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Canções do século XXI (720)

por Pedro Correia, em 24.03.19

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Pensamento da semana

por Bandeira, em 23.03.19

A decadência dos povos auriculares

Venho reparando em como cada vez mais pessoas usam os altifalantes dos telemóveis em locais públicos. Alguns falam para o microfone mantendo o sistema em alta-voz. Outros, diga-se que de todas as idades, assistem a excertos de vídeo, com o som bem alto, em mesas de café. Outros ainda usam o aparelho em modo videoconferência, e sem reservas de maior: ainda há dias vi como um homem nos seus trintas apresentava à namorada distante, acompanhado de um amigo que ria muito, a casa de banho masculina - e movimentada - de um grande centro comercial.
Não sei bem o que isto significa, mas estou certo de que é importante.

 

Este pensamento acompanha o DELITO durante toda a semana

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A minha autobiografia

por jpt, em 23.03.19

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Não  me parece muito curial utilizar o Delito de Opinião para convidar leituras nos meus blogs individuais. Abro excepção agora, pois deixei um postal longo demais para aqui colocar, poderia cansar secções alargadas dos leitores habituais. Mas deixo convite para os que se possam interessar: trata-se da minha autobiografia

 

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Leituras

por Pedro Correia, em 23.03.19

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«É assim que sabemos que amamos outra pessoa, acho eu, quando não conseguimos ter uma experiência sem desejar que a outra pessoa estivesse ali ao pé de nós, a vivê-la também.»

Kaui Hart Hemmings, Os Descendentesp. 183

Ed. Presença, Lisboa, 2012. Tradução de Maria do Carmo Figueira

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O capitão motorista

por jpt, em 23.03.19

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Não é preciso ser historiador para perceber o sentido da tendencial "endogamia" - como agora se diz, erradamente - na elite política. O enclausuramento das possibilidades executivas (e também legislativas) num cada vez mais pequeno grupo de gente, entrecruzado por relações de solidariedade afectiva e dependências mútuas, leva à formação de cliques, seja qual for o regime, ao enquistamento conceptual e à articulação com interesses cada vez menos abrangentes na sociedade. E mostra, sempre, um fim de ciclo, uma progressiva incapacidade desse poder para convocar e confiar em núcleos mais alargados das elites político-culturais. Este organograma "familiar" do governo bem o mostra. O governo está construído em torno de um pequeno grupo, sociologicamente demarcado. E as tentativas de cooptação de inéditos têm sido frágeis - eu tenho andado arredio às notícias nacionais, não sei como têm sido as coisas em 2019, mas no final de 18 era óbvio que as novas ministras da saúde e da cultura são muito frágeis opções, decerto que descartáveis no futuro. Não tendo trazido nada de relevante nem em perspectivas para as suas áreas nem em habilidades políticas. Ou seja, o governo remodela-se mas não se regenera. 

Trata-se mesmo do final de um ciclo. Não o legislativo, mas de um ciclo geracional catapultado em 2005 mas já ambientado sob Guterres. De facto, trata-se do ocaso da "geração Macau". E por mais que numa manobra obviamente articulada, num determinado fim-de-semana Galamba (logo depois recompensado pela almejada secretaria de estado), César (o mais impúdico dos políticos relevantes actuais) e a jornalista Câncio, tenham tentado cortar o nó górdio que é o âmago do PS, o seu visceral "link" com Sócrates, isso ribomba neste ocaso do I governo costista, patente nesta sua "árvore genealógica", preenchido com inúmeros antigos membros dos governos com e de Sócrates, sem que isso tivesse provocado verdadeiro sobressalto no país. 

O PS vai ganhar as eleições e fará um novo governo. Provavelmente, após ter provado que conseguia governar nestas condições, e contornada a tenaz da crise financeira, conseguirá cooptar para o seu próximo governo outras energias das elites corporativas, outros Centenos, e nisso largar o mais estrito do socratismo, da concepção "macaísta" de exercício do poder executivo. E isto, goste-se ou não do PS, é fundamental para o país. Isto é o que se pode retirar da peculiar composição deste governo. Mas, honestamente, dela não se pode retirar qualquer ilegalidade ou imoralidade. Nem mesmo uma obrigatória disfuncionalidade. Apenas denota um esgotamento.

