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Delito de Opinião

O caos

Pedro Correia, 19.05.21

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Não me lembro de gestão tão caótica no futebol português. E não me falem na pandemia. A pandemia não pode servir de desculpa para tudo.

Primeiro anunciaram que haveria público nos estádios, na última jornada da Liga 2020/2021. A ministra da Presidência fez o anúncio no final de um Conselho de Ministros, alegando que seria um "evento-teste"

Depois admitiram que talvez as duas últimas rondas tivessem público.

A seguir, vem-se a saber que os estádios continuarão interditos aos portugueses até ao último apito do último jogo deste campeonato. Descobriram à última hora que era necessário salvaguardar a equidade.

Anunciaram entretanto que a final da Champions voltaria a ser este ano em Portugal, no estádio do Dragão. Para júbilo do velho crocodilo, que logo lançou farpas a Lisboa. Como se Porto e Lisboa não fizessem parte do mesmo país.

Esta final da Liga dos Campeões terá público. Mas a final da Taça de Portugal será disputada com bancadas vazias, ao contrário do que chegou a admitir-se.

«A ideia de haver público na última jornada era uma ideia de só haver público do visitado, coisa que é manifestamente impossível haver no final da Taça, uma vez que o jogo vai realizar-se no estádio de Coimbra», disse o alegado e baralhado secretário de Estado do Desporto, voltando a confirmar a sua inutilidade no Governo. Enquanto justifica o privilégio concedido à final entre Chelsea e Manchester City por «circunstâncias muito distintas» que não especificou.

Duas realidades diferentes: uma para estrangeiros, outra para portugueses. Ambas em solo nacional, o que torna tudo mais revoltante.

Alguém entenderá seja o que for no meio deste caos?

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 19.05.21

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Adolfo Mesquita Nunes: «Em tempo e modo de campanha eleitoral, perguntaram-me hoje qual o maior problema que enfrenta Portugal. Há tantos à escolha que a resposta não é fácil. Mas querendo fugir das respostas chavão e querendo sair da campanha eleitoral propriamente dita, respondi: a triste circunstância de cada um de nós viver preso ao meio social em que nasceu e de nos ser exigida uma quase sobrenatural excepcionalidade para vencer a imobilidade social.»

 

Ana Lima: «O museu, hoje em dia, já não é o local onde se vai em dias de chuva, quando não há nada mais interessante para fazer, espreitar para vitrines cheias de pó e onde não se pode tocar, falar, rir; mas um espaço apelativo que oferece múltiplas escolhas e que está ao serviço do público.»

 

João Carvalho: «Ficámos assim. Pelos vistos, ficámos e ficamos, porque nunca mais tive notícias da TMN. O que é muito pior do que eu imaginava, pois não só o provedor (ou o suposto serviço de provedoria) da TMN não tem telefone, como o Serviço ao cliente (ou, pelo menos, o atencioso Jorge Brito) da TMN também não possui um telefone de contacto. Ninguém estranha que a TMN manifeste ter tamanha falta de telefones?»

 

José António Abreu: «Vi o final do jogo. E percebi por que motivo o Porto foi buscar o João Moutinho ao Sporting: é sempre conveniente ter no plantel pelo menos um jogador português.»

 

Rui Castro: «O país entrou em bancarrota, está em recessão, o desemprego aumentou exponencialmente e, incapaz de solver as suas dívidas, Portugal teve que recorrer à ajuda externa. Vamos, por isso, viver nos próximos anos reféns de quem aceitou emprestar-nos dinheiro, com a nossa soberania suspensa e o futuro dos nossos filhos sem passar de uma incógnita. Tudo por causa de uma governação incompetente, mentirosa e desligada daquilo que era a realidade do país.»

 

Rui Rocha: «Imagino-te, José Pinto de Sousa, envergando brancas vestes, costuradas pelo próprio Armani para a ocasião, arregaçadas até aos joelhos. Assim estarás, banhando os pés, liberados de unhas encravadas e calosidades por um técnico superior em podologia com curto mas profícuo percurso académico devidamente certificado pelas Novas Oportunidades, nas águas límpidas de um rio sagrado. Atrás de ti, uma oliveira milenar. Dela recolherás um único ramo que levantarás como bandeira com a mão direita, essa que usas para afagar o Estado Social, já manicurada por um técnico superior com curto mas profícuo percurso académico devidamente certificado pelas Novas Oportunidades.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «A Administração do Finibanco deve estar encantada com o serviço prestado e já estará a preparar a remessa de mais uns quantos guarda-chuvas (e já agora t-shirts) para oferecer ao Dr. Bota. Mas não deixa de ter sido uma sorte que a oferta não tivesse sido do BPP ou do BPN. É que aí as conotações poderiam não ser tão "simpáticas" para os candidatos.»

