Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Pensamento da semana

por Pedro Correia, em 18.11.18

 

Nascer velho e morrer jovem é a utopia de alguns.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

Autoria e outros dados (tags, etc)

Canções do século XXI (594)

por Pedro Correia, em 18.11.18

Autoria e outros dados (tags, etc)

Já podem votar em nós

por Pedro Correia, em 17.11.18

21171518_QU3Zm[1].png

 

Entre largas dezenas de blogues especializados em política e economia, este nosso (e vosso) DELITO DE OPINIÃO figura entre os cinco finalistas ao galardão Sapo do Ano 2018, saudável competição que por estes dias está a animar a blogosfera, graças a uma excelente iniciativa da Magda Pais e do David Marinho. É uma prova inequívoca de adesão dos leitores - desde logo aqueles que nos propuseram à pré-selecção, como já tinha assinalado aqui.

Continuamos a contar com a vossa confiança. E, a partir de agora, também com o vosso voto. Que pode ser democraticamente exercido no quadradinho da praxe. Nada mais fácil: é só virem aqui e clicarem primeiro no quadrado correspondente a este blogue e depois na palavra "submeter".

Não custa nada.

A votação decorre até 15 de Dezembro. Só é admitida uma votação por cada endereço electrónico, confirmando-se assim que este é um processo eleitoral genuinamente democrático. Nem seria de esperar outra coisa.

Autoria e outros dados (tags, etc)

A revolta dos coletes amarelos.

por Luís Menezes Leitão, em 17.11.18

665858.jpg

O actual Estado fiscal insuportável, depois de ter elevado os impostos directos quase até ao limite do absurdo, aposta agora nos impostos indirectos e na multiplicação de taxas por tudo e por nada, como se viu com a protecção civil, a que agora o governo quer regressar. Só que há alturas em que esta situação conduz a movimentos de revolta de cidadãos, como entre nós sucedeu com a revolta da ponte sobre o tejo em 1994, que precipitou o fim de Cavaco Silva. Hoje parece que é Emmanuel Macron que está a passar pela mesma situação.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Os comentários da semana

por Pedro Correia, em 17.11.18

«A revolta do passado era incitada pela oposição, pela comunicação social e pelas conversas das pessoas, austeridade passou a ser a palavra de ordem, não se falava de outra coisa, gerou-se uma onda de negativismo e as pessoas só sabiam reclamar da austeridade porque toda a gente reclamava.
Hoje, as pessoas continuam a acreditar no que se diz e a mensagem que passa é que a austeridade ficou no passado, supostamente vivemos dias prósperos e o optimismo é geral, mas se perguntarmos o motivo de as pessoas acharem que estão melhor, não sabem responder, acham que estão simplesmente porque lhes dizem que estão.
A juntar a estes factos existem outros que se começam a notar lentamente, o mercado interno está a abrandar, as pessoas começam a retrair-se, as empresas começam a ter menos encomendas, é uma questão de tempo para que se perceba que não estamos bem financeiramente.
Entretanto, até lá, é esperar que o dano não seja grande e ter esperança, tenho pouca, que a próxima crise traga as reformas de que tanto necessitamos.
O povo engana-se com papas e com bolos e nunca esta expressão fez tanto sentido em Portugal.»

 

Da nossa leitora Psicogata. A propósito deste texto do Diogo Noivo.

 

..................................................................................

 

«Na verdade, só nascemos para as realidades do mundo depois de "velhos". A inocência da infância e a inconsciência da juventude conferem-nos a maravilhosa despreocupação da brisa que sopra numa noite de Verão. Independentemente dos medos, perigos, das aventuras ou da segurança, seja qual for a realidade que nos envolve, não aprendemos nem apreendemos a sua verdadeira substância. São os anos que nos ensinam a esbracejar e chapinhar para ficar à tona da travessia do oceano temporal da nossa passagem. Por mais complicado que se nos afigure o cruzar das ondas, ninguém deseja sinceramente chegar ao outro lado, aquela margem que nos devolve ao pó e solta na luz. Tudo o que queremos é adormecer com um sorriso e ir ao sabor da corrente ao encontro da paz.»

 

Da nossa leitora Maria Dulce Fernandes. A propósito deste meu postal.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Estátuas dos nossos reis (83)

por Pedro Correia, em 17.11.18

140017380.7zZAChvR[1].jpg

ASC_7692-palacio-fronteira_01[1].jpg

 

 

D. Fernando I (1367-1383)

 

Autor: Desconhecido

Ano da inauguração: Algures no século XVIII

Localização: Lisboa, no jardim do Palácio Fronteira (São Domingos de Benfica)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 17.11.18

9789896232658[1].jpg

 

 Anaconda, de Horacio Quiroga

Tradução de Sofia Castro Rodrigues e Virgílio Viseu

Contos

(reedição Cavalo de Ferro, 2.ª ed, 2018)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Canções do século XXI (593)

por Pedro Correia, em 17.11.18

Autoria e outros dados (tags, etc)

Estátuas dos nossos reis (82)

por Pedro Correia, em 16.11.18

10127139694_867375940c_b[1].jpg

Fernando I vila flor.jpg

14280019_CzR4Q[1].jpg

 

