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Delito de Opinião

A Animação é para crianças (ou não) - 6

João Campos, 27.05.22

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Wolfwalkers
Realização: Tomm Moore e Ross Stewart
Argumento: Will Collins, com base numa história de Moore e Stewart
Produção: Cartoon Saloon, Mélusine
Ano: 2020
Duração: 103 minutos
Países: Irlanda, Luxemburgo e França

Wolfwalkers foi o melhor filme de 2020 que pouca gente viu. 

Não estou sequer certo de que tenha estado em exibição nas salas portuguesas por alturas do Natal de 2020; se esteve, terá certamente sido por poucos dias, com a azáfama da quadra e o contexto pandémico a abafarem a estreia. Foi distribuído em streaming pela Apple TV, onde tanto quanto sei ainda é possível vê-lo, mas a segunda grande desvantagem do streaming (a primeira é a falta do grande ecrã, claro) também lhe terá retirado alcance: afinal, quem pode hoje em dia subscrever a quantidade cada vez maior de plataformas digitais, com os seus conteúdos exclusivos?

Os problemas de distribuição em nada diminuem a qualidade dos filmes, claro - e seja no grande écrã de uma sala de cinema ou no pequeno ecrã da televisão das nossas salas, Wolfwalkers é uma pequena maravilha. Será talvez o filme mais juvenil que trarei a esta série, mas também será decerto um dos mais prodigiosos em termos artísticos. Não é por acaso que há já quem se refira ao Cartoon Saloon como os Estúdios Ghibli da Europa: a cada novo filme os estúdios irlandeses e os seus parceiros europeus exploram novos territórios narrativos e novos estilos artísticos, até à data com enorme sucesso. Este enquadra-se na "trilogia irlandesa" de Moore, explorando, tal como A Canção do Mar e Brendan e o Mundo Secreto de Kells, aspectos da história e do folclore da Irlanda.

Wolfwalkers recua à Kilkenny setecentista (pormenor: Kilkenny é também a cidade onde o Cartoon Saloon está sedeado) para contar a história de duas crianças: a rebelde Robyn, filha do caçador inglês Bill Goodfellowe, convocado àquela região pelo Lorde Protector para exterminar os lobos que dominam a floresta local e aterrorizam os cidadãos; e Mehb, cujo espírito se transforma num lobo enquanto dorme, e assim defende a floresta com a sua alcateia das incursões dos lenhadores de Kilkenny. A animação, nunca é demais dizer, é absolutamente magnífica no traço vivo e irregular - um desenho animado em estado puro, se quisermos - e na utilização da cor, com Moore e Steward a adaptarem o estilo a cada momento: a cidade de Kilkenny é sempre rígida e geométrica, em tons mais esbatidos, como uma gravura antiga viva; já a floresta é toda ela curvilínea e irregular, numa explosão constante de cores vivas, na vertigem desenfreada da alcateia por entre as árvores. 

E é com esta animação espantosa que acompanhamos as aventura das duas raparigas, da qual se podem fazer várias leituras: sobre os papéis femininos naqueles tempos, sobre a colonização pela figura do Lorde Protector, símbolo da opressão inglesa; e sobre o conflito eterno entre a civilização e a natureza. Podemos pensar nas semelhanças com A Princesa Mononoke - a floresta dominada por criaturas mágicas com lobos como protectores, uma rapariga selvagem forte e resoluta, a civilização como elemento destruidor do mundo natural. Nesse aspecto o filme de Moore e Stewart será menos ambíguo - menos complexo? - do que a obra-prima de Miyazaki, mas nem por isso deixa de ser menos tocante, incidindo mais sobre a força colonizadora de uma entidade externa (no caso, a Inglaterra personificada no Lorde Protector) e sobre a forma como cada personagem luta para aceitar a sua natureza e para fazer o que está certo. 

Se os Óscares primassem pela justiça, Wolfwalkers teria saído da cerimónia de 2021 com a estatueta de Melhor Filme de Animação. Salvo raríssimas excepções, porém, este prémio está destinado à Disney ou à Pixar - que, não desfazendo, há anos que não surpreendem com os seus filmes de animação. Ficou pela nomeação da Academia, pelos vários Prémios Annie conquistados, pela aclamação da crítica e pelo carinho do público que o viu. A maioria dos filmes desta série serão exclusivamente para adultos, mas para Wolfwalkers deixo a recomendação sem reservas a miúdos e graúdos.

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Hoje é dia de

Maria Dulce Fernandes, 27.05.22

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No dia 27 de Maio celebra-se O Dia do Protector Solar

"Na medida certa, o sol é fundamental para a manutenção da saúde física e mental. O sol melhora o humor e contribui para a prevenção de doenças como a depressão, por exemplo. Isto porque a exposição aos raios solares auxilia a produção de endorfina e serotonina, conhecidas como as hormonas da felicidade. Todos sabemos que o protector solar é importante para evitar queimaduras, manchas e principalmente o cancro de pele em longas permanências sob a luz solar. Mas é um facto que o corpo humano precisa do sol. 

Os protectores atenuam a transmissão da radiação UV na pele. O factor de protecção solar é determinado com base na razão entre as quantidades de radiação UV necessárias para que ocorra a queimadura solar, com protector e sem protector. É importante saber que este efeito de protecção não aumenta linearmente com o FPS. Por exemplo, um FPS de 10 reduz em cerca de 90% a radiação UVB, um FPS de 20 em cerca de 95% e um FPS de 30 reduzirá adicionalmente apenas um pouco mais.

