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Viver com medo é vegetar

por Inês Pedrosa, em 23.05.17

Nunca direi à minha filha de 19 anos, que estuda cinema em Londres, que não vá a um concerto ou a uma peça de teatro, que não vá filmar aqui ou ali, que não atravesse a ponte que atravessa todos os dias, que não saia de casa, que se proteja. Persistirei em protegê-la do medo, o maior inimigo da liberdade. Viver com medo é vegetar. 

Alyssa Elsman, uma jovem de 18 anos, foi mortalmente atropelada há um par de dias por um terrorista que lançou um automóvel sobre as pessoas que passeavam em Times Square, Nova Iorque. Podia ter acontecido à minha filha. Será cruel chamar-lhe terrorista: sim, ele disse que queria matar e ser morto, mas não era por nada; estava louco, dizem-me. Terrorista, no meu dicionário, é o que pratica o terror. Nunca há justificação para o terror. Setenta e não sei quantas virgens no céu, um artesão de barbas e voz grossa que teria feito o mundo, a vitória da pureza suprema contra a badalhoquice das mulheres, não são argumentos que me convençam, nem podem ser levados a sério por ninguém. Este, de Times Square, era só doente mental: tivessem-no tratado antes que ele matasse uma menina que tinha direito à vida. Não esquecerei Alyssa. Do assassino não quero lembrar-me. Muitos deles matam para ficar na História, numa página de jornal, Hamlets de sarjeta, míseros assassinos que se vingam por interposta pessoa.

Por isso tenho pedido e continuarei a pedir aos órgãos de comunicação social: não dêem eternidade aos biltres. Apaguem-lhes os nomes. Quando a extrema-direita clama pelo fechamento de fronteiras e expulsão de imigrantes, é útil revelar que estes assassinos, na maioria das vezes, não são imigrantes - parece ser esse o caso do de Manchester. Mas para dizer isso não é preciso dar glória e fama ao seu nome. Este silenciamento dos carniceiros desincentivará futuros criminosos. A juventude é influenciável, pois. Mas a conversa mole sobre a discriminação social como justificação derradeira do terrorismo também não me serve. Há tempos, umas criaturas, certamente acéfalas (ou muito distraídas) chamaram-me «racista» no twitter porque recordei que, se a discriminação social fosse o motor do terrorismo, os negros seriam os grandes terroristas do mundo - e não são, nem nunca foram. Caramba: houve povo mais mal-tratado na história da Humanidade que o de origem africana? Pois é.

De modo que, quer queiramos quer não, acabamos na violência religiosa - e na especialíssima violência contemporânea da religião islâmica. O islamismo radical está furioso com a liberdade de costumes do Ocidente, com os direitos das mulheres e dos homossexuais, com a alegria e a realização sexual. E o islamismo não-radical é - que me desculpem essas santas almas, se existirem - de um silêncio tão ruidoso que me faz mal à cabeça.    

Na Síria, no último ano, morreram centenas de meninas e meninos de todas as idades. Não nos afecta porque não nos imaginamos ali. Imaginamos pouco. Quando a minha filha chorava porque não queria ir para o infantário, eu dizia-lhe: «Estás a chorar porquê? Nasceste no Afeganistão?". Aos três anos de idade falava da vida do Afeganistão a quem a quisesse ouvir. Dizia: «Aquilo é só pedras, não há água. E, se houver, não dão a água às mulheres.»

Nunca disse à minha filha nada sobre a água do Afeganistão. Sucedeu apenas que ela começou a imaginar como seria ter nascido ali. Educação é empatia com o sofrimento humano, ou não é nada. Penso assim. Penso, logo existo, dizia Descartes - frase ainda hoje revolucionária.     