 

D. Fernando I (1367-1383)

 

Autor: Desconhecido

Ano da inauguração: Desconhecido, no século XVIII

Localização: Guimarães, na fachada norte do Palácio Vila Flor

Autoria e outros dados (tags, etc)

Resistência activa ao aborto ortográfico (132)

por Pedro Correia, em 16.11.18

Ass Protectora dos D de P.jpg

 

Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 16.11.18

images[8].jpg

 

 A Festa do Chibo, de Mario Vargas Llosa

Tradução de Miguel Serras Pereira

Romance

(reedição D. Quixote, 7.ª ed, 2016)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Reencontro no Grande Prémio

por Sérgio de Almeida Correia, em 16.11.18

Vaillant 20181115_181530.jpg

Que o livro iria ser lançado por estes dias já o sabia há muito tempo. O que não me passava pela cabeça, num momento em que se desenvolvem diligências no sentido de elevar o Circuito da Guia a património protegido e reconhecido internacionalmente; depois do Rendez-Vous à Macao, no início da década de 80 do século passado, e em semana de Grande Prémio, já com os motores a rugirem no asfalto, era vir a reencontrar o eternamente jovem Michel Vaillant, num final de tarde, no hospitaleiro Grand Lapa, antigo Mandarim Oriental, onde noutros anos tantas aventuras reais pude viver. Mas foi o que efectivamente aconteceu.

Com Corto Maltese, Michel foi meu companheiro de muitas tardes e de sonhos de juventude, quando acreditava que lá em casa, um dia, me deixariam ingressar num dos cursos de pilotagem da Elf e seguir uma vida nas pistas, o que só mesmo na fértil imaginação de um jovem seria possível num pós-25 de Abril dominado pelo PREC e em que os meios e as oportunidades de competir e de fazer uma carreira no desporto autómovel eram escassos para quase todos.

Volvidos todos estes anos, em que tirando efémeras experiências nos karts me tenho limitado a acompanhar, com gosto, diga-se de passagem, campeonatos e amigos infinitamente mais dotados por algumas pistas desse mundo, tive o privilégio de assistir à apresentação do último livro (77.º) da saga Vaillant, agora continuada por Philipe Graton, Lapière e Benjamin Béneteau (ilustrador), tendo junto a mim amigos e heróis de carne e osso como o André Couto, Tiago Monteiro ou o sempre bem disposto Tom Coronel.

Para quem ainda não leu, posso dizer que é mais uma aventura que mistura a realidade com a ficção, lugares de todos os dias e uma pista de que também eu gosto muito, exaltando os valores saudáveis do desporto, da competição, da justiça e do fair play numa história e com desenhos que honram a herança de Jean Graton.

Sacha Fenestraz, também ele a competir na edição deste ano, tal como André Couto, até hoje o único piloto local a vencer o Grande Prémio de F3, integra o lote dos personagens que conferem autenticidade à história.

Confesso que por momentos voltei a ser um menino. E foi com o mesmo prazer de há mais de 40 anos que recebi o livro autografado das mãos dos autores e dos pilotos e que, depois, no conforto de casa com gozo li.

Espero que também o possam ler e retirar dele o mesmo prazer que por instantes senti. E se por vergonha não o quiserem comprar para vós, sempre podem aproveitar o pretexto do Natal que aí vem para o oferecerem a filhos, sobrinhos e afilhados, estimulando-lhes o gosto pela leitura, também pelo sonhos que vivem paredes-meias com a realidade, para que depois vós próprios, assim como quem não quer a coisa, o possam ler às escondidas, sentindo as cores, os cheiros e a textura das suas páginas.

Vaillant 20181115_173232.jpg

46381396_10212968134701692_6847929091199336448_o.j

Autoria e outros dados (tags, etc)

Belles toujours

por Pedro Correia, em 16.11.18

bruna0617.jpg

 

 

Bruna Cusí

Autoria e outros dados (tags, etc)

Bolsonaro e o clima

por jpt, em 16.11.18

bolsonaro-araujo.jpg

Bolsonaro apresentou o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Ernesto Araújo, assim mais explicitando o seu enquadramento ideológico. Para o novo ministro as questões ecológicas, e a preocupação com o mais que provável processo de alterações climáticas, são reduzidas a uma ideologia ("climatismo"), fruto de um "marxismo cultural" cujo objectivo é transferir o poder económico do ocidente para a China (ler este seu texto de blog do mês passado). Ou seja, os "inimigos internos" já não são os comunistas, esses que serviam para tudo justificar em décadas passadas, são os "pró-chineses", avençados dos neo-Ming que por lá mandam. É este o novo poder do Brasil do Amazonas. 