Tendo em atenção os danos causados pela radiação UVA, recomenda-se a verificação da existência de filtros UVA no produto. De qualquer modo, o protector não deve ser usado para prolongar o tempo de exposição, mas para limitar os danos resultantes da exposição ao sol. Por isso os protectores se aplicam em zonas não cobertas pela roupa, especialmente em áreas sensíveis, como o nariz, o pescoço, os ombros ou o peito dos pés."

Não tenho ideia de, quando era pequena, me besuntarem com cremes na praia. Talvez pelos meus 6 ou 7 anos já usássemos creme Nivea, nos ombros, nas bochechas e na testa. Não gosto de protectores solares. É um horror estar-se na praia feita croquete, peganhenta e com areia. Por isso, quando retorno das férias de Verão, parece que ainda nem cheguei a ir. Mas sabendo o que se sabe sobre os efeitos nocivos das radiações solares, tive sempre muito cuidado com as crianças e creio que este tipo de prevenção é importante. 

O meu pai era adorador do sol e o meu marido também. Para eles, é imperativo voltar das férias na praia com um bronzeado saudável, usando litros de protectores solares. Nem um centímetro de área exposta fica desprotegida. Requer muita paciência, já que o corpo humano é espaçoso e perde-se um tempo de lazer precioso. 

A protecção solar que me deu mesmo gozo usar foi uma uma camada de argila verde que se dizia com propriedades medicinais e que havia à disposição de quem pretendesse usar, na Praia de Porto de Mós, em Lagos, quando passávamos dois meses das férias de Verão acampados no Parque de Turismo.

Triunfo onde já se dominou

João Pedro Pimenta, 27.05.22

A Roma, clube mais popular da Cidade Eterna, ganhou o seu primeiro título em muitos anos e o primeiro troféu da Conference League, essa nova competição do futebol europeu. E também a primeira final internacional em Tirana, capital da Albânia.

Não deixa de ser uma extraordinária coincidência: é que o estádio, um imóvel vanguardista recente com uma torre lateral que à primeira vista, de fora, nem se percebe ser um recinto desportivo, fica situado numa zona urbana construída por italianos e que alberga grande parte dos edifícios públicos e administrativos da capital. Todas aquelas construções datam do tempo da anexação da Albânia pela Itália, nos anos trinta, e são de típica arquitectura fascista, racionalista e monumental. O exemplo perfeito é o edifício da universidade de Tirana, ao fundo de uma larga avenida, tendo o estádio do seu lado esquerdo, para quem está de costas para a fachada, e as construções das imediações e da dita avenida obedecem ao mesmo plano. Nem o singular regime marxista/maoísta que se lhe seguiu mudou a sua configuração. E a praça de entrada para o estádio chama-se mesmo Praça da Itália.

É muito natural que com tanta construção dos seus patrícios, e parecida com outras que há em Roma, os romanistas nem se tenham sentido no estrangeiro. Até porque na Albânia muita gente fala italiano e não faltam gelatarias.
 
Ah, e Mourinho voltou a ganhar um troféu, continuando 100% vitorioso em finais internacionais. Isso também é familiar.
 
 
Pode ser uma imagem de 4 pessoas, céu e arranha-céus
 
Pode ser uma imagem de 5 pessoas, monumento e ao ar livre

Ele bem sabia

Pedro Correia, 27.05.22

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«Putin pretende (e a Alemanha aceitou) construir um gasoduto directo entre a Rússia e a Alemanha, sem passar pela Polónia. O que evidentemente permite à Rússia fazer chantagem com a Polónia (como já fez, por exemplo, com a Ucrânia). O primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, protestou. Angela Merkel tenta tratar o caso - um caso eminentemente político - como se fosse uma questão económica. Por outras palavras, solidariedade europeia ou não, a Alemanha prefere negociar com a Rússia à custa da Polónia. Pior ainda: planeia um monumento aos "deslocados" do Leste, garantindo que ele não "relativiza" a guerra do III Reich. Faz, de facto, muito mais do que isso: põe em causa a legitimidade da Polónia tal como ela hoje existe. Por enquanto, estas querelas não são graves. Mas servem para lembrar de onde vem o grande perigo para a "Europa". E não vem da América.»

Vasco Pulido Valente (Público, 16 de Dezembro de 2007)

Pensamento da semana

beatriz j a, 27.05.22

Ainda nem sequer passaram três meses de quando Putin tinha uma reputação a defender. Escrevia em letra grande na cena internacional. Agora é um infame, uma borracha que apaga anos de escrita a cada passo que dá. Como dizia Boris Pasternak, “Os homens no poder estão tão ansiosos por estabelecer o mito da sua infalibilidade que fazem o seu melhor para ignorar a verdade.”

 

Este pensamento acompanha o DELITO durante toda a semana.

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 27.05.22

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Helena Sacadura Cabral: «Há dias fui à Baixa que, para mim, está irreconhecível. Desapareceram lojas que eu conhecia, apareceram outras que nem suspeitava que existissem naquelas bandas e mantiveram-se umas quantas que perderam muito do atractivo, do cheiro, da magia que antes possuíam.»

 

José Navarro de Andrade: «Piero Della Francesca era matemático, conhecia sem hesitação a geometria dos rostos e à época já a pintura dominava a perspectiva. Até parecia mal retratar os patrocinadores com tão pouca graça e garbo.»

 

Leonor Barros: «Quando foi a última vez em Portugal que um Ministro se demitiu por ter traído o seu eleitorado?»

 

Luís M. Jorge: «À espera dos comentários do professor Marcelo, lá papo uma reportagem da TVI sobre a educação d'antanho. Vinte ou trinta carquejas com o diploma da quarta classe recitam títulos das obras de el rey Duarte e feitos da dona Barbuda de Guimarães. O subtexto da coisa é cristalino: os meninos antigamente sabiam mais que os doutores agora, e tal.»