 

Eu: «Porque tarda o Governo em disponibilizar aos portugueses a tradução oficial do memorando que assinou com a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional?»

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 18.05.21

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Ana Margarida Craveiro: «Em França (e também por aqui), um homem poderoso é um santo, e tudo o que faz em privado são meros pecadilhos (incluindo a tentativa de violação). A polícia e o sistema judicial são abusadores deste mesmo homem, ou jogadores numa teoria internacional de conspiração. A vítima? Não interessa nada, é  uma empregada de hotel.»

 

Bandeira: «Numa remota região da China, tão remota que ali os rios desaguam uns nos outros por desconhecerem a existência do mar, habita um povo do qual jamais houve notícia. O que mais o distingue dos outros povos é a sua estranha língua: cada indivíduo pode pronunciar cada uma das palavras do léxico uma única vez. Talvez por isso, existem – de acordo com a última contagem – 271 palavras diferentes para significar "facécia", 6525 para "pórtico", 895477 para "linda" e 9003226635910 para "não". Os habitantes desta região remota da China possuem nomes ainda mais compridos do que os dos reis de Portugal.»

 

João Campos: «1825 dias de derrapagem nas obras do Metro de Lisboa que estoiraram a Avenida Duque D'Ávila. São apenas mais cinco anos - mais coisa menos coisa - do que o previsto. A derrapagem orçamental também deve ter sido grande, já que os comerciantes ficaram praticamente só com... poeira. É um bom retrato de como são feitas muitas obras públicas neste país.»

 

João Carvalho: «O ainda secretário de Estado do Emprego, Valter Lemos, disse hoje que o aumento da taxa de desemprego "estava dentro das expectativas", ressalvando que "o contributo mais significativo foi de pessoas que não estavam à procura de emprego e que agora estão". Querem isto mais bem explicado? Ok, lá vai: a subida do desemprego não tem interesse porque estava prevista; o que interessa é ressalvar que o desemprego só aumentou graças à contribuição esforçada e generosa de quem tinha emprego e agora não tem. Entendido?»

 

José António Abreu: «Hoje é um dia histórico. Reportagem no aeroporto Francisco Sá Carneiro. Um adepto do Porto comprou o bilhete há meses porque tinha «fé». Um adepto do Braga chegou às três da manhã para apanhar um avião que sai às nove. Regresso ao estúdio. Excerto de It's a Beautiful Day, dos U2. Ligação a Dublin onde, afinal, chove. Reportagem com o tio de Domingos Paciência, que prepara uma sardinhada num pavilhão de Matosinhos. Vai levar entre duzentos e trezentos pães mas não apanhei o número de sardinhas.»

 

Luís M. Jorge: «Com o alto patrocínio da nação que inventou a Via Verde e os cartões pré-pagos do seu telemóvel reunir-se-ão hoje em Dublin alguns milhares de pategos para celebrar outro evento histórico, outro marco reluzente da portugalidade: uma final europeia. O que é uma final europeia? As oito primeiras páginas do Público esclarecem-nos: é um jogo de bola em que os bracarenses Alan, Vandinho e Paulão defrontam os portuenses Helton, Guarin e Sapunaru. Rapazes humildes de Nevogilde e Cedofeita, que molhavam o pé em Labruge ou conduziam juntas de bois em Tibães e que hoje revelarão, como é habitual nestas merdas, novos mundos ao mundo

 

Patrícia Reis: «Estou-me nas tintas para o ensaio - aliás, brilhante - de Desmond Morris que defende que o futebol é uma actividade que advém do facto de termos deixado de ser nómadas para passarmos a ser sedentários, deixarmos a caça, para sermos agricultores. A minha pergunta é muito simples: porque carga de água é que todos os dias os jornais desportivos fazem manchetes com futebol?»

 

Samuel Filipe: «Acertámos o encontro para o final da tarde. Enquanto caminhámos nas ruas do centro da cidade José J. manteve-se no mais escrupuloso silêncio. Dirigimo-nos à zona ribeirinha, onde podíamos conversar tranquilamente passeando entre os contentores e o rio. Era o melhor amigo de José J. e ele queria deixar-me ao corrente dos planos que tinha para os anos vindouros, os últimos anos de vida, aqueles em que já não era indispensável trabalhar. O projecto de fundo pareceu-me desde logo assombroso. Tencionava perder a memória.»

 

Rui Rocha: «Há umas dezenas de anos, num Portugal que críamos e queremos longínquo, Baptista-Bastos escreveu uma crónica sobre uma família de Setúbal que entaipou as janelas para que os filhos não pudessem ver os bolos exibidos na montra da pastelaria que ficava do outro lado da rua. Pois bem, perante estes números, a fome volta a ser um dado da nossa realidade.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Se o problema fosse só de amadorismo, aliás reconhecido pelos da própria casa, até não seria mau. Antes amadores bons - que até agora não demonstraram ter - do que profissionais caros e incompetentes. O pior é tudo o que vem atrás do amadorismo, e os que vêm atrás, a correr desbragadamente, quando está em causa governar o país e se deixou o poder nas condições em que Santana Lopes foi obrigado. Haja memória.»