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16 comentários

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De V. a 23.05.2017 às 21:03

é útil revelar que estes assassinos, na maioria das vezes, não são imigrantes

Já foram. São quase todos de origem árabe e de países islâmicos. Muita gente quer tapar o sol com a peneira mas a realidade insiste em contrariar essa bondade. A evidência de que qualquer um (os ditos "britânicos" e tudo) se transforma num jihadista do dia para a noite prova que essa cultura nunca os abandonou, normalmente por laços de sangue e que o islamismo, ao contrário do cristianismo e até do judaísmo, contém esse rastilho de inveja, rancor e ódio. E que esse genoma está sempre vivo: ou está activo ou está em silêncio, porque a glória de Allah inclui necessariamente a destruição de todos os outros deuses e dos infiéis. Porquê? Porque só assim se vingará a escrava Agar, que foi humilhada. Talvez um dia percebam isto, mas tenho as minhas dúvidas. Podem ser "pecês" quanto desejarem, mas a realidade vai continuar a desmentir-vos e um dia vai bater-vos mesmo à porta. Aí vão perceber que o islamismo (que vem das fúrias antigas de Baal) não se domesticará nunca.
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De Inês Pedrosa a 24.05.2017 às 01:16

"Um pouco mais de sol - eu era brasa,/ Um pouco mais de azul - eu era além". No "Quase" é que está o busílis. Que faremos aos muitos que sobram do quase?
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De Pedro Correia a 23.05.2017 às 21:44

Aplaudo o teu texto, Inês. E destaco estas frases, em que me revejo por inteiro:
«Viver com medo é vegetar.»
«Nunca há justificação para o terror.»
«Se a discriminação social fosse o motor do terrorismo, os negros seriam os grandes terroristas do mundo - e não são, nem nunca foram.
«Educação é empatia com o sofrimento humano, ou não é nada.»

Partilho novamente contigo a defesa intransigente do princípio da publicitação do nome destes assassinos como forma de prevenir fenómenos de mimetismo e emulação em busca dos 15 minutos de fama nos telediários de todo o mundo.
Receio no entanto que esta nossa batalha esteja a ser perdida. Ainda esta tarde, num intercalar noticioso de uma das principais rádios portuguesas, ouvi mencionar SETE vezes o nome do sujeito que matou tanta gente em Manchester.
A glória póstuma deste assassino está garantida.
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De tric.Lebanon a 23.05.2017 às 23:05

"Viver com medo é vegetar. "
.
e não só...viver com medo é também ter a certeza que isto ainda é só o prenuncio do que vem ainda por ai...
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De Inês Pedrosa a 24.05.2017 às 00:22

Obrigada, Pedro. A não publicitação dos nomes dos assassinos ajudaria de facto a diminuir o contingente de carne para canhão destas cruzadas. A referência à glória eterna é uma constante nos velhacos que seduzem jovens mentalmente frágeis para o suicídio assassino - e é curioso que esses velhacos nunca se põem a si próprios com um colete de bombas à cintura; têm pressa de fazer com que os jovens cheguem ao céu, mas nenhuma pressa de lá chegarem eles mesmos. A declaração solene e orgulhosa de entrada na posteridade é, aliás, recorrente, entre os jovens terroristas que sobrevivem - sejam eles da extrema-direita racista (como o autor do massacre na Noruega, em 2011) ou fundamentalistas islâmicos em busca da aura do martírio heróico. Seria óptimo se a comunicação social de todo o mundo ocidental se unisse nesta atitude de combate efectivo ao terrorismo.
Estes ataques servem também, como é visível a todos os níveis, a começar pelas redes sociais, para exacerbar os mais primários sentimentos de xenofobia e racismo, de uma forma chocante, infame - destruindo assim o Ocidente a partir do seu interior.
Defender a liberdade e os direitos humanos não é uma cor à escolha num catálogo com várias tendências; respeitar a individualidade de cada um não é igual a querer matar o diferente. Não se trata de um debate de valores equivalentes, mas de defender a vida e a liberdade contra a opressão e à morte. Chamem-me presunçosa e eivada de "sentimentos de superioridade", a ver se eu me ralo. Já dei para essas mistificações, que têm o objectivo firme e decidido de diminuir os democratas e destroçar as democracias.
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De tric.Lebanon a 24.05.2017 às 01:17

o quê!!!??? Censura!!!! branqueamento dos actos dos Mohameds...era só o que faltava...Jacobinismo Islamico já quer branquear os mohameds...querem branquear como branquearam a manada de Jihadistas que sairam da Europa para ir destabilizar a Siria com grande impacto a nivel regional...
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De Vento a 24.05.2017 às 01:34

"Já dei para essas mistificações, que têm o objectivo firme e decidido de diminuir os democratas e destroçar as democracias."

