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Pensamento da semana

por João Pedro Pimenta, em 28.01.20

Poucos pecados há hoje em dia que sejam tão graves como o do preconceito, pela maneira como esta palavra é arremessada. E no entanto todos temos preconceitos, já que todos alguma vez na vida fazemos julgamentos sobre situações ou factos que desconhecemos ou dos quais pouco sabemos. E o preconceito pode mesmo servir como defesa em circunstâncias menos claras. Por vezes, há quem dê tanta atenção aos preconceitos que acaba por perder os seus próprios conceitos.

 

Este pensamento acompanha o DELITO durante toda a semana

Canções do século XXI (1030)

por Pedro Correia, em 28.01.20

Antes falidos que competitivos

por Paulo Sousa, em 27.01.20

Segundo dados das Finanças, cerca de 30.000 residentes beneficiam do regime de Residentes Não Habituais o que na prática equivale a estarem isentos de IRS. Incluem-se neste regime principalmente reformados de Estados Membros da UE, nomeadamente Finlândia, Suécia e França, assim como emigrantes portugueses que regressaram à pátria.

Esta situação tem causado algum incómodo aos países de origem pelo facto deste regime ser fiscalmente compensador para quem decide passar a reforma em Portugal, verificando-se assim uma perda de receita fiscal considerável por parte dos seus países de origem.

Podemos dizer que o clima ameno e a amabilidade dos portugueses ajuda neste processo, mas no fim de contas estamos a falar apenas do que será o único aspecto em que se pode dizer que o nosso enquadramento fiscal é competitivo. É como se estivessemos para os reformados estrangeiros como a Irlanda e a Holanda estão para as empresas.

Tudo isto tornou-se novamente assunto porque o governo pretende agora passar a cobrar 10% de IRS nestes casos. Não faltará quem aplauda tal medida. Se um português ganhasse o que ganha a classe média baixa na Escandinávia teria de pagar 40% de IRS, porque é que raio eles deverão estar isentos?

Há no entanto algo que convém não esquecer. A isenção fiscal destes reformados restringe-se ao IRS. Como têm casa - pagam IMI – almoçam, jantam, consomem electricidade e fazem compras - pagam IVA - têm veículo(s) próprio(s) - pagam IA e IVA sobre o IA, e IUC - deslocam-se pelo país - pagam IPP – e por aí a fora.

Isentos desta imensidão de impostos, taxas e taxinhas estão apenas os reformados escandinavos que não vivem em Portugal.

O governo podia apostar na divulgação noutros países onde a nossa fiscalidade é competitiva – esta verdadeira avis rara fiscal – mas os socialistas preferem descobrir, por tentativas, qual o ponto de equilíbrio destes contribuintes. Como sempre acontece nestas coisas, após os 10% iniciais outros aumentos se seguirão até chegaremos ao ponto em que haverá quem perca a paciência e mude para outras paragens, ficando então efectivamente isento de impostos portugueses.

Solidários com os milionários

por Pedro Correia, em 27.01.20

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Pode ter sido distracção minha, mas até ao momento ainda não ouvi uma palavra oriunda do PCP sobre o que está a ocorrer em Angola - nomeadamente, as mais recentes notícias acerca das «lucros fabulosos» (expressão muito cara a Jerónimo de Sousa) acumulados pela filha do antigo Presidente da República que ali se perpetuou durante quatro décadas no poder - e foi amealhando também uns cobres muito razoáveis, ao que rezam as crónicas.

A repugnância dos comunistas perante fortunas pessoais - neste caso em contraste com as situações de extrema pobreza que afligem grande parte da população angolana - dissolve-se quando os milionários pertencem ao MPLA, "partido irmão" do PCP?

Não haverá, nas fileiras comunistas, vozes críticas capazes de se insurgirem contra esta chocante conivência? Pode ser que existam, mas andam emudecidas. Porque daquelas bandas nem um sussurro se tem escutado.

 

A verdade é que, ao longo de todos estes anos, o PCP alinhou sempre com José Eduardo dos Santos, a sua próspera família e o partido que tem gerido Angola em sistema monopolista. Com indecorosas atitudes de subserviência perante o poder angolano, agora deposto. Basta lembrar a censura ao livro Diário de um Preso Político Angolano, de Luaty Beirão, na Festa do Avante! de 2018, e o chumbo comunista de um voto parlamentar contra as penas de prisão aplicadas a 17 activistas angolanos, em 31 de Março de 2016 - aqui em jubilosa parceria com o PSD e o CDS.