Antes das eleições o projecto político-económico fora explicitado pelo candidato Bolsonaro: incrementar a utilização da floresta (entenda-se, o desmatar). Em concordância com interesses terratenentes nacionais e industriais internacionais. O projecto político-ideológico? Explicita este Ernesto Araújo, a luta contra o tal "marxismo cultural", esse "sistema anti-humano e anti-cristão. A fé em Cristo significa, hoje, lutar contra o globalismo, cujo objetivo último é romper a conexão entre Deus e o homem, tornado o homem escravo e Deus irrelevante. O projeto metapolítico significa, essencialmente, abrir-se para a presença de Deus na política e na história.”. Isto no âmbito de um "ocidentalismo" (às três pancadas), de uma superficialidade pungente ainda que glosando Heidegger (um resumo respeitoso da verve de Araújo está aqui), enquanto se alimenta de Spengler. É este o estado a que aquilo chegou. Com impactos ambientais que serão terríveis, articulados com a política americana nesta matéria, em que Trump canta a mesma boçal melodia (após Obama, que trauteava diferente mas pouco ou nada fez de relevante sobre as questões ecológicas). 

Há mesmo um "marxismo cultural", na pobre definição do agora ministro. Um neomarxismo, comunitarista, que coloca no centro da discussão pública o "género dos anjos", um identitarismo que se tornou uma verdadeira "maré negra" na discussão política. O processo eleitoral que catapultou Bolsonaro é mostra dessa poluição: as suas ligações agro-industriais mal eram afloradas, os seus propósitos ecológicos ignorados. As (ineficazes) acusações que contavam para a oposição eram o seu machismo (e ele não legislará contra as mulheres) ou o seu racismo (e ele não legislará sobre raças). De facto, o que essas suas diatribes anunciavam era a recusa de políticas estatais de discriminação positiva, e foi isso que se tornou a questão central, devido aos grupos corporativos a elas ligadas, quando se tratam de meros epifenómenos.

Esvaizamento do debate que se mostrou nas acusações de racismo (que com toda a certeza correspondem aos seus preconceitos): vi ene vezes partilhadas declarações do candidato sobre a sua visita a um quilombo (habitado por negros). Disse o homem que lá só encontrou "gordos", que o mais magro ia tão obeso "que nem para cobridor servia".  As pessoas ficam agarradas à linguagem provocatória, e perdem o fundamental, caem na esparrela: pois o relevante não é que os "negros" sejam isto ou aquilo ("gordos", "preguiçosos"). O relevante é a oposição à demarcação de terra (protecção ecológica por via de fundamentações histórico-culturais) e o radical confronto com políticas assistencialistas. Mas, claro, a omnipresente questão do "género (e raça) dos anjos", imposta pelo neomarxismo, venda os olhares sobre as dimensões relevantes deste rumo, no Brasil e alhures. Neste caso, a ecologia, e a protecção desenfreada à agro-indústria.

Uma questão paroquial (porque o relevante é o impacto ecológico das políticas de Brasília): leio gente integrante deste novo partido (um partido-birra, de facto) de Santana Lopes a defender Bolsonaro. Leio membros e adeptos do CDS a defender Bolsonaro. Não leio ninguém do partido-Ventura porque presumo que não consigam escrever, mas também se deliciarão com estas bolsonarices. Alguns deles gozam com os "moderados", os não-esquerdistas que não aderem a este bolsonarismo, como se em frémitos anais os gritassem emasculados. Isto levanta uma questão até porque, como aflorei acima, não vivemos na Guerra Fria, onde as piores tropelias eram justificadas pelo omnipresente comunismo. Como se relacionam, como simpatizam, estes quadros (intelectuais, pois vivem da escrita, como funcionários ou da comunicação social) com este trogloditismo intelectual? O que resta da herança filosófica liberal nestes putativos liberais, onde pára o esqueleto da democracia-cristã, diante desta trapalhada bolçada? Onde reside o pensamento ecológico, estruturante do conservadorismo (nacionalista) europeu, romântico ou deste sucessor ? Em lado nenhum, parece, pois os tais frémitos anais destes santanistas, perdão, santanettes e dos assunções, só aceleram mesmo face a este boçalismo. 

Nota: aos hipotéticos comentadores que aqui apareçam a bolçar que o "aquecimento global" não é algo científico, pois não há certezas sobre o fenómeno mas apenas previsões, proponho que se poupem ao trabalho de teclar. Eu não aceitarei os comentários. Pois para quem me venha em 2018 dizer que a ciência se resume ao que é comprovadamente certo eu respondo desde já: as aulas do ensino secundário eram más, os explicadores que os papás vos pagaram eram maus, as aulas das universidades eram más, não ganham o suficiente para comprar livros, não têm vagar para irem às "novas oportunidades" ou à Universidade Aberta ou à da Terceira Idade, não têm capacidade para aceder ao youtube e ao vimeo, que a ligação à internet em vossa casa é má, não percebem línguas estrangeiras, como o português de Portugal ou o do Brasil? Lamento. Mas não é agora, tarde e más horas, que um bloguista, ainda para mais à borla, vos vai ensinar que a ciência não é o que as vossas cabeças mui relapsas julgam.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Canções do século XXI (592)

por Pedro Correia, em 16.11.18

Autoria e outros dados (tags, etc)

A tourada.

por Luís Menezes Leitão, em 15.11.18

Em 1973 mandámos ao festival da eurovisão esta canção, demonstrando bem como o governo de então estava a ser visto pelo país. Se olharmos bem para a letra, apesar de terem passado 45 anos, acho que a actual situação não é muito diferente. Neste dia, em que o governo e o grupo parlamentar do partido que o apoia se envolveram numa verdadeira tourada, acho que é adequado recordar esta canção.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Alguém tinha que dizer isto

por Pedro Correia, em 15.11.18

«Cada vez mais os jornalistas estão a transformar-se numa classe odiada e odiosa, estão a funcionar no terreno como matilha, acossando as pessoas, os familiares dos suspeitos, e tornando-se absolutamente intoleráveis.»