 

Eu: «Quando ouviremos José Sócrates assumir um erro de governação?

Eu também

Cristina Torrão, 17.05.21

«Quando tinha 12 anos fui assediada por um vizinho. Um homem com idade para ser meu avô dirigiu-me palavras obscenas, propostas porcas. Sem que me tivesse apercebido, a mulher desse homem também ouviu o seu assédio e confrontou-me dias depois, acusou-me de lhe provocar o marido, dirigiu-me palavras que uma mulher não deve ter para com uma menina. Dele tive medo, mas ela fez-me sentir culpada, suja. Uma mulher com idade para ser minha avó preferiu atacar-me, a mim, uma menina que nem era ainda uma mulher, que enfrentar a realidade de estar casada com um pedófilo, um predador».

«Tinha treze anos quando comecei a ser assediada e nada me preparou para o choque. Na escola todos os rapazes apalpavam as maminhas e os rabos e os genitais de todas as raparigas e levantavam-lhes a saia. Os professores e auxiliares que viam isto - e isto acontecia mais ou menos em todos os intervalos - nunca fizeram nada. Hoje em dia surpreende-me a rapidez com que todos, raparigas e rapazes, aceitámos que este assédio era “normal”».

«Quando comecei a sair regularmente à noite, acho que nunca me senti tão insistentemente tocada, agarrada, ignorada quando dizia que não, que não queria conversar, que não queria dançar, que não queria um copo, etc. Era como se os homens, muitos homens, achassem que tinham o direito de dispor do meu tempo, do meu corpo, de mim. E na mesma medida em que achavam que tinham esse direito, achavam que eu não tinha o direito de lhes dizer não».

«Na verdade, foi com a chegada das minhas filhas à adolescência que percebi a violência das situações por que passei. Reagi sempre com desprezo ou distância, soube defender-me, pelo que nunca me vi como uma vítima. Mas fui assediada várias vezes em contexto laboral. E não quero que as minhas filhas, ou qualquer mulher, ou qualquer homem, continuem a encarar essa situação como uma fatalidade».

«O café está vazio. Sou o único cliente. Atrás do balcão, um empregado, jovem, aproxima-se da colega que arruma as chávenas sobre a máquina do café e passa as costas da mão devagar pelo braço nu da empregada. Ela sobressalta-se, olha-o com medo e foge para o outro extremo do balcão sem dizer uma palavra. Ele vai atrás dela, a rir, divertido, com uma mão agarra-a pelo pulso e força a outra mão através das mãos da rapariga para lhe acariciar de novo o braço. A empregada treme de confusão, de medo e de raiva e sacode as mãos, impotente, com lágrimas nos olhos mas sem querer gritar para não fazer escândalo. Levanto-me da mesa e aproximo-me do balcão. O empregado sorri-me cúmplice, entre homens, sem largar a rapariga, pensando que eu quero apreciar mais de perto o espectáculo e continua a deslizar a mão pelo braço da rapariga. Quando lhe digo para parar, hesita, considera a hipótese de me confrontar e acaba por largar a colega murmurando qualquer coisa do género “Era uma brincadeira… Não estava a fazer nada…”».

«Entrei num café com um amigo de família, bastante mais velho. Senti que tinha uma pedra no sapato a magoar-me. Parei. Apoiei-me na porta. Sacudi o pé algumas vezes. Comecei a ouvir os risos dos muitos homens que estavam lá dentro, frases de uns para outros, senti o calor a subir-me à cara antes sequer de perceber porquê. Até que ouvi, voz gritada, para garantir que chegava a mim e a todos: «Esta aqui quando crescer vai dar uma bela égua. Quero ver é quem a consegue montar.» Gargalhadas. Eu tinha oito anos».

«Tinha doze anos, vinha das aulas. Eram cerca das 18h 15m, mas era Inverno e já estava escuro. Abri a porta do prédio onde morava, uma porta de madeira, sem qualquer vidro. Portas destas eram mais ou menos comuns, nos anos 1970. Entrei e, quando já estava quase a fechar a porta, alguém a travou, do lado de fora. Pensei ser alguém a querer entrar no prédio por boas razões, deixei a porta aberta e dirigi-me às escadas. De repente, fui agarrada pelas costas. Totalmente confusa, dei conta de que estava a ser toda apalpada. Quis gritar e não consegui, assim como não consegui libertar-me. Senti um medo de morte, estava a entrar em pânico, quando fui largada. Senti a pessoa a afastar-se e olhei instintivamente para trás. Vi um rapaz com o sexo erecto fora das calças. Quando me viu a olhar para ele, apontou para o sexo. Subi as escadas a tremer (não havia elevador) e com o coração aos saltos, apesar de ele ter desaparecido. Não contei a ninguém, tive vergonha. E muito medo de que me culpassem - porque não fechaste a porta? Porque não gritaste? Porque não lhe deste um murro? etc., etc. Mas como pode uma miúda de doze anos estar preparada para um ataque destes?».