Sem um reparo que fosse, sem o mais ligeiro tremor de perturbação. Pelo contrário, o exercício da crítica, por parte dos comunistas portugueses, visou sempre aqueles que ousavam contestar a autocracia angolana, inserindo-os em maquiavélicas conspirações orquestradas por Washington - numa patética recriação da linguagem soviética dos tempos da Guerra Fria.

 

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Aqui ficam alguns exemplos, com sublinhados meus:

 

Avante!, 22 de Outubro de 2015:

«Portugal não deve ser instrumento e servir de plataforma para a promoção da ingerência contra um Estado soberano, designadamente ao serviço daqueles que, envolvendo e mobilizando cidadãos angolanos partindo de reais problemas, contradições, fenómenos negativos e legítimos anseios, de facto agem com o intuito de os instrumentalizar para desestabilizar e concretizar a denominada «transição» ou «mudança» de regime em Angola. (...) Existem interesses externos e sectores da sociedade angolana que consideram criadas as condições e chegado o momento de fomentar a desestabilização neste país. (...) Não seremos instrumento para fazer de Angola uma nova Líbia com o seu rasto de destruição, sofrimento, devastação e morte.»

 

Declaração de voto parlamentar, 31 de Março de 2016:

«O PCP não acompanha campanhas que, procurando envolver cidadãos angolanos em nome de uma legítima intervenção cívica e política, visam efectivamente pôr em causa o normal funcionamento das instituições angolanas e desestabilizar de novo a República de Angola. (...) O PCP não acompanha os votos apresentados na sequência da decisão do Tribunal Provincial de Luanda, adoptada em 28 de Março, que condenou 17 cidadãos angolanos a penas de prisão pelos crimes que o Tribunal considerou como de actos preparatórios de rebelião e associação de malfeitores. (...) A rejeição do presente voto por parte do PCP emana da defesa da soberania da República de Angola e da objecção da tentativa de retirar do foro judicial uma questão que a ele compete esclarecer e levar até ao fim.»

 

Avante!, 7 de Abril de 2016:

«Usam ora Rafael Marques ora Luaty Beirão para se guindarem a educadores do povo angolano, ditando aos angolanos o que o seu país é e o que dele devem fazer. (...) Será que ninguém estranha que as posições assumidas por BE e PS nos votos que apresentaram sobre Angola sejam convergentes com aquelas que foram assumidas pelo Departamento de Estado norte-americano e pela União Europeia? (...) O PCP nunca será instrumento ao serviço das operações que querem fazer de Angola mais uma vítima, que queiram fazer de Angola uma nova Líbia

 

Avante!, 14 de Abril de 2016:

«Interesses externos e sectores da sociedade angolana que, não deixando de utilizar uma qualquer oportunidade para envolver cidadãos angolanos a partir de reais problemas e legítimos anseios, de facto agem com o intuito de os instrumentalizar para promover a desestabilização de Angola e, se possível, concretizar a sua tão almejada mudança de regime. (...) Os significativos e genuínos laços históricos e afectivos que unem o povo português ao povo angolano e Portugal a Angola não devem ser instrumentalizados por intensas e hipócritas campanhas mediáticas que, objectivamente, contribuem para "legitimar" obscuras operações contra Angola e os interesses e aspirações do seu povo.»

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 27.01.20

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O Segredo de Afonso III, de Maria Antonieta Costa

Romance

(edição Clube do Autor, 2019)

"Por vontade expressa da autora, a presente edição não segue a grafia do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa"

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 27.01.20

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João Carvalho: «O ministro das Finanças levou a proposta do Orçamento de Estado ao Parlamento. Portugal precisa de baixar o défice para três por cento até 2013. Teixeira dos Santos garante que vai já este ano baixar (repito: baixar) um por cento em relação ao ano passado, para que o défice de 2010 desça (repito: desça) aos 8,3 por cento. Já liguei ao James Cameron a pedir uns óculos do Avatar, para saber se estou a ver bem a coisa. Só tenho medo que a 3D seja pior do que me parece.»

