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Ventos de Espanha

por Pedro Correia, em 22.05.16

Imaginem o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista, coligados, ultrapassando o PS como força eleitoral. É o equivalente a isso que ressalta da sondagem de hoje do El País sobre as intenções de voto para as legislativas de 26 de Junho em Espanha.

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20 comentários

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De V. a 22.05.2016 às 14:09

Cumpre-se pela primeira vez o velho ditado. É como as imemoriais tradições de Barrancos que têm só meio século ou nem tanto. (A propósito de Barrancos, lembremos como o PS negoceia sempre excepções à regra — e como é triste termos um país refém dos partidos sem nada acima deles)
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De Pedro Correia a 22.05.2016 às 19:58

Quiseram lançar paus em Barrancos. Mas lá o trunfo é espadas.
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De Costa a 22.05.2016 às 15:38

A Europa de facto parece acabar nos Pirenéus . Para sul, da venalidade e falta de escrúpulo dos políticos ao primitivismo abaixo de elementar do povo (dos eleitores), não sei o que há. Sei que coisa boa não é.

Costa
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De V. a 22.05.2016 às 19:29

Então é melhor abrigar-se porque o seu partido já mandou vir mais uns milhares de incultos supersticiosos de raças inferiores.
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De Costa a 22.05.2016 às 21:45

O meu partido? Vejamos se consigo ser um pouco mais claro:

- o partido que actualmente ocupa o governo de Portugal é para mim, e isto sem inocentar qualquer outro, por larga margem a principal organização de parasitagem dos recursos nacionais a benefício de uma clientela manifestamente insaciável.

- trata-se de uma organização onde os mais elementares vestígios de escrúpulo há muito estão perdidos e em cujos membros está solidamente estabelecida a ideia de que detém uma espécie de direito divino ao poder. Só assim se explica a manobra pós-eleitoral de há uns meses atrás, após a fragorosa derrota da organização e do seu líder, líder que tempos antes defenestrara expeditivamente o seu antecessor, fazendo-o sob uma argumentação que torna ainda mais obscena tal manobra. Só assim se explica, também (com tal direito divino que fará essa gente sentir-se acima da mais básica decência), a contínua submissão do grupo em causa a certo bacharel em engenharia. E assim se explica igualmente o terror que esse grupo procura aplicar sobre a comunicação social que lhe não seja afecta.

Isto quanto ao partido. Ora salvo meu grosseiro erro de interpretação do seu texto, o partido a que acima aludo e aquele que pretende intensificar o acolhimento de refugiados (tema sobre o qual aqui nada mais direi) são um e o mesmo. De acordo consigo, portanto, o meu partido.

Isto assente, quanto ao eleitorado o que nos é dado constatar? Vejamos:

- em Portugal é continuadamente muito significativa, ainda que minoritária (até ver), sendo todavia bastante para condicionar a evolução do país, a votação em organizações cujos programas pretendem a aplicação de soluções em cujo historial está a comissão dos mais graves crimes contra a humanidade. Soluções de um fracasso inquestionável, de uma maldade exuberantemente demonstrada e que, desde logo, nos impediriam de estar a ter esta troca de palavras. Todavia uma percentagem considerável do povo parece acreditar na bondade de tudo isso, não hesitando aliás a organização que actualmente detém o governo - por essas entidades até há bem pouco tempo tão metódica quanto odiosamente flagelada - a com elas celebrar termos que lhe permitam aguentar-se no poder. Nem que num seu exercício puramente formal.

- Apesar da ruína em que dolosamente lançou o país, e sem uma palavra de público reconhecimento dos seus erros (e de facto, havendo dolo não há erro; há culpa) a organização que actualmente detém o governo de Portugal obteve nas últimas eleições legislativas suficientes votos para poder desencadear a manobra que conhecemos e, parece, de acordo com recentes sondagens vai aumentando o seu favor junto do eleitorado. Isto apesar de todos os alertas quanto às consequências próximas das suas opções governativas.

- temos então um eleitorado que entre o fanatismo, o desespero e a falta de cultura (e não apenas política), manifesta em minha modesta opinião um primitivismo grave, que ultrapassa já o que se poderia bondosamente aceitar sob a máxima gentil de que se não governa nem se deixa governar e que, ao aceitar acriticamente todas as promessas impossíveis de cumprir (seja em si mesmas, seja arrastando com elas outras medidas que, pelo menos, as neutralizarão), condena o país ao que vamos testemunhando. E pagando. Uma e outra vez.

Esclarecido sobre o que penso do "meu" partido, de acordo consigo, e dos cidadãos do meu país, e porque estabeleço essa fronteira geográfica?