Outra coisa completamente diferente é o demonstrado pela notícia de que o secretário de estado da defesa do consumidor pretendeu contratar como motorista um seu "amigo" (termo que alude a uma relação de cariz afectiva e sexual) que é capitão do exército, algo que já foi confirmado pela arma. Claro que criticar isto provocará logo (até entre alguns comentadores residentes aqui no blog) a invectiva de uma "fobia" minha. Não. Ainda para mais neste período de grande debate sobre formas de relacionamento, em que a sexualidade assumiu estatuto de putativa toxicidade, bastará utilizar o contrafactual: se um secretário de estado heterossexual quiser contratar uma actriz de novela, com o qual tem uma relação de índole afectiva-sexual, para sua secretária (assistente administrativa) sendo ela desprovida de formação específica, ou uma cirurgiã ou bióloga para arquivista, por exemplo, haverá uma crítica generalizada, por desrespeito dos comportamentos actualmente exigíveis, demonstrada na total irracionalidade da utilização dos recursos humanos e no óbvio favoristismo. Falar-se-á de muita coisa, e obviamente de "favores sexuais". O facto deste secretário de estado ser homossexual inibe, no contexto actual, a crítica radical ao inadmissível comportamento. E faz demorar a óbvia, urgente e necessária decisão: a sua imediata demissão por execrável nepotismo. E essa demora mostra bem mais o estado cataléptico do governo costista do que o emaranhado de relações familiares que o constitui.

Fica por resolver uma coisa. Presume-se que um capitão do exército possa comandar até contingentes com o máximo de 250 militares. Em actividades de rotina mas também em momentos de urgência, de imediatismo de tomadas de decisão e da sua aceitação e de actuação conforme. Como poderemos presumir que centenas de homens e mulheres militares se articularão, mesmo que apenas sob constrangimentos subconscientes, sob um oficial que sabem preferir ser motorista - tarefa digna mas para a qual está muito mais do que sobre-habilitado - do namorado, a quem presta "favores sexuais", do que cumprir essas funções de comando para as quais foi formado?

Por outras palavras, que lugar tem este "oficial" nas forças armadas portuguesas? Evidentemente, nenhum. Tem a palavra a "arma".

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Estátuas dos nossos reis (209)

por Pedro Correia, em 23.03.19

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D. Pedro V (1853-1861)

 

Autor: Anatole Calmels

Ano da inauguração: 1867

Localização: Lisboa, na Sala do Despacho do Palácio da Ajuda

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Complicar o que é simples

por Pedro Correia, em 23.03.19

Temos a mania de complicar o que é simples. O que logo se detecta na linguagem comum. Reparo tantas vezes na expressão "bom dia para si", hoje de uso corrente, como se um claro e belo "bom dia" não bastasse como saudação. Ou na quantidade de vezes que alguém, em diálogo connosco ou perorando na pantalha, inicia uma frase com esta inútil bengala retórica, insuflada de pleonasmos bem à lusitana: "Na minha opinião pessoal..."

Sempre tive a sensação de que o desdobramento das frases em inúteis partículas vocais é inversamente proporcional àquilo que se sente. O que vale para a expressão oral funciona também para a escrita. Quando dava formação a estagiários no jornalismo, recomendava-lhes esta regra: nunca usem palavras com mais de dez caracteres em títulos. Há que simplificar o que parece complicado. No nosso idioma, o essencial fica quase sempre dito em vocábulos de escassas letras: luz, lua, dom, mar, mágoa, ler, cor, água, som, ar, dor, dar, ver, rio, calor, frio, flor, sol, amor. 

Tanto se fala em mudar, reformar, transformar: comecemos por alterar o modo como falamos. Toda a verborreia é dispensável. Libertemo-nos dela, como um acto higiénico. 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 23.03.19

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O Instinto Supremo, de Ferreira de Castro

Romance

(reedição Cavalo de Ferro, 8.ª ed, 2019)

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Humidade partilhada

por Sérgio de Almeida Correia, em 23.03.19

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(Da Sessão de Apresentação, na Livraria Portuguesa)

Conheço o Luís Mesquita de Melo desde os tempos em que foi assessor jurídico da Assembleia Legislativa de Macau, e o Hélder Beja pelo seu trabalho como jornalista e organizador, em anos anteriores, da Rota das Letras. Estas duas circunstâncias de natureza pessoal seriam, só por si, manifestamente insuficientes para que aqui estivesse deste lado a sujeitar-me ao vosso escrutínio.