 

Teresa Ribeiro: «A ideia de que algumas mulheres preferem os homens mais velhos para se sentirem protegidas, para mim sempre tresandou a "engenharia psicológica" de macho. O próprio Freud não escapou a esta  fantasia e logo tratou de a caucionar com as suas teorias edipianas aplicadas a mocinhas em idade casadoira: o que elas procuram, dizia ele, é um pai, que substitua o papel que o biológico teve na sua infância.»

 

Eu: «Sócrates, que não é Guterres, neutralizou eficazmente os nostálgicos do "frentismo de esquerda" com honrarias simbólicas de todo o tipo. E a última fila da bancada parlamentar socialista, outrora um viveiro fervilhante de indignações, é hoje a montra de um "socialismo" ordeiro e cordato, que não ousa perturbar o sono do chefe. Se fosse preciso, transportaria hoje em ombros Daniel Campelo de Ponte de Lima a Lisboa enquanto se empaturrava com doses torrenciais de queijo limiano. A bem da Nação.»

Canções do século XXI (1029)

por Pedro Correia, em 27.01.20

Leituras

por Pedro Correia, em 26.01.20

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«Mesmo o mais feroz ateu, a prática confirma-o, tem a sua restiazinha de fé ou, se preferirem, de descrença na sua ausência de fé. E também o mais radical radical, o mais gauche e guedelhudo estudante guedelhudo, alberga em si o seu toquezinho nacionalista e reaccionário.»

Rui ZinkHotel Lusitano, p. 83

Ed. Planeta, Lisboa, 2011

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Sindika Dokolo apresenta a maior coleção de arte africana no Porto (24 Fevereiro, 2015)

(Memória - até intimista - por causa do que está a acontecer por aí).
 
Quando em 15 voltei a Portugal o que mais me custou não foi o frio, do qual me desabituara. Foi o silêncio. O próprio. Passara 15 anos a leccionar, a co-organizar seminários, a participar noutros, a comentar e debater. Assim a falar, muito. Quando regressei isso acabou. Não podia falar ("não tens doutoramento, não podes falar", é assim mesmo, são as regras, é o mercado laboral). Podia assistir mas não convinha contrapor, discordar, esmiuçar, que reina a cultura do silêncio defronte e da maledicência a posteriori ("ela é histérica", "ele é estúpido", diz-se dos colegas sem qualquer rebuço), associada à ofensa sentida se alguém questiona o que se disse. Eu sei que dizer isto provoca noutros a ideia, aqui habitual, do "este está ressabiado, ressentido". Mas estão errados. É apenas observação participante.
 
Pronto, ficou-me o silêncio próprio. Foi uma espécie de envelhecer (um pouco) avant la lettre. Um gajo é velho e ninguém o ouve, foi isso mesmo. Neste caso ainda com lucidez (presunção e água benta ...) para o perceber, e saber que será assim para a frente. Ultrapassei isso, ganhei o hábito de falar sozinho - falo imenso sozinho. A minha filha preocupa-se com isso, teme ser sintoma de algo mais. É nova demais para perceber que é apenas uma escapatória. Um gajo tem que falar, tem o vício, e se não tem audiência fala sozinho. Mal seria se eu começasse a fazer podcasts ou lá como se diz, e a metê-los no facebook.
 
Bem, vem esta memória a propósito disto: o silêncio não foi total. Nos primeiros anos ainda falei um bocadinho. Almas caridosas convidaram-me para leccionar lá na Invicta Porto, num mestrado ("éh pá, não tenho doutoramento", avisei. "Anda na mesma", magnanimizaram), durante dois anos. Lá fui, falar como Amador (no velho e nobre sentido do termo). De literatura africana. De arte moderna e contemporânea africana. Não sei como terá corrido (ao longo dos anos tive alunos que de mim gostaram, outros aos quais fui indiferente, outros que não gostaram. Haverá piores do que eu, há melhores, há muitos mais ou menos na mesma. É como é). Mas, repito, fui lá à terra do meu pai, à universidade do meu pai - e disso gostei muito -, falar de literatura africana e de arte africana.
 