David Borges, jornalista, falando há pouco no Jornal da Noite da SIC

Autoria e outros dados (tags, etc)

Post-it

por Fernando Sousa, em 15.11.18

Dia Mundial da Filosofia de 2018: Filosofia e Humanismo: podemos acreditar na Humanidade? Sim, podemos, se queremos acordar melhor amanhã. Só um aviso: cuidado com a moda do relativismo. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Estátuas dos nossos reis (81)

por Pedro Correia, em 15.11.18

thumbnail_20180922_120938-1[2].jpg

reis Alcob.JPG

 

 

D. Fernando I (1367-1383)

 

Autor: Desconhecido

Ano da inauguração: data desconhecida, no século XVIII

Localização: Sala dos Reis, no Mosteiro de Alcobaça

Autoria e outros dados (tags, etc)

Mr. Facebook

por Teresa Ribeiro, em 15.11.18

Recebi hoje no meu email uma notificação do Facebook a avisar-me de que a minha prima (que morreu em Junho) faz hoje anos. É em momentos destes que se percebe até que ponto abrimos a porta à tecnologia digital para entrar na nossa vida. Fosse o Facebook um mensageiro humano e já muitos de nós o teríamos saneado por ser tão invasivo, tão insistente, tão presente, tão manipulador e por vezes, como hoje me aconteceu, chocante.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

bruno.jpg

Quem me vê a blogar no És a Nossa Fé poderá confirmar: botei que me fartei (literalmente) a favor de Bruno de Carvalho. E depois botei que me fartei contra Bruno de Carvalho - porque o homem "se passou", porque mostrou uma horrível concepção de exercício do poder associativo, porque eu terei aberto a pestana. Dito isto: é totalmente inadmissível que um homem - por suspeitas de participação num crime acontecido há seis meses, entretanto desprovido dos meios institucionais que facilitariam a reprodução de actividades similares, e publicamente disponível para depor - seja detido num dia para prestar declarações, interrogado apenas duas dias e meio depois e liberto quatro dias após a sua detenção. Alguma coisa está errada, algo está podre na república.

E não, a lei não serve para justificar isto. Os funcionários públicos, juristas e polícias, não podem configurar assim as suas práticas. Isto é uma vergonha, um ocaso. Antes um Mustafa que um polícia ou um jurista deste tipo. Vou repetir: antes um Mustafa que um polícia ou um jurista deste tipo.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Virar a página da austeridade

por Diogo Noivo, em 15.11.18

1. Sou passageiro da CP há pouco mais de duas décadas. Exceptuando os períodos em que residi no estrangeiro, fui sempre utilizador dos caminhos de ferro nacionais. Nunca os vi tão mal. Os atrasos e as supressões de comboios na área metropolitana de Lisboa são diários (pelo que leio, no resto do país é igual). Consequentemente, os comboios que circulam vão a rebentar pelas costuras, sendo cada vez mais normal não conseguir entrar e ter de esperar pelo comboio seguinte. Perante a falência real do serviço prestado, aqueles que têm responsabilidades políticas falam na redução do preço dos títulos de transporte, demonstrando assim que estão completamente alheados das dificuldades diárias do cidadão comum.

 

2. No que respeita à segurança de pessoas e bens também não há memória de uma época tão lamentável. Os fogos florestais mataram como nunca e no rol de causas consta o fracasso técnico do Estado (do fracasso político é melhor não falar). O roubo de Tancos é em tudo semelhante: fracasso técnico do Estado e do fracasso (e desfaçatez) político é melhor não falar. As Forças de Segurança, PSP e GNR, atravessam um momento de carência especialmente duro, como ficou bem ilustrado num trabalho recente da SIC. Já o trabalho notável do Ministério Público e da Polícia Judiciária será recompensado com um corte orçamental no próximo ano.

 

3. A carga fiscal não diminuiu, apenas foi organizada de forma diferente. Estamos com a carga fiscal mais elevada dos últimos 22 anos.

 

4. A prometida descentralização é destratada com medidas ad hoc a raiar da infantilidade, algo de resto patente na novela Infarmed. Sobre o estado da arte das assimetrias regionais vale muito a pena ler este artigo de Luís Aguiar-Conraria.

 

5. O ano de 2017 foi o annus horribilis dos Hospitais com cerca de 300 milhões de euros em EBITDA negativo. A falta de profissionais no sector é gritante, as listas de espera vergonhosas e a ineficiência do Serviço Nacional de Saúde atingiu um patamar do qual já não havia memória. Além dos problemas sistémicos existem problemas graves de dignidade plasmados na vergonha sem nome de ter uma ala pediátrica com serviço de oncologia a funcionar num contentor.