Não sei de quem partiu a ideia porque sobre isso não conversei com nenhum deles, mas correspondendo à afabilidade do editor, e com o aval do autor, estou aqui hoje para dar um pequeno contributo ao lançamento de “A Humidade dos Dias”, obra seminal do autor e a primeira editada pela Capítulo Oriental.

Faço-o porque para além da admiração e da estima que tenho por ambos, pessoal e pelo que nas actividades profissionais respectivas vão fazendo e de que vou tendo notícia, “A Humidade dos Dias” reúne um conjunto de textos que desde o primeiro momento prenderam a minha atenção.

Das razões para tal, não sendo especialista em literatura e sem outras pretensões que não sejam as impressões do leitor interessado, procurarei adiante dar-vos conta.

Para já gostaria de começar por sublinhar a feliz coincidência do autor ser açoriano e de a programação deste ano do Festival Rota das Letras, embora dedicado em primeira linha à poesia, congregar entre o conjunto dos poetas e escritores que pretendeu homenagear, alguns que, por uma razão ou por outra, pela genealogia, pela obra ou pela vida, aparecem com ligações aos Açores, ilhas de terra, mar e povo generosos.

Refiro-me desde logo a Jorge de Sena, também ele filho de um açoriano, que enquanto professor das Universidades de Wisconsin e da Califórnia, em Santa Bárbara, desenvolveu actividade profissional que o levou a um contacto constante e profícuo com as comunidades açorianas nos Estados Unidos. E essa aproximação foi de tal sorte que ele próprio, num texto publicado na Gávea, chegou a escrever que “embora eu seja contra a independência dos Açores, uma vez que tal facto seja consumado e o governo de lá seja a meu contento, pedirei a cidadania açoriana: no fim das contas, a minha família paterna é de lá, meu pai nasceu lá, e de vários troncos sou de lá até pelo menos ao seculo XVIII, ainda antes da independência dos Estados Unidos.”[1]

Nesse grupo incluo também Sophia, que não deixou de nos encantar quando se referiu a essas ilhas em que “(...) o antigo / Tem o limpo do novo” e “Há no ar um brilho / De bruma e clareza”.[2]

E depois há Melville que, integrando o mar dos Açores, os seus pescadores e os seus cetáceos na narrativa do seu fantástico Moby Dick, percorreu oceanos imensos, preenchendo com as suas aventuras muitas horas da infância de tantos de nós, meninos que despertavam para o mundo e teimavam em adormecer sonhando com baleias, orcas, cachalotes, tubarões e viagens sem fim até aos mares do Sul.

Tudo isto nos transporta até “A Humidade dos Dias”, cuja belíssima capa de Konstantin Bessmertny, por onde um olho espreita distante, nos abre uma janela luminosa e refrescante para o que se segue.

Com um prefácio de Victor Rui Dores, poeta, escritor, ensaísta, professor, personalidade sobejamente conhecida da vida artística e cultural dos Açores, e com um posfácio de Ângela de Almeida, investigadora e escritora, dir-vos-ei que estamos perante um conjunto de vinte pequenos textos que percorrem os anos da juventude do autor, recuperando a memória dos seus horizontes, vividos e desejados, nos caminhos do Faial e do Pico, em passeios de barco e em mergulhos que atravessam os desfiladeiros da afectividade, do amor e da amizade, nas múltiplas tonalidades dos azuis metafísicos, transcendentais, que orientam o autor até ao presente pelos caminhos de uma geografia toda ela feita de imagens e de cheiros, que atravessando as veredas da saudade se prolongam até ao presente em palavras e gestos de ternura recuperados pelo seu próprio percurso de vida. Como se não houvesse, jamais tivesse havido, lonjura. Como se o autor nunca tivesse sentido o sabor da partida e a distância física e espiritual das ilhas.

Distância que, por esse prisma, mesmo nas ausências tem o condão de não conseguir impedir o autor de voar nas asas das ganhoas ou dos cagarros, de o prender à luz dos dias, à linha perfeita das estações do ano que se recortam no seu horizonte de cada vez que se faz ao largo, transportando-o num movimento de vaivém entre o Oriente e as ilhas, por um percurso cujos marcos, não obstante a bruma que impregna as páginas do livro, estão minuciosamente definidos e se tornam aconchegantes à medida que os percorremos.

