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1.º de Dezembro

por Pedro Correia, em 01.12.20

independencia-4.jpg

Coroação de D. João IV (óleo de Veloso Salgado, 1908)

 

«Convém lembrar que Portugal nunca esteve, como se costuma dizer em prosa patriótica, "sob o domínio de Castela" ou, se preferirem, "sob o domínio de Espanha". O arranjo de 1580 não passou de uma "união pessoal"  da coroa portuguesa com a coroa de Castela (ou de Espanha) na pessoa de Filipe II, que era o herdeiro legítimo das duas. Como se vê, nada que nos separasse na Europa do Império Austríaco ou do Reino Unido da Inglaterra, Escócia e Gales. De resto, a ordem jurídica portuguesa não mudou, nem a organização da Igreja, nem a defesa do Império, nem a carga fiscal que anteriormente se pagava. Só quando o conde-duque de Olivares nos pediu mais dinheiro e um pequeno contigente de soldados para a guerra europeia, o espírito patriótico da nobreza indígena finalmente acordou e resolveu instalar D. João IV num trono contestável e periclitante. O "1.º de Dezembro" comemora a ascensão da dinastia de Bragança e não uma putativa independência que não deixara de existir.»

 

Vasco Pulido Valente (Público, 5 de Fevereiro de 2012)


54 comentários

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De V. a 01.12.2020 às 00:43

Sempre achei isto mesmo — estas duas coisas. Que apesar da desgraça de termos deixado de ser Leoneses, também depois nunca pertencemos a Espanha — e que portanto este feriado é uma treta. Isto é a primeira coisa. A segunda coisa, a outra treta, a outra bosta, foi a Casa de Bragança: um bando pulguento de traidores com espírito de rancheiro colonial, quase todos meio deficientes. E os que não eram atrasados, tinham sífilis.
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De Sérgio de Almeida Correia a 01.12.2020 às 05:35

Nem combinado.
Tinha escolhido o mesmo quadro para o dia hoje na minha outra casa. :)
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De Pedro Correia a 01.12.2020 às 22:05

Gostei da coincidência, Sérgio. Bom sinal.
Sou há muitos anos coleccionador de coincidências.
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De Anónimo a 01.12.2020 às 09:32

Isso e a destruição praticamente total da esquadra portuguesa na aventura filipiana da grande armada. Tsc, tsc.
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De Pedro Correia a 01.12.2020 às 22:07

Sim, mas isso foi logo no início. Os aspectos decisivos para a revolta popular e a revolta da nobreza, por uma vez conjugadas (ao contrário do que sucedera em 1580), foram o aumento brutal dos impostos e o envio de milhares de jovens portugueses para irem combater por Castela contra os catalães.
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De Robinson Kanes a 01.12.2020 às 10:23

Ainda vai existindo alguém que vai vendo as coisas, menos mal...
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De Pedro Correia a 01.12.2020 às 22:07

Vasco morreu em Fevereiro. Faz-nos muita falta. Há por aí uns epígonos, a tentarem imitá-lo, mas estão a anos-luz do original.
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De Robinson Kanes a 01.12.2020 às 23:21

Sim, eu sei :-)
Falei mesmo do Pedro :-)
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De V. a 01.12.2020 às 10:29

Teorias à parte — é mais um dia útil em que o resto do mundo está a trabalhar mas nós ficamos em casa a coçar a micose e a perder competitividade.

Competividade, como diz o chefe tribal Costa no centro do seu potlatch de subsídios.
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De Anónimo a 01.12.2020 às 17:11

Sempre poder ir fazer companhia ao chefe Lubomir !
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De V. a 01.12.2020 às 19:14

eu não sou de fazer greves, sou mais de carregar no botão do míssil
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De Pedro Correia a 01.12.2020 às 22:13

Chefes de cozinha fazerem greve de fome parece-me um monumental tiro no pé.
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De Maria Dulce Fernandes a 02.12.2020 às 10:15

A Pão e Água e estrelas Michelin
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De Vento a 01.12.2020 às 12:07

Em resumo, o 1º de Dezembro mostrou-nos que era necessária e possível uma independência.: independência das uniões familiares, independência dos reinos e reinados por herança distribuídos, independência para libertar todo um povo que financiava uma ordem que lhe era alheia.
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De V. a 01.12.2020 às 12:53

Não sei se já reparou, mas continuamos a financiar uma ordem que nos é alheia. E agora há um sem número de reizinhos, no continente e nas ilhas, e antes só havia um.
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De V. a 01.12.2020 às 17:14

correcção: nós já nem financiamos nada — agora somos os servos dos funcionários públicos desta república magnífica de decretos-lei, conhecidos por jogar à bola, com uma bandeira horripilenta e um hino decalcado dos franceses.

