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Era um redondo vocábulo

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 29.09.09

Desta vez não acertei em cheio, mas andei lá perto. O PR falou das escutas, mas não disse nada de relevante. Lançou suspeições, fez insinuações, mas em substância, Zero! Pior: escamoteou o essencial da história, como se não tivesse qualquer importância, fazendo os portugueses passar por idiotas. Criou um clima de conflitualidade institucional, que o país dispensava e deixou ficar no ar a ideia de que queria proteger JMF. Em vez de estabilizar, desestablizou. O ataque ao partido que venceu as eleições, no tom em que foi feito, é de enorme gravidade e demonstra que Cavaco anda à deriva e tem a sua credibilidade feita em cacos, porque nenhum partido (nem o PSD) deixou de lhe tecer críticas.
 Vejamos os factos:
1- O PR iniciou as suas alegações acusando membros do PS de o pretenderem encostar ao PSD.
2- Curiosamente, preocupou-se com a notícia sobre a intervenção de membros da sua Casa Civil na elaboração do programa do PSD, mas não se deverá ter preocupado com as notícias do “Público” de 18  e 19 de Agosto que foram o rastilho para o que se seguiu. Preferiu remeter-se ao silêncio e continuar a fingir que a notícia não existiu.
3- Já quanto ao e-mail publicado pelo DN, a sua atitude foi diferente. Indignou-se contra a publicação, mas não desmentiu a sua veracidade. Manifestou as suas dúvidas quanto à possibilidade de alguém ter falado ao Público em seu nome, mas achou normal que alguém da sua Casa Civil, enquanto cidadão, o tenha feito.
4- Não apresentou uma única justificação para ter demitido Fernando Lima das suas funções e o ter mantido em Belém.
5- Cavaco descobriu que o seu computador era vulnerável. Pena que só tenha pedido essa prova hoje, se já tinha essa desconfiança há 18 meses.
6- Cavaco enganou-se quando disse que tinha acabado a disputa eleitoral. Terá esquecido que estamos em plena campanha autárquica, ou  para o PR as eleições autárquicas  são de segunda e não valem um caracol?
7- Cavaco prestou mais um péssimo serviço ao país, lançando acusações não fundamentadas  sobre um partido que venceu as eleições, mas não dando nenhuma prova de que não foi por sua iniciativa que um assessor se dirigiu ao “Público”, invocando o seu nome. Contornou a questão, deixando que continue a especulação.
8- Reconheceu que prejudicou o seu partido, mas não admitiu que, com o seu silêncio, após a publicação da notícia do “Público”, estava a prejudicar o PS.


Ao contrário do que avançam certos analistas, não acredito que Cavaco se recuse a indigitar Sócrates. Estaria a  fazer batota e lançaria o país num caos, em período de crise.
O PS, como seria de esperar, acaba de responder à letra, lembrando ao PR os factos que ele omitiu e são os mais relevantes em toda esta história. Fê-lo de forma  igualmente agressiva e pouco recomendável no diálogo entre instituições. 
O PR perdeu a pouca credibilidade que já tinha. Nem os blogs da direita  racional saíram em sua defesa. Mais cedo do que esperava, Marcelo Rebelo de Sousa viu chegar a sua hora de se candidatar às presidenciais. Será em  2011, salvo se for obrigado a candidatar-se à liderança do PSD para devolver a credibilidade ao partido. Cavaco sairá sem glória, criticado por todos os partidos, por ter desestablizado a vida politica portuguesa.
Onze minutos durou a intervenção do PR. Apesar de todas as contrariedades, estes foram mais bem vividos.


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