 

Teresa Ribeiro: «Ricardo Costa, na edição de ontem do Expresso, demarca-se do coro de indignados, começando por afirmar o óbvio, sobre o caso das "pressões do Miguel Relvas" que diga-se, a cada dia que passa fica mais interessante.»

 

Vasco Baptista Mendes: «A Califórnia há muito que está falida, tal como o estado da Nova Gales do Sul, na Austrália, e ninguém fala do iminente colapso do dólar americano ou australiano. Ambos são estados numa federação, têm governo e capacidade de endividamento próprio mas não têm moeda própria. Penso que será o mesmo caso dos estados no Brasil e na Alemanha na altura do marco.»

Portugueses em Cuxhaven

Cristina Torrão, 26.05.22

Por vezes, há coincidências interessantes. Tinha eu acabado de publicar (aqui e aqui) fotografias de Cuxhaven, quando o Jornal Católico da Diocese de Hildesheim (do qual sou assinante) publicou uma reportagem sobre os portugueses daquela cidade costeira, na sua edição nº 19, do passado dia 15 de Maio.

Portugueses em Cuxhaven - nº 19 15-05-2022 (1).jp

Em Cuxhaven, vivem cidadãos de 112 nações diferentes e a comunidade mais numerosa é, precisamente, a portuguesa, com cerca de 1300 pessoas. Estamos no Norte da Alemanha, de maioria Protestante, de maneira que os portugueses representam uma parte importante da paróquia católica de Santa Maria.

Portugueses em Cuxhaven - nº 19 15-05-2022 (2).jp

Duas portuguesas mereceram destaque, nesta reportagem. Maria Santos é, há vários anos, a coordenadora da comunidade portuguesa da paróquia. No dia da visita do jornal, Maria Santos não tinha mãos a medir, pois as crianças da primeira comunhão treinavam para o grande dia e, a 14 de Maio, como todos os anos, far-se-ia a procissão de Nossa Senhora de Fátima.

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A outra senhora destacada é Áuria da Cunha, em Cuxhaven desde 1969. Tinha 22 anos, quando lá chegou, a fim de trabalhar na indústria pesqueira, como muitas outros portugueses e portuguesas. A missa na língua de Camões realiza-se todos os sábados, às 16h 15m. Áuria da Cunha chega sempre à igreja meia hora mais cedo, a fim de ter tempo de rezar primeiro o terço, na companhia de algumas outras pessoas.

Na verdade, trata-se de uma missa só em parte portuguesa, já que, à falta de um padre da nossa terra, é rezada em alemão, enquanto a comunidade responde em português. Dois padres alternam-se na celebração: um alemão e um polaco. Este último, de nome Dabrowski, começou a aprender português há cerca de dois anos e reza já parte da cerimónia na nossa língua. «Vejo grande alegria e agradecimento nos olhos da comunidade, quando o faço», assegura o clérigo polaco.

As Associações portuguesas, que nasceram como cogumelos neste país nos anos 1960 e 70, há muito que agonizam, por falta de interesse das novas gerações. Já as paróquias católicas continuam a ser um grande amparo para os portugueses emigrados. Porque, como diz Maria Santos, «sem Igreja, nada funciona» (ohne Kirche geht es nicht).

Calúnias anónimas não merecem palco televisivo

Pedro Correia, 26.05.22

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Em televisão abundam boas intenções que se esvanecem ao serem postas em prática. Exemplo: o Polígrafo da SIC, em complemento ao Jornal da Noite de segunda-feira. Começou em 2018 num blogue dinamizado por um núcleo de jornalistas apostados em separar o trigo do joio nesta era de desinformação acelerada. O blogue assumia vocação de jornal digital, com merecida visibilidade no circuito mediático. Faltava-lhe viabilidade comercial, alcançada quando a SIC interveio com a sua poderosa marca, firmando-se a partir daí uma parceria consistente.

Como acontece em muitos percursos, também este foi sofrendo uma deriva. Parte do crivo analítico do Polígrafo foi-se desviando da monitorização do conteúdo dos órgãos de informação clássicos – jornais, rádio e televisão, além do material produzido pela agência noticiosa estatal – para dedicar cada vez mais tempo e ocupar cada vez mais espaço ao que é soltado nas chamadas redes sociais. Dir-se-ia que em obediência ao mote “tudo quanto vem à rede é peixe”.

Nada mais incorrecto. Boa parte das bacoradas que por aí circulam não merece sequer um segundo de análise ponderada, sob pena de invertermos prioridades e concedermos tempo de antena ao analfabetismo mais galopante, sob o rótulo da denúncia.

Um erro factual em manchete na chamada imprensa de referência, com assinatura reconhecida, não deve colocar-se em plano similar ao da contra-informação alarmista ou do discurso de ódio que circulam nas plataformas digitais. Nem às delirantes teorias da conspiração que se propagam na massa informe da Rede, com recurso a perfis falsos.

Falar nisso, em horário nobre de televisão, é conceder aos autores anónimos de tais dislates uma projecção que jamais sonharam. E é incentivar outros a surgir em cena. Produzindo um efeito inverso ao da intenção que se proclama.

Assim a atoarda torna-se notícia. Este é um pecado que o Polígrafo vem cometendo com insistência.

 

Se não fosse a publicidade que a rubrica de segunda-feira lhe faz, muitos telespectadores não saberiam que uns quantos imbecis sem rosto nem nome andam a insinuar nas tais redes ditas “sociais” que Carlos Moedas vai cumprir uma emblemática promessa eleitoral – acesso gratuito dos mais jovens e dos mais idosos aos transportes públicos em Lisboa – com recurso a receitas do Orçamento do Estado.