Os outros afirmam o mesmo sobre a destruição de sua cultura e estrutura social.
Parece-me que o problema dos "democratas" é pretenderem colonizar todos os demais. Aliás, a colonização é uma perspectiva da dita democracia ocidental, que deixou de ser territorial para ser cultural. Mas sempre com interesses económicos na manga, e não só.
O problema em muitos círculos ocidentais é usar o proselitismo cultural para atingir outros objectivos. E estes círculos, consciente da facilidade de manipulação dos "democratas", e em nome da democracia, lá vão cometendo muitos erros, precisamente porque os "democratas" os apoiam.

A Inês não percebeu que há muitos anos certas regiões têm vindo a ser fustigadas por essas enormes "calorias" da democracia, e agora eles estão em posição de retaliar no próprio território dos que consideram agressores. Por isso mesmo se diz que vivemos em guerra, e não conheço uma só guerra com ética e que tenha forçosamente que ocorrer fora do território de um dos beligerantes.

O Homem também possui a capacidade de ser selectivo, por isso escolhe a religião que quer, a mulher e o homem que quer e aceita, o grupo com que viver...
Parece-me que o problema dos "democratas" é fazerem exactamente o mesmo que os seus opositores, isto é, a imposição das teorias que são incapazes de realizar.

Sabe quando é que os judeus começaram a ter melhor relacionamento com os seus próximos da Samaria? Quando Filipe, um judeu-cristão, decidiu dar lugar ao Espírito para superar as diferenças. Enquanto era somente judeu-fariseu não passava de um legalista. Depois que se tornou cristão esvaziou-se de si mesmo e, dando lugar ao Espírito, compreendeu a possibilidade do bem em todos, até mesmo nele.
O mesmo problema se colocou quando pretendiam levar a circuncisão aos gentios, um problema cultural e não religioso. Mas acabou por ser superado deixando que os gentios fossem o que eram neste particular e os judeus continuassem como faziam. É uma questão aparentemente simples que criou grandes clivagens, mas o Espírito venceu.
Por isso Paulo afirma a circuncisão do coração, que os judeus julgavam ser o órgão dos pensamentos. É aqui que se encontra a necessidade de purificação.

Concluindo, os "democratas" são tão fundamentalistas e cegos quanto os cegos fundamentalistas que acusam.
Portanto: "tira o argueiro primeiro de teu olho para que possas, depois, ajudar o teu irmão."
Estou em crer que os "democratas" não vão lá sem religião.
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De Maria Dulce Fernandes a 23.05.2017 às 21:49

Excelente texto. Concordo com tudo o que escreveu. Somos nós que criamos os ídolos danados em falando ad nauseam sobre as suas acções cobardes, em lhes dando inesgotável tempo de antena e voz à vergonha letal que cometeram, que não é de todo terror, é apenas um absurdo corrosivo sem nome e sem raiz, que nunca deveria ter tido história, porque esta escória alimenta-se da mediatização .
Também não acredito que não se saiba onde está e quem é que instiga a extinção da vida como palavra de um deus qualquer.
Ter medo é definhar, é esconder-se nas frestas, é não existir. É dar vitórias a sicários do vazio.
Recuso-me a ter medo. Morrer, morremos todos um dia.

Mais um louco resolveu suicidar-se e massacrar crianças inocentes em nome de um futuro brilhante no qual estará bem morto. O Massacre dos Inocentes também aconteceu e não foi terrorismo, foi politica.
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De V. a 24.05.2017 às 00:32

Não era louco — era um guerreiro muçulmano.

Somos nós que criamos os ídolos danados em falando ad nauseam sobre as suas acções cobardes

Não bastando o fardo do homem branco e o imperialismo americano e a escravatura (que foi inventada pelos árabes e pelos asiáticos que ainda hoje a practicam — esquecem-se sempre deste pormenor), agora temos também o fardo do jornalista tablóide. Por acaso até acho bem a esta: sempre achei que a culpa disto tudo era vossa, porque gente normal nunca os teria deixado cá entrar.
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De Inês Pedrosa a 24.05.2017 às 01:27

Oh! E eu que pensava que a escravatura tinha sido inventada na decantada Grécia Antiga! Nem isso?
«Gente normal», ah, que belo conceito; aquela rapaziada nazi que foi julgada em Nuremberga depois da 2ª Guerra Mundial também reivindicava pertencer a essa «norma» tão desesperadamente humana
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De V. a 24.05.2017 às 02:41

