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Pensamento da semana

por Catarina Duarte, em 07.04.20

Sugiro que deixemos de lado a interpretação que fazemos constantemente das intenções e, talvez ainda pior, da forma como se dirigem a nós, dos modos de expressar de cada um. Como alternativa, proponho que passemos o foco para o conteúdo.

É um jogo difícil, este que vos falo, porque a forma, tal como a roupa que trazermos vestida, determina a imagem do que pretendemos transmitir. Mas não está certo – não pode estar certo – perder uma ideia, uma opinião, outra forma de analisar, apenas por não se gostar das calças que a pessoa que está a nossa frente traz vestidas.

 

Este pensamento acompanha o DELITO durante toda a semana.

Ligação directa

por Pedro Correia, em 07.04.20

 

Ao Nenhures.

 

Canções do século XXI (1100)

por Pedro Correia, em 07.04.20

Para ouvir ao serão

por Pedro Correia, em 06.04.20

Uma década

por jpt, em 06.04.20

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(Lago Niassa, fotografia feita no Nkwichi Lodge, 6.4.2010)

(Mesmo que seja algo descabido para o registo Delito de Opinião aqui reproduzo um postal que coloquei no meu mural de Facebook)

Meus queridos amigos,

Até cruel, de cego que é, este sistema FB. A lembrar-me que há exactamente dez anos estava com a família em magníficas férias no Lago Niassa, numa maravilhosa reserva natural (hoje em perigo de descontinuação) lá quase perto de Cobué.

Uma década!, como imaginaria tamanha mudança, este outro Algures e deste modo, enclausurado? O rumo não foi o esperado, pois um tipo sempre crente, optimista, até sonhador, por mais que encene o pessimismo antropológico. Mas não me posso queixar, pois a princesa aqui ao lado, a salvo, acoitados em nicho de amizade e carinho. Com ar livre. Cães e ar livre ... E por enquanto sigo isento (ou assintomático) de maleitas, desta inédita ou das outras recorrentes, tão ou mais devastadoras.

Uma década! De perdas dolorosas. O meu pai. O amado presépio. Alguns amigos muito queridos, desses que são arquivo e mesmo bússolas. Um punhado de conhecidos, verdadeira paisagem reconfortante porque fértil. Até, um pouco, o Sul (ou o norte, como os cosmógrafos disseram). Nada de espantar, isto é o envelhecer, nada mais do que isso.

Uma década! Onde envelheço? Do Brasil amigo pede-me um texto sobre o covid no meu Algures. Tento-o e desisto. Pois, onde é o meu Algures, Omar? Há já dias que Bitches Brew toca, auto-repetindo-se. É um sítio, sim. E não é aquele Lago, de há uma década, isso é óbvio. Mas, e só nas últimas horas, falo com queridos durienses, transtejianos, um bruxellois, maputenses e no Cabo Delgado. Sobre os mesmos assuntos. Então, e neste cruzar, onde é o meu Algures?

Um companheiro atira-me "como estás, velho resmungão?". Sê-lo-ei, "resmungão"?, pois velho é certo que já vou. Ontem li uma amiga, com vínculos afectivos ao poder daqui - isto do "pêésse" que tanto conforto a tantos dá - invectivar um qualquer crítico. Através do antigo anúncio do Johnnie Walker, ao outro apoucando como daqueles que vêem "o copo sempre meio vazio". Ora eu bebo (nunca antes do meio-dia, friso). E, como todos os bebedores, sei que o problema não é se o copo está meio cheio ou meio vazio. Pois bebê-lo-emos da mesma maneira. A angústia real é se há outra garrafa. Estás-me a seguir, Tó-Zé? Teremos outra garrafa? Serei "resmungão" por causa desta angústia? Sede, se a quiseres chamar assim?