E onde tudo o que há para mostrar é anterior a 1910.
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De Vento a 01.12.2020 às 18:55

V, é verdade o que escreve. Mas a sua verdade nada retira a minha verdade nem à actualidade do 1º. de Dezembro. Está nas nossas mãos agir. Cingirmos nossas vidas ao comodismo que Costa e Marcelo nos oferecem é não perceber que quer os polacos quer os húngaros, bloqueando verbas por casa da soberania dos estados, estão a fazer por nós o que fizemos no 1º. de Dezembro de 1640.
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De Anónimo a 01.12.2020 às 17:16

A ordem Benfiquista?
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De Pedro Correia a 01.12.2020 às 22:40

Horda benfiquista?
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De J. a 01.12.2020 às 12:52

Quase toda a gente acredita no contrário do que diz Vasco Pulido Valente.
E porquê?
Porque durante gerações nos ensinavam o contrário na Escola Primária. E isso ficou. É como a dos brandos costumes e etc.
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De Anónimo a 01.12.2020 às 21:46

Filipe II era filho de mãe portuguesa. Esta foi a sua primeira língua. Falava o português corretamente. Depois permitiu que mantivéssemos a nossa moeda.
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De Pedro Correia a 01.12.2020 às 22:10

Correcto. Português era a língua materna do primeiro Filipe, que sempre gostou de Portugal e passava grandes temporadas no nosso país (que era também dele, filho de princesa portuguesa e neto e bisneto de reis portugueses).
O segundo Filipe, pelo contrário, raras vezes cá veio. E demorou anos até se fazer coroar rei de Portugal. O terceiro ainda menos.
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De Pedro Correia a 01.12.2020 às 22:13

Pulido Valente escreve como historiador, separando factos de mitos. Nas escolas, infelizmente, os mitos vão-se propagando - não sempre os mesmos, nem sempre seguindo a mesma orientação - através das gerações. Porque por vezes é mais fácil (e mais "giro") espalhar mitos do que factos.
E cada geração tem os seus mitos, validados com chancela oficial.
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De Costa a 01.12.2020 às 13:30

Pretexto para voltar esta tarde ao "de mal a pior".

Grato,
Costa
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De Pedro Correia a 01.12.2020 às 22:08

Todos os pretextos são bons para revisitar VPV, nos livros ou nos jornais.
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De Anónimo a 01.12.2020 às 14:40

É bem evidente, neste blogue, que o Pedro Correia tem um especial gosto por Espanha, por espanholas, e pelo regime político espanhol. Espanha, claro, una e indivisa pela graça de Deus (no qual o Pedro Correia não acredita, mas finge acreditar por o considerar útil para entreter o povo).
É para mim claro que para o Pedro Correia seria ótimo que Portugal fizesse parte dessa Espanha una e indivisa.
Nestas condições, este post não é surpreendente.
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De Pedro Correia a 01.12.2020 às 17:05

O Lavoura passou à clandestinidade.
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De Bea a 01.12.2020 às 15:59

Não julgo que este feriado seja uma bosta. Os conjurados teriam os seus motivos particulares, mas pelo menos puseram no trono um rei de uma casa portuguesa. Julgo que as monarquias comungavam todas dos mesmos males, por alguma razão se inventou a república e mais seus presidentes, e que Portugal não foi excepção. E gosto de pensar que fomos mais independentes depois do primeiro de Dezembro de 1640. Porque fomos.
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De V. a 01.12.2020 às 17:51

Não é bem verdade. Portugal foi um país mais íntegro e original antes das colónias do que foi depois. Depois ficámos cheios de colonos e de baratas.
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De Anónimo a 01.12.2020 às 22:18

Agora percebo porque é que os Chineses vieram para cá disfarçados com água de colónia.

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