Entende-se mal que o Polígrafo dê palco a tal gente. Tal como aos anónimos que, com linguagem insultuosa, juram aos gritos que só alemães e dinamarqueses pagam impostos mais elevados que nós. Já para não falar nos trolls robotizados, talvez paridos em Moscovo, que cospem torpes insídias contra o Presidente da Ucrânia, herói da resistência às atrocidades russas.

 

Eis a demonstração prática de como uma ideia louvável pode ficar desvirtuada quando sofre uma alteração de rota. No caso concreto, causa danos reputacionais ao Polígrafo, tão óbvios quanto desnecessários.

Calúnia anónima é lixo, seja por que meio for. E deve ser ignorada. Não merece outro tratamento em caso algum.

 

Texto publicado no semanário Novo.

Hoje é dia de

Maria Dulce Fernandes, 26.05.22

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Hoje celebra-se a Quinta-Feira da Ascensão  

"40 dias após a solenidade da Páscoa, celebramos a solenidade da Ascensão do Senhor

Nesta solenidade, a Igreja convida-nos a termos os olhos voltados para o céu, nossa Pátria definitiva. Como tão bem diz São Paulo: “Vós que ressuscitastes com Cristo, buscai as coisas do alto, onde está Cristo (Col 3,1)”. Em nossa profissão de fé, rezamos que Jesus “subiu aos céus e está sentado à direita do Pai”. Por isso, na Ascensão, celebramos Jesus dando por completa a sua missão. Ele veio do Pai, revelou-nos o rosto Misericordioso do Pai, ensinou-nos a amar o Pai e a fazer em tudo a Sua Vontade. Ele cumpriu até o fim a missão que o Pai lhe confiou. Agora Ele volta para o Pai, após ter-nos ensinado a percorrer o caminho que nos levará de volta para Deus, e Ele próprio se faz ao caminho – “ninguém vai ao Pai, senão por mim” (Jo 14,6). Por isso, seguindo Jesus, que é o Caminho, a Verdade e Vida, chegaremos ao coração do Pai; sendo assim, como bem rezamos na liturgia: “A Ascensão do Senhor já é a nossa vitória”. Mas o caminho que leva de volta à glória do Pai passa pela cruz, pela capacidade da entrega da vida: “Quando eu for elevado na terra, atrairei todos a mim” (Jo 12,32) – a elevação de Jesus na cruz significa e anuncia a sua elevação ao céu."

A Ascensão de Cristo é o coroamento da sua Ressurreição. Quem acredita em Deus e acredita em Cristo, crê no divino e nos ensinamentos do homem. E tem fé.


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Dia 26 de  Maio celebra-se a Quinta Feira da Espiga 

"A Quinta-Feira da Espiga simboliza a excelência das forças da natureza, assumindo de forma clara os auspícios da Primavera. Designa-se como Ascensão, remetendo para a festividade religiosa, ou Espiga adquirindo um carácter pagão e intrinsecamente ligado ao ciclo da natureza. É nesta data que se comemora o “dia da espiga” ou “quinta – feira da espiga”, que as pessoas vão para o campo apanhar espigas de vários cereais e flores campestres para formar um ramo, designado de espiga. Tradicionalmente, o ramo deve ser guardado algures dentro de casa e só poderá ser substituído por um novo no dia da espiga do ano seguinte. As diversas plantas que compõem o ramo têm um valor simbólico profano e religioso:
 
Espiga = pão
Malmequer = ouro e prata
Papoila = amor e vida
Alecrim ou rosmaninho = saúde e força
Raminho de oliveira = azeite e paz
 
Este hábito, mais comum no centro e sul de Portugal, pode ter nascido de um antigo ritual cristão de bênção aos primeiros frutos. No entanto, pela sua forte ligação com a natureza, julga-se poder recuar ainda mais no tempo e ligá-lo a antigas tradições pagãs associadas às festas da deusa Flora (deusa das flores na mitologia romana) que se realizavam por esta altura do ano."
 
Festa pagã associada à deusa romana, foi como tantas outras absorvida pelo Cristianismo, sendo celebrada no mesmo dia em que se celebra a Ascensão de Cristo. 
Ter um ramo de espiga significava " pão e prosperidade".
Fui muitas vezes, quando era miúda, com a minha Tia Adelaide pelos campos da Outurela apanhar espiga, com as "raparigas" da idade dela, tudo velhotas alegres e cantadeiras.
 
" Combinámos ir à espiga
Quinta feira da Ascensão
Combinámos ir à espiga
Quinta feira da Ascenção
Combinámos , mas não fui
Assim em combinação 
Era a meias o farnel
Davas o vinho eu o pão
Mas se quebraram as meias
E foi-se a combinação 
Mas se quebraram as meias
E foi-se a combinação 
Agora até tu te zangas
Mangas, fazes caras feias
Agora até tu te zangas
Mangas, fazes caras feias
Mangas da combinação 
E mangas das próprias meias
Mangas da combinação 
E mangas das próprias meias"

 

Em casa fazíamos e atávamos os molhinhos e cada uma levava o seu. Enquanto a Tia Adelaide foi viva, nunca me faltou espiga em casa. Depois desapareceu durante um tempo e agora a tradição foi reavivada e até já se vendem aos molhos nas grandes superfícies comerciais. 

DELITO há dez anos

Pedro Correia, 26.05.22

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João Carvalho: «Para as religiosas, era um milagre: o Santo Cristo tinha escolhido São Miguel para aportar, onde o povo tinha fama de ser muito crente, e a população de Água de Pau, ao saber da imagem aparecida, cresceu na sua fé. Rapidamente, essa imagem foi também alvo do culto de toda a ilha, de todo o arquipélago, sem tardar a ser admirada por fiéis de tantas outras paragens.»