«Tinha 11 anos. Um velho vizinho do prédio "amigo" do meu pai, ouvia-me a entrar no elevador e como morava no andar de baixo, entrava lá dentro. Apalpava-me, um dia voltei-me e apertou-me o pescoço e ameaçou fazer mal aos meus pais».

Estes são relatos partilhados num grupo do Facebook. Um dos relatos é meu. As mulheres sentem-se encorajadas ao constatar que outras o fazem, surgem cada vez mais a dizerem «eu também». Há igualmente relatos de homens que assistiram a cenas de assédio e se revoltaram (como mostra o exemplo) e são muito bem-vindos. Os ataques, assédios e abusos acontecem em qualquer idade, mas escolhi propositadamente meninas, na sua maioria, para que todos se dêem conta, quão cedo nos mostram que são livres de nos intimidarem e usarem o nosso corpo. E com que impunidade o fazem.

Todas as mulheres já foram molestadas e assediadas, independentemente da maneira como se vestem, ou como se maquilham (ou não maquilham). Muitos homens até preferem as discretas e tímidas por serem mais susceptíveis de não reagir. As que dizem que não se importam, por ser “normal”, apenas recalcam o mal-estar e contribuem para a impunidade dos agressores. A maior falácia, na educação das meninas, é dizerem-lhes que nada de mal lhes acontece, se não usarem roupas provocantes e não derem nas vistas. Não digam isso às vossas filhas e netas! É mentira!

Muitas vezes me dizem estar a cumprir «agenda de esquerda», com textos deste tipo. Mas esta não é uma luta de esquerda, é uma luta de todos os lados. Pela mudança de mentalidades.

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Uma parte muito relevante da sociedade, talvez a maior parte, ainda não consegue compreender o que se passa verdadeiramente quando uma mulher se sente assediada ou à beira de um assédio num contexto laboral. Essa circunstância desrespeita o mais profundo da sua dignidade, põe em causa direitos fundamentais básicos e inibe o seu pleno desenvolvimento como pessoa.

 

Não se trata de direitos das mulheres, não são coisas do “mulherio”.

Trata-se de Direitos Humanos!

Futebol e paridade

João André, 17.05.21

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Vi ontem a final da Liga dos Campeões, na qual o Chelsea defrontou uma equipa fortemente influenciada pela escola holandesa de posse de bola e jogo pelos flancos. Apesar de o Chelsea ter algumas das maiores estrelas do futebol mundial, acabou por perder o jogo por 4-0, resultado que já se encontrava ao intervalo e acabou por dar a vitória ao Barcelona.

Barcelona? Ontem? Liga dos Campeões? Sim. Como é óbvio, não falo da final da Liga dos Campeões masculina entre Chelsea e Machester City, que o Porto irá acolher a 29 de Maio, mas da final feminina, que teve lugar ontem em Gotemburgo.

Não sou alguém que siga muito o futebol feminino, em grande parte porque são raros os jogos transmitidos na televisão. Mas quando posso tento vê-los. São bem disputados, mais abertos que os jogos masculinos e com uma competitividade e qualidade que aumenta de ano para ano. Não é um desporto com nomes como Messi, Ronaldo, Mbappé ou Haaland, mas tem Harder, Kerr, Miedema, Bronze (inglesa de pai português), Henry, Renard ou Marozsán. No jogo de ontem apaixonei-me pelo futebol de Alexia Putellas e Martens (ambas do Barcelona).

Por curiosidade fui ver qual o prémio monetário para o Barcelona pelo feito: 460 mil euros. O prémio para quem vença a final no dia 29? 19 milhões de euros. Cerca de 41 vezes mais. Em França, em 2018, o orçamento da Liga masculina era de 1.900 milhões de Euros. O da liga feminina 19 milhões. Um rácio de 100 para 1. Será que o futebol masculino é 100 vezes melhor? Ou sequer 40 vezes? Será sequer 10 vezes melhor como a diferença de prémio monetário entre a França (vencedora do Campeonato do Mundo masculino de 2018, 38 milhões de dólares) e os EUA (vencedoras do Campeonato do Mundo feminino de 2019, 4 milhões de dólares) indicaria?