Onde é o meu Algures, Omar? Não é, decerto, onde os mais graduados se atrevem a escrever que a economia portuguesa vai melhor do que nunca. Li isso por tua culpa e desembainhei a cimitarra do Salgari, a catana "lá da terra". Mas está romba, cansada, deixei cair, em desânimo. Mas o que é isto?, quem é esta gente, por mais "querida" que (te) surja? O que é que aqui, neste meu Portugal, putativo e desejável Algures, se exporta? Metalomecânica, pequeníssimas empresas, industriais e super-industriosas, logo diz o meu amigo Zé, que é da área. E o nosso Carmona, tão louvado nas suas práticas, que escolhe ele para a pantomina do dia, para a "auto-estima nacional"? Vai propagandear a cultura de tomate, produzir folclore cotovelando campónia. Onde é o meu Algures? À mesa destes louvaminheiros? Não.

Onde é o meu Algures? Neste que me é putativo os bem-pensantes clamam por um Plano Marshall. Eu tenho 55 anos, o meu país está sob um Plano Marshall desde os meus 21. Como o sei? Porque quando ele começou baixaram as taxas sobre o uísque, e as tascas e cafés passaram a estar decoradas com prateleiras de Logan, Cutty, JB, Grants e etc. E parámos de beber bagaço e similares - efeito da secular guerra europeia entre as aguardentes frutícolas e as cerealíferas, como Braudel ensinou. Eu lembro-me disso, desse Marshall que ainda aqui está. Mas se eu (e outros) disser isso serei "resmungão"? Não, pior ainda, dirão que sou ressentido, (extremo)direitista, populista, fascista ou afascistado. Ou, pior do que tudo, liberal, qual agente de Pinochet.

Onde é o meu Algures, Omar? É o meu pai. Este fim-de-semana fui visitá-lo, ainda que vigore isto do "fica em casa". Entre outras coisas sobre tudo isto d'agora contei-lhe uma, sobre este meu putativo Algures. Uma simpática colega perguntou - nisto das redes sociais - se os seus amigos (de facto rede de antropólogos) "de esquerda" (mas, frisou entre parêntesis, também algum "de direita" que ela possa ter, nunca se sabe ...) estão a pagar às empregadas domésticas. Dúzias deles, repito, dúzias deles apareceram, ufanos, tão "esquerda" eles são, a confirmar que pagam às empregadas, e até que "algumas delas são como família". Eu ri-me ao contar o detalhe, o meu pai fez aquele seu gesto característico, semicerrando os olhos, baixando ligeiramente a cabeça enquanto a meneia e suspirou pelo nariz. Praguejei e escorropichei o copo, nada mais há a dizer sobre esta gente e suas mentes. E, porque o meu pai morreu há já tanto tempo que pouco fala comigo, apenas breves conselhos, vim-me embora.

É este o meu Algures, Omar? Afinal é isto o envelhecer, ficar confinado com esta gente? Uma "maldita gente má"? Nem isso são ... Vão apenas numa abissal inconsciência. Até viciosa. Horrível.

Aqui em Nenhures é quase meio-dia. Está quase na hora, daqui a bocado vou beber um copo. Aparecei.

Criminosos

por Pedro Correia, em 06.04.20

O coronavírus afecta já 200 países e territórios em todo o mundo. Não há praticamente uma parcela do planeta imune ao Covid-19.

A pandemia causa 2.700 mortes por dia nos cinco continentes - vitimando uma pessoa de dois em dois minutos. A cada dois segundos, regista-se um novo caso de infecção.

Apesar disto, três países persistem em manter os respectivos campeonatos de futebol: BielorrússiaBurundi e Nicarágua

Um procedimento criminoso, que devia encher de vergonha os dirigentes máximos destes países - respectivamente Aleksandr Lukashenko, Pierre Nkurunziza e Daniel Ortega.

Nenhum deles recomendável em matéria de respeito pelos direitos humanos. Não há coincidências.