 

José António Abreu: «O Miguel vai-se lixando por, desde há muito, estar demasiado embrenhado nos jogos do poder, incluindo no da relação com a comunicação social e, através dela, com a opinião pública. Já o Álvaro vai-se lixando por nem saber que está a jogar. Apenas num dos casos o resultado pode ser considerado justo.»

 

Teresa Ribeiro: «Hoje, nos jardins do Museu da Electricidade, há workshops zen (shiatsu, yoga do riso, tantra yoga) entre muitas outras actividades para miúdos e graúdos

Armas americanas

jpt, 25.05.22

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Cartão de Boas Festas, Natal de 2021, do congressista republicano Thomas Massie (Kentucky).

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Cartão de Boas Festas, Natal de 2021, da congressista republicana Lauren Boebert (Colorado).

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Cartão de Boas Festas, Natal de 2021, do senador republicano  Rick Brattin (Missouri).

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Cartão de Boas Festas, Natal de 2015, da deputada estadual republicana Michele Fiore (Nevada).

A escandalosa violência armada nos Estados Unidos é algo com que convivemos, recebendo-a amansada pela indústria de entretenimento cinematográfico e televisivo. Ainda assim custa a perceber a placidez daquele país com os constantes massacres civis, em particular nas escolas. Agora aconteceu mais um. Tétrico. E mais uma vez as notícias falam da problemática liberalidade na aquisição de armas nos EUA, rigidamente defendida por sectores políticos predominantemente do partido Republicano. Não vou repegar na questão, que é ciclicamente abordada. Apenas frisar o meu espanto face a esta desregulação, lá naquele país, que provoca tamanhas desgraças.

Felizmente estas temáticas são-nos estranhas, pois seguimos país com baixo nível de criminalidade e sendo esta também pouco violenta. Mas há uma ponte para o ambiente daqui. Pois desde a década inicial de XXI, com o advento do bloguismo e depois das redes sociais, que pude constatar o assumir em Portugal da dicotomia "direita"/"esquerda" como mimetizando o embate "republicanos"/"democratas" nos EUA. E nisso havia um frenesim de uma certa direita (e muito de uma "jovem direita", quais jovens turcos) - que então até se apresentava como "liberal" (que eu conheci nos blogs Blasfémias e Portugal Contemporâneo, para falar apenas naqueles que ainda seguem) - em se assumir como "republicana". Isso via-se com a adesão acrítica a Bush filho, à raiva contra Obama (que aparecia como um perigoso esquerdista....). E depois com um progressivo encanto, implícito ou explícito, com a "alt-right" e com o Tea Party. Daí ao apreço ao boçal Trump - cujo mercantilismo era surpreendentemente amado pelos tais "liberais" -, ainda que este tenha um conteúdo político algo diferente, foi um pequeno passo nas teclas.

É certo que isso mostra um enviesar destro na política europeia, a desagregação das "esquerdas" (tantas delas verdadeiramente sinistras) nestas duas últimas décadas. O qual abre espaço para que europeus (e do Sul, ainda para mais) possam pensar como "esquerda" o anafado Partido Democrata norte-americano, e usem o espectro político dos EUA como analogia para debater o processo político nacional (ou europeu). Mas muito mais do que isso permite perceber que estes (portugueses) adeptos "republicanos" não percebem - nem querem perceber - quem apoiam ou, pelo menos, em quem se revêem. Há década e meia poderiam rir-se um pouco dos dislates da candidata Sarah Palin, mas pouco mais criticariam. 

De facto esta "alt-right", boçal, violenta, ignorante, não se reduz a uns "ressentidos" com a "globalização", o velho operariado do "midwest", o sempre referido "lixo branco". Pois é também a expressão política (e cultural, naquele patético "criacionismo", um fundamentalismo cristão que a nossa tradição católica despreza há... séculos) de enormes interesses de elites económicas, amplamente cosmopolitas. Que inclui, mas nele não se esgota, o comércio interno armamentista. E expressa-se através deste tipo de políticos, que se ilustram deste modo. 

Como é que há gente que aqui no rincão sai à rua (às teclas) defendendo este tipo de gente, priorizando-os como aliados, e até condutores, é coisa compreensível. Mas inaceitável.

Já li o livro e vi o filme (300)

Pedro Correia, 25.05.22

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     O LEÃO DA ESTRELA (1939)

Autores: Ernesto Rodrigues, Félix Bermudes e João Bastos

Realizador: Arthur Duarte (1947)

Começou por ser uma peça teatral, encenada em 1925, com Chaby Pinheiro no principal papel. Editada em livro 14 anos mais tarde, originaria uma das mais populares comédias do cinema português. Superior ao divertido texto original, expurgando-o de alusões políticas mas introduzindo a hilariante sátira ao futebol, durante um FC Porto-Sporting, protagonizada por António Silva e Erico Braga.

Não adianta

José Meireles Graça, 25.05.22

De forma caracteristicamente edulcorada, a muito estimável Helena Garrido refere-se aos três documentos da Comissão Europeia em que esta se senta à cabeceira de Portugal e paternalmente ministra conselhos.

À Helena não ocorre que a Comissão não terá talvez autoridade material para dar aulas (autoridade política tem, sem dúvida, visto que o nosso país é hoje absolutamente independente em tudo, mas menos do que desejam os europeístas frenéticos, em que a maioria dos países da UE ainda não tenha decidido meter o bedelho) porque a União, e com ela a Europa, vai perdendo peso, e logo influência, no mundo. Mas enfim, quem não tem dinheiro não tem vícios e esse da independência, então, já não está em odor de santidade entre nós há muito, de modo que vamos a ver o que expectoram as luminárias, ou melhor, o que do que elas dizem comenta a boa da Helena.