Certamente que não. Não é uma questão de ser essa a minha opinião, é uma questão de realidade. A audiência do Mundial feminino de 2019 foi de quase mil milhões pela televisão e quase 500 milhões por outras plataformas. No masculino foi de cerca de 3,5 mil milhões, ou pouco mais do dobro. Será então justo que as mulheres sejam pagas tão pouco e joguem em condições bastante piores que os homens quando estão a fazer o mesmo trabalho?

O argumento contra a paridade de pagamento é o habitual: não geram as mesmas receitas. No entanto este é um argumento falso porque incluí um círculo vicioso: se as mulheres não têm os seus jogos transmitidos, não poderão gerar visibilidade e não atrairão mais receitas. Sem essas receitas não podem desenvolver o jogo e ficam presas às condições em que jogam.

E para que não se pense que isto é nada, as mulheres frequentemente jogam nos campos de treino das equipas masculinas, equipam-se com roupas e calçado concebidos para homens, têm de usar equipamento de treino de menor qualidade (o melhor vai para os homens) e quando os clubes lhes oferecem massagistas e médicos, estes são especialistas em - adivinhem - desportistas masculinos e não fazem a menor ideia de como gerir a saúde das profissionais que têm pela frente. Há excepções, como as que o Lyon e o Wolfsburgo iniciaram e vários clubes começam a copiar (em Portugal o Sporting chegou a ter os jogos da sua equipa feminina no Estádio Alvalade XXI, algo muito de louvar, não sei se o continuaram).

Seja como for, é difícil engolir o argumento da falta de receitas quando olho para o que me aparece na televisão. Homens de meia idade que devem ter chutado uma bola pela última vez quando Jimmy Carter era presidente a falar de um desporto que mal compreendem. Tipos gordos a atirarem dardos a uma parede podem receber um total de uns milhões (não contando sponsors) nos torneios oficiais. De snooker nem falo. Baseball ou cricket, que têm interesse limitado (mesmo que com muita gente) no mundo, geram muitos milhões. Que aconteceria se déssemos a mesma visibilidade ao futebol feminino?

Sinceramente não sei porque ninguém o sabe, mas estou em crer que, mesmo que nos restringíssemos à população feminina como alvo, seria possível gerar muito dinheiro em receitas. As mulheres, e aqui vou apenas por conhecimento pessoal, têm muito mais interesse em ver outras mulheres a chutar uma bola do que em ver homens a fazer o mesmo. Isso já daria para aproximar as diferenças de receita e as diferenças salariais. Entretanto, o dinheiro pago a quem represente a selecção nacional do seu país deveria ser o mesmo, quer se trate de um homem ou de uma mulher, dado que a função é exactamente a mesma: representar o país.

Acredito que tudo isto seja possível e que, mesmo que a paridade não seja completamente alcançada (algo que desejo), pelo menos poderíamos diminuir o fosso. Seria justo. O futebol de ontem, uma exibição de enorme classe do Barcelona contra uma equipa de enorme qualidade com a do Chelsea, demonstrou que o futebol feminino pode ser muito mais interessante que o masculino.

 

PS - nota para dar os parabéns aos meus colegas de blogue sportinguistas. Uma vitória merecedíssima no campeonato nacional e que todos os adeptos do clube devem festejar.

Queres vacina? Toma

Pedro Correia, 17.05.21

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A pressa em inocular os portugueses é tanta que na sexta-feira cheguei a receber três chamadas diferentes propondo-me hora e local para receber a primeira dose da vacina. Perguntei qual era, em qualquer dos casos. Pfizer, responderam-me.

Da primeira vez, um cavalheiro identificando-se como funcionário civil solicitava-me que comparecesse na Junta de Freguesia de S. Domingos de Benfica - a mesma do Estádio da Luz, em flagrante violação dos meus princípios religiosos. Felizmente esta proposta ficou sem efeito: uma hora depois outro cavalheiro, identificando-se como militar, sugeriu um local mais aprazível: o pavilhão junto do Estádio Universitário, onde muito namorei quando frequentava a faculdade. E como não há duas sem três atendi ainda a chamada de uma menina, identificando-se como membro da Administração Regional de Saúde (ARS), pedindo-me que ali comparecesse dez minutos depois da hora que me fora indicada, dada a "grande afluência ao local" entretanto prevista.

Fui e voltei ontem a pé, cruzando o jardim do Campo Grande e a alameda da Cidade Universitária, onde vi plantadas novas gravílias - uma das minhas árvores preferidas. Lá no pavilhão, muita gente. Mas tudo bem organizado. Dois corredores - uns para aqueles que se estreavam nesta vacina, como eu; outros que acorriam à segunda dose, incluindo muitos professores, que preferem intitular-se "docentes".