O menino que manobra corajosamente o lusito de velas de lona, “sonhando transatlanticamente”, não fica atrás do capitão-de-mar-e-guerra Manuel de Azevedo Gomes. O tal, pelo relato da baronesa da Urzelina, nesse incontornável Mau Tempo no Canal, que cruzara o lendário estreito de Simoneseki [Shimonoseki] na ponte da sua bateirinha, o Diu, e deslumbrara ingleses e franceses manobrando à vela, pelo porto de Hong Kong, no rasto de um tufão.[3]

Porque o autor, como ele próprio confessa, leva escritas na pele as coordenadas do seu regresso, “porque a ilha arquiva-se na alma ... sem remédio[4].

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Em “A Humidade dos Dias” há como que uma fusão quase religiosa entre o autor e as ilhas, independentemente do lugar onde está, daí emanando um sentimento de pertença que atravessa gerações e correntes oceânicas, as tais que “empurram os sonhos”, e onde “começa sempre a viagem de regresso, um dia, porque só nas ilhas se cumpre o nosso destino e amordaçamos a saudade com paredes de lava”.[5]

A mesma lava que molda o carácter daquelas gentes, e a que o autor não foge quando assume as suas raízes no diálogo que trava com seu Pai ao escrever: “aquilo de que nós somos feitos: lava e ausências, sós, trazendo nos olhos a saudade e a tranquilidade de um ou outro anticiclone teimoso[6].

Um pouco à semelhança do que sentia Vitorino Nemésio quando escrevendo sobre a sua açorianidade, cujo desterro, segundo ele, afina e exacerba, referia que “como homens, estamos soldados historicamente ao povo de onde viemos e enraizados pelo habitat a uns montes de lava que soltam da própria entranha uma substância que nos penetra”.[7]

De certa forma, o destino é um misto de fatalidade e ternura, de solidão e encantamento, onde se sente a tal “solidão algodoada” de que falava Raúl Brandão[8]ao referir-se ao Pico, também presente em Pedro da Silveira quando nos diz “E é tudo tão igual, tão encharcado de solidão / Que a gente às vezes já nem sabe/ se vive”[9]. Afinal a mesma solidão que aparece, igualmente, num pequeno mas belíssimo texto do pai do autor, Fernando Melo, quando depois de concluir a 4.ª classe e sair do Pico, para ser largado no Faial, onde iria continuar os estudos liceais, vê o progenitor afastar-se na lancha que vai de volta enquanto as lágrimas lhe rebentam “maiores que pingos de chuva”, para só secarem na casa onde ficaria hospedado, “sobre as páginas dos livros”, ainda para ele desconhecidos.[10]

O Luís vive intensamente esta condição de ilhéu, este “torpor açoriano”. “[U]ma doença quase de alma”, escreveu Nemésio, interiorizada logo na infância e que se cola à pele ao longo da vida, tal como a humidade, uma constante na literatura açoriana que também aqui estabelece um paralelo com Macau.

É a humidade, aquele ar morno, como escreveu Brandão, que “é uma carícia de pele de encontro à nossa pele e que pesa sobre o peito como bloco”. Ou o cansaço, de que falava o saudoso poeta Santos Barros, que se respira quando se abre a porta[11], que aproxima os Açores dos mares do Sul da China, da névoa quase permanente. Mas isso também acontece com o Monte da Guia, com a Nossa Senhora da Guia, com a Ermida no cimo do monte dominando a paisagem, com a procissão do Senhor dos Passos ou até com os bilhares do Real Clube Faialense, cujo feltro verde, porventura menos gasto, não será muito diferente daquele que por aqui forra a mesa do Clube Militar. Enfim, circunstâncias que até na toponímia unem lugares tão geograficamente distantes e tão próximos na vida do autor.

