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Ver para crer

por Teresa Ribeiro, em 05.11.14

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Quantas pessoas serão alérgicas aos kiwis? Suponho que a percentagem em relação à população total não é relevante, mas eu conheço uma. Descobri que tinha esse problema no dia em que a vi com a cara desfigurada, tal era o inchaço e a vermelhidão. Expllicou-me que só tinha tocado numa faca que antes servira para cortar aquele fruto. Mas fora o bastante.

É inacreditável como a reacção do corpo pode ser tão exuberante, mesmo quando o contacto é mínimo. É inacreditável, mas acredita-se. Apesar de a maioria das pessoas não ser reactiva ao kiwi, acredita-se na reacção alérgica porque vê-se.

Noutras situações, como a intolerância alimentar ou medicamentosa, já é mais difícil fazer prova do que se passa. As queixas correspondem a uma reacção psicossomática, ou a um verdadeiro problema funcional? Na dúvida... duvida-se, sobretudo quando falamos de administração de fármacos. Os médicos, que detestam que um doente se queixe dos efeitos secundários do que receitam, guiam-se pela estatística: se a maioria dos seus doentes metabolizam bem o medicamento X, é porque esse medicamento não faz mal. E se a bula refere efeitos secundários não interessa nada, porque o que vem lá, argumentam, não é necessariamente verdade. Não é? Ou continuamos no universo da estatística? As bulas referem "efeitos possíveis". Quer dizer que podem ocorrer, ainda que numa percentagem da população pouco significativa. Certo? 

Voltemos ao kiwi. Alguém acreditaria que o simples toque num objecto que cortou um fruto que não incomoda ninguém pudesse estar na origem de uma reacção alérgica tão impressionante caso não se visse? 

Os médicos pecam, demasiadas vezes, por excesso de confiança no que receitam e de desconfiança nas pessoas que atendem.

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3 comentários

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De Marcha Lenta a 05.11.2014 às 15:54

As bulas hoje em dia referem tantos efeitos possíveis que quem as ler só toma os medicamentos se for um trazan.
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De Filomena a 06.11.2014 às 15:43

Faço parte da irrelevante percentagem de pessoas alérgicas ao Kiwi. Não terei uma reação extrema, de um simples toque me causar inchaço, mas não o posso ingerir ( ou comer uma salada de frutas que tenha kiwi, mesmo que o coloque de parte), ficando com as vias respiratórias num estado lastimável, dificultando a respiração normal .
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De Cristina Torrão a 09.11.2014 às 12:53

Tenho problemas com muitas frutas, desde o kiwi, ao exótico ananás e à comum e (julgada) inofensiva maçã. Os resultados não são tão extremos, ficam-se pelo arranhar da garganta (como quando está para começar uma constipação) e um formigueiro na língua e nas gengivas. É o suficiente para evitar fruta, já só me atrevo com a banana (sem interpretações abusivas, f.f. ;)
Essa questão das alergias é grave e os médicos deviam realmente levá-las mais a sério, não nos fazendo sentir que somos uns exagerados, ou uns piegas hipocondríacos. Uma reação alérgica pode matar!

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