Pensamento da semana
Uma palavra amável pode ser como um dia de Primavera, mesmo em pleno Inverno.
Este pensamento acompanhará o DELITO DE OPINIÃO durante toda a semana
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Uma palavra amável pode ser como um dia de Primavera, mesmo em pleno Inverno.
Este pensamento acompanhará o DELITO DE OPINIÃO durante toda a semana

João André: «A Comissão Europeia terá muitos especialistas em cotas de peixe ou regulamento para queijos, mas provavelmente nunca terão tido uma única negociação para entrega de medicamentos.»
Paulo Sousa: «O acto de desobediência civil encerra uma vertente de desafio à autoridade, enquanto que num “quero lá saber” existe apenas um misto de apatia e de indiferença. O “quero lá saber” revela um desencontro de sintonia entre o emissor e o receptor, neste caso a autoridade e o cidadão. É como se falassem línguas diferentes, pelo que não é desobediência mas apenas desacerto.»
Eu: «Desde Março de 2020, estivemos cerca de seis meses submetidos a "estado de emergência" - algo inédito em Portugal fora de situações de guerra, impondo drásticas restrições aos direitos, liberdades e garantias consagrados no texto constitucional de 1976. Sempre em nome do combate à pandemia. Desde o tempo em que ninguém podia comparecer "mascarado" à sala de sessões do Parlamento por ordem expressa de Ferro Rodrigues, em que havia municípios a regar as ruas com desinfectante para afugentar o vírus e em que a directora-geral de Saúde, com manifesto receio, abria garrafas de água munida de lenços de papel nas conferência de imprensa em que comparecia a um metro da ministra, estando ambas sem máscara.»
Nuvolari, Lucio Dalla
(Álbum: Automobili, 1976)

«Perguntem a qualquer detido, a qualquer preso político, qual tinha sido o pior tempo que tinha passado e todos dirão a mesma coisa: a solitária. Não importa como lhe chamavam - segregação administrativa, isolamento protector, disciplina individual, reeducação pessoal - o terror de ficarem sozinhas com os seus pensamentos tinha adaptado mais pessoas à vida social do que os Dez Mandamentos, o Credo dos Apóstolos e a Magna Carta juntos.»
K. C. Constantine, O Caso de Joey (1988), pp. 160-161
Ed. Caminho, Lisboa, 1990. Tradução de Ana Mafalda Telo. Colecção Caminho Policial, n.º 120
Quem é mesmo líder, por aptidão natural, nunca necessita de se apresentar com esse rótulo: isso é-lhe reconhecido tanto por apoiantes como por adversários. Tal como os homens sérios também não necessitam de proclamar esta evidência. Uma pessoa apenas "medianamente séria" é algo inexistente.
Este pensamento acompanhou o DELITO DE OPINIÃO durante toda a semana

Paulo Sousa: «Já entendemos que isto é uma corrida de fundo, que cada dia é como mais um passo dado, e por isso estamos cada vez mais perto do fim de tudo isto. Não sabemos é quanto tempo ainda falta, nem em que estado é que lá chegaremos, nem como ficará o mundo depois deste tormento.»
Eu: «O melhor deste mais recente título da preciosa colecção Livros Vermelhos da Guerra & Paz acaba por ser a evocação memorialística: o laurentino [Eugénio] Lisboa recorda os dias da suave infância e adolescência na cidade natal, à beira-Índico, quando ganhou o saudável vício da leitura. Em casa e nos bancos escolares. Nasceu aí este seu amor consumado pelos livros que está longe de se esgotar: "O gosto de ler nunca mais se perde".»
The Woman in the Moon, Barbra Streisand
(Álbum: A Star is Born, 1976)
José Luís Carneiro, candidato único, foi reeleito secretário-geral do PS. Com 96,9% dos votos expressos e 46,8% de abstenções entre os militantes.
ANTÓNIO JOSÉ SEGURO, 8 de Fevereiro:
"Prometi lealdade e cooperação institucional com o Governo, cumprirei a minha palavra. Jamais serei um contrapoder. (...) A estabilidade política que defendo é um meio para garantir condições de governabilidade, nunca um fim para manter tudo na mesma. Terminado um ciclo de três eleições e quatro idas às urnas em apenas nove meses, abre-se um novo ciclo de três anos sem eleições nacionais. Não há desculpas. Portugal tem uma oportunidade única para que os partidos políticos, o parlamento e o Governo encontrem soluções duradouras para resolver os grandes problemas que enfrentamos."
LUÍS MONTENEGRO, 8 de Fevereiro:
"Ao doutor António José Seguro, Presidente eleito, garanto toda a disponibilidade para trabalharmos em prol do futuro de Portugal com espírito de convergência e cooperação, e todo o sentido de servirmos Portugal e o povo português de forma construtiva, cada um ao nível da responsabilidade que a Constituição lhe atribui. Esta cooperação, estou certo, será a nota dominante que garantirá a estabilidade política em Portugal neste período que agora abrimos de cerca de três anos e meio sem eleições nacionais."
Ela merece o destaque. A Romi, que nos acompanha há muito, lendo e comentando. Também com paciência para ir cuidando do seu blogue: é visita que recomendo. Ali nos fala de tudo um pouco enquanto os dias desfilam - um livro que leu, um filme que a emocionou, uma memória que guarda para sempre.
Fazemos parte, ela e nós, desta precária galáxia SAPO condenada à extinção já com data marcada. Para que plataforma alternativa emigrará? Por enquanto, felizmente, ainda é possível lê-la na morada habitual. Esta, a dos Desabafos - nosso blogue da semana.

