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por Luís Naves, em 15.01.20

Uma escultura encomendada por uma autarquia foi vandalizada, altura em que surgiu um clamor em relação ao custo, com muitos comentários sobre a inexistência de qualquer elemento estético. O autor, Pedro Cabrita Reis, veio a terreno defender o seu trabalho e explicou o que devia ser óbvio: o artista define o que é ou não é arte, mas essa ideia continuou a chocar alguns indignados, para quem o julgamento cabe apenas a quem observa a obra. Ora, só o artista pode fazer arte; só ele tem a capacidade de criar algo inteiramente novo naquela circunstância; o crítico ou o amador podem ter opiniões, podem olhar para outro lado, podem apreciar, rejeitar, aceitar, mas isso não altera nada. Quando a encomenda usou dinheiro público, podemos penalizar eleitoralmente quem a fez, temos essa liberdade, mas o tempo é o único grande crítico. Se a obra não for boa, não sobreviverá a esse julgamento. Aqueles que defendem o fim da liberdade artística deviam ponderar no que verdadeiramente afirmam: confundem o seu gosto com o da sociedade e têm uma bola de cristal que lhes diz como a obra será vista pelas gerações do futuro. Desta forma, impedem toda a arte futura, pois impõem o seu gosto limitado. 


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