 

6. Mais assuntos podem ser acrescentados, mas estes bastam para demonstrar que o “virar da página da austeridade” e a “queda do muro” não nos deixaram melhor. Pelo contrário. Por isso, é de perguntar onde andarão as vozes corajosas que entoaram “grandoladas” entre 2011 e 2015, onde andarão os indignados, onde andarão os que gritavam “as pessoas primeiro”. Não quero acreditar que a revolta do passado fosse apenas um produto artificial gerado por convicções puramente ideológicas.

Autoria e outros dados (tags, etc)

O acordo do Brexit.

por Luís Menezes Leitão, em 15.11.18

col.jpeg

É raro assistirmos ao descalabro de um governo em directo. Hoje parece que é isso o que se está a passar no Reino Unido. Parece que os ministros estão na situação daquele célebre dito brasileiro: "Se fugir, o bicho pega, se ficar o bicho come".

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 15.11.18

PrincípioKarenina Kfrente 300dpi RGB.jpg

 

Princípio de Karenina, de Afonso Cruz

Romance

(edição Companhia das Letras, 2018)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Canções do século XXI (591)

por Pedro Correia, em 15.11.18

Autoria e outros dados (tags, etc)

Já li o livro e vi o filme (246)

por Pedro Correia, em 14.11.18

img_210627893_1361546889_pbig[1].jpg

122[1].jpg

 

 

     SANGUE E ARENA (1908)

Autor: Vicente Blasco Ibañez

Realizador: Rouben Mamoulian (1941)

Um dos mais célebres romances espanhóis de todos os tempos, com uma toada folhetinesca muito adequada à época em que foi escrito, gerou uma obra-prima do cinema norte-americano. Com Tyrone Power e a deslumbrante Rita Hayworth.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Estátuas dos nossos reis (80)

por Pedro Correia, em 14.11.18

thumbnail_20180915_115842-1[1].jpg

1474503_197473413772188_1963325171_n[1].jpg

 

  

D. Fernando I (1367-1383)

 

Autor: Desconhecido

Ano da inauguração: 1726, presumivelmente

Localização: Castelo Branco, no Jardim do Paço Episcopal ou de São João Baptista

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sapos bons de engolir

por Pedro Correia, em 14.11.18

Bem acompanhado, o DELITO DE OPINIÃO figura entre os nomeados para a simpática iniciativa Sapos do Ano, destinada a eleger o melhor blogue em diversas áreas, cabendo-nos as de política e economia. As votações decorrem a partir de amanhã, até ao fim do ano.

Desde já os nossos agradecimentos à Magda e ao David - e também, claro, aos leitores que tiveram a gentileza de nos nomear. Ao contrário do que alguns imaginam, há cada vez mais blogues - e cada vez com mais leitores. Como esta iniciativa, aliás, bem comprova.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 14.11.18

9789896232627[1].jpg

 

 Raposa, de Dubravka Ugrešić

Tradução de Guilherme Pires

Romance

(edição Cavalo de Ferro, 2018)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Canções do século XXI (590)

por Pedro Correia, em 14.11.18

Autoria e outros dados (tags, etc)

Post-it

por Fernando Sousa, em 13.11.18

Agora sempre que vou à FNAC não encontro o (livro) que procuro. Tenho que andar nos alfarrabistas, e às vezes nem aqui tenho sorte, além de que é um lugar péssimo para a asma. Alguém tem por aí a Ilha dos Condenados, do Stig Dagerman?

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Os meus heróis estão a morrer

por Pedro Correia, em 13.11.18

Lee_AmazingSpiderMan.jpg

 

Stan Lee (1922-2018)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Estátuas dos nossos reis (79)

por Pedro Correia, em 13.11.18

imagesPY6KK334.jpg

13423193[1].jpg

 

 

D. Pedro I (1357-1367)

 

Autor: Manuel Coelho Pinto

Ano da inauguração: 2006

Localização: Coimbra, Rotunda das Lages (sob o título "Inês, Pedro e o Mondego")

Autoria e outros dados (tags, etc)

Stan Lee

por jpt, em 13.11.18

O macro Stan Lee morreu ontem (os super-heróis também partem). Para obituário nada melhor do que um auto-retrato.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 13.11.18

250x[1].jpg

 

 O Terceiro País, de Joan London

Tradução de Maria do Carmo Figueira

Romance

(edição Bizâncio, 2018)

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Canções do século XXI (589)

por Pedro Correia, em 13.11.18

Autoria e outros dados (tags, etc)