Ninguém furava a fila, nem era necessário: aquilo fluía com rapidez. A única espera, de alguns minutos, ocorreu quando uma das assistentes comunicou ao responsável que tinha "o recobro cheio". Algumas pessoas aproveitavam para ler um livro, mais mulheres que homens, vá para onde for encontro sempre mais mulheres que homens. E questiono-me onde se meterão eles - alinharão em movimentos anti-vacinas?

 

Comuniquei à médica que nos últimos 15 dias havia estado em contacto indirecto com uma colega entretanto infectada. Ela perguntou-me se usava máscara no local de trabalho. Resposta: sim. E quis saber se me sentia febril ou tinha qualquer outro sintoma. Resposta: não. "Recebe a vacina à mesma, não há problema."

Assim foi. Mal tive tempo de levantar o braço esquerdo e "relaxar os músculos", já a gentil enfemeira estava a pôr e a tirar a agulha. Sugerindo-me que aplicasse ali gelo caso inchasse e doesse nas 48 horas seguintes. Nas imediações andava um repórter da CMTV com ar de ser muito mal pago para a função. Ouviu o responsável da ARS congratular-se com a eficácia daquela operação sanitária. "Há que olhar para os aspectos positivos e não mostrar só desgraças", afirmou o senhor, em diálogo com alguns de nós, já estava o jovem repórter à distância.

Logo se levantaram vozes a  estabelecer o contraditório: que nem tudo tem corrido bem, etc. E não faltou quem comunicasse que não queria ser exibido na televisão. "Descansem que o direito à privacidade é salvaguardado", tranquilizou o funcionário. De facto, levamos a pica em condições que respeitam esse princípio.

Lá fiquei meia hora no recobro, como mandam as regras. Dão-nos um pacote com bolachinhas, uma peça de fruta, meio litro de água. Com os cumprimentos da Câmara Municipal de Lisboa, juntando o útil ao agradável em ano de eleições autárquicas. 

 

Enquanto aguardava o momento de sair, pensei nas vacinas que já levei na vida. Em miúdo, a da tosse convulsa, da pólio e do BCG - estas obrigatórias, para impedirem doenças sinistras que assombraram as gerações anteriores à minha: a tuberculose e a poliomielite. Também a do tétano, que convém receber de dez em dez anos. Já na adolescência, quando fiz a primeira viagem intercontinental, fui vacinado contra a cólera, a varíola (entretanto erradicada) e a febre amarela. Reincidi nesta última em viagens posteriores. E em dois Invernos mais recentes vacinei-me contra a gripe, numa época em que ela andava assanhada e ninguém usava máscara na via pública mesmo em tempo de epidemias respiratórias.

Quando éramos garotos, compáravamos as marcas das vacinas nos respectivos braços, como sucedâneos de medalhas conquistadas na guerra. Havia uma que os recém-nascidos recebiam no pé - lá fiquei com a cicatriz durante largos anos. Outra, já não me lembro qual, era administrada em gotas. 

Na hora da pica, no dispensário médico, formávamos filas para enfrentar a agulha. E ai de quem choramingasse ou gemesse ou chamasse pela mãe: era gozado à bruta pelos restantes e ainda podiam passar a chamar-lhe "maricas", sobretudo se também não costumasse jogar à bola no recreio.

 

Regressado mentalmente a esses tempos, foi com algum orgulho que confessei à enfermeira já ser veterano de muitas vacinas.

É para mim incompreensível a proliferação de tantos movimentos anti-vacina agora em voga por aí. Outro movimento de importação "amaricana", impulsionado por incontáveis tontos nas redes sociais.

Vem outra a caminho: recebi um cartão que funciona como convocatória para a segunda dose, em dia de Santo António. Fui bebendo a água ao longo do dia e comi as bolachinhas à hora do jantar. Não sei se a vacina produziu efeito: a verdade é que ainda não senti qualquer vontade de votar no doutor Medina. Resta aguardar pelas próximas 24 horas.

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 17.05.21

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Ana Vidal: «Com três letrinhas apenas /Se escreve FMI / É das palavras pequenas / A mais perigosa que vi.»

 

Francisco Almeida Leite: «A aparição de Fernando Nogueira na campanha do PSD foi mais do que um simples fait-divers. Muitos rapazolas que de repente comentam em tudo o que é media, destilam ódios e amores nos blogues e dão conselhos a gente de peso não se lembram sequer da personagem. O que fez, o que representou e o porquê deste regresso, meio atabalhoado na forma e com um alvo chamado Paulo Portas. É uma questão de geração, mas não só. Falta a memória, o interesse e o conhecimento.»

