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Boca na botija

por Adolfo Mesquita Nunes, em 30.09.09

Sentindo-se vigiado, eventualmente pelo Governo, Cavaco Silva foi apanhado com a boca na botija a tentar resolver o assunto através da pequena intriga jornalística. A sua declaração de ontem mais não foi do que a desesperada tentativa de fazer sobressair as suas desconfianças e de camuflar a desastrada e pouco digna forma como procurou fazer-lhes face. Vitimizar-se, no fundo. E dizer-se cercado pelo Governo.

 

Sendo impossível escapar à querela institucional com o Governo, a vitimização de Cavaco Silva poderia, apesar de tudo, servir-lhe para arregimentar numa qualquer indignada vaga de fundo o eleitorado de direita que nele votou e que ainda não digeriu bem a reeleição de Sócrates. Acontece que Cavaco Silva foi precisamente um dos artífices da vitória de José Sócrates e o PSD é, neste momento, o último partido com vontade de manifestar comiseração pelo cerco feito pelo Governo ao Presidente.

 

A declaração de Cavaco Silva teve, por isso, um efeito contrário ao pretendido. Alargou a vitória de José Sócrates e reduziu em muito a margem de manobra de uma oposição que poderia e deveria continuar a insistir no espírito controleiro do governo socialista, levando de caminho a credibilidade de um jornal que cometeu o erro de acreditar que a Presidência jamais poderia estar a meter-se na pequena intriga. O que não deixa de ser irónico, uma vez que, tanto quanto posso adivinhar, o Presidente considera mesmo que o Governo andou a vigiar a Presidência.

 

A Cavaco Silva resta aproveitar a lição e, desta vez com tino e rigor, colocar a circular um bom e insuspeito motivo para não voltar a candidatar-se à Presidência.


9 comentários

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De Sérgio de Almeida Correia a 30.09.2009 às 12:11

Depois do absurdo, do não momento televisivo de ontem, não há tino ou rigor que possam ajudá-lo a retocar a imagem.
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De Carlos Barbosa de Oliveira a 30.09.2009 às 12:56

Concordo, Sérgio, mas quanto ao resto a análise do Adolfo está muito correcta.
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De Luís Lavoura a 30.09.2009 às 12:14

"Cavaco Silva foi precisamente um dos artífices da vitória de José Sócrates"

Não vejo qualquer fundamento para esta tese.

Há que ter em conta que a imensa maior parte dos portugueses não presta pevas de atenção à pequena intriga política, não lê jornais, e está-se nas tintas para essas tricas que, a nós, nos entretêm.

Portanto, a imensa maioria do povo português, ao votar, esteve-se nas tintas esta história das escutas. Isto é uma história do "país político", à qual o "país real" bem pouca atenção terá dado.

A derrota do PSD fica a dever-se a razões que são exclusivamente culpa desse próprio partido - uma líder claramente demasiado velha e que claramente não é de confiança, uma orientação política obscura, propostas indistintas, etc - e que nada têm a ver com a atuação de Cavaco SIlva.
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De Adolfo Mesquita Nunes a 30.09.2009 às 12:20

Caro Luís, sendo um facto que o país eleitoral vive alheado das questões que interessam ao país político, a verdade é que é o país político que filtra a realidade que é dada a ver ao país real.

É por isso que questões como a candidatura de António Preto, as contradições quanto à asfixia na Madeira ou a colagem à escutas presidenciais, sendo indiferentes aos eleitores, a eles chegaram através da súbita travagem do entusiasmo jornalístico com o PSD pós-europeias e com o constante desviar da camoanha e da mensagem para estas questões.

Cavaco deu a machadada final, percebe-se hoje que desnecessariamente, na única mensagem constante de MFL: há asfizia democrática em Portugal.
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De Pedro Correia a 30.09.2009 às 12:18

Concordo contigo quando referes que a declaração de Cavaco aumenta a margem de manobra de Sócrates e condiciona a da oposição (sobretudo a oposição à direita). Mais: se a declaração de ontem tivesse sido feita antes das legislativas, a percentagem obtida pelo PS seria maior. O PR enredou-se na sua própria teia e não se vislumbra como poderá sair dela.
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De Adolfo Mesquita Nunes a 30.09.2009 às 12:35

Por isso mesmo é que acho que o senhor foi mesmo apanhado com a boca na botija. A virulência por ele demonstrada ontem teria sido canalizada para desmascarar qualquer urdidura à volta da eventual falsidade de ter sido ele a desencadear tudo isto.
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De Pedro Mota Prego a 30.09.2009 às 17:30

O que é mais triste é pensar que, daqui a dois anos, nada disto será recordado e o Cavaco vai ser reeleito.
É só ver o que faz as gentes do PSD quando Cavaco os trai (e já vai, pelo menos, na terceira traição: 1ª - Fernando Nogueira; 2ª - Santana Lopes): dizem cobras e lagartos dele, chamam-lhes nomes mesmo feios, chamam-lhe "Sr. Silva", declaram o seu ódio e o divórcio para todo o sempre - para depois, chegada a hora, clamam todos pelo Cavaco como sendo o maioral de todo o sempre. O Cavaco vai ser reeleito, o que é muito triste...
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De José Barros a 30.09.2009 às 19:44

Caro AMN,

Quanto tocar aos teus (vide, notícias sobre os submarinos que vão aumentar de tom nos próximos tempos), a resposta será diferente. E é esse o problema: cada um cuidar do seu quintal.

Um abraço,

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