HAL9000.jfif

Douglas Rain faleceu ontem, aos 90 anos. É possível que o nome diga muito pouco à maioria dos leitores; a sua fotografia, se aqui fosse publicada, pouco mais diria. Mas este círculo vermelho e a sua voz grave tornaram-se inesquecíveis quando, há cinquenta anos, construíram a mais famosa inteligência artificial da ficção científica: HAL 9000, o tripulante incorpóreo da Discovery na sua expedição à órbita de Júpiter para confirmar o elusivo primeiro contacto feito com o monólito lunar. Falo de 2001: A Space Odyssey, claro; todo o segundo acto do filme pertence à expressividade impossível que Rain confere ao olho inescrutável que vigia cada recanto da nave espacial, um feito notável quando pensamos que, num filme com tão pouco diálogo, praticamente todas as palavras relevantes são proferidas pela personagem tornada presente pela sua voz. Do orgulho inicial ao impulso homicida, da determinação pela continuidade de uma missão que não consegue compreender até ao desespero dos momentos finais, quando Dave Bowman, suspenso em gravidade zero, lhe desliga os circuitos de memória um por um - o tom enganadoramente monocórdico de Rain transmite todas as emoções da personagem com subtileza, sem esforço aparente. Voltei a confirmar isto mesmo nos últimos meses, nas duas oportunidades que tive de rever a obra-prima de Stanley Kubrick no grande ecrã: inúmeras visualizações depois, o HAL 9000 continua tão fascinante e ameaçador como da primeira vez que o ouvi. Douglas Rain, o actor, talvez tenha tido uma passagem discreta pela Terra; mas a sua voz, essa, perdurará entre as estrelas. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Estátuas dos nossos reis (78)

por Pedro Correia, em 12.11.18

moledo15.jpg

5-c-1024x683.jpg

 

 

D. Pedro I (1357-1367)

 

Autor: Francisco Cid

Ano da inauguração: 2010

Localização: aldeia de Moledo, no concelho da Lourinhã (D. Pedro tem à sua frente Inês de Castro)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 12.11.18

2018___entretanto_1024x1024[1].jpg

  

 Entretanto, de John Berger

Tradução de Júlio Henriques

Ensaio

(edição Antigona, 2018)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

VM1.jpg

O meu amigo Luís Alvarães acaba de partilhar estas declarações de Vitorino Nemésio, proferidas na época em que se preparava a sua nomeação para director de O Século, algo que acabou por abortar, talvez também por causa da entrevista em que as proferiu.

 

Hoje impera a informação. Informação moderna, caminhando mesmo no sentido da informática, ciência que, a partir da termodinâmica, abarcou o próprio boato como objecto. É uma informação quantificada.” (Vitorino Nemésio, entrevista à revista Flama, 1973).

 

O Luís, para além da pertinência da partilha - será interessante compará-la com as opiniões que defendem que Bolsonaro, Trump et al negam o preceito "Não há nada novo sob o Sol" - teve ainda a gentileza de me enviar a digitalização da entrevista. Quem tiver curiosidade em lê-la encontra-a aqui - preferi não a deixar neste blog pois as imagens ocupam algum espaço de ecrã e não quero aborrecer algum passante mais apressado.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Canções do século XXI (588)

por Pedro Correia, em 12.11.18

Autoria e outros dados (tags, etc)

Fotografias tiradas por aí (434)

por José António Abreu, em 11.11.18

Porto2018_12_600.jpg

Porto, 2018. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

O comentário da semana

por Pedro Correia, em 11.11.18

«Eu a julgar que os sérvios tinha lutado pela Grande Sérvia, os franceses pela Alsácia-Lorena, os ingleses para acabar com a indústria pesada alemã e ficar com os melhores bocados do Império Otomano, os italianos por Trento, Trieste e a Dalmácia, os romenos pela Transilvânia, os russos por Deus e pelo Czar (até se fartarem de ambos). E que nós apenas declarámos guerra aos alemães para (na tese oficial) não perdermos as colónias ou (na realidade) para reforçar o precário regime que então nos governava – duas razões que se aplicam à Guerra 1961-1974, que, francamente, não consta que tenha sido uma “luta pela compreensão contra o ódio, a liberdade contra a opressão, a justiça contra a iniquidade, a Europa aberta contra a Europa fechada, o mundo solidário contra o mundo dos egoísmos, das xenofobias e das exclusões”...»

 

Do nosso leitor JPT. A propósito deste texto do JPT.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Estátuas dos nossos reis (77)

por Pedro Correia, em 11.11.18

Pedro I cascais.jpg

Ped I Cascais.jpg

 

 

D. Pedro I (1357-1367)

 

Autor: António Duarte

Ano da inauguração: 1965

Localização: Cascais, na Praça 5 de Outubro

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 11.11.18

img_797x448$2018_11_06_14_08_44_510740[1].jpg

 

 Poemas Escolhidos, de Pedro Mexia

Antologia

(edição Tinta da China, 2018)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

In Memoriam

por Fernando Sousa, em 11.11.18

Ergueu-se Abraão, rachou a lenha e partiu

E consigo levou a chama e um cutelo.

E quando juntos se quedaram ambos,

Isaac, filho primeiro, assim falou: `Meu Pai

Tudo está preparado, o ferro e o fogo

Mas qual é o cordeiro a imolar nas chamas?`

E Abraão prendeu o jovem com cinturões, correias,

Em redor construiu trincheiras, parapeitos

E empunhou o cutelo para matar seu filho.

Dos céus um Anjo lhe bradou então

E disse: `Não levantes a mão contra esse jovem

Nada tentes contra ele que é teu filho.

Vê! Um cordeiro preso está ali naquela sarça.