 

Publicado originalmente (28/3) aqui

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 06.04.20

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Terra Delas, de Charlotte Perkins Gilman

Tradução e prefácio de Clara Pinto Correia

Romance

(edição Sibila, 2019)

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Eu hoje acordei assim

por Pedro Correia, em 06.04.20

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Após quase um mês de reclusão, sinto-me como o faroleiro da Berlenga.

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 06.04.20

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Ana Margarida Craveiro: «Na Inglaterra rural, encontramos casas normais dos séculos XIV ou XV. São habitadas, ainda hoje, e em perfeitas condições. Para os proprietários poderem fazer obras, requerem licença a três entidades diferentes, que visam manter o património arquitectónico do país. Em França, existe um regime muito semelhante, e é por isso que encontramos, por exemplo no Poitou-Charentes, aldeias belíssimas, transplantadas de outro tempo mas com todos os confortos modernos. Dir-se-á que este cuidado com a habitação requer dinheiro. Sim, é verdade. Mas, e sobretudo, requer duas coisas muito diferentes: uma sensibilidade estética, manifestamente ausente no engenheiro técnico Pinto de Sousa, e uma luta acérrima à corrupção, que permite estes licenciamentos de terror.»

 

João Campos: «Regressado enfim do "fim-de-semana pascal" por terras alentejanas (e ainda sem o folar de Olhão - mas agradeço as dicas deixadas nos comentários), vejo que o país nem morreu, nem ressuscitou, mas continua mais ou menos na mesma: continua-se a malhar na Igreja, desenterra-se mais um escândalo de Sócrates (sublinhe-se: mais um), e o que já estava mau - o país, para resumir - continua a deslizar lentamente ladeira abaixo.»

 

João Carvalho: «Sócrates é o autor daquelas casitas na Guarda ou não? Pela resposta só ficamos a saber que são da sua responsabilidade. É a resposta típica do primeiro-ministro que temos. Sabia ele do negócio PT/TVI? Não teve conhecimento oficial. Mas, afinal, sim ou não? Nim. Para um primeiro-ministro que passa o tempo a apregoar uma receita de "excelência" e "rigor" como se fosse a sua especialidade, o problema está no acabamento que lhe estraga ciclicamente o esforço: o Cerejo em cima do bolo.»

 

José Gomes André: «Mais curioso do que os factos relatados propriamente ditos, é observar a atitude de Sócrates perante a notícia do Público sobre as alegadas falcatruas na Guarda. O primeiro-ministro pouco interesse tem em esclarecer, explicar ou até mesmo negar as notícias, concentrando-se, pelo contrário, na crítica ao simples facto de as mesmas terem sido transmitidas. É um truque com barbas: quando a mensagem é incómoda, bate-se no mensageiro.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Este país começa a ser, todo ele, não um arremedo de país, mas um programa humorístico. E ainda Passos Coelho não entrou em cena.»

 

Teresa Ribeiro: «Alguém disse que a primeira visita a uma casa-de-banho pública condiciona, de forma irreversível, a opinião dos turistas acerca dos países que visitam. No meu caso confirma-se e o Japão não é excepção. Quanto da sua peculiar cultura se revela também neste detalhe: a par de sanitas high-tech com tampos giratórios aquecidos e repuxo, no império do sol nascente proliferam os wc japonese style, que não são mais que umas fossas abertas no chão (ugh!). Na estação, nas ruas, por todo o lado onde circulo nem um papel no chão, nenhum escarro ou presente de canídeo. E vem-me à memória uma frase batida: "Por que é que os portugueses são tão porcos?"»

Canções do século XXI (1099)

por Pedro Correia, em 06.04.20

We'll meet again

por Pedro Correia, em 05.04.20

 

«We will succeed - and that success will belong to every one of us.»

«Better days will return. We will be with our friends again. We will be with our families again. We will meet again.»

 

Da mensagem dirigida esta noite aos britânicos pela Rainha Isabel II, que em 1940 sofreu com a família os bombardeamentos nazis em Londres - e não fugiu.