Deixei para o fim uma breve referência ao belíssimo Canto da Doca, escrito de intenso significado no contexto do livro, “espécie de passagem para os arredores da alma, e da cidade, uma fronteira em forma de esquina que não se dobra”. É por ali que passa a linha que separa a Primavera do Verão, a estação que divide a cidade da infância e juventude da maturidade. Ali, onde se faz a transposição do sonho para a realidade da vida adulta, do Verão para o Outono e o Inverno. Do botequim do Setenta para Porto Pim. E para o Bote de Tabucchi[12]. No no botequim do Setenta “as mulheres não entram”. E “joga-se à lerpa em dias de procissão”. O Bote “não é um lugar para senhoras”.   

Numa escrita simples, marca distintiva só ao alcance dos melhores, “A Humidade dos Dias” é uma homenagem às pessoas e aos lugares da memória do autor. E é, igualmente, uma declaração de amor às ilhas “onde o mar é maior[13].

Como leitor e amante dos Açores, do voo dos queimados e do azul profundo das suas baixas, só lhe posso estar agradecido.

“A Humidade dos Dias” é um livro que pela intensidade das imagens que transmite podia ser um filme. Uma viagem. Ou apenas palavras, lidas como um poema murmurado à vista do azul basáltico do canal, na antecipação de qualquer coisa que foi, promessa de algo que há-de vir. Ou chegar. Em silêncio; “[q]ue no mar não se anda aos berros para não acordar os deuses”.[14]

Macau, 22 de Março de 2019

[1]Jorge de Sena, Ser-se imigrante e como, in Gávea-Brown, Revista Bilingue de Letras e Estudos Luso-Americanos, Vol. I, n. 1, Janeiro-Junho 1980, p. 14  

[2]Sophia de Mello Breyner, Açores, O Nome das Coisas, Morais Editores, 1977

[3]Vitorino Nemésio, Mau Tempo no Canal, Edição Círculo dos Leitores, 1986, p. 247.

[4]Cfr. Partida

[5]Cfr. Uma Carta de Marear

[6]Ibidem.

[7]Vitorino Nemésio, "Açorianidade", Insula, Número Especial Comemorativo do V Centenário do Descobrimento dos Açores, nº 7-8, Julho-Agosto, Ponta Delgada, 1932. p. 59.

[8]Raúl Brandão, As ilhas desconhecidas – Notas e Paisagens, 1926

[9]Pedro da Silveira, Quatro Motivos da Fajã Grande, citado por Onésimo Teotónio de Almeida, Quadro Panorâmico da Literatura Açoriana nos Últimos Cinquenta Anos, 1989

[10]Fernando Melo, Sózinho no Cais, Boletim da Associação dos Antigos Alunos do Liceu da Horta, Ano 1, n.º 2, 1999

[11]José Henrique dos Santos Barros, Humidade, 1979

[12]Antonio Tabucchi, A mulher de Porto Pim, Difel, 1998.

[13]Sophia de Mello Breyner, obra e lugar citados.

[14]Cfr. Baleeiros

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Canções do século XXI (719)

por Pedro Correia, em 23.03.19

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Estátuas dos nossos reis (208)

por Pedro Correia, em 22.03.19

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D. Pedro V (1853-1861)

 

Autor: José Joaquim Teixeira Lopes

Ano da inauguração: 1866

Localização: Porto, na Praça da Batalha

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Estrelas de cinema (28)

por Pedro Correia, em 22.03.19

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PRISIONEIRO DA FAMA

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Certos realizadores alcançam merecida celebridade com um só filme e ficam a partir daí reféns desse êxito, tornando-se incapazes de conseguir uma obra ao nível da inicial. É o que parece estar a acontecer com o alemão Florian Henckel von Donnersmarck, autor de uma das melhores longas-metragens deste século, o incomparável A Vida dos Outros, centrado na sinistra omnipresença da polícia política no quotidiano totalitário da antiga República "Democrática" Alemã.

Depois daquele filme que lhe rendeu o Óscar de 2006 para melhor película não falada em inglês, Von Donnersmarck esteve quatro anos sem trabalhar, rompendo o silêncio com uma indigente fita de pseudo-acção intitulada O Turista, que se resumia a uma colecção de trepidantes bilhetes-postais com Angelina Jolie em pose permanente para capa de revista. Seguiu-se um intervalo ainda maior: regressa agora, oito anos depois, com um thriller psicológico que nos faz regressar novamente a tempos sinistros - iniciados em 1937, no apogeu do nazismo, em Dresden, arrasada pela aviação aliada em 1945; depois entre as ruínas desta cidade que lentamente se ergueu das cinzas, sob o domínio soviético. Tanto os esbirros de Hitler como os de Estaline condenavam a "arte degenerada" que seduzia Kurt Barnert, jovem candidato a pintor. Em 1961, poucas semanas antes de ter sido levantado o Muro de Berlim, Kurt consegue enfim fugir para a Alemanha Ocidental e estudar fora dos cânones do “realismo socialista”, na libérrima academia de Düsseldorf.