José Meireles Graça: «Não é da Covid que quero falar. O bicho não tem cor discernível, não tem peso nem superfície apreciáveis, mesmo que em cima dele surfem cobardes políticos, oportunistas sortidos, pobres diabos que se deixaram tolher de medo, e cientistas estreitos transmutados em estrelas da televisão; e nem sequer é um bicho, mas fede.»
JPT: «Esta gente não tem pingo de vergonha.»
Maria Dulce Fernandes: «Nestes tempos de reclusão, a falta que faz viajar lá por fora, cá por dentro, pela imaginação, num sonho, sei lá, arejar os horizontes tão amarfanhados pelo receio e pelas proibições.»
Eu: «O partido-vanguarda funciona sempre como cão-guia. Quando o proletariado usa bengala.»
Non Si Può Morire Dentro, Gianni Bella
(Álbum: Sogni di um Robot, 1976)
«Para muita gente, o que está em causa no Irão é apenas a presidência de Donald Trump num ano de eleições legislativas intercalares nos EUA. Os inimigos de Trump, com esperança, mas também alguns dos seus partidários, com apreensão, encaram a guerra como um erro fatal. Por isso, só conseguem ver como os mullahs podem vencer. Por exemplo, prolongando e alargando a guerra, de maneira a provocar uma crise económica que os eleitores de Trump não lhe perdoarão.
É possível que isto aconteça? É. O Irão vive sob uma ditadura apocalíptica que, como o Hamas em Gaza, não terá problemas em sujeitar o país a todas as destruições, à espera que Trump se inquiete com os custos da guerra e desista, ou que os Democratas, vitoriosos nas eleições de Novembro, o obriguem a desistir. Mas tem de ser assim? Não tem. O objectivo dos EUA e de Israel é acabar com o Irão como fonte de ataques de mísseis e de terroristas. Isso pode ser obtido mudando o regime, ou privando-o de meios. Não é impossível. A população iraniana, como se viu em Janeiro, ressente a ditadura de um clero que vê como arabizado. O Irão está sem defesa aérea, o que tem permitido a americanos e israelitas destruir os seus recursos militares sistematicamente. Isolou-se, ao atacar os países vizinhos e bloquear o estreito de Ormuz. Nem a China e a Rússia impediram que fosse condenado no conselho de segurança da ONU.
Trump pode perder, mas também pode ganhar. Porque é que tão pouca gente admite isso? Por duas razões. Primeiro, porque os críticos da economia de mercado e da democracia liberal criaram no Ocidente uma cultura de derrotismo que contrabalança a sua superioridade tecnológica e financeira. Assenta na ideia de que, por mais recursos que o Ocidente tenha, falta-lhe força moral, por exercer uma “opressão” capitalista sobre o mundo. Os “oprimidos” estariam destinados a vencer. Segundo, porque os políticos ocidentais estão habituados a permitir-se tudo, inclusive usar derrotas no exterior para marcarem pontos uns contra os outros nas suas lutas domésticas. Como neste caso: o que interessa é que Trump vá abaixo, e por isso não importa que os mullahs ganhem.
Importa, sim. Essa nonchalance fazia sentido quando o Ocidente era tão predominante que nenhum revés podia abalar esse domínio. Já não é assim. Há outras potências a emergir no mundo. O Ocidente acolheu muitas populações vindas do exterior, e a sua assimilação depende também da força que for capaz de demonstrar. Uma vitória do Irão seria aproveitada pelos radicais islâmicos para assinalar aos muçulmanos no Ocidente que não têm de se integrar em sociedades afinal decadentes, mas subvertê-las. Foi o que já começaram a conseguir no Reino Unido, ao obterem, a pretexto da “islamofobia” e portanto só a favor do Islão, uma potencial proibição da blasfémia. Voltaire teve esta semana a sua maior derrota num país ocidental. Talvez só Trump o possa salvar.
A guerra com o Irão vai definir o resto do século XXI. Uma vitória dos EUA e de Israel confirmará a supremacia do Ocidente e dos seus valores, e uma vitória da ditadura clerical iraniana o seu declínio. Pode não ser o fim, mas talvez seja o princípio do fim. Terá o Ocidente força moral e histórica para lutar e vencer? É verdade que a civilização ocidental é apenas uma entre outras civilizações. Não quer dizer que não devamos defendê-la como aquilo que valorizamos e nos define. Também é verdade que nenhuma civilização durou sempre, e a das democracias ocidentais talvez acabe um dia. Não quer dizer que não devamos fazer todos os esforços para prolongar o que tem sido e ainda é um dos grandes momentos da humanidade. Temos esse direito – e esse dever.»
Rui Ramos - Observador

