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por Luís Naves, em 15.01.20

Uma escultura encomendada por uma autarquia foi vandalizada, altura em que surgiu um clamor em relação ao custo, com muitos comentários sobre a inexistência de qualquer elemento estético. O autor, Pedro Cabrita Reis, veio a terreno defender o seu trabalho e explicou o que devia ser óbvio: o artista define o que é ou não é arte, mas essa ideia continuou a chocar alguns indignados, para quem o julgamento cabe apenas a quem observa a obra. Ora, só o artista pode fazer arte; só ele tem a capacidade de criar algo inteiramente novo naquela circunstância; o crítico ou o amador podem ter opiniões, podem olhar para outro lado, podem apreciar, rejeitar, aceitar, mas isso não altera nada. Quando a encomenda usou dinheiro público, podemos penalizar eleitoralmente quem a fez, temos essa liberdade, mas o tempo é o único grande crítico. Se a obra não for boa, não sobreviverá a esse julgamento. Aqueles que defendem o fim da liberdade artística deviam ponderar no que verdadeiramente afirmam: confundem o seu gosto com o da sociedade e têm uma bola de cristal que lhes diz como a obra será vista pelas gerações do futuro. Desta forma, impedem toda a arte futura, pois impõem o seu gosto limitado. 


8 comentários

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De JPT a 15.01.2020 às 15:00

A escultura foi "vandalizada" porquê? Se o artista que inscreveu certos dizeres no objecto em causa, "criando algo inteiramente novo naquela circunstância", definir o seu acto como arte (gráfica ou performativa), é porque é arte. Com a vantagem (para mim, contribuinte) de que foi ele a pagar os materiais e a mão-de-obra. "Vandalismo" será, portanto, ir apagar aqueles dizeres, comprovadamente mais "thought-provoking" (prefiro os meus anglicismos em inglês) do que as vigas do Sr. Reis. Ou há moralidade ou comem todos.
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De JPT a 15.01.2020 às 18:18

Adenda: diz o Público que "Em Maio de 1994 um pequeno grupo de militantes da Juventude Socialista de Beja ousou provocar as consciências grafitando numa parede do pontão construído em 1977, para dar apoio às obras de Alqueva, uma expressão tipicamente alentejana: "Construam-me, porra!!!". (https://www.publico.pt/2012/02/06/jornal/escreveu-construamme-porra-e-chegou-a-presidente-de-camara-23930189) Agora, pergunto eu, porque é que a esquerda "grafita" e "provoca consciências" e a direita "vandaliza"? Ora, porra para isso!
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De marina a 15.01.2020 às 16:16

Ninguém impede ninguém de fazer o que entende subjectivamente por arte . A única coisa que queremos impedir, daqui para a frente, é que comprem estaleiros de obras "artísticos" , desfigurando a nossa paisagem, com o nosso dinheiro . O nossos dinheiro, a nossa paisagem.. Se o Berardo , por exemplo, quiser dar 300 mil por lixo artístico e puser no meio do Buddha Eden é lá com ele..
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De Anónimo a 15.01.2020 às 16:53

Um pequeno ponto, caro Naves.
A obra de "arte" sem valor estético, não é arte. (Não há arte falha, ou quase arte)! Uma aproximação ao belo, ainda que impressivo, sem categoria ética inteligível, pode até ser uma "coisa" bonita, mas será sempre mera esteticização! A arte eticiza a estética, é uma categoria que a subordina. A esteticização da ética, a inversão das categorias, é o que se deve designar por Kitsch.
A caracterização conceptual de uma coisa não implica que a coisa obedeça a essa natureza. A coisa, a obra, deverá ocupar inteligivelmente essa categoria e não por designação de conceito. Não se trata de críticos, artistas, gostos ou juízos relativos e contingentes! A arte, simplesmente, não existe para além do bem e do mal!!
Apenas isto, que nada ou tudo têm a ver com o PCR ou com a J Vasconcelos!!
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De Justiniano a 15.01.2020 às 19:26

Justiniano
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De Anónimo a 15.01.2020 às 17:02

E não se trata de nenhuma escultura, caro Naves. É uma instalação, coisa nova no léxico das artes visuais, onde ocorre a mediação, alheamento, entre os materiais, a obra e o artista. O artista, e a obra em si, não tem que exercer qualquer domínio ou relação com os materiais. Na escultura, como nas artes plásticas, há um exercício de domínio dos materiais por parte do artista. Uma relação directa entre o artista e os materiais de que se especifica a obra.
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De João a 15.01.2020 às 17:36

"o artista define o que é ou não é arte, mas essa ideia continuou a chocar alguns indignados, para quem o julgamento cabe apenas a quem observa a obra. Ora, só o artista pode fazer arte; só ele tem a capacidade de criar algo inteiramente novo naquela circunstância"
O problema está em definir artista. Só o artista produz arte e é artista quem produzir arte. Círculo vicioso.
Ou o artista auto nomeia-se? Então proclamo-me artista. O problema está depois em convencer alguém a dar 300.000 Euros por qualquer coisa que eu faça.
Há obras de arte superiores a outras ou são todas iguais? É o artista que define o valor da sua obra? É uma bocado difícil aceitar que uns ferros espetados no chão são arte e que não podem ser demolidos porque quem o fizer é igual aos talibãs que destruíram Palmira.
A obra de arte avalia-se pelo preço que atinge? Ou seja, só os ricos podem dizer o que é arte. Se eu puder dispor de biliões ofereço uns milhões pelos ferros do Senhor Cabrita e aquilo transforma-se em arte?? Numa sociedade em que o dinheiro fosse desconhecido, não haveria obras de arte?
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De Anónimo a 15.01.2020 às 17:43

A tulha do Godinho é um museu!


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