Foi na época em que o Porto estava todo aperaltado para visitar a exposição - bem boa, digo-vos - da colecção de arte africana contemporânea de Sindika Dokolo, genro de José Eduardo dos Santos. Gostei de visitar, pausadamente. E deu-me muito, imenso, jeito, pois recomendei-a vivamente aos escassíssimos alunos.
 
Então sorri, com o fenómeno. A gente não avalia e frui a arte devido aos mecenas que lhe coube. Mas avalia o fenómeno da recepção. Sorri ao Porto. A Portugal.
 
E falei, sozinho. Continuo a falar sozinho. A Carolina não gosta, teme que seja sintoma de algo. E é, minha querida, é sintoma de ser patrício destes tipos.

 

Angola

por jpt, em 26.01.20

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Os que me conhecem, e os que me vão aturando no(s) blog(s), sabem que não simpatizo com o BE - ainda que me tenha ocorrido votar, e também por algumas razões até espúrias, em Marisa Matias (depois ponderei e votei bem à "direita", em Henrique Neto). Não gosto da coligação "guevarista" (et al) acima de tudo porque abomino o "identitarismo" e os requebros que o acompanham. E mais coisas, claro. Por isso tanto gostei do "affaire Robles" a desnudar o horizonte que se vê em Telheiras e no Bairro Alto. E tanto gozei com as patacoadas do prof. Rosas ("as nossas meninas", "a direita já tem o seu gay" - cito apenas de cor), a mostrar o quão plástico chinês é o "politicamente correcto" - já para não falar do célebre "eu tenho filhos, você não tem" (idem) de Louçã a Portas, o Paulo. Enfim, são quem são, esta minha Lisboa ...

Dito tudo isto, como vera auto-justificação, aqui fica a entrevista que Louçã e Teixeira Lopes deram quando lançaram o seu livro "Os Donos Angolanos de Portugal", há já cinco anos a mostrarem as ligações desta nossa elite político-económica com o poder económico (a "Isabel dos Santos") de Luanda.

É bom lembrar, porque parece que agora todos se esquecem.

Lisboa e Porto

por Cristina Torrão, em 26.01.20

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Imagem TV Today 18 a 31-01-2020

Ontem, um canal regional alemão, pertencente ao 1.º canal público ARD, mostrou um pequeno programa sobre duas cidades portuguesas. A revista televisiva que costumo comprar, porém, fez uma imensa confusão entre as duas. Traduzindo o texto acima: «Lisboa conta-se entre as "boomtowns" turísticas na Europa. Mais de seis milhões de visitantes anuais - para apenas 500.000 habitantes. A reportagem guia-nos às grandes Praças do Rossio e do Comércio, ao lindíssimo bairro de Alfama e ao Mercado da Ribeira. Depois, segue para o Porto, na margem do Douro».

Presumo que os «500.000 habitantes» deviam pertencer ao Porto. E a legenda da imagem vai ainda mais longe: «Arquitectura imponente: a ponte Dom Luís I em Lisboa»!

Um texto destes é capaz de pôr os cabelos em pé de qualquer português. Para os mais radicais, aqueles que levam a um nível muito pessoal a rivalidade (que se quer saudável) entre as duas maiores cidades do nosso país, um texto destes pode ser mesmo caso para insultos aos responsáveis da revista.

Apesar de também criticar a falta de cuidado com que este pequeno texto foi escrito, aconselho um respirar fundo aos mais indignados. Afinal, se uma revista televisiva portuguesa fizesse uma confusão destas entre Berlim e Hamburgo, não nos merecia mais do que um encolher de ombros (quando muito... e só para quem estivesse em condições de detectar os erros). E eu, que vi o programa, garanto que não se misturaram as duas cidades. Foi uma pequena reportagem interessante, que é bem capaz de atrair ainda mais turistas ao nosso país. Se isso é bom, ou mau, fica ao critério de cada um.

De Amaro da Costa a Chicão

por Pedro Correia, em 26.01.20

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Adelino Amaro da Costa, 1980

 

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Francisco Rodrigues dos Santos, dito Chicão, 2020

 

Quarenta anos de história do partido que já foi "rigorosamente ao centro" (com Freitas do Amaral) e liberal (com Lucas Pires) e democrata-cristão (com Adriano Moreira) e eurocéptico (com Manuel Monteiro) e eurófilo (com Paulo Portas) e conservador (com Ribeiro e Castro) e de centro-direita (com Assunção Cristas) e agora é... mal se sabe o quê.