 

João Campos: «É também por isto - e para ver se o povo português mete na cabeça, de uma vez por todas, que nas Legislativas não vota no Sócrates, no Passos Coelho ou noutro tipo qualquer, mas nos deputados que o vão representar na Assembleia da República - que seria muito interessante que o PS até fosse o partido mais votado a 5 de Junho, mas que fosse empossado um governo maioritário PSD+CDS.  Evidentemente que, dado o que foram os seis anos de Sócrates, o PSD de Passos Coelho tinha a obrigação de sozinho conseguir maioria absoluta, mas isso seria pedir demasiado à actual direcção do partido.»

 

José António Abreu: «No debate desta noite, com Pedro Passos Coelho, Francisco Louçã atacou o PSD, ignorando quase sempre o PS. Não percebo porquê. O Bloco não disputa eleitorado com o PSD. Disputa-o (e disputa-o ferozmente) com o PS. Jerónimo de Sousa, que tem as mesmas preocupações, mostra um imenso cuidado em abranger PS e PSD na maioria das críticas que faz. De os tentar tornar quase iguais. Louçã escolheu atacar apenas o PSD. Sócrates agradece.»

 

Patrícia Reis: «A Cultura é uma merda, desculpem o termo. Isto, claro, na cabeça dos nossos políticos que não a sabem definir ou o que fazer com ela. Talvez não sejam cultos. Azarinho (que é um azar pequenino). Pedro Passos Coelho diz que vai chamar a Cultura ao seu gabinete de putativo primeiro-ministro. Para quê, pergunto? Para ter um ou dois assessores? Para acabar de vez com a Cultura?»

 

Rui Rocha: «A chamada geração à rasca não será necessariamente uma geração perdida. Todavia, para que possa ser melhor aproveitada, terá que aceitar-se uma grande mobilidade (geográfica, funcional) e apostar-se na requalificação. Sim, há licenciaturas que, do ponto de vista do mercado, não servem para nada. As pessoas que as obtiveram vão precisar de apostar na reconversão e aquisição de novas competências. E é uma responsabilidade do Estado apoiá-las.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Quem se habituou ao longo destes anos a ouvir os comentários de Ângelo Correia, naquele seu tom doutoral de quem é o detentor de todas as verdades e virtudes e está sempre pronto a esclarecer os incréus, é capaz de pensar que no seu exercício o senhor engenheiro está a prestar um serviço, mais um, ao País. Mas não está. E é preciso que isso seja dito.»

 

Eu: «Foi um bom debate: Francisco Louçã e Pedro Passos Coelho olharam-se de frente, ouviram com atenção o que o outro dizia sem atropelarem discursos, evitaram o recurso a frases feitas. Respeitaram-se mutuamente, o que tem muito a ver com as expectativas geradas pelas últimas sondagens aos partidos que ambos lideram. A Passos Coelho interessava dar algum palco a Louçã, que segundo os mais recentes estudos de opinião tem visto fugir votos para o PS. O coordenador do BE tinha uma preocupação simétrica: interessa-lhe progredir eleitoralmente à custa dos socialistas, o que o inibe de transformar o PSD em adversário principal.»

Leituras

Pedro Correia, 16.05.21

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«A comunicação é bem mais difícil entre pessoas que falam a mesma língua mas pensam de formas muito diferentes do que entre pessoas que falam línguas diferentes mas têm ideias semelhantes.»

Marco Neves, ABC da Tradução, p. 152

Ed. Guerra & Paz, 2020

O comentário da semana

Pedro Correia, 16.05.21

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«Há dias li, numa entrevista, uma frase do escritor timorense Luís Cardoso a propósito de um seu livro O Plantador de Abóboras:

"O passado é um lugar estranho quando se sai dele como se nunca lá tivesse entrado."

Para lhe dizer que guardo do Belenenses bonitas recordações. A família era vermelha na sua maioria, havia um tio belenenses, havia um tio sportinguista. O meu avô, tirando ele, apenas permitia que o tio do Belenenses me levasse à bola. Os jogos eram no velho Estádio das Salésias e metiam lanche.

Um ano, tão longe esse ano, fui com o meu avô ver o Benfica-Atlético. Ao mesmo tempo, nas Salésias, o Belenenses preparava-se para vencer o seu segundo campeonato. Bastava o empate. Diz a lenda que José Pereira, o pássaro azul, terá dito ao Martins, avançado-centro do Sporting: "Eu saio daqui em ombros, tu sais de carroça." É quando, quase no tombar do jogo, Martins faz o segundo golo do Sporting e impede o Belenenses de ganhar o campeonato.

No estádio da Luz, nos rádios a pilhas ouviu-se o golo do Martins, apenas dois anéis, não estava cheio, mas o relvado foi invadido e ouviram-se foguetes lançados por aqueles que acreditam sempre. Lembro-me do Germano central do Atlético, que na época seguinte iria para o Benfica, a ajudar a pôr aquela gente fora do relvado para que o jogo tivesse um fim. Lembro-me do meu avô perguntar porque não estava contente e o meu silêncio a marcar a tristeza do meu tio Belenenses, Carlos de seu nome. Ainda o meu tio sportinguista, Angelino de seu nome, a dizer ao meu avô: "O pai nunca se esqueça que o Sporting deu-lhe este campeonato!"