De orgulho oferece um sacrifício em vez do jovem.`

Mas por não querer assim, matou o velho o filho

E um por um também metade dos filhos da Europa. 

 

Parábola do Jovem e do Ancião, de Wilfred Owen, poeta inglês morto nas trincheiras uma semana antes da assinatura, há cem anos, do Armistício da Guerra de 1914-18, in Elegias.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Blogue da semana.

por Luís Menezes Leitão, em 11.11.18

Fernando Pessoa não gostava de viajar. No Livro do Desassossego do seu quase heterónimo Bernardo Soares escreve o seguinte:

"Que é viajar, e para que serve viajar? Qualquer poente é o poente; não é mister ir vê-lo a Constantinopla. A sensação de libertação, que nasce das viagens? Posso tê-la saindo de Lisboa até Benfica, e tê-la mais intensamente do que quem vá de Lisboa à China, porque se a libertação não está em mim, não está, para mim, em parte alguma. «Qualquer estrada», disse Carlyle, «até esta estrada de Entepfuhl, te leva até ao fim do mundo.» Mas a estrada de Entepfuhl, se for seguida toda, e até ao fim, volta a Entepfuhl; de modo que o Entepfuhl, onde já estávamos, é aquele mesmo fim do mundo que íamos a buscar.

Condillac começa o seu livro célebre, «Por mais alto que subamos e mais baixo que desçamos, nunca saímos das nossas sensações». Nunca desembarcamos de nós. Nunca chegamos a outrem, senão outrando-nos pela imaginação sensível de nós mesmos. As verdadeiras paisagens são as que nós mesmos criamos, porque assim, sendo deuses delas, as vemos como elas verdadeiramente são, que é como foram criadas. Não é nenhuma das sete partidas do mundo aquela que me interessa e posso verdadeiramente ver; a oitava partida é a que percorro e é minha.

Quem cruzou todos os mares cruzou somente a monotonia de si mesmo. Já cruzei mais mares do que todos. Já vi mais montanhas que as que há na terra. Passei já por cidades mais que as existentes, e os grandes rios de nenhuns mundos fluíram, absolutos, sob os meus olhos contemplativos. Se viajasse, encontraria a cópia débil do que já vira sem viajar. Nos países que os outros visitam, visitam-nos anónimos e peregrinos.

Nos países que tenho visitado, tenho sido, não só o prazer escondido do viajante incógnito, mas a majestade do Rei que ali reina, e o povo cujo uso ali habita, e a história inteira daquela nação e das outras. As mesmas paisagens, as mesmas casas eu as vi porque as fui, feitas em Deus com a substância da minha imaginação".

Não me revejo nada nesta afirmação e por isso gosto de viajar. A viagem não só nos faz sair da monotonia de nós mesmos, como também nos transforma, fazendo a que cheguemos diferentes quando regressamos. Por isso decidi escolher para blogue da semana um excelente blogue destinado a viagens. O Joland Blog é assim o blogue da semana.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Pensamento da semana

por jpt, em 11.11.18

tardi.jpg

 

Como não desprezar toda esta pompa comemorativa se lendo Jacques Tardi, décadas de magistral vasculha da história sem fim da I Guerra Mundial, no mostrar da desgraça de cada poilu, milhões de Varlots, subjugados ao miserando militarismo alimentado do mais torpe e ávido dos nacionalismos, na mais ignóbil das guerras, a do estertor suicidário dos velhos impérios?

E como não resmungar diante do nosso empertigamento falsário, esquecendo aquela república logo-trôpega vendo a guerra como única forma de se sustentar, gulosa da presença no festim dos despojos? Escamoteando um país agressor, na volúpia de mais um pedaço de terra longínqua, subtraída aos que também já dela se haviam apropriado? Glorificando a pobre tropa da Europa, ali indesejada pois inútil no desequipada e impreparada que era, mera má carne para canhão? E falsificando a guerra de África, dizendo-a ainda, com impudicícia neste XXI, "campanhas de pacificação" indígena? Escamoteando a incompetência das expedições, nas quais a pobre soldadesca arregimentada, ali obrigada, tão vítima foi da inexistência de comando, conhecimento de terreno ou material adequado, este aldrabado pelas corrupções da administração militar? E de ter sido aquilo ainda uma tropa de antigo regime, de oficiais privilegiados, com rações e equipamentos superiores, deixando os meros praças morrer à míngua diante da inclemência dos elementos? E o silêncio sobre o descalabro demográfico que foi a hecatombe dos arrebanhados carregadores africanos? Como aceitar tantos meneios contextualizadores quando se refere a "guerra colonial" de 1961-74 e tantos encómios embrutecidos a esta mera guerra colonial de 1915-1918? Como compreender que surjam políticos, ignorantes ou malévolos, apenas netos herdeiros daquele malvado republicanismo, chamar a tudo isto "patriotismo"? 

E diante deste cerimonial patético, alarido de sociedade disfucional, como esquecer Pemba, a antiga Porto Amélia, lá no Cabo Delgado, onde Von Lettow-Vorbeck se cumulou de glória face aos britânicos, diante da total irrelevância inepta do corpo expedicionário português, devastado pelas doenças, palmilhando a selva incapaz até de combater? Como esquecer, ainda para mais vendo as encenações lisboetas d'agora, aquele cemitério militar? 