«Na vida, e nas memórias que sobre ela se escrevem, os fios condutores são ilusão. O caos, esse sim, é real e palpável.»
J. Rentes de Carvalho, Recordações e Andorinhas, p. 46
Ed. Quetzal, Lisboa, 2025
Endechas a Bárbara Escrava, José Afonso
(Álbum: Cantares do Andarilho, 1968)
Aquela cativa
Que me tem cativo,
Porque nela vivo
Já não quer que viva.
Eu nunca vi rosa
Em suaves molhos,
Que para meus olhos
Fosse mais formosa.

O PSD sempre foi muito semelhante à célebre curva do estádio José Alvalade, onde se concentram os adeptos do Sporting que vaiaram Figo e Rui Patrício, e que ao mínimo desaire acenam com lencinhos brancos exigindo a despedida imediata de treinadores.
Em Março de 2020 Ruben Amorim foi recebido com estridente manifestação de protesto. Ninguém me contou: eu estava lá e vi.
O PSD, como o Sporting, sempre teve estes adeptos de bancada, alguns deles instalados em camarotes. Nenhum líder do partido foi imune às vaias e às vagas de lenços brancos -- nem sequer aqueles que hoje são por lá lembrados com maior consideração e carinho.
Sá Carneiro, o fundador, viveu em permanente tensão interna, enfrentou duas rebeliões abertas no grupo parlamentar laranja que conduziram a outras tantas cisões e só ganhou aura de indiscutível quando, após juntar os cacos, conduziu o partido a duas vitórias eleitorais com dez meses de diferença.
Cavaco Silva, por sinal um dos que acenaram com lenço branco a Balsemão quando liderava a claque da oposição interna, enfrentou igualmente duras divergências nos tempos anteriores às duas maiorias absolutas monopartidárias que obteve para o PSD.
Passos Coelho, que segurou o leme do País em circunstâncias muito difíceis, viu-se confrontado com insistentes críticas de alguns dos seus antecessores na presidência dos sociais-democratas, como Marcelo Rebelo de Sousa e Manuela Ferreira Leite.
O PSD será sempre assim: um partido onde nenhum líder fica imune à contestação interna e até quando desempenha funções governativas vê alguns dos principais disparos partirem não de fora mas das suas fileiras. Basta lembrar que durante a campanha que conduziu os laranjinhas ao poder em 2011, pondo fim ao consulado de José Sócrates, não faltaram militantes com lugar cativo nas tribunas televisivas e da imprensa a vaticinar-lhe um estrondoso desaire eleitoral. Alguns ainda andam por aí.
Não tem mal nenhum.
Se o aquietarem, se o calarem, se o amestrarem, se o amansarem será outro partido qualquer. Mas já não será o PSD. Porque o PSD, para o melhor e o pior, é isto.

Hannah Fry

Cristina Torrão: «Prostitutas inscritas na Segurança Social, com direito a serviço médico, subsídio de desemprego e reforma - que maravilha! A sociedade fica descansada, considera resolvido um problema tão incómodo. A realidade, porém, é muito diferente. A Alemanha tornou-se num verdadeiro centro de tráfico humano, as mulheres circulam por toda a Europa, tornaram-se num produto de compra e venda entre os donos dos bordéis.»
João Sousa: «Serve a presente para informar os potenciais interessados que hoje, às 15:00, a RTP Memória irá transmitir o clássico do film-noir Double Indemnity. Aproveitemos, enquanto podemos, o serviço público prestado por este canal - pois está, talvez não por acaso, com uma espada em permanência sobre a cabeça.»
Paulo Sousa: «A mãe ovelha nunca se tinha visto noutra coisa assim, porque é nova. Tem pouco mais de um ano e nunca tinha parido, mas portou-se bem. Lambeu a cria toda. O meu pai levou a ovelhinha para a barraca e a mãe dela veio logo atrás. O chão levou mais uma camada de palha para ficarem confortáveis. Eu e a minha mãe estivemos do lado de fora da rede a fazer comentários e a dar indicações. Temos uma sacana de uma galinha castanha que dorme no comedouro das ovelhas. Com o sobressalto, estava danada com tanto barulho.»
If You Leave Me Now, Chicago
(Álbum: Chicago X, 1976)