A cortina

por José Meireles Graça, em 05.04.20

O Covid19 apanhou o mundo de surpresa. Não fosse a sua facilidade e velocidade de contágio, incógnito muitas vezes porque assintomáticos têm a capacidade de o transmitir; e o seu tratamento requerer equipamentos, e pessoal para os operar, que os vários sistemas de saúde não têm disponíveis nas quantidades necessárias: as medidas de isolamento social e congelamento de actividades económicas nunca teriam ganho as proporções radicais que têm tido.

Imaginemos que havia ventiladores ao pontapé, e abundante pessoal com formação para os operar? Afinal de contas, equipamentos caros é o que não falta nos hospitais, públicos e privados: maquinetas de TAC e de ressonância magnética, por exemplo, muito mais caras que um ventilador, que custa cerca de 13.000 euros (sem IVA, porque é recuperável). Treze mil euros? O equipamento de um consultório de dentista custa muito mais do que isso.

Em matéria de Covid, números são praticamente o que cada um quiser e, fosse eu economista ou matemático, punha aqui uma data deles para ilustrar o meu preconceito. Mas como não tenho vagar para andar a escabichar preciosidades, resumo do seguinte modo, baseado sobretudo no laboratório sobre águas do Diamond Princess e números pescados aqui e ali: 80% da população é naturalmente imune (no tal barco foi menos, vá lá saber-se porquê); dos 20% infectados, até 1,9% podem morrer, até 15% requerem internamento e até 5% atingem um estado crítico.

Dou de barato as condições ideais que existiam dentro do barco para a propagação do vírus e as idades dos passageiros, e ignoro a extensão, rigor e eficácia da segregação que lá terá estado em vigor. Traduzidos estes números para Portugal, temos: os infectados poderiam chegar a 2 milhões, os mortos a 38.000, e os internados a 300.000, dos quais requereriam ventilação 100.000, isto na hipótese absurda de todos os internados o deverem ser ao mesmo tempo e não haver entretanto recuperados.

100.000 ventiladores a 13.000 euros são 1.300 milhões de euros. E mesmo tendo em conta que faltam as camas e o pessoal, e que umas e outro consomem recursos e tempo, não parece que estejamos a falar de números que sequer se aproximem da hecatombe que a paralisação da economia vai arrastar, e que estimativas conservadoras, senão tímidas, traduzem em 10 mil milhões (5% do PIB, grosso modo).

É por estas e outras que gostaria de ouvir falar menos de medidas draconianas de isolamento social e limitações da actividade económica, e mais de reforço de meios; e que presto crescente atenção às raras vozes que, por as sociedades estarem a sobre-reagir sob a pressão do pânico, lembram que a depressão económica também traz o seu cortejo de vítimas, pelo que seria talvez avisado maneirar.

Ouvimos todos os dias a desastrada ministra da Saúde, a quem saiu uma fava que não sabe cozinhar; uma directora-geral da saúde vovozinha esforçada e maternal, ambas a querer explicar o que entendem mal e a convencer a opinião pública que o que quer que as autoridades decidam é pelo melhor, segundo a melhor ciência disponível.

A ciência que há está envolta em polémica: virologistas, epidemiologistas, médicos comuns, matemáticos não se entendem. Os menos inclinados ao drama, aliás, não têm grande audiência porque as pessoas querem acreditar que o sacrifício redime e a lucidez não. E menos ainda cotejam o custo das medidas profilácticas que aconselham com o respectivo custo económico, o que aliás não sabem nem têm de saber.

Sucede que a decisão política, essa, tem de ponderar tudo. Não vamos reclamar no fim pelo tempo que levou a criar medicamentos ou vacina, nem pelas tolices que o médico A e o cientista B andaram a debitar, porque o saber científico progride pela tentativa, a discussão e o erro – não há outra maneira; mas vamos crucificar retrospectivamente quem se enganou nas escolhas.