Costa
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De J. L. a 22.05.2016 às 23:41

"após a fragorosa derrota da organização e do seu líder, ". Pode ter razão em tudo mas aqui mente de maneira fragorosa. Só acredita quem não souber somar. Os votos do PS+PCP+BE+Verdes quanto dá? Acredita que estes votos são de pessoas que queria que PSD+CDS continuassem? Vá lá, não brinque. Não gosta mas a realidade é cruel (para si).
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De Costa a 23.05.2016 às 00:29

É chover no molhado, enfim. Não ganhou as eleições, o PS, muito menos com maioria absoluta. Para conseguir o poder, houve que ir submissamente escutar e aceitar as condições de organizações cujo modelo de sociedade é, mais do que diferente, incompatível com os valores que o PS chamava seus. Organizações para quem o PS representa historicamente a traição. Numa conduta e opção em momento algum revelada antes das eleições, desconhecida do eleitorado que acreditou no PS (como se estar contra PSD e CDS, fosse igual, implicasse por natureza, receptividade, afinidade com o PCP, BE e, já que faz tão cuidada precisão, essa invenção do PC chamada Verdes).

É isto vitória?

É uma decisão de sobrevivência, de garantia de empregos, sinecuras e favores para uma clientela sôfrega e que já se impacientava. E para um "líder" que de outro modo ficava sem ganha-pão, queimado no partido e, cá fora, o quê? Mais um advogado?

Não é vitória e muito menos vitória que se guarde com orgulho. São manhas de sobrevivente. De sobreviventes. Tudo é vitória se garantir privilégios e se honra, dignidade, coerência não passarem de valores assaz fluidos (habitualmente essa gente safa-se e bem, aí estaremos de acordo).

Quanto a realidade, sim, receio bem que venha a ser cruel. E também para si.

Costa
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De Tiro ao Alvo a 23.05.2016 às 08:20

Acompanho-o inteiramente. Nunca acreditei que uma coisa destas nos poderia acontecer e estou convencido que uma boa parte dos apoiantes do PS pensam como eu.
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De V. a 23.05.2016 às 11:19

Ah, então também não votou neles? Nunca encontro ninguém que o tenha feito..
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De Tiro ao Alvo a 23.05.2016 às 14:23

Nunca encontrou ninguém que tenha votado no PS? Olhe que uma em cada três pessoas que foram votar, votaram PS. Mesmo com a abstenção elevada que houve, cerca de 50%, um em cada seis pessoas com idade de votar, votou PS. Tudo isto quer dizer que é fácil encontrar votantes do PS.
Mesmo sabendo que é maior o número de pessoas que, como eu, votaram na coligação (que foi quem ganhou a eleições), não compreendo que seja assim como diz, que não é fácil encontrar um eleitor da geringonça.
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De Anónimo a 22.05.2016 às 18:16

Diz-se que "De Espanha, nem bom vento, nem bom casamento». Ou a sociedade matrimonial de lá é mais coesa do que a de cá em todos os aspectos, ou não tarde e seremos a Ibéria das Geringonças.
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De Pedro Correia a 22.05.2016 às 19:53

Como se dirá geringonça em castelhano?
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De Maria Dulce Fernandes a 22.05.2016 às 23:58

Mau, isto de me sair em branco, já está a ser muito chato....
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De Anónimo a 22.05.2016 às 18:30

"Imaginem o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista..." Depende da nossa visão do mundo. Para quem é de direita isso seria uma desgraça. Para quem é de esquerda (meu caso) isso é uma agradável esperança (difícil de atingir, parece-me). Para quem é democrata: aceita o que o eleitorado escolher.
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De Pedro Correia a 22.05.2016 às 19:53

Que pensamento tão profundo. Sinto-me esmagado.
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De jo a 22.05.2016 às 20:39

É por isso que não há lugares cativos em democracia. Os sucessivos escândalos dos com figuras dos partidos tradicionais não matam mas moem.
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De Pedro Correia a 22.05.2016 às 20:43

Plenamente de acordo: não há lugares cativos em democracia.
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De J. L. a 22.05.2016 às 21:33

Profundo? Tem toda a razão, o comentário tem a mesma profundidade do post como é evidente.
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De lucklucky a 23.05.2016 às 03:20

Qual surpresa?
Os "Idiotas Uteis" - jornalistas e universitários na maioria- ganharam a Esquerda e desmantelam no processo os seus antigos mentores da Esquerda moderada e Comunistas.
Uma inversão de poder na Esquerda.
A endoutrinação passou dos partidos para os media e a escola. Os compagnons de route tornaram-se os líderes. Quem controla a mensagem manda.

Bernie nos EUA
Corbyn no UK
etc etc.

O BE e PCP vão ultrapassar o PS porque a cultura dominante é o Marxismo. È isso que domina o discurso das Igrejas dos nossos dias: Os jornais e TVs.
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De do norte e do país a 23.05.2016 às 11:08

O insulto preferido da esquerda é "neoliberal". Também referem amiúde capitalismo selvagem.
Na realidade existe uma espécie de neoliberalismo de populismo selvagem de esquerda que vai tentando tomar o poder aqui e ali, sem escrúpulos. Nesse movimento vão insultando os adversários baseados nos piores defeitos que eles próprios possuem.

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