Filme bem-sucedido? Não: um filme falhado. Prisioneiro da fama, o realizador comporta-se como um daqueles cozinheiros com falta de noção das proporções, que acabam de meter demasiados ingredientes na panela, pecando por excesso e condenando os comensais à obesidade. Nestas três horas de exibição caberiam três filmes: o primeiro, e mais interessante, desenrolado na Alemanha hitleriana, centrado na relação entre o pequeno Kurt e a sua tia antinazi (papel desempenhado pela deslumbrante Saskia Rosendahl); o segundo, com interesse mediano, em que o vemos atingir a maioridade nos anos de chumbo da ocupação soviética, tendo por sogro um sinistro médico do III Reich convertido ao comunismo; o terceiro, manifestamente falhado, já em solo livre, entre 1961 e 1966.

Desta amálgama resulta uma evidência: Von Donnersmarck foi incapaz de de editar o seu próprio filme, eliminando as cenas redundantes e desnecessárias. Sentiu talvez que teria entre mãos algo equivalente a um épico - e a verdade é que alcançou nomeações para o Globo de Ouro e o Óscar de Hollywood em língua não-inglesa. Mas Nunca Deixes de Olhar está muito longe de ser um novo Doutor Jivago - e não é David Lean quem quer.

Uma referência ainda ao medíocre título português, inspirado no da versão norte-americana ("Never Look Away"). Nada a ver com "Werk ohne Autor", título de origem, que deveria ter sido traduzido por "Obra Sem Autor".

 

 

Nunca Deixes de Olhar. Título original: Werk ohne Autor. Produção alemã (2018). De Florian Henckel von Donnersmarck. Com Tom Schilling, Sebastian Koch, Paula Beer, Saskia Rosendahl, Oliver Masucci, Cai Cohrs, Ina Weisse.

Duração: 189 minutos.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 22.03.19

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As Três Mortes de um Homem Banal, de Nuno Amaral Jorge

Romance

(edição Planeta, 2019)

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 22.03.19

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Saskia Rosendahl

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Canções do século XXI (718)

por Pedro Correia, em 22.03.19

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Frases de 2019 (8)

por Pedro Correia, em 21.03.19

 

«Sou uma criança que diz que outras pessoas me estão a roubar o futuro.»

Greta Thunberg, activista ambiental sueca de 16 anos, protagonista de um movimento internacional contra a inacção dos Estados face às alterações climáticas

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Estátuas dos nossos reis (207)

por Pedro Correia, em 21.03.19

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D. Pedro V (1853-1861)

 

Autor: desconhecido

Ano da inauguração: 1861

Localização: Lisboa, no Palácio de São Bento

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Moçambique: a ajuda portuguesa

por jpt, em 21.03.19

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Vejo agora um filme da BBC com declarações de Graça Machel de há dois dias. Ex-ministra, e celebrizada por ser viúva de Machel e de Mandela, é uma figura muito relevante na sociedade moçambicana. Há dois dias afirmava, com clarividência, que a "calamidade" (o termo corrente em Moçambique para este tipo de situações) é vasta demais para ser enfrentada por um único país, sublinhava que Zimbabwé e Malawi estão assolados pela mesma situação, que é um problema regional. Disse ainda ter solicitado ao secretário-geral adjunto da ONU o envio de uma força altamente especializada para fazer o diagnóstico da situação, que é totalmente deficitária, desesperante até. Isto é o que quem conhece o que está (e não está) no terreno sabe.

