre nós, que continua por discutir e continua lá longe.
Sim, há outras instituições do Estado e partidos que também não promovem o tema e deviam fazê-lo. E NÃO ME GRITE!
Sem imagem de perfil

De james a 04.10.2009 às 01:55

Costumo falar em tom de voz baixo. Não tenho é recursos para escrever em itálico. Daí a peixeirada . :)

Também me sinto periférico, mas não penso que um debate alargado, ainda para mais em contexto referendário, sobre o nosso papel na Europa viesse alterar a situação.
Lamentavelmente, incluindo eu próprio, é assim que penso.
Imagem de perfil

De João Carvalho a 04.10.2009 às 01:58

Eu também não uso itálicos nas caixas de comentários. A importância das palavras escritas está no próprio texto.
Sem imagem de perfil

De maloud a 03.10.2009 às 22:40

Não me lembro do Sócrates ter prometido referendar o Tratado de Lisboa. Quando é que ele fez essa promessa?
Imagem de perfil

De João Carvalho a 04.10.2009 às 00:10

Fê-la quando ainda se chamava «uma espécie de Constituição europeia». E não irei discutir a designação, que já está por demais dissecada com base no âmbito e alterações do conteúdo.

Pela minha parte, face ao saco sem fundo de promessas feitas e não cumpridas, o referendo ao tratado foi apenas mais uma. Não se cumpriu por causa do âmbito e alterações do conteúdo? Pois. Por estas e por outras é que Portugal nunca discutiu a Europa. É pena.

O certo é que nos sentimos longe e afastados dos europeus escusadamente. E assim nos vamos arrastando penosa e perifericamente, levados por uns quantos seres ditos pensantes que só detêm o poder efémero das democracias, protagonistas de uma curva descendente de qualidade que os exclui de qualquer elite pensadora e cuja preparação política, com honrosas e ínfimas excepções, é aquilo que se vê no dia-a-dia.
Sem imagem de perfil

De Maria a 04.10.2009 às 02:26

Rebobinando a “cassete” …

Na altura falava-se que a decisão de Sócrates também teria passado por pressões internacionais em particular do chanceler alemã Angela Merkel , de Sarkosy e de Gordon Brown – Paulo portas, no Parlamento, acusava Sócrates de ter preferido
“Compromissos com outros primeiros-ministros” do que com o seu próprio país e acrescentava: "Preferiu uma atitude de receio, não fazer o referendo, a uma promessa de coragem, que é fazer o referendo" - Sócrates respondia: "O meu compromisso é com a Europa porque o interesse vital de Portugal é com o projecto europeu" - reiterando que o compromisso eleitoral do PS era relativo ao “Tratado Constitucional” e não ao “Tratado de Lisboa” - Aqui está - "o interesse vital de Portugal" - a grande necessidade de (todos nós e não só o Moreira), os interessados serem esclarecidos sobre o "projecto".
(O Presidente Cavaco Silva também teria dito que era contra os referendos internacionais e que a UE pagaria um “preço elevadíssimo” se o tratado fracassasse).

Tudo isto leva-me a concluir que o nosso “Primeiro” e, quiça , o nosso Presidente estavam a ser vítimas duma “asfixia democrática” no sentido de-fora-para-dentro ”:))
Imagem de perfil

De João Carvalho a 04.10.2009 às 03:11

Em suma: Sócrates não cumpriu o compromisso assumido perante os portugueses.

De resto, não serei eu a dizer que o tratado não é essencial. Mantenho dúvidas porque queria a Europa por uma vez e finalmente discutida em Portugal. Para bem de todos nós, periféricos e desconhecedores de tanta matéria comunitária.
Sem imagem de perfil

De maloud a 04.10.2009 às 13:46

E o João acha que onde houve referendos se discutiu a Europa? Eu acompanhei de perto o referendo francês e o Não foi ditado pelo medo do électricien polonais, esgrimido a torto e a direito.
Aliás basta ver as nossas campanhas para o PE, onde tudo se discute menos a Europa, para percebermos que não sairíamos mais esclarecidos dum debate entre os apoiantes do Sim e os do Não. Votaríamos por feeling ou por medo.
Dito isto, eu li a tal "espécie de Constituição europeia" (dou-lhe um doce, se adivinhar quem a ofereceu) e, se tivesse havido referendo, votaria Sim.
Imagem de perfil

De João Carvalho a 04.10.2009 às 16:58

Maloud, não estou certo de que o referendo fosse uma via para discutir a Europa, mas Portugal não é igual à França ou a um país central europeu, por um lado, e todos os pretextos podem ser pelo menos razoáveis, por outro. E um referendo não é necessariamente como as eleições europeias.

Enfim, talvez tenha razão, mas nunca entenderei a recusa, menos ainda após a promessa. Provavelmente, também eu votaria 'sim', mais por convicção do que por certezas (mas não adivinho quem possa ter feito tal oferta).
Sem imagem de perfil

De maloud a 04.10.2009 às 17:08

Eu dou uns indícios: portuense à época deputado europeu e defensor do não. Quem é amiga, quem é? :)))
Imagem de perfil

De João Carvalho a 04.10.2009 às 17:13

JPP??? Tenho até engulhos... tric... de escrever... tric... o nome...
Sem imagem de perfil

De maloud a 04.10.2009 às 18:10

Tric, tric! :)))
Sem imagem de perfil

De Luís Reis Figueira a 03.10.2009 às 23:01

Sempre achei bizarra esta nova votação quando a primeira não deu os resultados 'convenientes'.
- Como?, votaram não?, deve haver aqui algum equívoco... Ora vamos lá a votar de novo, para ver se agora dão a resposta certa.
Tenho a impressão de que o chefe pestanejaria - e muito - se alguém se lembrasse que o resultado das legislativas não tinha sido o esperado e se procedesse a nova votação... Por certo, não iria desta vez declarar que seria uma resposta «clara e livre»...
Imagem de perfil

De João Carvalho a 03.10.2009 às 23:54

É. Acho que os irlandeses não se tinham expressado de forma «clara e livre» no ano passado. Pelos vistos, a crise teve mais esta vantagem para alguns.
Sem imagem de perfil

De Luís Reis Figueira a 04.10.2009 às 00:06

Pois, é isso!... Por cá não é necessário proceder a nova votação porque o resultado só mudaria se estivéssemos em crise. Como por estas bandas, felizmente, não se sabe o que isso seja, não há necessidade de um novo 'referendo legislativo'..., que é como quem diz, uma nova resposta 'clara e livre'...
Seria 'clareza e liberdade' a mais, está visto.
Imagem de perfil

De João Carvalho a 04.10.2009 às 00:26

Temos, pois, a confirmação de que há sempre quem fique a ganhar com as crises.
Quanto a fazer-se por cá um novo referendo, como dizes, é tão impossível quanto fazer sair Nunes Correia do governo: para sair é preciso estar dentro.
Sem imagem de perfil

De Sérgio de Almeida Correia a 05.10.2009 às 13:22

Pior do que isso; corriqueiro e aceitável pela generalidade das pessoas.

Comentar post



O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D