Duas fotografias que, só por si, explicam a profunda crise que grassa hoje no território político situado à direita do PS em Portugal.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 26.01.20

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Aprender com os Melhores 2, de Francisco Alcaide Hernández

Tradução de Clara Dias

Auto-ajuda

(edição Planeta, 2019)

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DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 26.01.20

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J. M. Coutinho Ribeiro: «Há, pelo menos, uma coisa em que José Pedro Aguiar Branco e eu estamos de acordo. Tal como ele, também acho que o PSD não pode falhar na escolha do próximo líder. Ando a dizê-lo há muito, e o Alberto Gonçalves deu conta disso na sua última crónica no DN.»

 

João Campos: «Uma situação hipotética: fulano liga para o emprego a informar o seu chefe de que não vai poder ir trabalhar nos próximos dois dias, e apresenta uma justificação à partida válida ("emergência familiar", por exemplo). Essa justificação é, porém, falsa, e fulano tirou o dia para ir até outra cidade a uma festa. Chegado a casa, publica fotografias dessa festa no seu perfil do Facebook. Esqueceu-se fulano de que o seu chefe - ou algum colega mais mal intencionado - está na sua lista de "amigos". E, por isso, acaba por cair nas mãos do chefe, directa ou indirectamente, provas de que fulano mentiu para justificar a sua ausência no trabalho. E assim, fulano lixou-se.»

 

João Carvalho: «Para o governador da Califórnia, o problema da sobrelotação das cadeias tem solução. A ideia de Arnold Schwarzenegger é enviar os milhares de imigrantes indocumentados para o México, pô-los lá a construir prisões e pagá-las às autoridades mexicanas, que também têm sérios problemas com a escassez de penitenciárias para tanto crime. Se calhar, podíamos negociar uma coisa assim com os espanhóis. Não é certo que a ideia tenha pernas para andar, mas é bem capaz de dar um guião para um filme de acção.»

 

Leonor Barros: «Se pensarmos que cerca de quarenta e oito milhões de americanos gostam de observar passarinhos e se, como diz a organização Stop Bird Porn, birdwatching is bird porn, há muito voyeur taradão, perverso e depravado atrás das moitas, espalhados pelos bosques e florestas, aos ais e uis de binóculos nas mãos, numa pelo menos, enquanto o passarinho e a passarinha se passarinham. E isto é que acho fantástico, que alguém viva uma experiência erótica a observar passarinhos em acasalamento e que, por outro lado, alguém se preocupe em fundar uma organização para banir a observação de aves. God bless America.»

 

Luís M. Jorge: «Quer ser empreendedor? Pretende viver com o sucesso, a performance e a segunda dama de honor da Elite Model Look? Então visite o site da empresa na hora e perca um minuto a vasculhar a lista de firmas disponíveis. Aí encontrará, garanto-lhe, uma inesquecível Paelha d'Oportunidades

 

Teresa Ribeiro: «Nas esplanadas, nas paragens de autocarro, no metro, em todo o lado observo gente a falar ou a clicar no telemóvel. Numa época em que tanto se fala de solidão andamos conectados mais que nunca. É curiosa esta aparente contradição. Não fosse a tal fobia ficaria, talvez, um pouco confusa. Assim, pareceu-me lógico presumir que o medo de ficar sem telemóvel e a sua utilização massiva e compulsiva são a expressão do mesmo horror ao vazio.»

 

Eu: «Há um ano, vivia-se o tempo das hipérboles: o céu era o limite, a fé nas capacidades do sucessor de George W. Bush quase suplicava por milagres. Obama, o primeiro Presidente mestiço da história dos EUA, chegava à Casa Branca com o país envolvido em duas guerras sem fim à vista, com a imagem das instituições em Washington manchada por inadmissíveis violações de direitos humanos e o maior défice das contas públicas de que há memória, além da latente ameaça terrorista. O desafio era gigantesco. Não admira que no seu discurso de investidura o chefe do Executivo norte-americano tenha mencionado seis vezes Deus e uma vez as Escrituras.»