Dado que ontem botei breve postal sobre o assunto junto algumas considerações. No dia seguinte a estas declarações públicas o governo português envia o secretário de estado das Comunidades Portuguesas para fazer um diagnóstico. Isto nota o vazio luso. Mas há mais: só quem nunca assistiu ou ouviu falar de uma delegação deste tipo não percebe que vai atrapalhar mais do que ajudar. É um grupo de amadores, sempre. Um político de terceira linha, com alguns assessores apparatchiki, e normalmente sem experiência deste tipo de terrenos e situações, muito preocupados com algo que lhes é sempre o fundamental: a comunicação social portuguesa. Porventura (sublinho o porventura) irá um ou outro profissional, oficial superior (major, tenente-coronel, coisa assim), sem ser especializado nestas situações. Convocarão uma articulação no terreno - seja das autoridades moçambicanas, alagadas de trabalho que estarão, seja dos funcionários portugueses ali estacionados, que seriam mais úteis se numa articulação directa com os oficiais moçambicanos. Visitas destas, costumeiras, são quase sempre inúteis. Muito mais o são em momentos destes. São até uma falta de respeito por quem está a trabalhar. Portugal tem embaixada, consulados. Se precisa de informações o pessoal diplomático ou associado que as recolha, ou então mande quem as saiba recolher, não uma "delegação" destas. É totalmente descabido. 

Acabo de ler que seguiu hoje uma força de intervenção rápida, sob tutela do ministro da Defesa. E o qual anuncia que só irá a Moçambique se necessário. Ainda bem. É outra coisa. Podemos dizer que é algo tardio (um dia de atraso é surpreendente nestas situações). Mas é um eixo de actividade curial, necessário. E pelos vistos gerido com inteligência.

E a tutela é diferente: goste-se ou não do governo, goste-se ou não do ministro, Cravinho é alguém de gabarito intelectual, para além de que conhece o país (doutorou-se sobre o processo moçambicano, foi presidente do Instituto da Cooperação, foi secretário de estado da Cooperação, e foi-o com distinção). E o tipo de articulação que Portugal poderá ter com esta gigantesca operação terá que ser ao nível da Defesa e dos Negócios Estrangeiros - entenda-se, o secretário de estado dos negócios estrangeiros e das comunidades portuguesas é sempre alguém diminuído, politica e culturalmente, é uma tradição portuguesa que é imensamente significante do que o poder pensa da emigração. Como tal não faz parte do núcleo que pode pensar esta situação e a intervenção portuguesa. Será bem-vindo aos futuros jantares da Academia do Bacalhau, se levar algum subsídio para acções de assistência. De resto é (sempre) inútil.

Ou seja, é boa esta inflexão do governo, e já que critiquei antes, saúdo agora. A acção de ajuda de emergência entregue a verdadeiros especialistas, profissionais de gabarito (militares ou para-militares) que têm cadeias de comando, as quais costumam funcionar (tão ao invés da trapalhada civil). A tutela política entregue a um político de peso, que muito provavelmente será o MNE do próximo governo, e que não se apresta a ir visitar o local, em busca de um directo na TV. E que poderá servir - pela sua experiência política, gabarito intelectual, conhecimento de terreno e, muito em particular, pelos especialistas que tutela - para pensar as formas de integrar os recursos portugueses numa necessária acção internacional conjunta.

Estou a exagerar nos elogios, dirão alguns? Não. O meu ponto de partida, que é dogma, é simples: ninguém que tenha feito parte de um governo de Sócrates deverá estar num governo ou numa administração de empresa pública. Mas este não é o momento para se discutir o futuro português. Nem o presente.

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O Papa que quis ser maestro

por Pedro Correia, em 21.03.19

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Quando era pequenino, Jorge Mario Bergoglio – primeiro Papa oriundo do continente americano – queria ser maestro. Sentia-se vocacionado para conduzir orquestras que acompanhassem óperas italianas – as mesmas que escutava religiosamente todos os sábados, na companhia da mãe, filha de um modesto carpinteiro, na rádio nacional argentina. A avó materna, ouvindo-o exprimir tal vocação, disse-lhe: «Mas para isso é preciso estudar. E para estudar é preciso esforço, não é fácil…»

Foi uma das lições que a vida transmitiu ao futuro chefe da Igreja Católica: nada de relevante se consegue sem trabalho árduo e persistente. «Graças a Deus tive os meus quatro avós até tarde», recorda hoje o Papa. Os pais, oriundos de uma região pobre de Itália, viram-se forçados a rumar à Argentina na década de 20: o primeiro idioma que este filho de emigrantes aprendeu em casa foi o dialecto piemontês. Uma das suas recordações mais antigas remonta a Agosto de 1945, quando tinha oito anos, no quintal lá de casa: chegou uma vizinha alvoroçada e comunicou à família que a guerra terminara.