Esta gente que nos pastoreia terá a lucidez de ver para lá do que diz a comunicação social, e do que pensa a opinião pública, essa velha rameira volúvel? E, por trás da cortina das medidas necessárias para tranquilidade pública, e para não entupirmos um aparelho de saúde sub-equipado, está-se a mexer (com o mesmo dinamismo com que inventa proibições) para que aqueles de nós que vão cair ao hospital não corram o risco de morrer de falta de ar, mesmo tendo chegado a hora de esticar o pernil?

Blogue da semana

por João Campos, em 05.04.20

É-me cada vez mais difícil escolher o blogue da semana, pois cada vez vou lendo menos e menos blogues. Mas ainda acompanho alguns webcomics e pelo que será um webcomic a minha sugestão de hoje.

Na verdade, já o sugeri uma vez, em 2013, e recomendei-o pela primeira vez no Delito em 2010 - prova de que continua a ser publicado e que preserva o bom humor que me fez começar a lê-lo há pelo menos dez anos. Falo do Bug Martini, de Adam Huber. Hoje em dia há novas tiras às Segundas, Quartas e Sextas, com pranchas coloridas ao Domingo, no modelo tradicional das tiras de jornal, a serem disponibilizadas aos subscritores do Patreon (um modelo que tem dado algum retorno a muitos artistas online). E no mês que passou o autor lançou uma campanha de Kickstarter para publicar o primeiro livro, um projecto antigo para o qual tive o gosto de contribuir.

Bug Martini fica assim como blogue webcomic da semana.

 

O comentário da semana

por Pedro Correia, em 05.04.20

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«Ai os animais em casa: os gatos.

Foi ela quem o trouxe para casa, numa saída a dois para o campo (que tudo o indiciava) prometedora; quando ouviu, mais do que um miado, um débil gemido vindo lá de um buraco.

Um recém-nascido - vá-se lá saber porquê, abandonado pela mãe - que um monte de pulgas deixava ver de gatinho.

Cresceu e fez-se um gatarrão de oito quilos e meio. Nunca respeitou ninguém, nem a mim que tratava dele, mas respeitava a dona que nunca lhe mudou a areia. Essa sim! Para ela tudo, para mim e filhas, soberano desprezo e arranhões.

Nunca mais saiu dos pés dela quando ela se confinou ao leito, quase um ano. E quando ela saiu para não mais voltar, nunca se afastou da porta que se abrira para ela sair.

Morreu dois meses depois enrolado numa saia dela, a pesar menos de quilo e meio.

Ainda hoje, doze anos passados, rezo e choro por ambos.

Estou firmemente convencido que os animais também vão para o Céu. Porque se não, como compreender os sentimentos de amor e dedicação?»

 

Do nosso leitor O Cunhado do Acutilante. A propósito deste meu texto.

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 05.04.20

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Aproximadamente do Tamanho do Universo, de Jón Kalman Stefánsson

Romance

(edição Cavalo de Ferro, 2020)

Tags:

Depois do adeus

por Maria Dulce Fernandes, em 05.04.20

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Yuval Noah Harari: the world after coronavirus

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 05.04.20

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João Carvalho: «À medida que o tempo passa, Seguro afirma-se e mostra-se cada vez mais solto em relação à maioria dos seus pares socialistas com peso na vida pública. Sem pressa, vai trilhando um percurso próprio do qual sobressaem valores e critérios de justiça social que revelam um padrão que tem andado muito arredado. Seguramente, ainda tem muito para dar.»