No IRS as críticas vão para os valores excessivos de retenção na fonte, que se traduzem em elevadas devoluções de IRS no ano seguinte. Este alerta acontece apesar das garantias que têm sido dadas pelo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes, de que estão a aproximar as retenções do valor efetivamente devido de imposto.

A qualificação da retenção na fonte como excessiva não tem sentido porque não há nenhum valor dela que não seja imoral: resulta de uma previsão que, quaisquer que sejam os seus critérios, nunca poderá coincidir em todos os casos com o imposto efectivamente devido. O facto tributário são rendimentos auferidos, conjugados com os abatimentos a que houver lugar, não a presunção de que uma indeterminada parte daqueles “pertence” ao Estado. A alegação de que não há prejuízo por haver um futuro acerto é intelectualmente desonesta porque um empréstimo forçado ao Estado coloca em situação de desigualdade os cidadãos que dela sejam vítimas e não se pode, a propósito dele, falar de fiscalidade mas de esbulho. E mesmo que do acerto resulte que é devido mais imposto, sempre ficou lá para trás um adiantamento que só a rapacidade do Estado, a invencionice de um governo deplorável (creio que a inovação, que depois foi aprofundada, é de um governo Cavaco, em 1988) e a abulia de uma sociedade habituada à dependência e ao respeito pelos engenheiros sociais que a pastoreiam, justificam.

Do Secretário de Estado actual, como aliás dos anteriores, nem é bom falar: todos se propõem combater a evasão fiscal, e promover a justiça e a igualdade. Na prática nenhum reverteu qualquer dos instrumentos pelos quais a Autoridade Tributária funciona como um Estado dentro do Estado, ou sonha sequer eliminar a inversão do ónus da prova, que é um caso flagrante de não-Direito, ou belisca a inimputabilidade dos familiares do Santo Ofício, que é o que são os inspectores tributários, ou desbrava a espessa floresta legislativa que apenas pode ser percorrida por uns pisteiros denominados especialistas em direito fiscal. Nada. Zero. E pelo contrário cada Secretário de Estado – este não é diferente e ainda por cima tem, coitado, um adequado aspecto mefistofélico – faz questão de acrescentar, ao castelo do abuso, mais um torreão. Porquê? Porque a receita não pode baixar senão o défice cresce e a UE corta  nos subsídios, e a despesa também não pode porque com ela se ganham eleições. Um Secretário de Estado suicidar-se-ia politicamente se fosse sério, e portanto tais personagens optam, humanamente, pela desonestidade.

A seguir vem uma recomendação para a simplificação dos impostos sobre as empresas e a redução dos benefícios fiscais, que são, parece mais de 500 (!). O comentário é como segue:

Melhorar, apenas simplificando o sistema fiscal, seria um importante contributo para reduzir os custos de todos os contribuintes, com especial importância para as pequenas e médias empresas, libertando recursos que podiam ter aplicações mais produtivas. E, sendo mais simples pagar impostos, certamente que seriam necessários menos funcionários públicos nesta área e existiriam menos contribuintes faltosos. É um jogo em que todos ganham, sendo incompreensível porque não fez, nem faz, o Governo absolutamente nada.

Incompreensível?! Os funcionários públicos a menos seriam outros tantos descontentes, a engordar os números da emigração ou do desemprego; qualquer colega da Helena lhe pode explicar que o problema das pequenas e médias empresas é a falta de formação dos empresários, razão pela qual o que é preciso é subsidiar programas de formação onde moços devidamente adestrados, que jamais fizeram empresa alguma, ensinem a quem as lançou o que devem fazer para se tornarem dinamarqueses; nenhum progresso pode implicar o risco de diminuição de receita, mesmo que passageiro; e o sistema tornou-se de tal modo complexo que só pode ser reformado por especialistas em direito fiscal, que não ganhariam a vida com a simplicidade.

Continua:

Isto e aquilo e aqueloutro. Vamos ver se a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social Ana Mendes Godinho é capaz de fazer essa mudança, em vez de ficar armadilhada na propaganda.

Vamos. Isso e se haverá maneira de os pilritos darem outra coisa senão pilritos.

A seguir vem – não podia faltar – a lengalenga das alterações climáticas, domínio em que Portugal tem dado exaltantes exemplos ao mundo, que porém não têm sido suficientes, visto que, acha a Europa, é necessário: “acelerar a implantação de energias renováveis melhorando a rede de transporte e distribuição de electricidade, viabilizando investimentos em armazenamento e agilizando os processos de licenciamento para permitir um maior desenvolvimento de energia eólica, particularmente offshore, e solar”.

Claro que o que Portugal faz ou não faz neste domínio é inteiramente irrelevante para o planeta, por muito que se viva angustiado com a perspectiva de morrermos todos assados. E talvez as autoridades, na hierarquia das coisas, pudessem usar de doses adequadas de hipocrisia para “envidar esforços”, “vencer obstáculos” e “sensibilizar os cidadãos” para estes relevantes assuntos ao mesmo tempo que arrastassem os pés fazendo pouco, com a preocupação que não tem havido de não encarecerem o preço da energia, coisa que os países realmente poluidores têm presente e as nossas autoridades deveriam.

E conclui: Se estas reformas continuarem a ser missões impossíveis podemos resignar-nos e preparar-nos para muito pior que o empobrecimento, ficarmos à mercê de esmolas de Bruxelas e do que as alterações climáticas ditarem.