Frases de 2020 (4)

por Pedro Correia, em 26.01.20

 

«Não há direita em Portugal desde o 25 de Abril.»

Jaime Nogueira Pinto, ontem, em entrevista ao Sol

Pensamento da semana

por jpt, em 26.01.20

"O nacionalismo não só levou, de facto, historicamente a Europa à beira da ruína, como contradiz ainda o que a Europa é pela natureza espiritual e política, embora ele haja dominado as últimas décadas da história europeia. Daí que sejam necessárias instituições políticas, económicas e jurídicas supranacionais, que certamente não pretendem construir uma super-nação mas que, ao contrário, devem devolver, fortalecidas, às diferentes regiões europeias o seu rosto e peso próprios. Instituições regionais, nacionais e supranacionais devem imbrincar-se de tal modo que tanto o centralismo como o particularismo sejam excluídos."

(Joseph Ratzinger, Os Fundamentos Espirituais  da Europa. Leça da Palmeira: Letras e Coisas, p. 32. Texto da conferência "Uma herança responsabilizante para os cristãos", 1979.) 

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

Canções do século XXI (1028)

por Pedro Correia, em 26.01.20

O melhor candidato do CDS

por Pedro Correia, em 25.01.20

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Menciono-o com declaração de interesses: sou amigo dele. Para mim, o melhor candidato à sucessão de Assunção Cristas seria ele, o Adolfo Mesquita Nunes. Capaz de alargar as fronteiras do partido, hoje muito estreitas. De lhe dar consistência ideológica, sem rumo errante. E de começar a construir uma verdadeira alternativa de futuro na área política não-socialista e não-comunista em Portugal. Fazendo uma oposição firme, fundamentada e frontal ao Executivo pós-geringonça.

Infelizmente, há cinco candidatos à presidência do CDS - tantos como os deputados que lhe restam na Assembleia da República - mas o Adolfo não é um deles. O que diz muito sobre o rumo do partido no momento actual.

Ao fundo da sala, cada vez mais satisfeito com esta falta de alternativa à sua direita, António Costa continua a sorrir.

A chuva e o bom tempo

por Pedro Correia, em 25.01.20

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Lembram-se do "risco de seca severa e extrema" que ainda há pouco nos gritavam ao domicílio de telediário em telediário? Lembram-se dos desesperados alertas para as "barragens em mínimos históricos de água", entre outras mensagens de igual teor apocalíptico?

Foi há pouco tempo. Trombeteado pelos mesmos órgãos de informação que agora lançam uivos de advertência contra o "mau tempo". E o que é afinal o "mau tempo"? Simplesmente a boa e velha chuva invernal, acompanhada do inevitável e velho frio e por vezes da pura, alva e velha neve. Tudo próprio da estação. A mesma chuva pela qual as tais trombetas do Apocalipse imploravam para encher barragens e pôr fim à seca.

Um final feliz é uma chatice quando se desespera por cliques em tempo de escassez. Não de chuva, mas de leitores e audiência.

Read my lips

por Paulo Sousa, em 25.01.20

Quando não há motivos de preocupação os políticos não necessitam de fazer desmentidos nem declarações em contrário. Ou seja, só tentam sossegar o país quando existem ameaças.

Muitos exemplos do passado recente comprovam isso:

  • Portugal não é a Grécia
  • O FMI já não vem
  • Os portugueses podem confiar no BES
  • E por aí a fora...

Além dos casos de ameaças ao país, recorrem também ao método da negação do óbvio quando o óbvio lhes é prejudicial:

  • A vitória do PS não é derrota do PCP
  • Ricardo Robles não se aproveitou do cargo que ocupava
  • O PSD está unido
  • ... todos nos recordamos de muitos outros exemplos

Lembrei-me mais uma vez desta antiga constatação quando ouvi o nosso Presidente Marcelo afirmar que não há razão para preocupação nos sectores económicos e empresas portuguesas nas quais a empresária angolana Isabel dos Santos está a vender as suas participações. E acrescentou dizendo: “Os sinais que me chegam (…) são de que não há razão para nem a economia nesses sectores, nem os trabalhadores, nem os que têm a ver com as empresas, fornecedores ou clientes, estarem preocupados com isso.”

Respiremos pois de alívio.


O nosso livro






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