 

Luís M. Jorge: «O deputado João Galamba divulgou no Jugular um colorido discurso da brasileira Cidinha Campos contra aqueles que mamam. Felizmente, cá em Portugal não temos necessidade de tais vociferações. Ricardo Rodrigues, o homem a quem o PS encarregou em debates parlamentares de liderar uma dura batalha contra a corrupção, já esteve envolvido num gang internacional. O João Galamba deve reconhecer que os privilégios da experiência, assinalável entre alguns colegas de bancada, permitirão ao partido que o acolheu debelar este flagelo com outra serenidade.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Ao primeiro-ministro, com mais ou menos Público, mais ou menos Cerejo, impõe-se e exige-se que governe e que no tempo e na hora adequados tire as suas conclusões. Enquanto os submarinos sobem e descem e se limpa o pó aos arquivos da Guarda há muita coisa a fazer. E quanto ao PS espero que seja capaz de rever o caminho trilhado nos últimos anos e que corrija o que necessita de ser corrigido. Se é que entende que alguma coisa tem de ser corrigida. Eu, humildemente, começaria por rever as políticas de combate à corrupção, a democraticidade interna e os mecanismos de escolha dos dirigentes.»

 

Teresa Ribeiro: «O Monte Fuji, o mais alto do Japão, não cabe na fotografia. Subimos até onde as camionetas conseguem chegar, já em zona de neve. Para os japoneses este vulcão ainda em actividade é sagrado e diz o povo que pelo menos uma vez na vida se deve subi-lo a pé, apesar dos seus quase 3 800 metros, ou exactamente por isso. Na volta, já perto do sopé, macacos selvagens espiavam-nos dependurados das árvores que orlam a estrada. Que pena não termos disto em Sintra, ou no Gerês.»

 

Eu«Ter um longo currículo como ministro ou secretário de Estado não é garantia antecipada de que se possa transitar com mais facilidade para o posto máximo no Governo. Se o critério decisivo fosse esse, Soares, Cavaco e Sá Carneiro nunca teriam sido primeiros-ministros.»

Pensamento da semana

por Teresa Ribeiro, em 05.04.20

Não fique em casa... se não quer ficar sem emprego - este é o dilema que se coloca hoje a milhares de pessoas. Uma realidade escondida que a comunicação social não está a revelar, nem é aflorada pelo governo.

No país das pequenas e micro empresas as ruas podem estar desertas, pode já não existir concentração de gente nos espaços públicos, mas há locais de trabalho onde as regras do estado de emergência não estão a ser aplicadas. Ao contrário dos estabelecimentos comerciais, fáceis de fiscalizar, esses espaços funcionam entre quatro paredes, escondidos em edifícios de escritórios ou até em prédios de habitação. 

Soube pela DECO que nos últimos dias têm chovido no seu departamento júridico pedidos de aconselhamento de profissionais que estão a ser coagidos a continuar a trabalhar em espaços exíguos, onde o distanciamento de segurança é impraticável.

Entendo que é o desespero que conduz a esta insensatez, mas a verdade é que enquanto estas situações persistirem, as medidas de mitigação são um saco roto, por onde a pandemia continuará a expandir, prolongando ainda por mais tempo esta agonia em que todos vivemos.

A propósito deste assunto, aproveito para dar um recado ao PAN: foi importante indicar os serviços veterinários como uma das actividades  essenciais que o governo deve autorizar durante a pandemia, mas entre estes existem milhares de clínicas e consultórios sem o mínimo de condições de segurança sanitária. Porque funcionam em espaços tão reduzidos que é impossível manter distanciação mínima e sem equipamentos adequados (máscaras e luvas eficazes contra o vírus). Só esta área de  negócio bastará para infectar boa parte da população, pois faz atendimento público, nas piores condições, por todo o país - foi divulgado num congresso veterinário que em Portugal há mais clínicas veterinárias do que em Espanha!!

Só os hospitais veterinários deviam manter a porta aberta nestas circunstâncias, caros senhores, por isso, por favor, façam serviço público e em vez de proteger os vosso amigos veterinários, cuidem, primeiro que tudo, da população. Obrigada!

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana.

Ligação directa

por Pedro Correia, em 05.04.20

 

À Arca de Darwin.

 

Canções do século XXI (1098)

por Pedro Correia, em 05.04.20


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