Eh lá, Helena, não exagere: à mercê de esmolas de Bruxelas já estamos há muito (quase 140.000 milhões a fundo perdido desde a adesão), e o empobrecimento relativo é, com governos socialistas, garantido, apenas restando apurar o momento exacto e o número de países que se vão juntar aos que já nos ultrapassaram. Mas quanto às alterações, sabe que mais? Até nem eram má ideia: que eu desmontei a lareira há dias e está um frio do camandro, bem que um bocadinho mais de calor não era de deitar fora.

Resta-me agradecer à Helena Garrido, de quem sou leitor fiel. Não fosse ela e não me aperceberia destes interessantes relatórios da Comissão Europeia, que costumo cuidadosamente evitar, tal como telenovelas.

Como perverter a Liberdade em demasiados actos

Maria Dulce Fernandes, 25.05.22

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A perversão da Segunda Emenda

Virgínia Tech University

Columbine Highschool

Clevland Elementary School

Marjory Stoneman Douglas High School

Thurston Highschool

Sandy Hook Elementary School 

Northern Illinois University

Santa Fe High School 

Califórnia University 

Robb Elementary School 

 

De entre centenas de tiroteios por ano que são notícia nos Estados Unidos, grande percentagem acontece em escolas e universidades. Em 2021, registaram-se 61 incidentes com armas de fogo, tendo os tiroteios causado 103 mortos e 140 feridos. Estes números referem-se a mass shootings, como os acima referidos.

Enquanto os lobbies das armas de fogo continuarem a lucrar milhões, as crianças assassinadas serão apenas apontamentos colaterais na tabela de vendas.

https://sicnoticias.pt/mundo/pelo-menos-14-criancas-mortas-em-tiroteio-numa-escola-primaria-no-texas-eua/

(Foto Google )

Impressões alemãs (27)

Cristina Torrão, 25.05.22

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Goslar, com cerca de 50.000 habitantes, e sendo o seu centro histórico Património Mundial da UNESCO, é uma cidade muito agradável de visitar, principalmente, num dia de sol, como o que felizmente tivemos.

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Com edifícios antigos e bem conservados, a praça principal, felizmente interdita a veículos motorizados e cheia de restaurantes e esplanadas, é um local mesmo muito simpático.

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Sucedem-se os  motivos fotográficos, para deleite dos turistas e não só.

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Há mesmo fotógrafos que acabam por ser fotografados ;-)

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E até a Lucy encontrou motivos de interesse.

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Os arquivos da polícia de Xi Jiang

Paulo Sousa, 25.05.22

A Fundação para a memória das Vítimas do Comunismo divulgou ontem um relatório baseado na maior fuga de sempre de documentos internos das redes policiais chinesas.

Os designados “Arquivos da Polícia de Xi Jiang” contêm dezenas de milhares de registos com detalhes sobre o funcionamento do sistema de campos de internamento chineses, assim como milhares de imagens de uigures detidos, de guardas policiais empunhando armas automáticas, algemando e imobilizando detidos durante as rotinas de segurança do campo.

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Os arquivos também contêm discursos de alguns dirigentes chineses que permitem entender o estado de espírito e a lógica de funcionamento desta perversa rede de campos de concentração. Tudo assenta numa lógica de que determinados grupos étnicos devem ser tratados como criminosos perigosos. Os procedimentos são claros, para evitar fugas do acampamento pode abrir-se fogo sobre qualquer detido que tente escapar-se.

A partir de um discurso do ministro de Segurança Pública revelam-se ordens directas de Xi Ji Ping para expandir este sistema prisional como forma de resolver a sobrelotação da estrutura existente.

A partir destes arquivos é permitido concluir que Pequim tem detidos “mais de dois milhões” de uigures considerados “extremistas”, e portanto, alvos potenciais para a reeducação.

Os registos policiais indicam que numa região administrativa específica em 2018 mais de 12% da população uigur adulta estava detida.

De acordo com o Embaixador Andrew Bremberg, presidente da Fundação para a memória das Vítimas do Comunismo, “os arquivos da Polícia de Xi Jiang provam que os chamados centros de educação vocacional da China são realmente prisões”. “Estes documentos demonstram também que Pequim tem mentido sobre suas graves violações de direitos humanos em Xi Jiang.”.

Estes dados foram autenticados e analisados ​​por Adrian Zenz, um dos principais estudiosos sobre a campanha de internamento de Xi Jiang, assim como por outros académicos que publicam regularmente no respeitado Journal of the European Association for Chinese Studies e ChinaFile.

Adrian Zenz afirma que "estas descobertas são significativas porque nos fornecem directrizes claras de implementação de políticas assim como os processos de pensamento e intenções que os tornaram realidade” e “isso dá-nos uma visão sem precedentes da abordagem das autoridades chinesas assim como do envolvimento pessoal de Xi Ji Ping.”

Ao navegar pelas fotos dos detidos recordei-me dos corredores de fotos expostas em Auschwitz, sendo que perante as imagens destes campos de “reeducação” chineses podemos ver os rostos de pessoas que neste momento poderão estar vivas.

A invasão russa da Ucrânia lembrou-nos como podem ser perversos e atrozes os regimes autoritários e totalitários. Este relatório deve lembrar-nos que as perversas atrocidades deste tipo de regimes não se esgotam nas invasões criminosas de outros países, pois decorrem rotineiras todos os dias, mesmo quando esses países se apresentam como respeitáveis na cena internacional.

As democracias liberais do ocidente têm de ter consciência disto. Só assim se poderão defender da ameaça que estes regimes constituem assim como das tentações autoritárias que dentro delas possam surgir. Estejamos alerta.