É bem mais antiga do que isso — os Judeus, aliás, terão fugido da escravatura no Egipto muito antes de qualquer tribo grega existir. E muito antes até de os Europeus deixarem os carneiros e o hidromel e se tornarem nos cristãos malvados que foram para o novo mundo matar índios (curiosamente estavam lá todos quando os brasileiros se tornaram brasileiros e só começaram a desaparecer depois disso), já os Hititas e toda aquela cangalhada psicopata da Mesopotâmia e do planalto iraniano andavam por ali a distribuir porrada uns aos outros (contra os quais os Gregos bem mais tarde tiveram de se defender), portanto a culpa do homem branco para mim é xarope para a tosse. Não alinho na cartilha revisionista dos marxistas, sorry.
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De Inês Pedrosa a 24.05.2017 às 01:22

Obrigada. Ter medo é não existir, é exactamente isso.
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De Luís Naves a 23.05.2017 às 23:42

Apagar os nomes dos biltres faz lembrar um bocadinho aquela ideia que corria nas redacções de não dar notícias sobre suicídios, por causa das cópias, mas que no fundo é uma noção que nunca impediu um suicídio. Um terrorista radicalizado a este ponto acha que os seus valores são de outro domínio, por isso está-se nas tintas para a eventual não publicidade ao seu nome em meios de comunicação que despreza, sabendo que ocupará o seu devido lugar num paraíso fora desta Terra. E se os seus valores são de outro mundo, que lhe importa a glória e a fama neste? Não sendo obviamente essa a motivação, para que pode servir ocultar o nome do terrorista?
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De Inês Pedrosa a 24.05.2017 às 01:09

A radicalização faz-se por emulação, também - de resto, a emulação é uma característica da natureza humana. São inúmeros os testemunhos de terroristas (e/ou de familiares de terroristas) que se declaram destinados à glória. A juventude é particularmente sensível ao culto do heroísmo e do martírio.
Em última análise, e mesmo que esta omissão deliberada, a ser praticada, não se demonstrasse eficaz como método preventivo, seria sempre uma importante tomada de posição ética. Ou a ética e a deontologia da comunicação social esgotam-se nas críticas ao sensacionalismo dos tablóides?
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De Vento a 23.05.2017 às 23:43

A sua reflexão seria por mim acolhida não encontrasse eu nela uma espécie de superioridade de convicções.
Acontece que o jovem de 22 anos, que se transformou em simultâneo num suicida e num homicida, também as tinha. Mas este já cá não está para contar a sua convicção.
Sim, dir-me-á talvez: Era jovem, são os mais facilmente manipulados.

A sua filha imaginou sobre o Afeganistão pela manipulação que fazia de sua consciência face à questão que verte. Mas aqui dirá que é educação.

A pergunta que colocava a sua filha, no contexto e eventualmente no tom, levaram-na a associar Afeganistão com maldade e crueldade, por isso imaginou como imaginou. Tivesse a Inês nascido e vivido no Afeganistão e gostaria de ver essa outra perspectiva.

"Caramba: houve povo mais mal-tratado na história da Humanidade que o de origem africana? Pois é."
Não, não é. A Inês até é capaz de medir os maltratos. Os povos ameríndios também foram maltratados. Os bosquímanos também foram maltratados pelos seus de cor idêntica. Os negros também se refugiaram no tribalismo (é uma realidade que não está ultrapassada), e vitimaram-se uns aos outros, incluindo no comércio de escravos. Os povos europeus foram vitimas de si mesmos, também fazendo vitimas, e a ainda o são.

A Inês tem uma visão ficcionada sobre a realidade. No papel pode imaginar-se o que se quer.
Certamente que terá gostado de ver Obama na presidência americana. Eu, na perspectiva que coloca sub-repticiamente, teria gostado muito mais se tivesse sido eleito um índio.

Poderei mesmo afirmar que o problema no ocidente não é mesmo de religião, é ignorância.
Já agora, também existem outros africanos. Alguns destes designados por berberes. Será que também inclui estes no molho dos maltratados?

Sim, cogito ergo sum. Qual dos dois está a pensar melhor?
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De campus a 24.05.2017 às 14:49

Inês Pedrosa, a senhora deveria ser condecorada por Abu Bakr al-Bagdadi.
Esta crónica faz mais pelo islamismo que dezenas de ataques assassinos.

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