O passado é mesmo um lugar estranho.»

 

Do nosso leitor Orlando Tavares. A propósito deste texto da Maria Dulce Fernandes.

Pensamento da semana

João Campos, 16.05.21

Hoje em dia não falta quem se esqueça de que a liberdade de expressão não inclui dever de assistência ou mesmo de palco. Dito de outra forma: temos o direito de nos exprimirmos, mas ninguém tem o dever de nos ouvir, ou de nos dar espaço (físico ou virtual) para dizermos o que nos passa pela cabeça. Não deixa de ser curioso que tantos auto-intitulados defensores da liberdade de expressão pareçam ignorar este detalhe. 

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana.

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 16.05.21

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Ana Lima: «Foi no final de Maio de 2009 que entrei neste universo dos blogues. Fi-lo com um misto de curiosidade em relação a um mundo que tinha acabado de conhecer e  de vontade de registar algumas das ideias que, de vez em quando, me passam pela cabeça. Não é um diário que esses são feitos para guardar em gavetas e serem lidos apenas quando o seu autor deixa de transportar consigo a chave. A consciência de que o que escrevemos poderá ser lido por pessoas com quem nunca nos cruzámos faz aumentar a nossa ansiedade mas também o nosso prazer.»

 

Cristina Torrão: «Os pais gostam de proporcionar aos filhos uma vida melhor do que a que eles tiveram, mas incorrem facilmente no erro de os superprotegerem. Calculo que não será fácil encontrar uma fronteira entre o desejo de os ver felizes e despreocupados e a obrigação de os preparar para a vida. Não tenho filhos e “falar é fácil”. Penso, no entanto, que, se os pais tiverem consciência de que será igualmente útil que os filhos sofram desilusões ou falhanços e enfrentem desafios (sim, também durante a infância e juventude), apenas essa consciência já poderá ajudar. O importante é que eles, os pais, estejam lá, quando os filhos perdem o ânimo. Porque a verdadeira ajuda não é evitar que sofram desilusões e, sim, compreendê-los nos seus desgostos e infelicidades, dar-lhes os meios de saberem lidar com as agruras da vida (porque ela traz sempre agruras).»

 

João Carvalho: «O caso do quarto do Sofitel de Nova Iorque que está a dar a volta ao mundo impediu que se concretizasse ontem o encontro previsto entre Angela Merkel e Dominique Strauss-Khan. Teve sorte, a senhora, que o sujeito não é de confiança quando lhe dão os repentes.»

 

José António Abreu: «Vinte e sete horas depois (mas o que é isto, um país evoluído?) chegou a mensagem de que a minha entrada era oficial. Consultei o calendário para comprovar que não estávamos no primeiro de Abril, belisquei-me duas vezes (a segunda apenas por prazer) e depois fiquei imóvel a olhar para o ecrã do computador durante vários minutos. Assustado, confesso. Por mim e, mais ainda, por eles. Decididamente, esta gente é menos sensata do que eu pensava. E – o que não julgava possível – eu também. Afinal, parece que aceitei aderir a um clube que me aceita como membro.»

 

Laura Ramos: «Grande Steinbeck: se há um escritor a reler neste momento da história, é ele mesmo, que escreveu em plena Grande Depressão.»

 

Patrícia Reis: «Ser amigo por sms não é o mesmo que abraçar um amigo, digo tantas vezes. Mas a vida e o tempo atropela-nos e, curiosamente, parece que não dominamos a vida que queremos ter. Estamos sempre atrasados, temos emails para responder, mandamos mensagens com abreviaturas e esquecemo-nos de dizer todos os dias: Como estás? Amo-te. Estás triste? O que precisas?»

 

Sérgio de Almeida Correia: «As histórias de alcova envolvendo nomes da política e do social não são novas. Há séculos que os homens e as mulheres são todos feitos da mesma carne. Mas as sociedades evoluem, nem sempre bem como em cada dia que passa se torna mais patente a diversos níveis, mas no que respeita aos hábitos e comportamentos sexuais há hoje uma fronteira muito nítida que separa a liberdade individual, a proposta e a aceitação, do abuso puro e simples.»

 

Eu: «Em nenhum momento do frente-a-frente Sócrates fez um esforço mínimo para cativar um voto comunista. Pelo contrário, chegou a revelar - por palavras e esgares - alguma arrogância, nomeadamente quando acusou Jerónimo de ser "incapaz de compreender" a lógica do sistema fiscal português. São pormenores. Mas que ajudam a perceber por que motivo José Sócrates é hoje a figura mais solitária da cena política nacional.»