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Embirrações

por Leonor Barros, em 30.09.09

O Senhor Palomar e as crianças de tenra idade naquela fase em ainda não se reconhecem como sujeitos são provavelmente as únicas criaturas de quem suporto sem o menor incómodo que falem de si próprias na terceira pessoa. Abomino tudo o resto. A mais recente pessoa adicionada a esse rol de gente é o Presidente da República. Aquela mania de falar de si como o Presidente da República, como se fosse outro que não ele próprio, muito vincada na primeira parte do discurso, é profundamente irritante. Mesmo sendo um recurso estilístico –como estou benemérita - para se aproximar passo a passo da verbalização na primeira pessoa e modificar a perspectiva não lhe fica bem e soa a conversa de jogador de futebol. Não gosto.

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21 comentários

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De Luís Reis Figueira a 01.10.2009 às 00:02

Leonor: provavelmente o Senhor Palomar e o Senhor Silva são ambos 'farinha do mesmo saco'. Daí, talvez, o considerarem-se terceiros em relação a eles próprios. Quanto ao primeiro, porém, não tenho elementos que possam confirmar tal teoria.
Já quanto ao Sr. Silva, penso que já todos temos elementos de sobra para considerar que o homem está mesmo fora de si. Não admira, pois, que ele seja um e o PR seja outro, assim como uma espécie de Dr. Jekyll e Mr. Hyde, está a ver?
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De Leonor Barros a 05.10.2009 às 20:11

Não diga isso, Luís, que eu gosto tanto do Senhor Palomar. Acho que aquela característica lhe advém do livro Palomar de Italo Calvino. Já o Cavaco não tem desculpa.
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De Senhor Palomar a 06.10.2009 às 00:35

Se é permitida a defesa, o Senhor Palomar declara-se inimputável de qualquer comparação com o sr. PR.

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De Leonor Barros a 06.10.2009 às 14:30

Cruzes credo, quem se atreve a comparar o Senhor Palomar com o PR???? Em momento algum tal me passou pela cabeça.
Bem-vindo ao Delito, Senhor Palomar.
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De Pedro Correia a 01.10.2009 às 00:12

Então, Leonor, terás de estender essa embirração aos provedores de leitores dos jornais. Todos, sem excepção, escrevem desse maneira: «O Provedor conclui», «O Provedor considera», «O Provedor foi confrontado...»
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De João Carvalho a 01.10.2009 às 02:48

O Campos telefonou à sua amiga Joana...
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De Leonor Barros a 05.10.2009 às 20:12

Pois, Pedro, estendo a todos os que o fazem.
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De João Manuel Vicente a 01.10.2009 às 00:20

E que diz daquela cena de alguns eternos e intermináveis segundos em que S. Ex.ª o Venerando Chefe do Estado fez chegar a seus sequiosos lábios o copo de água a fim de os humedecer e assim poder continuar sua prédica ao país?
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De ariel a 01.10.2009 às 00:28

Se a memória não me falha, quem inaugurou o estilo foi o Jardel. "Jardeu résolve né?"
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De Leonor Barros a 05.10.2009 às 20:13

Acho que é mania de alguns jogadores de futebol, agora menos, pelo que me parece.
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De Ana Vidal a 01.10.2009 às 01:53

Daí ao plural majestático é só um saltinho. Também me irrita solenemente, seja em quem for.
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De João Carvalho a 01.10.2009 às 02:53

Nós, os presidentes da... É. Tens razão. Também não estou a ver bem a coisa.
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De Leonor Barros a 05.10.2009 às 20:14

Essa é outra, Ana, mas menos do que esta terceira pessoa.
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De Luís Lavoura a 01.10.2009 às 09:47

Tem toda a razão, concordo.

Outra coisa irritante, análoga, é a mania que os comentadores de futebol têm de falar na primeira pessoa do plural quando se referem à equipa nacional de futebol. Dizem "não pressionamos o adversário" ou "estamos a jogar muito bem" como se fôssemos nós quem o estivesse a fazer, e não os 11 jogadores que estão no campo.
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De Leonor Barros a 05.10.2009 às 20:15

Mas isso é ainda é diferente, Luis, agora a terceira pessoa é que me mata.

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De mdsol a 01.10.2009 às 11:46

Leonor, também reparei. E não gostei nada mesmo. Na altura pensei que se fosse um jogador de futebol caía-lhe logo tudo em cima a ressaltar o analfabetismo estético funcional. Admiti, no entanto, que fosse alguma daquelas normas, cujo alcance eu não atinjo, eventualmente porque radicam em práticas que não estão ao alcance do comum dos mortais como eu. Vejo agora que não é forçoso que assim seja.
Também não gostei. Acho que esta forma de se exprimir vem no seguimento de outras coisas que me dispenso de nomear agora.

:)))))))
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De Leonor Barros a 05.10.2009 às 20:16

Horroroso, Maria do Sol. Já não me chegava não gostar do Cavaco, a falar assim também não ajuda nada.
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De Eduardo Cintra Torres a 05.10.2009 às 19:44

Há um livro do Astérix em que Júlio César fala de si mesmo na terceira pessoa. Segue-se uma cena hilariante, com as outras personagens a perguntarem-lhe "ele, quem?", etc.
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De Leonor Barros a 05.10.2009 às 20:20

Presta-se a trocadilhos, de facto. Pode perguntar-se também a Cavaco: "ele, quem?"
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De Eduardo Cintra Torres a 06.10.2009 às 16:41

Pode perguntar-se ao presidente da República, sim, mas também a muito mais gente, incluindo o primeiro-ministro, ministros, etc. Não tenho qualquer embirração com a terceira pessoa quando pretende relevar o cargo e não a pessoa que o ocupa: é o que sucede quase sempre que o presidente e outros titulares de cargos públicos usam a terceira pessoa. Este uso é muito mais frequente do que estes comentários possam sugerir. Mesmo os juízes, quando decidem, falam de uma decisão do tribunal e não deles mesmos. Trata-se do mesmo processo de menorização da pessoa face ao cargo institucional. É diferente quando usado por futebolistas ou outras pessoas sem qualquer inscrição da função numa circunstância institucional.
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De Leonor Barros a 06.10.2009 às 17:10

Tem a ver com o contexto, naturalmente, e neste caso específico não gostei. Uma vez que se tratava de uma comunicação ao país e não de uma tomada de posição como as que refere no caso dos juízes, em que por razões óbvias deveria interessar menos a pessoa do que a sua função institucional, pareceu-me deselegante e desajustado. Posteriormente, o PR mudou o registo e passou a usar a primeira pessoa, levando-me a crer que houve intenção de abandonar progressivamente o cargo e passar à pessoa que o desempenha.

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