 

pemba 1.jpeg

pemba 2.jpeg

Ali a irritar-me até envergonhado, no verdadeiro patriotismo, não este de pacotilha, vigente no "Terreiro do Paço", de Belém a São Bento ... A descer destes talhões militares até à baixa da cidade, ao comerciante português residente, "arranja lá uns homens, deixo-te aqui 100 dólares, eles que vão lá capinar aquilo, que é uma vergonha", ainda para mais separado por um mero murete, tão mero que se cruza no alçar da perna, do talhão da Commonwealth, esse arranjado todos os meses, impecável, túmulos à antiga, que os britânicos andaram a recolher os corpos do mato e ali os sepultaram: uma ala de europeus, uma outra de indianos, uma outra de africanos. Todos com uma lápide, um nome, posto, regimento de pertença e datas. Sim, era um império, diferenciavam raças e religiões, hierarquizavam-nas. Mas, pelo menos na morte, cada um era um. Com nome, túmulo e respeito. Até hoje. E os nossos? Anónimos e desgraçados na vida, anónimos e desengraçados na morte.

E depois em Maputo ao adido de defesa, "ó comandante, vá lá ver aquilo, sff, que é uma vergonha". E ele, mar-e-guerra como deve ser, a tomar-se de brios, a visitar, a informar. E, meses depois, "ó doutor, Lisboa diz que não pode ser, em trabalho de arquivo para identificar mortos e arranjo de túmulos seriam para aí mil contos (5 mil euros agora) e não há dinheiro". Mil contos?, "mas isso não são 2 ou 3 bilhetes de executiva para essas missões que cá vêm fazer nada?" avanço eu, no sarcasmo desiludido de quem vai a sul do Equador (ou será do Tejo?). E o comandante, sábio, "ó Zé Teixeira, o que é que quer que eu lhes faça?" e a gente a saber que nada se pode, doutor de gabinete posto é doutor. E uma década depois, numa visita do PR Cavaco Silva, eu a aprumar-me comendador e a avançar para o homem da casa militar, e a explicar ao "nosso" tenente-coronel disto tudo e ele, simpático, que "sim, já estamos informados", até porque este nem é caso único. Pois não, sei bem.

Patriotismo, dizem estes, agora, em festividades encenadas. E lembro, a la Tardi, aquela pobre geração, camponeses arrancados às courelas, operários e serviçais conscritos em nome de uma madrasta, a sorte que lhes coube, "putain". Para serem húmus de capim. E da vaidade de gerações.

Pensamento da semana? Estes d'agora cantam mal e não me encantam.

  

Adenda: escrevi este postal sem saber do conteúdo do discurso de ontem do PR, para o qual um comentário logo me chama a atenção (excerto aqui. Ainda não está colocado no sítio presidencial mas decerto que em breve o estará). Não vale a pena alimentar grandes debates sobre isso, pois as coisas são simples: o que o PR disse é absolutamente crível sobre a II Guerra Mundial. Recaindo sobre a I Guerra Mundial é pura ignorância. Ou, pior, é falsificar a história. 

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Canções do século XXI (587)

por Pedro Correia, em 11.11.18

Autoria e outros dados (tags, etc)

 

17 de Outubro de 2017

Rui Rio em campanha para a presidência do PSD: «A política precisa de um banho de ética.»

 

13 de Janeiro de 2018

Rui Rio eleito líder do PSD.

 

25 de Janeiro

Salvador Malheiro, director de campanha de Rui Rio, alvo de uma investigação do Ministério Público por suspeitas de favorecimento a uma empresa do líder da concelhia do PSD de Ovar, seu vereador na câmara municipal a que preside.

 

19 de Fevereiro

Elina Fraga, vice-presidente de Rio, investigada por supostas irregularidades na contratação de serviços jurídicos quando era bastonária da Ordem dos Advogados.

 

18 de Março

Feliciano Barreiras Duarte, primeiro secretário-geral escolhido por Rio, demite-se após várias polémicas relativas às sua carreira académica e a ajudas de custo que terá recebido como deputado.

 

3 de Novembro

É noticiado que José Silvano, segundo secretário-geral escolhido por Rio, recebeu senhas de presença (no valor de quase 70 euros cada) por alegada participação em reuniões parlamentares a que não compareceu, a 18 e 20 de Outubro.

 

7 de Novembro

Silvano assina presença numa reunião parlamentar da Comissão de Transparência a que não chegou a assistir, sem ter apresentado qualquer justificação.

 

8 de Novembro

Questionado pelos jornalistas sobre Silvano, Rui Rio responde em alemão: «Ich weiss nicht, was sie sagen.»

 

9 de Novembro

Deputada Emília Cerqueira assume ter «inadvertidamente» registado as presenças de Silvano ao aceder ao computador registado em nome dele na Assembleia da República.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)


O nosso livro





Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2017
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2016
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2015
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2014
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2013
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2012
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2011
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2010
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2009
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D