Ordenado sacerdote aos 33 anos, Bergoglio teve ocasião de testemunhar outros períodos em que Deus parece ter-se divorciado do destino humano. Durante a brutal ditadura argentina, por exemplo, foram assassinadas pessoas de quem estava próximo. Incluindo uma amiga comunista do Paraguai que costumava emprestar-lhe livros e a quem agora agradece por tê-lo «ensinado a pensar»: prisioneira política alvo de torturas, acabaria morta em 1977 por um método muito associado a esse regime: meteram-na num avião e lançaram-na ao mar.

 

Diálogo com agnóstico

 

São revelações contidas no livro Um Futuro de Fé, nascido de um conjunto de doze conversas travadas entre Fevereiro de 2016 e Fevereiro de 2017, no Vaticano, entre o Sumo Pontífice e o sociólogo francês Dominique Wolton, especialista em comunicação e autor de obras similares com o filósofo Raymond Aron (1981), o arcebispo de Paris Jean-Marie Lustiger (1987) e o presidente da Comissão Europeia Jacques Delors (1994).

«O homem é, fundamentalmente, um ser comunicante», disse o Papa ao assumido agnóstico que durante um ano foi seu interlocutor na modesta Casa de Santa Marta que lhe serve de residência após ter recusado viver no sumptuoso Palácio Apostólico onde se alojavam os anteriores pontífices.

Com três diplomas universitários (licenciaturas em Engenharia Química e Filosofia, doutoramento em Teologia), Bergoglio tornou-se o Papa Francisco em 13 de Março de 2013. À conversa com Wolton – exprimindo-se «num francês melhor do que faria crer», segundo o sociólogo – lembra esses dias que lhe mudaram a vida para sempre. Chegou a Roma vindo de Buenos Aires, onde era arcebispo, «com uma pequena mala e um bilhete de regresso.» Nem lhe passava pela cabeça, confessa, sentar-se no trono de São Pedro: «Havia três ou quatro “grandes” nomes… Para os corretores de apostas em Londres, eu era o 42.º ou 46.º»

Nesse fim de tarde, foi apresentado ao mundo como novo líder espiritual de mais de mil milhões de católicos. «Boa noite» foi a primeira mensagem que dirigiu à multidão concentrada a seus pés. Porquê? «Não sabia que outra coisa dizer naquele momento.»

 

Chaplin e Dostoievski

 

Outras frases marcantes acompanham o pontificado deste bispo de Roma que se manifesta contra os fundamentalismos, exprime sérias reservas à globalização que «destrói a diversidade» e admite ter uma aversão inata à hipocrisia. Algumas das mais significativas surgem neste livro-entrevista dividido em oito capítulos e que talvez deva ser lido a partir do último – o mais confessional, em termos humanos. Eis três delas: «Cuidado com o analfabetismo afectivo»; «Não confundamos a felicidade com um sofá»; «É preciso construir pontes e derrubar muros.»

Um Futuro de Fé revela-nos um Papa que na Argentina natal sentiu necessidade de fazer psicanálise. Que fala de Platão, Hegel e Dostoievski. Que menciona filmes como Tempos Modernos e A Festa de Babette. Que se comove ao ver o quadro A Conversão de São Francisco, de Caravaggio. Que aponta a vantagem suprema da religião: «Lembra-nos que é necessário elevar o espírito para o Alto a fim de construir a cidade dos homens.» E que partilha o que sentiu ao visitar o antigo campo de extermínio de Auschwitz: «Vi como era o homem sem Deus.»

 

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Um Futuro de Fé, do Papa Francisco, em diálogos com Dominique Wolton (Planeta, 2019). Tradução de Maria Leitão. 342 páginas.
Classificação: *****
 
 
Publicado originalmente no jornal Dia 15

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 21.03.19

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Declarações de Guerra, de Vasco Luís Curado

Recolha de depoimentos de militares que participaram nas três frentes de guerra em África (1961-1974)

(edição Guerra & Paz, 2019)

"A presente edição não segue a grafia do novo acordo ortográfico"

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