Hoje é dia de

Maria Dulce Fernandes, 25.05.22


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Hoje celebra-se O Dia Mundial de África

"Desde 1972, por decisão da ONU, assinala-se o Dia de África (inicialmente nomeado Dia da Libertação de África) a 25 de Maio. Foi neste dia, em 1963, que os líderes dos Estados africanos descolonizados, reunidos em Adis Abeba, na Etiópia, criaram a Organização de Unidade Africana (OUA), que centrou a sua acção na promoção da descolonização do resto do continente e no apoio à resolução de conflitos regionais subsequentes. Em 2002, a OUA foi substituída pela União Africana, mas a celebração manteve-se.

A data é celebrada em todo o mundo e em especial nos países de África e nas comunidades africanas e de afro-descendentes espalhadas por outros continentes. Continua a assinalar a luta pela independência do continente africano, contra a colonização e o regime do apartheid, mas também projecta a ambição de um continente mais unido, justo e desenvolvido."

África foi o berço e continua a ser a fonte de tudo. Das guerras, da fome, das doenças. Não conheço África. Marrocos e Cabo Verde são estâncias turísticas dos europeus, por isso não contam muito para adquirir conhecimentos de um continente tão vasto. Conheço a África do Sul pelo que o Sr.Henriques contava. Conheço Moçambique pelas palavras do meu padrinho que viveu uma vida em Vila Pery. Conheço Angola, pelo que o meu irmão de Luanda me fala. Conheço a RCA pelo que o meu genro conta das pessoas e das coisas. Em suma, não conheço África, apenas a paixão de quem lá vive e a nostalgia de que lá viveu.

 

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No dia 25 de Maio celebra-se O Dia Mundial da Tiróide

"Comemora-se hoje o Dia Mundial da Tiróide, que visa promover o conhecimento sobre esta glândula e a possibilidade de doença.

Estima-se que um milhão de portugueses sofra de distúrbios da tiróide, embora ainda exista grande desconhecimento das doenças associadas a esta glândula, bem como da forma como se manifestam. Falta de concentração, falta de motivação, dificuldades para engravidar ou obstipação podem ser originadas pela tiróide, mas facilmente confundidas com outras doenças.

As doenças da tiróide mais conhecidas são o hipertiroidismo e o hipotiroidismo, com maior prevalência junto das mulheres".

Problemas na tiróide são mais complicados de resolver do que parece. Agora o despiste é mais frequente. Antigamente faltas de cálcio, temperatura corporal, hipertensão, controle de peso, flutuações de humor, etc., eram atribuídos a uma série de problemas individuais,  quando agora se sabe que a pode ser a tiróide a fonte de ínúmeras complicações como estas.

 

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A 25 de Maio celebra-se O Dia Internacional das Crianças Desaparecidas

"O Dia  Internacional das Crianças Desaparecidas é celebrado hoje. A data foi escolhida pelo facto de, a 25 de Maio de 1979, Ethan Patz, criança de seis anos residente em Nova Iorque, ter desaparecido sem nunca ter sido encontrada. Nos anos seguintes os pais, familiares e amigos reuniram-se sempre na data do seu desaparecimento.
Em 1983, o Presidente dos EUA, Ronald Reagan, decidiu dedicar este dia a todas as crianças desaparecidas. Em 1986 o dia 25 de Maio adquiriu uma dimensão internacional. Em Portugal foi assinalado pela primeira vez em 2004, por iniciativa do Instituto de Apoio à Criança, de forma a sensibilizar a comunidade para este flagelo.
O objectivo é encorajar a população e a comunicação social a reflectir sobre todas as crianças que foram dadas como desaparecidas, espalhar mensagens de esperança e solidariedade no plano internacional para os pais e restantes famílias, e levar as autoridades a reflectir na prevenção, em colaboração com as entidades responsáveis pela Educação, pela Justiça e pela Segurança, como refere o Instituto de Apoio à Criança.
Em Portugal desaparecem diariamente, em média, duas crianças ou jovens até aos 18 anos. A maioria é recuperada mas infelizmente não são todos."

Quando oiço ou leio sobre crianças desaparecidas vem-me sempre à ideia a foto do Rui Pedro e a angústia daquela mãe. Consigo senti-la mas estou longe de imaginar sequer o que lhe vai dentro do peito. Há mais de 20 anos que espera o filho sem notícias mas com esperança. Que Deus a ajude a suportar a dor.

 

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No dia 25 de Maio celebra-se O Dia Nacional do Guarda Florestal

"A Guarda Nacional Republicana comemora hoje o Dia do Guarda Florestal, garantindo a devida solenidade e dignidade de que são plenamente merecedores todos os elementos desta carreira profissional, reforçando a sua imagem institucional. Os Guardas Florestais foram integrados na Guarda Nacional Republicana em 2006, sendo considerados órgãos de polícia criminal que visam proteger o nosso património florestal e a riqueza cinegética e piscícola. São um recurso essencial para o cumprimento das missões que, por sua vez, foram transferidas para a GNR, carreando o conhecimento consolidado, especialmente na investigação das causas de incêndios florestais.

Para a GNR, a reconstituição e o reforço da carreira de guarda florestal reforça o seu compromisso no exercício das suas responsabilidades de conservação e protecção da natureza e do ambiente, potenciando a experiência e conhecimentos do dispositivo especializado nestas matérias de extrema relevância para o país."

Se é para haver menos fogos, venham eles. Venham muitos para vigiar e fazer cumprir as normas de conservação e limpeza do nosso património florestal. Queremos verde onde era verde. Terra queimada já basta no hemiciclo.